Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Jesus ficou na Eucaristia por amor

A frequência com que visitamos o Senhor está em função de dois factores: fé e coração; ver a verdade, e amá-la. (Sulco, 818)

O coração! De vez em quando, sem poderes evitá-lo, projecta-se uma sombra de luz humana, uma recordação grosseira, triste, "saloia"...

Vai imediatamente ao Sacrário, física ou espiritualmente; e voltarás à luz, à alegria, à Vida! (Sulco, 817)

Assoma muitas vezes a cabeça ao oratório, para dizeres a Jesus: –... abandono-me nos teus braços.

Deixa a seus pés o que tens: as tuas misérias!

Desta maneira, apesar da turbamulta de coisas que levas dentro de ti, nunca perderás a paz. (Forja, 306)

Jesus ficou na Eucaristia por amor..., por ti.

Ficou, sabendo como o receberiam os homens... e como o recebes tu.

Ficou, para que o comas, para que o visites e lhe contes as tuas coisas e, falando intimamente com Ele na oração junto do Sacrário e na recepção do Sacramento, te apaixones cada dia mais e faças com que outras almas – muitas! – sigam o mesmo caminho. (Forja, 887)

São Josemaría Escrivá

Na humildade de ser Igreja, de viver cada dia o Evangelho

«Esta obra de Cristo é sempre silenciosa, não é espetacular. Precisamente na humildade de ser Igreja, de viver cada dia o Evangelho, cresce a frondosa árvore da verdadeira vida. Precisamente com estes humildes inícios o Senhor nos encoraja porque, também na humildade da Igreja de hoje, na pobreza da nossa vida cristã, podemos ver a Sua presença e ter assim a coragem de ir ao Seu encontro e de tornar presente nesta Terra o Seu Amor, esta força de paz e de verdadeira vida» [7]. Mesmo que não faltem acontecimentos na história que possam sugerir o contrário, essa permissão do Céu é o modo de atuar de Deus, que quer realizar o Seu desígnio salvador «no respeito pela nossa liberdade, porque o amor não pode, por natureza, ser imposto. Então a Igreja é, em Cristo, o espaço de acolhimento e de mediação do amor de Deus. Nesta perspetiva, manifesta-se claramente como a santidade e a missionariedade da Igreja constituem duas faces da mesma moeda: só enquanto santa, ou seja, repleta do amor divino, a Igreja pode cumprir a sua missão, e é precisamente em função de tal tarefa que Deus a escolheu e santificou como Sua propriedade pessoal» [8].

Jesus Cristo é o Rei do universo, pela Sua Incarnação e o Seu triunfo na Cruz [9]. E o Prefácio da solenidade oferece-nos algumas características desse reino: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz [10]. Descubramos nestas expressões as várias manifestações do triunfo de Cristo quando as almas se mostram dóceis à ação do Espírito Santo, expressões que nos ajudarão a preparar-nos para a grande festa em que renovamos a Consagração do Opus Dei ao Coração santíssimo e misericordioso de Jesus.

[7]. Bento XVI, Homilia 15-VI-2008. Ibid.
[8]. Ibid.
[9]. Cfr. Pio XI, Encíclica Quas primas, 11-XII-1925.
[10]. Missal Romano, Solenidade de Cristo-Rei, Prefácio.

