Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Nunca amarás bastante

Os verdadeiros obstáculos que te separam de Cristo – a soberba, a sensualidade... – superam-se com oração e penitência. E rezar e mortificar-se é também ocupar-se dos outros e esquecer-se de si próprio. Se viveres assim, verás como a maior parte dos contratempos que tens, desaparecem. (Via Sacra, Estação X. n. 4)

Falas e não te escutam. E, se te escutam, não te entendem. És um incompreendido!... De acordo. De qualquer forma para que a tua cruz tenha todo o relevo da Cruz de Cristo, é preciso que trabalhes agora assim, sem te ligarem importância. Outros te entenderão. (Via Sacra, Estação III. n. 4)

Quantos, com a soberba e a imaginação, se metem nuns calvários que não são de Cristo!

A Cruz que deves levar é divina. Não queiras levar nenhuma cruz humana. Se alguma vez caíres nessa armadilha, rectifica imediatamente: bastar-se-á pensar que Ele sofreu infinitamente mais por nosso amor. (Via Sacra, Estação III. n. 5)

Por muito que ames, nunca amarás bastante.

O coração humano tem um coeficiente de dilatação enorme. Quando ama, dilata-se num crescendo de carinho que supera todas as barreiras.

Se amas o Senhor, não haverá criatura que não encontre lugar no teu coração. (Via Sacra, Estação VIII. n. 5)

São Josemaría Escrivá

A Suécia, três décadas depois

Em meados do século XX, depois de 450 anos de perseguição contra os católicos, a Suécia encetou a abertura religiosa. Em 1982, deixou de ser excepção e estabeleceu relações diplomáticas com o Vaticano. Note-se que o Vaticano tem presença diplomática em praticamente todo o mundo, inclusivamente uma presença mais vasta que a da própria União Europeia.

Em Junho de 1989, o Papa João Paulo II deslocou-se à Escandinávia para visitar a pequenina comunidade de católicos que esfregava as mãos de frio naquelas paragens. A recepção foi muito familiar, no sentido mais aconchegado que se possa imaginar. No final, os meus conhecidos suecos mandavam-me notícias intimistas: estive com o Papa e contei-lhe …e ele respondeu... à tarde, voltei a estar com o Papa, que me lembrou...

Esta semana, passados quase trinta anos, o Papa Francisco desembarcou numa Suécia diferente. Antes de partir, foi à basílica de Santa Maria Maior pedir a Nossa Senhora que a visita apostólica corresse bem e, à chegada a Roma, correu a Santa Maria Maior com um grande ramo de flores, para agradecer. Porque não podia deixar de agradecer, de todo o coração, aquela experiência.

Quando João Paulo II visitou a Suécia, muita gente reagiu como se tivesse desembarcado o invasor. O fundador da «Livets Ord» (Palavra da Vida) de Uppsala, uma das comunidades protestantes mais numerosas da Suécia, ligada a uma escola bíblica muito forte, com sucursais em bastantes países, organizou jornadas de desagravo e de protesto contra a invasão.

Surpreendentemente, o Papa João Paulo II não contra-atacou: «Perdoarmo-nos uns aos outros (católicos e luteranos) é um desafio, mas é o próprio Senhor que nos mandou reconciliarmo-nos». Foi mesmo concreto a responder a perguntas como «que podemos aprender uns dos outros? Como é que nos podemos enriquecer mutuamente?». Os luteranos suecos estavam preparados para a invasão, mas não tinham feito nenhum plano para a não-invasão, de modo que o vírus do catolicismo entrou pelas traseiras da ideologia.

Afinal, que aspectos positivos havia na ruptura luterana? Francisco deu exemplos: Lutero meteu a Bíblia nas mãos do povo; as comunidades luteranas defendem um papel muito activo para os leigos…

O Concílio Vaticano II não só nos ensinou a aprender com os elementos positivos como nos ajudou a perceber que este é o caminho para trazer de volta as ovelhas desgarradas. Por exemplo, a maior mudança introduzida pela reforma litúrgica do Concílio foi o alargamento das leituras da Missa a quase toda a Bíblia, quando antes só se liam poucos textos e praticamente o único Evangelho usado na liturgia era o de S. Mateus. Outro exemplo, é a afirmação rotunda de que todos são chamados à santidade e a anunciar a Boa-Nova.

