Natal

Natal
Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

sábado, 12 de agosto de 2017

Oxalá sejas como um velho silhar oculto

Não queiras ser como aquele catavento dourado do grande edifício; por muito que brilhe e por mais alto que esteja, não conta para a solidez da obra. – Oxalá sejas sempre como um velho silhar oculto nos alicerces, debaixo da terra, onde ninguém te veja; por ti não desabará a casa. (Caminho, 590)

Deixa-me que te recorde, entre outros, alguns sinais evidentes de falta de humildade:
– pensar que o que fazes ou dizes está mais bem feito ou mais bem dito do que o que os outros fazem ou dizem;
– querer levar sempre a tua avante;

– discutir sem razão ou, quando a tens, insistir com teimosia e de maus modos;

– dar a tua opinião sem ta pedirem ou sem a caridade o exigir;

– desprezar o ponto de vista dos outros;
– não encarar todos os teus dons e qualidades como emprestados;
– não reconhecer que és indigno de toda a honra e estima, inclusive da terra que pisas e das coisas que possuis;
– citar-te a ti mesmo como exemplo nas conversas;
– falar mal de ti mesmo, para fazerem bom juízo de ti ou te contradizerem;
– desculpar-te quando te repreendem;
– ocultar ao Director algumas faltas humilhantes, para que não perca o conceito que faz de ti;
– ouvir com complacência quem te louva, ou alegrar-te por terem falado bem de ti;
– doer-te que outros sejam mais estimados do que tu;
– negar-te a desempenhar ofícios inferiores;
– procurar ou desejar singularizar-te;
– insinuar na conversa palavras de louvor próprio, ou que dão a entender a tua honradez, o teu engenho ou destreza, o teu prestígio profissional...;
– envergonhar-te por careceres de certos bens... (Sulco, 263)

São Josemaría Escrivá

O Evangelho de Domingo dia 13 de agosto de 2017

Imediatamente Jesus obrigou os Seus discípulos a subir para a barca e a passarem antes d'Ele à outra margem do lago, enquanto despedia a multidão. Despedida esta, subiu a um monte para orar a sós. Quando chegou a noite, achava-Se ali só. Entretanto a barca no meio do mar era batida pelas ondas, porque o vento era contrário. Ora, na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, andando sobre o mar. Os discípulos, quando O viram andar sobre o mar, assustaram-se e disseram: «É um fantasma». E, com medo, começaram a gritar. Mas Jesus falou-lhes imediatamente dizendo: «Tende confiança: sou Eu, não temais». Pedro, tomando a palavra, disse: «Senhor, se és Tu, manda-me ir até onde estás por sobre as águas». Ele disse: «Vem!». Descendo Pedro da barca, caminhava sobre as águas para ir ter com Jesus. Vendo, porém, que o vento era forte, teve medo e, começando a afundar-se, gritou, dizendo: «Senhor salva-me!». Imediatamente Jesus, estendendo a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Depois que subiram para a barca, o vento cessou. Os que estavam na barca prostraram-se diante d'Ele, dizendo: «Verdadeiramente Tu és o Filho de Deus».

Mt 14, 22-33

São Josemaría Escrivá nesta data em 1933

Escreve o que depois recolhe no ponto 25 de Caminho“Não discutais. – Da discussão não costuma sair a luz, porque é apagada pela paixão”.

O comunismo e o sarampo

O comunismo tem todas as características das doenças: tem sintomas específicos, provoca reacções alérgicas, costuma ser incurável, é geneticamente transmissível e terrivelmente mortal.

A saúde é um estado precário que não pressagia nada de bom, porque se perde quando se adoece. O que seja uma doença não é fácil dizer e, por isso, a comunidade científica não é unânime sobre este particular. Alguns comportamentos, como ser canhoto, foram tidos por anormais e depois deixaram de o ser; houve doenças que, entretanto, se extinguiram, como parece ser o caso da peste bubónica; e outras patologias só foram diagnosticadas a finais do século XX, como a síndrome de Asperger.

Sem querer meter a foice (e nunca melhor dito!) em seara alheia, temo que o comunismo possa ser em breve reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como doença. Em plena silly season, a proposta pode parecer disparatada, mas a verdade é que o comunismo reúne todas as condições das maleitas: tem sintomas específicos, provoca reacções alérgicas, costuma ser incurável, é geneticamente transmissível e terrivelmente mortal.

Ao nível dos sintomas epidérmicos, esta grave deficiência parece-se muito ao sarampo: os que a padecem ficam também, como se costuma dizer, vermelhos!