D. Javier Echevarría na carta do mês de novembro de 2014
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

São Nuno de Portugal, um santo original

Neste próximo domingo (2016), por feliz coincidência festa litúrgica de São Nuno de Santa Maria, a capital portuguesa presta-lhe uma merecida homenagem, com a inauguração, no topo da Avenida da Torre de Belém, no Restelo, de uma estátua ao Santo Condestável. A louvável iniciativa da autarquia lisboeta não teria sido possível sem a entusiasta participação dos muitos munícipes que votaram nesta proposta, que tinha sido submetida, entre outras, à sua consideração e que, muito justamente, veio a ser vencedora.
Por paradoxal que possa parecer, São Nuno Álvares Pereira é um santo muito original, precisamente por ter sido tão pouco diferente dos fiéis normais. Ou seja, como foi tão normal, foi muito diferente da maioria dos outros santos e, por isso mesmo, pouco diferente do comum dos mortais.
Quem percorrer o santoral católico, não pode deixar de concluir que a maioria dos bem-aventurados que, como tais foram reconhecidos pela suprema autoridade eclesial, não coincide com o perfil do cristão corrente e normal. Por exemplo, quase todos os fiéis católicos são casados, mas entre os santos canonizados abundam, pelo contrário, os celibatários, sacerdotes ou religiosos. Raros são os santos que casaram e tiveram filhos, como insólitos são também os que desempenharam alguma profissão civil. Mesmo entre os que exerceram algum ofício, são poucos os que se dedicaram à vida militar, aparentemente irreconciliável com o mandamento novo da caridade. Santidade e pobreza são conceitos que se implicam mutuamente, segundo o programático sermão das bem-aventuranças e, por isso, até à data, não consta nenhum santo multimilionário, nem constam santos endinheirados, ou grandes proprietários. Desde tempos antigos, o poder é visto por alguns como inconciliável com a santidade cristã: não em vão Jesus Cristo rejeitou liminarmente a oferta diabólica de todos os reinos deste mundo e as suas riquezas! Embora haja alguns santos que o foram no exercício de funções políticas, como S. Tomás More e São Luís de França, escasseiam contudo os que o foram sendo militares.
Ora São Nuno de Santa Maria, antes de ser frade carmelita, foi tudo isso. Casou e teve vários filhos, entre os quais a que, pelo seu casamento, viria a ser a primeira duquesa de Bragança e tronco dessa estirpe que, em 1640, passou a ser a Casa Real. São Nuno Álvares Pereira foi militar de profissão, tendo chegado a condestável do reino, quando a independência nacional estava comprometida, pelo casamento da herdeira do trono de Portugal com o então rei de Castela. O Santo Condestável não só foi, enquanto generalíssimo do exército do Mestre de Avis, um bravo guerreiro, mas também um dos homens mais ricos de Portugal, graças às avultadas doações que lhe foram feitas pelo rei, em justa recompensa pelos seus inestimáveis serviços. Enquanto a grande maioria dos santos desdenha as honras e títulos humanos, São Nuno Álvares Pereira não apenas aceitou a elevada condição de generalíssimo, como também os privilégios inerentes à grandeza do reino, que lhe competiam por força dos três títulos condais – de Arraiolos, Barcelos e Ourém – que lhe foram concedidos por el-Rei D. João I e que, desde então, são apanágio da Casa de Bragança.
Talvez alguém possa obstar que estas características da sua vida são alheias à sua santidade, a que Nun’Álvares teria acedido apenas quando renunciou a todos esses cargos, títulos e bens materiais, para humildemente professar como religioso carmelita. É verdade que a canonização de Frei Nuno de Santa Maria muito deve a essa última etapa da sua vida terrena. Mas seria errado pensar que foi só então que a sua vida cristã alcançou os limiares da perfeição evangélica. Muito antes, já D. Nuno Álvares Pereira dera sobejas provas da qualidade da sua fé, da autenticidade da sua esperança e da pureza da sua caridade: como marido santo que foi de sua mulher, como santo progenitor de seus filhos e netos, como santo general do exército, como santo conselheiro do rei, como santo fidalgo da corte, e até – espante-se! – como santo latifundiário! Não foi santo apesar destas suas circunstâncias, mas precisamente através delas, na medida em que são também santificáveis, como aliás todas as situações familiares e profissionais honestas.
O mundo tem muita necessidade de exemplos de santidade na vida religiosa, como Frei Nuno de Santa Maria. Mas são talvez mais urgentes os modelos de excelência cristã na vida matrimonial, familiar, profissional, económica e política, como São Nuno Álvares Pereira.
Que o Santo Condestável, do alto do Restelo, onde amanhã vai ser inaugurada a sua estátua, abençoe o reino que defendeu com a sua espada! Porque também agora, como disse o poeta, falta ‘cumprir Portugal’!
P. Gonçalo Portocarrero de Almada no Observador online AQUI
(seleção de imagem 'Spe Deus')

