Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

200 pessoas gravaram o nome na pedra da basílica de S. Pedro

Nestas vésperas da festa da Imaculada Conceição de Maria, no próximo dia 8 de Dezembro, vale a pena recordar o caminho percorrido.

O Papa Francisco diz que a doutrina não muda, mas a Igreja progride na sua compreensão. Efectivamente, Jesus ensinou que «todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas» (Mt 13, 52). O Concílio Vaticano II descreve esta dinâmica de fidelidade e descoberta dizendo que «a Igreja é confortada pela força da graça de Deus (...) para que não se afaste da perfeita fidelidade (...) e, sob a acção do Espírito Santo, não cesse de se renovar» («Lumen gentium», 9). A graça concedida a Nossa Senhora é uma destas descobertas: Imaculada, Auxiliadora, Medianeira, Mãe da Igreja!...

Não se inventou. Mais que estabelecer uma doutrina nova, a Igreja compreendeu a necessidade de se embeber na lógica de Deus, que exalta o que é pequeno, o que parece desprezível aos olhos dos homens, para o tornar uma peça-chave da história da humanidade. A colaboração de Maria na obra da redenção faz parte desta lógica divina. Ela não é Deus, não tem a seu favor o título da omnipotência divina. A eficácia de Maria vem da graça de Deus que multiplica infinitamente a pequenez humana e torna operativa a vida dos que Lhe são fiéis. Maria amou sem reservas e Deus fê-la rainha de todo o universo.

A doutrina da Imaculada Conceição sintetiza duas verdades que a Igreja compreendeu cada vez melhor. A primeira é que Nosso Senhor não Se deixa vencer em generosidade. A segunda é que a graça transforma tão completamente os actos humanos que converte os gestos mais simples em marcos históricos, enquanto o tempo desfaz em pó as epopeias vistosas.

Ir buscar água ao poço. Preparar a refeição do marido e do Filho. Cantar com umas amigas à sombra de uma árvore. Que há para dizer?

A vida de uma mulher simples, numa pequena aldeia de um país da periferia do Império Romano, ergue-se acima de todas proezas da humanidade, de todas as conquistas e lideranças. Maria, a jovem rapariga de Nazaré, vale mais, para Deus, que todas as glórias da Terra. Proclamar a Conceição Imaculada de Maria foi a forma de a Igreja manifestar a Deus que tinha compreendido a mensagem.

Para acompanharem o Papa Pio IX na definição do dogma, reuniram-se em Roma quase duzentos bispos. Concretamente, 54 cardeais, 42 arcebispos e 98 bispos. Chegaram do outro lado do Atlântico e das costas do Pacífico e das margens do Índico. Nunca se tinha visto uma reunião internacional tão numerosa e representativa da terra inteira. Antes, Pio IX consultara cada bispo do mundo e recebera respostas afirmativas entusiasmadas. Um pequeno número de cartas perdeu-se no correio e um ou outro bispo chamou a atenção para o perigo de alimentar equívocos em ambientes protestantes. O bispo Achille Ratti, que viria a ser Papa com o nome de Pio XI, foi um dos que alertou para esse perigo. Em face das respostas, Pio IX tomou a decisão.

8 de Dezembro de 1854. O momento da proclamação foi soleníssimo. Nas basílicas antigas, as pessoas não se sentavam em bancos, mas apertavam-se em pé, de modo que, onde hoje cabem 30 mil pessoas sentadas, poderiam estar naquele dia umas 60 mil. Pio IX contou que, quando começou a ler o decreto, percebeu que não se faria ouvir no fundo da basílica mas, ao chegar à definição do dogma, Deus deu-lhe uma tal energia que a sua voz ecoou de uma ponta à outra. Ficou tão emocionado, que teve de suspender a leitura, sem conseguir conter as lágrimas. O embaixador da França relata que não foi só o Papa a emocionar-se e a derramar abundantes lágrimas. No momento em que ele se calou, «a emoção conquistou toda a assembleia. Houve um instante de interrupção e de silêncio que dizia mais que qualquer eloquência imaginável. O Santo Padre elevou os olhos ao céu a pedir a força que lhe faltava e recuperou pouco a pouco a sua voz sonora e harmoniosa que, imediatamente a seguir, transportava à extremidade do edifício as suas palavras sacramentais».

Os bispos de todo o mundo que acompanharam o Papa na cerimónia de proclamação do dogma gravaram os seus nomes em grandes letras maiúsculas na parede lateral da abside da basílica de S. Pedro, com uma pequena introdução a recordar a Nossa Senhora o que tinham feito naquele dia.