Provoca, em geral, uma reacção alérgica às religiões, mórbidas expressões da alienação popular (afinal, que é uma beata senão uma toxicodependente do ‘ópio do povo’?!). Este doentio efeito só se consegue eliminar pela proibição das crenças, como acontece na Coreia do Norte e na China, onde os fiéis são perseguidos e exterminados.

Outra alergia provocada por esta nova doença é a homofobia, como se prova pela história e prática do Partido Comunista Português: alguns militantes foram, por este motivo, expulsos do partido e aos gays não foi, por esta sua condição, permitida a adesão ao partido. Como escreveu Paulo Gaião, “estão por estudar a fundo as circunstâncias da expulsão de Júlio Fogaça, que era homossexual, do PCP, onde se podem ter misturado questões políticas com questões homofóbicas. Também está por perceber a razão de o PCP lidar ainda hoje com visível incómodo com o tema da homossexualidade” (Expresso, 21-1-2013). Não se creia que é coisa ultrapassada porque muito recentemente o PCP, quando a Assembleia da República aprovou um voto de condenação pelas perseguições aos homossexuais na Chechénia, absteve-se (Expresso, 21-4-2017).

Por sinal, já em 2015, este semanário noticiou o que quase toda a imprensa muito pudicamente silenciou: dois homossexuais, em plena festa do Avante, foram enxovalhados, sovados e exemplarmente expulsos, à boa maneira estalinista. Assim sendo, ainda bem que, como reza a publicidade, não há outra festa como esta! Curiosamente, não consta que nenhuma organização de defesa dos direitos destas minorias se tenha manifestado na Atalaia, ou frente à sede do PCP…

Claro que, se o caso tivesse ocorrido numa instituição católica, numa procissão ou romaria religiosa, teria dado brado na imprensa, sempre tão atenta a tudo o que possa servir como arma de arremesso contra a Igreja. Mas, como foi no ‘solo sagrado’ do PCP – para usar a expressão de Henrique Raposo, um dos poucos cronistas que teve a coragem de condenar o incidente – tudo ficou no silêncio dos deuses.

Na sua forma mais virulenta, esta doença é incurável. Enquanto a miopia e outras enfermidades tendem a ser menos agressivas com a idade, o quadro clínico dos comunistas não melhora com o passar do tempo. Um caso público e que, por isso, pode ser referido sem quebra do princípio deontológico da confidencialidade médica, é o de Jerónimo, o grande chefe dos pele-vermelhas-que-o-não-são-por-causa-do-sarampo: não obstante a sua provecta idade, não dá sinais de regressão da doença que, há longos anos, padece horrivelmente.

Segundo estudos científicos acima de qualquer suspeita, é muito provável que se trate de uma doença geneticamente transmissível: tenha-se em conta a tão ‘queriducha’ dinastia Kim, na Coreia do Norte, que já vai na terceira gloriosa geração de queridos líderes e que é uma autêntica democracia, segundo um paciente que, depois de vários anos na Assembleia da República, está agora internado na Câmara Municipal de Loures. Também as manas bloquistas, rebentos de um extremoso pai revolucionário, corroboram, a nível nacional, que o comunismo é geneticamente transmissível. Mas a violência persecutória e repressiva de uma encarniçada deputada socialista permite supor que, também por outras causas, se pode verificar a mesma grave intolerância à liberdade de pensamento e de expressão.

O comunismo é uma doença terrivelmente letal. Segundo estatísticas a homologar pela OMS, já ‘limpou o sarampo’ a cem milhões de vítimas: é o cancro da democracia, a peste negra da modernidade! Mata à fome, à bala e por suicídio induzido, profilaxia aplicada, com êxito, aos dissidentes e até a muitos camaradas de Lenine e Estaline. Outros foram desterrados para a Sibéria, cujas baixas temperaturas são muito saudáveis, segundo o salutar princípio de que o frio, siberiano ou frigorífico, conserva.

O candidato do PSD à autarquia de Loures é racista e não tem perdão, mas os comunistas são inimputáveis: nunca têm culpa porque, afinal, são doentinhos. Esperemos que, os seus correligionários, deles não tenham, por via da eutanásia, uma compaixão assassina. E que, pela nossa rica saúde, não sejam nunca poder, em cujo caso o nosso sofrimento seria verdadeiramente terminal.

