Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Um só coração e uma só alma

Hás-de ser, como filho de Deus e com a sua graça, varão ou mulher forte, de desejos e de realidades. Não somos plantas de estufa. Vivemos no meio do mundo e temos de estar a todos os ventos, ao calor e ao frio, à chuva e aos ciclones..., mas fiéis a Deus e à sua Igreja. (Forja, 792)

O trabalho da Igreja, cada dia, é como um grande tecido que oferecemos a Nosso Senhor, porque todos os baptizados somos Igreja.
Se cumprirmos – fiéis e entregues –, este grande tecido será formoso e sem defeito. Mas, se se solta um fio aqui, outro ali e outro pelo outro lado..., em vez de um bonito tecido, teremos um farrapo feito em tiras. (Forja, 640)

Pede a Deus que na Santa Igreja, nossa Mãe, os corações de todos, como na primitiva cristandade, sejam um só coração, para que até ao fim dos séculos se cumpram de verdade as palavras da Escritura: "multitudinis autem credentium erat cor unum et anima una", a multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma.
– Falo-te muito seriamente: que por tua causa não se lese esta unidade santa. Leva isto à tua oração! (Forja, 632)

Oferece a oração, a expiação e a acção por esta finalidade: "ut sint unum!", para que todos os cristãos tenham uma mesma vontade, um mesmo coração, um mesmo espírito: para que "omnes cum Petro ad Iesum per Mariam!", todos, bem unidos ao Papa, vamos a Jesus, por Maria. (Forja, 647)

São Josemaría Escrivá

OBRIGADO JOÃO

Ontem estive na Missa e apresentação do livro sobre o Padre João Seabra, que conheço desde os bancos da escola primária e ao qual me liga uma amizade desde esse tempo, embora seja uma amizade afastada pelo tempo, pela distância, por tantas coisas que se vão colocando de permeio nas nossas vidas.
Mas há amizades que são assim.
Não precisam de se ver constantemente, (mesmo durante anos, como é o nosso caso), para se sentirem, para se viverem, mesmo à distância.

Poderia dizer imensas coisas sobre o fim de tarde extremamente emotivo que ontem vivi, mas fico-me mais por agradecer a Deus pelo João.

Agradecer pela sua inteligência que colocou inteiramente ao serviço de Deus.
Agradecer pela sua frontalidade, por vezes rija e dura, mas sempre cheia de um coração cheio.
Agradecer pela sua fé inquebrantável, que mesmo ao longe para mim, nos anima a querer conhecer mais e melhor Deus, para melhor O amar, amando os outros.
Agradecer pelo dom da sua vida, numa vocação sacerdotal levada à entrega total.

Ah, e sobretudo agradecer a Deus por me ter dado amigos como este, porque com amigos assim, como poderia eu continuar a resistir, como poderia eu continuar a fugir de Deus, que corria atrás de mim de todas as maneiras, com certeza, sem dúvida, também na vida destes amigos que me deu!

Obrigado ao seu sobrinho José Maria Seabra Duque por me ter dado esta alegria imensa de fazer parte deste momento da vida do seu tio João.
Obrigado ao João, por ser o Padre João Seabra!
Obrigado a Deus por tudo, sempre!

Joaquim Mexia Alves

A ditadura da imagem

A Bela e o Monstro é um grande filme porque procede de uma história encantadora. Bela possui um pretendente chamado Gastão, que, sendo externamente um bonitão, é superficial, frívolo e cheio de si mesmo. Em poucas palavras: um verdadeiro parvalhão.
Pelo contrário, o Monstro possui um aspecto exterior repugnante. No entanto, Bela intui nele uma beleza genuína. As aparências enganam. Por trás do Monstro há um príncipe encantado que só é possível descobrir com um olhar limpo.
A mensagem de fundo da história é sempre actual: a beleza de cada ser humano, homem ou mulher, é sobretudo interior.
O belo atrai, fascina e maravilha. Sem ele cairíamos irremediavelmente no desespero. E o mais belo deste mundo — muito acima das paisagens, das obras de arte, da música — está no ser humano. No seu mundo interior.
No entanto, o perigo de pensar que a beleza se reduz à aparência física, à fotografia, ao aspecto corporal sempre esteve presente na História da Humanidade, sobretudo no que se refere à beleza feminina.
Hoje em dia, quantas adolescentes e jovens se deixam enganar por uma enorme mentira: a aparência exterior é tudo! Vales o que vale a tua imagem! Para manter uma boa “fotografia” vale a pena sacrificar tudo!
Num mundo saturado de imagens são especialmente as raparigas que pagam o grande contributo à “fotografia”, começando pelo número de “likes” nas redes sociais. Uma jovem, se não sai desta espiral, entra num concurso de beleza que não acaba e do qual sairá obrigatoriamente “descartada”.
A beleza meramente exterior é um dom emprestado: tem os dias contados! A beleza interior — ser boa pessoa, possuir um coração generoso — é um dom conquistado e deve crescer com o passar dos anos.
É necessário lutar contra a ditadura da imagem. Caso contrário, muitas jovens ficarão irremediavelmente feridas no dia de amanhã.
Pe. Rodrigo Lynce de Faria

'Educação do carácter'

Ouvi falar de um livro que conta a história de um grupo de rapazes que são os únicos sobreviventes de um acidente aéreo. Sem a ajuda de nenhum adulto, devem organizar a sua vida numa ilha deserta paradisíaca. Tudo parece fácil no começo. No entanto, em pouco tempo, comprovam que conviver uns com os outros não é uma tarefa nada simples.