Pouco depois, a 25 de Março de 1858, Nossa Senhora apareceu em Lourdes, nos confins da França, dando-se a conhecer como a Imaculada Conceição. Quem me dera ter o nome escrito naquela parede da basílica de S. Pedro.
José Maria C.S. André

Deus costuma procurar instrumentos fracos

– Estamos gostosamente, Senhor, na tua mão chagada. Aperta-nos com força!, espreme-nos!, de modo que percamos toda a miséria terrena!, que nos purifiquemos, que nos inflamemos, que nos sintamos empapados no teu Sangue! E depois, lança-nos longe!, longe, com fome de messe, para uma sementeira cada dia mais fecunda, por Amor de Ti. (Forja, 5)

Sem grande dificuldade, poderíamos encontrar na nossa família, entre os nossos amigos e companheiros – para não me referir já ao imenso panorama do mundo – tantas pessoas mais dignas do que nós de receber o chamamento de Cristo. Mais simples, mais sábias, mais influentes, mais importantes, mais gratas, mais generosas...

Eu, ao pensar nisto, fico envergonhado. Mas compreendo também que a nossa lógica humana não serve para explicar as realidades da graça. Deus costuma procurar instrumentos fracos para que se manifeste com evidente clareza que a obra é sua. O próprio S. Paulo evoca com estremecimento a sua vocação; e por último, depois de todos, foi também visto por mim, como por um aborto. Porque eu sou o mínimo dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. Assim escreve Paulo de Tarso, homem de uma personalidade e de um vigor que a história não fez mais do que engrandecer.

Fomos chamados sem mérito algum da nossa parte, dizia-vos. Realmente, na base da nossa vocação está o conhecimento da nossa miséria, a consciência de que as luzes que iluminam a alma – a fé – o amor com que amamos – a caridade – e o desejo que nos mantém – a esperança – são dons gratuitos de Deus. Por isso, não crescer em humildade significa perder de vista o objectivo da escolha divina: ut essemus sancti, a santidade pessoal.

Agora, tomando como ponto de partida essa humildade, podemos compreender toda a maravilha da chamada divina. A mão de Cristo colheu-nos num trigal: o semeador aperta na sua mão chagada o punhado de trigo; o sangue de Cristo banha a semente, empapa-a. Depois, o Senhor lança ao ar esse trigo, para que, morrendo, seja vida e, afundando-se na terra, seja capaz de multiplicar-se em espigas de oiro. (Cristo que passa, 3)

São Josemaría Escrivá

Novena da Imaculada Conceição com textos de São Josemaría Escrivá - 30 de novembro

Maria, a cheia de graça

Amigos de Deus, 292 É a cheia de graça, a suma de todas as perfeições; e é Mãe. Com o seu poder diante de Deus conseguirá o que lhe pedirmos; como Mãe, quer conceder-no-lo. E, também como Mãe, entende e compreende as nossas fraquezas, anima-nos, desculpa-nos, facilita o caminho, tem sempre o remédio preparado, mesmo quando parece que já nada é possível.

Amigos de Deus, 292 Talvez agora algum de vós possa pensar que o dia ordinário, o habitual ir e vir da nossa vida, não se presta muito a manter o coração numa criatura tão pura como Nossa Senhora. Convidar-vos-ia a reflectir um pouco. Que procuramos sempre, mesmo sem especial atenção, em tudo o que fazemos? Quando nos move o amor de Deus e trabalhamos com rectidão de intenção, procuramos o que é bom, o que é limpo, o que dá paz à consciência e felicidade à alma. Também cometemos muitos erros? Sim, mas precisamente reconhecer esses erros é descobrir com maior clareza que a nossa meta é esta: uma felicidade que não passe, profunda, serena, humana e sobrenatural.

Amigos de Deus, 292 Existe uma criatura que conseguiu nesta terra essa felicidade, porque é a obra-prima de Deus: a Nossa Mãe Santíssima, Maria. Ela vive e protege-nos; está junto do Pai e do Filho e do Espírito Santo, em corpo e alma. É Aquela mesma que nasceu na Palestina, que se entregou ao Senhor desde menina, que recebeu a anunciação do Arcanjo Gabriel, que deu à luz o Nosso Salvador, que esteve junto d’Ele ao pé da Cruz.