Moral desta história imoral: a razão pela qual políticos, médicos e psicólogos são insultados nas redes sociais, acossados pela imprensa e perseguidos pelas suas ordens profissionais, não são as suas declarações, mesmo quando são polémicas. A razão é outra: não são de esquerda e, por isso, não têm direito à impunidade, que é exclusiva da geringonça. Em Portugal, a liberdade de pensamento e de expressão é de facto um elixir a que só comunistas, bloquistas e socialistas mais vermelhuscos têm direito. Por razão, precisamente, desta doença. Antes o sarampo…

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador 12.08.2017
(seleção de imagens 'Spe Deus')

Seguir o exemplo do Santo Cura d'Ars

“Os sacerdotes são um grande dom para a Igreja e para o mundo; através do seu ministério, o Senhor continua a salvar os homens, a tornar-se presente e a santificar. Como o Santo Cura d’Ars, sejam generosos na distribuição dos tesouros da graça que Deus colocou em nossas mãos.»

(Bento XVI - Audiência Geral do dia 5 de Maio de 2010)

Seguir o anúncio de Jesus Cristo

«Sinal de amor será o desejo de oferecer a verdade e conduzir à unidade. Sinal de amor será igualmente dedicar-se sem reservas e sem olhar para trás ao anúncio de Jesus Cristo»

(Evangelii nuntiandi, nº 79 – Paulo VI)

O enigma do celibato

A abstinência é uma decisão demasiado enigmática para uma sociedade que se diz disposta a compreender todo o campo das variantes sexuais

A nossa época, que aceita todas as inclinações sexuais, mostra-se estranhamente intolerante com o celibato sacerdotal. Num mundo em que já não faz falta militar a favor ou contra uma ou outra orientação amorosa, há gente empenhada em acabar com o celibato dos sacerdotes, como se pusesse em risco a sua própria liberdade. Parece que a abstinência é uma decisão demasiado enigmática para uma sociedade que se diz disposta a compreender tudo no campo das variantes sexuais.

Como proibi-lo seria repressivo, diz-se que o celibato deveria ser opcional. O que não deixa de ser um contra-senso. Pode-se estar a favor ou contra o celibato sacerdotal, mas declará-lo opcional é uma cortina de fumo. O celibato é sempre opcional, pois não se obriga ninguém a ser sacerdote ou religioso; cada um se apresenta como candidato a esse estilo de vida e é aceite ou não pela Igreja. Do mesmo modo que ninguém está obrigado a casar-se - seja leigo ou sacerdote, homem ou mulher, católico ou budista -, deixar que o celibato sacerdotal seja opcional é o mesmo que suprimi-lo, porque então o sacerdote fica na mesma situação de qualquer outra pessoa.

Também se teria de ter em conta que muitas outras pessoas se vêem "obrigadas" a viver em situações similares ao celibato, embora não o escolham. Nem todas as pessoas vivem em casal. Em Espanha, segundo o Censo de Poblation y Viviendas de 2001 (o último disponível), 22% dos lares eram unipessoais, ou de um adulto só com crianças. Se excluirmos os lares unipessoais de maiores de 65 anos, restam-nos 12,7% (quase 1,8 milhões de pessoas) onde não há um casal. E, dado o contínuo aumento do número de rupturas matrimoniais (umas 120.000 por ano), os lares sem casal devem ter ido crescendo desde 2001. Perante estes números de "descasalados", os 20.000 sacerdotes e 56.000 religiosas e religiosos espanhóis são apenas uma minoria.

Evidentemente, uma coisa é viver sem parceiro e outra é fazer voto de castidade. Mas, no conjunto, é muito mais provável que os que estão nessa situação durmam sós do que acompanhados.

Vidas com sentido

Então, o celibato (sacerdotal ou civil) não deveria ser visto como um modo de vida estranho nem infrutuoso. De facto, para não poucas pessoas o celibato - escolhido ou aceito - foi o modo de vida que lhes permitiu desenvolver potencialidades insuspeitadas.

E não só o celibato por motivos religiosos. A Primeira Grande Guerra fez com que 1,7 milhões de britânicas ficassem sem contemporâneos com quem casar. Mulheres em plena juventude, que haviam sido educadas para o matrimónio, e que tiveram de refazer as suas vidas. A sua reacção está magnificamente descrita no livro de Virgínia Nicholson, Ellas solas (cfr. www.aceprensa.com, 17-03-09). Essas mulheres que não puderam casar-se começaram a fazer coisas insólitas no ambiente vitoriano: saíram em busca de trabalho; viveram por sua conta; tornaram-se financeiramente independentes; pediram o voto feminino; lutaram pelos direitos das trabalhadoras; promoveram actividades culturais, eclesiásticas e de beneficência... Souberam dar um sentido à sua vida com um valor e uma liberdade que dificilmente lhes teria permitido o casamento daquela época.