Santo Padre com Ulif e Brigitta Ekman em abril de 2014
Ulf Ekman, que liderou a «Livets Ord» contra a invasão romana, e a mulher converteram-se ao catolicismo. Um dos pontos de partida do percurso foi a própria figura de João Paulo II… estudaram-no como quem espreme o veneno e acabaram por o adoptar como patrono. Outro atractivo do catolicismo foi a mensagem de S. Josemaria Escrivá acerca do papel dos leigos. Quantas coisas que faziam Ulf e a mulher apreciar o luteranismo estavam certas! E, postas no seu contexto, foram instrumentos para chegar à unidade com a Igreja católica.

Os responsáveis luteranos que acolheram Francisco já não estiveram à defesa, como há três décadas. Agora, rezaram fervorosamente, com os seus concidadãos católicos e o Papa, para que Deus abrisse os corações e restaurasse a unidade da Igreja, tanto desejada por Cristo.

Outro dos elementos positivos das comunidades luteranas, sublinhado pelo Papa, é a participação social da mulher. É necessário que elas sejam muito activas e presentes na Igreja, como Nossa Senhora, e que as mulheres e todos os leigos compreendam em que medida são um povo sacerdotal, como S. Josemaria Escrivá insistia tanto. Isso resolve a questão das «sacerdotisas», que não correspondem ao plano de Deus, como o Papa Francisco deixou bem claro na Suécia. Quando os suecos perceberem que as suas sacerdotisas correspondem às conferencistas e às professoras de teologia da Igreja Católica, talvez desistam de lhes chamar sacerdotisas e talvez compreendam o que é o sacerdócio ministerial. A diferença entre uma «sacerdotisa» e uma católica empenhada e inteiramente fiel à doutrina católica pode ser muito menos do que pensamos. Assim saibamos aprender uns com os outros.

José Maria C.S. André
Spe Deus
6-XI-2016

Oração do humilde

Salmo 86

Oração de David.

Inclina, SENHOR, os teus ouvidos e responde-me,
porque estou triste e necessitado.
Protege a minha vida, porque te sou fiel;
salva o teu servo, que em ti confia.
Senhor, tem compaixão de mim,
que a ti clamo todo o dia.
Alegra o espírito do teu servo,
pois para ti, Senhor, elevo a minha alma.Porque Tu, Senhor, és bom e indulgente,
cheio de misericórdia para quantos te invocam.
Senhor, ouve a minha oração,
atende os gritos da minha súplica.
Por ti clamo, no dia da minha angústia,
na certeza de que me responderás.
Não há entre os deuses quem se compare a ti, Senhor;
nada há que se compare às tuas obras.Todas as nações, que criaste, virão adorar-te, Senhor,
e darão glória ao teu nome.
Porque só Tu és grande
e realizas maravilhas.

Ensina-me, SENHOR, o teu caminho
e caminharei na verdade.
Dirige o meu coração, para que honre o teu nome.
Senhor, meu Deus, de todo o coração hei-de louvar-te
e glorificar o teu nome para sempre.
Pois a tua misericórdia foi grande para comigo;
livraste a minha vida das profundezas da morte.
Ó Deus, os soberbos levantam-se contra mim,
a turba dos prepotentes atenta contra a minha vida,
sem fazer nenhum caso de ti.
Mas Tu, Senhor, és um Deus misericordioso e compassivo,
paciente e grande em bondade e fidelidade.
Volta-te para mim e tem compaixão;
dá a tua força ao teu servo
e salva o filho da tua serva.
Dá-me uma prova da tua bondade,
para que os meus inimigos sejam confundidos
ao verem que Tu, SENHOR, me ajudas e confortas.

'Não ter medo de dizer que não'

Gosto muito do meu filho — dizia um senhor numa reunião de pais na escola — e procuro que ele se dê conta disso. No entanto, reconheço que algumas vezes o meu filho se porta mal. É verdade que ele só tem cinco anos de idade. Mas também é verdade que eu tento não me esquecer desse “detalhe” quando converso com ele sobre o seu comportamento.