Santo Rosário, comentario ao IV mistério gozoso Segundo a Lei de Moisés, uma vez decorrido o tempo da purificação da Mãe, é preciso ir com o Menino a Jerusalém, para O apresentar ao Senhor (Lc II, 22). E desta vez, meu amigo, hás-de ser tu a levar a gaiola das rolas. – Estás a ver? Ela – a Imaculada! – sub- mete-se à Lei como se estivesse imunda. Aprenderás com este exemplo, menino tonto, a cumprir a Santa Lei de Deus, apesar de todos os sacrifícios pessoais? Purificação! Sim, tu e eu, é que precisamos de purificação! Expiação e, além da expiação, o Amor. – Um amor que seja cautério: que abrase a imundície da nossa alma, e fogo que incendeie, com chamas divinas, a miséria do nosso coração.

Amigos de Deus, 189 Recorramos a Ela, tota pulchra, seguindo um conselho que eu dava, há muitos anos, àqueles que se sentiam intranquilos no seu empenho diário por ser humildes, limpos, sinceros, alegres e generosos: Todos os pecados da tua vida parecem ter-se posto de pé. – Não desanimes. – Pelo contrário, chama por tua Mãe, Santa Maria, com fé e abandono de criança. Ela trará o sossego à tua alma.

Oração
É justo, Senhora, que me dês um presente, como prova de carinho: contrição, compungir-me dos meus pecados, dor de Amor... Ouve-me, Senhora, Vida, e Esperança minha, conduz-me pela tua mão – tenuisti manum dexteram meam! – e, se existe algo agora em mim que desagrada ao meu Pai-Deus, faz com que o veja e, pelos dois, arrancá-lo-emos.
Apontamentos, 7-X-1932

A proximidade de Deus

Ao prepararmos a eminente celebração do nascimento de Jesus em Belém, estas semanas levam nos a perceber como Deus se aproxima em cada instante de nós, nos espera nos sacramentos, especialmente nos da Penitência e da Eucaristia, mas também na oração e nas obras de misericórdia.

D. Javier Echevarría (excerto da carta apostólica de dezembro de 2016 com tradução de JPR a partir do espanhol)

O primeiro a ser chamado, o primeiro a dar testemunho

«Como é bom, como é agradável, viverem os irmãos em unidade» (Sl 132, 1). [...] Depois de ter estado com Jesus (Jo 1, 39), e de ter aprendido muitas coisas, André não guardou esse tesouro para si: apressou-se a ir ter com seu irmão, Simão Pedro, para partilhar com ele os bens que recebera. [...] Repara no que ele diz ao irmão: «Encontrámos o Messias (que quer dizer Cristo)» (Jo 1, 41). Estás a ver o fruto daquilo que ele tinha aprendido há tão pouco tempo? Isto é uma prova, a um tempo, da autoridade do Mestre que ensinou os Seus discípulos e, desde o princípio, do zelo com que estes queriam conhecê-Lo.

A pressa de André, o zelo com que difunde imediatamente uma tão grande boa nova, dá a conhecer uma alma que ardia por ver cumpridas todas as profecias respeitantes a Cristo. Partilhar assim as riquezas espirituais é prova de uma amizade verdadeiramente fraterna, de um afecto profundo e de uma natureza cheia de sinceridade. [...] «Encontrámos o Messias», diz ele; não está a referir-se a um messias qualquer, mas ao verdadeiro Messias, Àquele que esperavam.

São João Crisóstomo (c. 345-407), bispo de Antioquia, depois de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilias sobre o evangelho de João 19, 1

Santo André, apóstolo

Os gregos chamam a este ousado apóstolo "Protókletos", que significa: o primeiro chamado. Ele foi um dos afortunados que viram Jesus na verde planície de Jericó. Ele passava. O Batista indicou-o com o dedo de Precursor e disse: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo". André e João foram atrás d'Ele. Não se atreveram a falar-Lhe até que Jesus se virou para trás e perguntou: "Que procurais?" - Mestre, onde habitas? - "Vinde e vede". A Igreja deve muito a Santo André. Terá sido martirizado numa cruz em forma de aspa ou X, que é conhecida pelo nome de cruz de Santo André.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Evangelho do dia 30 de novembro de 2018

Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. «Segui-Me, disse-lhes, e Eu vos farei pescadores de homens». E eles, imediatamente, deixando as redes O seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca juntamente com seu pai Zebedeu, consertando as suas redes. E chamou-os. Eles, deixando imediatamente a barca e o pai, seguiram-n'O.

Mt 4, 18-22