Surgem conflitos, faltas de entendimento e acaba por aparecer a violência e uma guerra aberta entre eles. Fica claro que, apesar da tendência que todos temos para o bem, a maldade está misteriosamente presente no coração humano. Sem uma aprendizagem séria dos valores acumulados pela Humanidade com o passar dos anos ― valores cívicos, morais, de respeito mútuo ― os rapazes encontram-se indefesos diante das suas más tendências. Não sabem como dirigi-las ou dominá-las. Consideram tudo o que procede do coração como natural e, por esse motivo, bom. A bondade confunde-se com a espontaneidade.

É verdade que possuímos um desejo inato de fazer o bem. Mas também é verdade que a nossa natureza está “ferida” e necessita de muitos cuidados ― uma formação esmerada ― para funcionar correctamente. Aprender matemática e português é muito mais fácil do que aprender a ser boa pessoa, a conviver com os outros e a semear a paz à nossa volta. Este segundo tipo de conhecimento ― teórico e prático ao mesmo tempo ― também deve ser transmitido na escola. No entanto, em primeiro lugar, deve ser assimilado em casa com os pais e os irmãos no ambiente familiar.

É uma ingenuidade atroz muito difundida pensar que o progresso científico e económico da sociedade leva consigo obrigatoriamente um progresso moral. Que o digam muitos professores de escolas secundárias com quem tenho falado ultimamente. Dizem-me que, hoje em dia, existem meios técnicos para transmitir os conhecimentos como nunca houve no passado. No entanto, muitas vezes, falta essa educação básica de saber comportar-se e de respeitar os outros que arruína o bom ambiente na sala de aulas.

São palavras recentes de um professor: «Por muito que tente e me esforce, não consigo dar a matéria. A maior parte das minhas energias gasto-as a ensinar os alunos a estarem atentos, a comportarem-se bem, a respeitarem-se uns aos outros. Aquilo que antes se aprendia em casa com os pais, agora tenho de tentar ensinar na escola».

Por muito progresso que alcancemos, nunca será fácil educar moralmente as pessoas. Além disso, não se trata de uma educação “acumulativa” ― como acontece com os conhecimentos científicos ― mas de uma educação que deve, de algum modo, começar do zero em cada geração. Em matéria de educação moral e formação do carácter é imprescindível o convencimento da parte dos pais e dos educadores da importância primordial que ela possui. Que adianta ter muitos conhecimentos científicos se depois não se sabe conviver pacificamente com os outros respeitando-os? As notas escolares não são a única indicação para os pais ― nem muitas vezes a mais importante ― de que os filhos estão a progredir na sua formação pessoal.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Educar em sintonia

Para que a educação seja eficaz é necessário que o pai e a mãe eduquem os seus filhos em sintonia um com o outro. Isto requer, em primeiro lugar, muita sensibilidade. Se não se cultiva essa delicadeza, acaba-se por retirar a autoridade ao outro cônjuge quando se vê uma situação educacional de um modo diferente.

Os filhos, para serem bem-educados, necessitam de um pai e de uma mãe que se amem e se respeitem de verdade. Quando é fácil e quando é difícil. Quando tudo corre bem e quando ficam tensos por diferentes situações da própria vida.

E como notam os filhos que os seus pais se respeitam um ao outro? No modo como dialogam entre si e como sabem ceder em assuntos que não possuem especial importância. A confiança e a proximidade não podem fazer perder nunca o respeito ― primeira manifestação de um verdadeiro amor.

Os filhos têm de ser testemunhas de que os seus pais sabem ouvir-se um ao outro, falam com delicadeza e sem levantar a voz, não se retiram a autoridade mutuamente quando pensam de um modo diferente. E, ponto de capital importância, nunca discutem entre eles diante dos filhos.

A educação é uma arte e os pais não podem esquecer que não educam nunca sozinhos: têm de saber ouvir e respeitar a sensibilidade do outro progenitor que, por ser diferente, possui uma visão complementar da educação.

Os filhos necessitam das sensibilidades paterna e materna para crescerem sãos e confiantes. Alguém dizia que, quando chegam aos sete anos, os filhos ouvem do seu pai: «Sobe mais um degrau na tua vida». E, simultaneamente, ouvem da sua mãe: «Fá-lo com cuidado e não te aleijes». Os dois conselhos são importantes e complementares.

O carinho real que os filhos recebem dos seus pais deve ser uma sobreabundância do carinho que o pai e a mãe têm entre si. É desse carinho que eles procedem. E é esse carinho, em primeiro lugar, que os faz sentir seguros.

Resumindo: os pais devem educar-se a si mesmos e educar-se entre si para poderem educar os seus filhos em sintonia e com verdadeira eficácia.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Evangelho do dia 13 de novembro de 2018

«Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: Vem depressa, põe-te à mesa? Não lhe dirá antes: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois comerás tu e beberás? Porventura, fica o senhor obrigado àquele servo, por ter feito o que lhe tinha mandado? Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer».

Lc 17, 7-10