«No outro dia, um psicólogo disse à minha mulher que nessas idades ninguém se porta propriamente mal. Simplesmente, faz com inocência algo que ainda não aprendeu que está mal. Eu, que não sou psicólogo nem nada que se pareça, não estou nada de acordo com isso. Já vi o meu filho portar-se mal. São coisas pequenas, evidentemente, mas ele sabe o que faz e tem consciência disso.

«E para o seu bem, procuro actuar com firmeza — não é sinónimo de violência — e dizer-lhe claramente que “não”. Ser claro, para mim, não é o mesmo que gritar. Também procuro explicar-lhe o porquê do meu “não”, de modo que ele possa entender. Assim, é mais fácil para ele obedecer àquilo que eu lhe digo, mesmo que não lhe apeteça.

«Muitas vezes, apercebo-me de que ele obedece não tanto por entender o que lhe digo, mas por confiar em mim. Porque sou seu pai. E, além disso, seu amigo. A paternidade é um facto. A amizade é uma conquista diária. E essa amizade entre nós também cresce quando ele percebe que eu lhe digo que “não” porque gosto dele — quando seria muito mais fácil para mim não lhe dizer nada».

Que gosto dá ouvir estas palavras tão sensatas! Os pais, se amam de verdade os seus filhos, não terão receio de, algumas vezes, dizer-lhes que “não”. Que pena se, por temor a contristar o filho ou a passarem eles um mau bocado, se habituem a ceder naquilo que não devem ceder! Quantos remorsos depois com o passar dos anos — e eles passam rapidamente — de não ter sabido dizer que “não” a tempo! Tudo se complica. Como diz o povo, cheio de sabedoria, é de pequenino que se torce o pepino.

Não é nada lógico dar aos filhos tudo aquilo que eles pedem. Nem deixá-los fazer tudo aquilo que lhes apetece. É preciso manter-se firmes, com uma firmeza amável e delicada que procede do amor. E convém não esquecer que a primeira qualidade do amor é a força para fazer o bem.

E se, depois de ter dialogado com os filhos e ouvido os seus argumentos, eles não gostam ou não entendem uma indicação dos pais? Nesse caso, penso que os pais não devem ceder naquilo que verdadeiramente consideram que é importante. O contrário seria claudicar num ponto nevrálgico da educação. Mais tarde, serão os próprios filhos a ouvir esse “não” no seu interior diante daquilo que poderiam fazer mas sabem que não devem fazer. Mas não nos enganemos: é muito difícil que esse “não” seja interiorizado pelos filhos se antes não foi pronunciado pelos pais.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

São Clemente I, papa, mártir, †102

É Santo Irineu quem nos conta que, dos sucessores imediatos de Pedro na Cátedra de Roma, o terceiro se chamava de nome Clemente. Além dessa notícia, do Papa, ele também nos relata que o autor da importante carta escrita pela Igreja de Roma à de Corinto é o Papa Clemente. Foi dito que a sua carta aos coríntios é a "epifania do primado romano", enquanto este primeiro documento papal (protótipo de todas as cartas encíclicas que seriam escritas no decurso dos séculos) afirma a autoridade do sucessor de Pedro, bispo de Roma, sobre outras Igrejas de origem apostólica. A carta, escrita entre os anos de 93 e 97, enquanto estava ainda com vida o Apóstolo São João, é dirigida à Igreja de Corinto, dividida por cisma interno, porque o grupo de fiéis contestava a autoridade dos presbíteros.

O tempo em que S. Clemente esteve à frente da Igreja (92-102) foi marcado por uma relativa paz e tolerância por parte dos imperadores Vespasiano e Tito.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Evangelho do dia 23 de novembro de 2018

Tendo entrado no templo, começou a expulsar os vendedores, dizendo-lhes: «Está escrito: “A Minha casa é casa de oração; e vós fizestes dela um covil de ladrões”». Todos os dias ensinava no templo. Mas os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os chefes do povo procuravam perdê-l'O; porém, não sabiam como proceder, porque todo o povo estava suspenso quando O ouvia.

Lc 19, 45-48