Herança a honrar

Foi a Pátria a sua grande paixão. Pela Pátria viveu, com ela sofreu, por ela lutou. E sempre com grande sucesso. E quando, em pleno vigor, se decidiu retirar do mundo e abandonar as glórias e privilégios a que tinha direito, uma vez mais o seu coração reflectiu o grande amor que tinha a Portugal. Um amor inseparável de Deus e de Nossa Senhora, ao ponto do nome que escolheu - Frei Nuno de Santa Maria - estar intrinsecamente ligado à Nação – Terra de Santa Maria - que ele próprio tinha ajudado consolidar.

É o hoje o seu dia: 6 de Novembro, festa do Santo Condestável. E nós somos os seus herdeiros.

Que a sua memória não se reduza a um mero saudosismo ou a uma fuga para trás, mas, pelo contrário, que, nas actuais circunstâncias, São Nuno de Santa Maria nos ajude a vencer a mediocridade e a ultrapassar o nosso marasmo. Para que, através do nosso contributo, Portugal possa merecer o Santo que tem.

Aura Miguel

(Fonte: site Rádio Renascença em 2009)

São Nuno de Santa Maria (Santo Condestável)

Nasceu a 24 de Junho de 1360 no Castelo do Bonjardim. Aos 13 anos fazia parte do séquito do rei Dom Fernando e por essa altura foi armado Cavaleiro. Por obediência a seu pai casa com D. Leonor de Alvim, rica dama de Entre-Douro-e-Minho. Do casamento nasceu uma filha: Dona Beatriz. Após a morte de D. Fernando e porque a filha deste era casada com o rei de Espanha, vendo ameaçada a independência nacional entra em actividade política. Em Santarém dá-se o estranho encontro com o Alfageme de Santarém. Convidado pelo Mestre de Avis foi eleito Regedor e Defensor do Reino. Após vencer várias batalhas (Atoleiros, Aljubarrota) e já viúvo lança ombros à construção do Convento do Carmo, em Lisboa. Em 1422 partilha os seus bens e professa no Carmo, em 15 de Agosto de 1423. Sempre o dia de Nossa Senhora da Assunção a presidir aos momentos culminantes da sua vida. Ei-lo agora o asceta despegado de toda as ambições terrenas, frivolidades, entregue por completo ao único fito de adorar e servir a Deus: o herói de outra batalha que, depois de se ter mostrado invencível nas lutas do mundo, abandona tudo para se tornar apenas, humilde e feliz, Frei Nuno de Santa Maria.

A 15 de Janeiro de 1918 a Sagrada Congregação dos ritos, em sessão plenária, aprova e reconhece o culto do Santo Condestável, que o Papa Bento XV confirma, no decreto de 23 de Janeiro do mesmo ano. Em 26 de Abril de 2009, foi canonizado por Bento XVI.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Evangelho do dia 6 de novembro de 2018

Tendo ouvido estas coisas um dos convivas disse-Lhe: «Bem-aventurado quem participar do banquete no reino de Deus». Jesus respondeu-lhe: «Um homem fez uma grande ceia para a qual convidou a muitos. À hora da ceia, mandou um servo dizer aos convidados: Vinde, porque tudo está preparado. Mas todos à uma começaram a escusar-se. O primeiro disse-lhe: Comprei um campo, e preciso ir vê-lo; peço que me dês por escusado. Outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-las; peço-te que me dês por escusado. Disse também outro: Casei-me, por isso não posso ir. «Voltando o servo, referiu estas coisas ao seu senhor. Então, irado, o pai de família disse ao seu servo: Vai já pelas praças e pelas ruas da cidade; traz cá os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos. Disse o servo: Senhor, está feito como mandaste e ainda há lugar. Disse o senhor ao servo: Vai pelos caminhos e ao longo dos cercados; e força-os a vir, para que se encha a minha casa. Pois eu vos digo que nenhum daqueles que foram convidados provará a minha ceia».

Lc 14, 15-24