Essa entrega aos outros é justamente o que surpreende a nossa sociedade, quando se encontra perante a figura do missionário, que não abandona o seu posto em situações de conflito, do sacerdote que tem um título universitário e opta por servir uma comunidade sem chegar sequer a receber mil euros, ou de uma religiosa como a Madre Teresa de Calcutá que só ia acompanhada por alguma das suas monjas para ir cuidar dos pobres. Se tivessem uma família própria, nada disso seria possível.

E, sem ser preciso recorrer a dedicações especiais, todos sabemos o que representa em muitas famílias a presença dessa tia solteira, que tem a sua vida própria, mas também está disposta a dar uma mão, a suavizar tensões, a intervir em conflitos e orientar os mais novos.

O importante, tanto no celibato sacerdotal como no civil, é o sentido que se dá à vida. Certamente ninguém vai para o seminário apenas com o propósito de viver o celibato. Essa renúncia, que o é sem dúvida, está ao serviço de uma maior liberdade para amar Jesus Cristo e servir a Igreja e os fiéis. A abstinência das relações sexuais não supõe, de maneira alguma, que o sacerdote negue a sua sexualidade, mas que a viva com liberdade dentro de um estilo de vida que deve estar cheio de sentido transcendente.

Quando se perde de vista este sentido, como acontece em muitos sectores da sociedade actual, a opção do celibato torna-se opaca. Olha-se com cepticismo que Deus possa encher o coração e, pelo contrário, pensa-se que uma mulher o conseguiria por inteiro e para sempre; fala-se do ideal do sacerdote casado como se ele fosse viver em plena lua-de-mel e constituir a família exemplar que iluminaria os fiéis. Mas depois do sacerdote casado poderia vir o sacerdote divorciado.

Um sim incondicional

A razão mais profunda do celibato sacerdotal não se reduz à maior disponibilidade que permite. É um testemunho de que "só Deus preenche", e por isso desconcerta aqueles que vêem as coisas apenas com visão humana. Bento XVI dizia há pouco, no encerramento do Ano Sacerdotal: "para o mundo agnóstico, o mundo com o qual Deus não tem nada a ver, o celibato é um grande escândalo, porque mostra precisamente que Deus é considerado e vivido como realidade".

Também observava que esta crítica permanente contra o celibato pode surpreender, numa época em que está cada vez mais na moda não casar. Mas esse tipo de celibato não tem muito a ver com os motivos do celibato sacerdotal. " Este ‘celibato moderno' - dizia Bento XVI - é um ‘não' à definitividade, um ter a vida só para si mesmo. Por outro lado, o celibato é precisamente o contrário: é um ‘sim' definitivo, é um deixar-se conduzir por Deus, entregar-se nas mãos do Senhor". Por isso, tão radical é hoje o celibato por motivos religiosos, como o casamento entendido como uma união indissolúvel, por cima das contingências da vida e dos altos e baixos dos sentimentos.

Este desafio do celibato por Deus é o que incomoda os que gostariam que a mensagem da Igreja se diluísse cada vez mais, conforme aos critérios da sociedade actual. Nietzsche observou-o com perspicácia para o combater: "Lutero devolveu ao sacerdote a relação sexual com a mulher, mas três quartos da veneração de que o povo é capaz baseia-se na crença de que um homem excepcional neste ponto sê-lo-á também noutros pontos. E aqui tem a fé do povo em algo sobre-humano no homem, seu advogado mais subtil e capcioso"(1).

Mas o excepcional não está no homem, como também se põe de manifesto nos casos em que o sacerdote falha. O extraordinário é que continua a haver candidatos a esse "sim" definitivo. A nossa sociedade, tão zelosa do "livre desenvolvimento da personalidade" deveria respeitá-lo.

NOTAS

(1) Fr. Nietzsche, Die fröhliche Wissenschaft, Leipzig, 1887, p. 295. Citado por Juan Bautista Torelló en El celibato sacerdotal, EUNSA, Pamplona (2010) pg. 205.

Assinado por Ignacio Aréchaga

Aceprensa

O Evangelho do dia 12 de agosto de 2017

Tendo ido para junto do povo, aproximou-se um homem que se lançou de joelhos diante d'Ele, dizendo: «Senhor, tem piedade de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas na água. Apresentei-o a Teus discípulos, e não o puderam curar». Jesus respondeu: «Ó geração incrédula e perversa, até quando hei-de estar convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá». Jesus ameaçou o demónio, e este saiu do jovem, o qual, desde aquele momento, ficou curado. Então os discípulos aproximaram-se de Jesus, em particular, e disseram-Lhe: «Porque não pudemos nós lançá-lo fora?». Jesus disse-lhes: «Por causa da vossa falta de fé. Porque na verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: “Passa daqui para acolá”, e ele passará, e nada vos será impossível.


Mt 17, 14-20