Natal

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Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

domingo, 6 de agosto de 2017

A Transfiguração do Senhor

O Céu. "Nem olho algum viu, nem ouvido algum ouviu, nem passaram pelo pensamento do homem as coisas que Deus preparou para aqueles que O amam". Não te incitam à luta estas revelações do Apóstolo? (Caminho, 751)

E transfigurou-Se diante deles. E o Seu rosto ficou refulgente como o Sol e as Suas vestes tornaram-se brancas como a neve (Mt 17, 2).

Jesus: ver-Te, falar contigo! Permanecer assim, contemplando-Te; abismado na imensidade da Tua formosura, e nunca, mais deixar de Te contemplar! Ó Cristo, quem Te pudesse ver! Quem Te visse, para ficar ferido de amor por Ti!

E eis que da nuvem uma voz dizia: Este é o meu Filho dilecto em quem pus toda a minha complacência: ouvi-O (Mt 17, 5).

Senhor nosso, aqui nos tens, dispostos a escutar tudo o que nos quiseres dizer. Fala-nos; estamos atentos à Tua voz. Que as Tuas palavras, caindo na nossa alma, inflamem a nossa vontade, para que se lance fervorosamente a obedecer-Te!

Vultum tuum, Domine, requiram (S 26,8) – buscarei, Senhor, o Teu rosto. Encanta-me cerrar os olhos, e considerar que chegará o momento – quando Deus quiser – em que poderei vê-lo, não como num espelho, e sob imagens obscuras…, mas face a face (1 Cor 13, 12). Sim, o meu coração está sedento do Deus, do Deus vivo; quando irei e verei a face de Deus? (S 41, 3). (Santo Rosário. 4. º Mistério luminoso)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1970

O Senhor faz ressoar na sua mente estas palavras de Isaías: Clama, ne cesses! (Is 58, 1) [Clama em alta voz, sem cessar]. Uns anos depois, conta o que aconteceu: “Havia uma alma que estava a passar uma temporada de muito sofrimento – não é nenhuma alma santa, é uma alma como a vossa, que tem altos e baixos, onde têm de se colocar grampos, grampos grandes, e quando não o esperava, enquanto rezava muito por uma coisa que no entanto não sucedeu, ouviu no íntimo do coração: clama, ne cesses! Essa alma não gosta de ouvir nada: sofre. Mas escutou: continua a rezar, com clamor, com fortaleza; não deixes de rezar, que eu te escuto. Clama, ne cesses!.

Bom Domingo do Senhor!

Ouçamos a Palavra do Pai que ouviram Pedro, João e Tiago e escutemos o Senhor tal como nos narra o Evangelho de hoje (Mt 17, 1-9). Permite-nos, Senhor, que um dia venhamos a montar a nossa tenda junto de Ti, de Elias e Moisés!

Jesus Cristo ouvi-nos e atendei-nos!

O sorriso como prova de espírito de penitência

Esmeremo-nos, pois, no cumprimento de todos os nossos deveres, até daqueles que parecem menos importantes; aumentemos a nossa paciência nas contrariedades de cada instante, cuidemos dos pequenos pormenores. Temos de tornar mais vigoroso o nosso esforço por melhorar; para isso, correspondamos a Deus nas pequenas lutas em que Ele nos espera. Por que havemos de ficar ressentidos pelos atritos com carateres diferentes e opostos, tão próprios da convivência quotidiana? Lutemos! Vençamo-nos a nós mesmos! É aqui que Deus nos espera [11].
Receber com um sorriso quem vem ter connosco com ar sombrio, ou responde com palavras desabridas ao nosso interesse por eles, revela modos excelentes de viver o espírito de sacrifício. Muitas vezes, aconselhava o nosso Padre, um sorriso é a melhor prova de espírito de penitência. Já no Caminho , entre os exemplos de mortificação que sugeria nos anos de 1930, indicava: Essa palavra acertada, a «piada» que não saiu da tua boca; o sorriso amável para quem te incomoda; aquele silêncio ante a acusação injusta; a tua conversa afável com os maçadores e com os inoportunos, não dar importância cada dia a um pormenor ou outro, aborrecido e impertinente, de pessoas que convivem contigo... Isto, com perseverança, é que é sólida mortificação interior [12].
A Jornada Mundial da Juventude, que agora terminou em Cracóvia, constitui outro motivo para dar graças a Deus, ao Santo Padre Francisco e a tantas pessoas que se dedicaram generosamente à sua organização. Rezemos para que os frutos apostólicos desses dias sejam muito abundantes e permanentes, recorrendo também à intercessão de S. João Paulo II, que concretamente em Cracóvia desempenhou uma parte importante do seu serviço à Igreja e ao mundo, e em Czestokowa presidiu uma Jornada da Juventude, na qual também participou o queridíssimo D. Álvaro.
Como todos os anos, na solenidade da Assunção, viveremos muito unidos ao nosso Padre ao renovar, nos Centros da Obra, a consagração do Opus Dei ao Coração dulcíssimo de Maria. Meditai as palavras que escreveu S. Josemaria e metei na vossa oração –como já fazeis– as minhas intenções pela Igreja, pelo Papa, pela Obra, pelos nossos irmãos e irmãs doentes ou com dificuldades de qualquer tipo, para que saibam sobrenaturalizá-las e uni-las à Cruz do Senhor, apoiados todos e todas na intercessão segura da Mãe de Deus e nossa Mãe.
[11]. S. Josemaria, Notas de uma meditação, 24- VI-1937, em Crescer para dentro , p. 135 (AGP, biblioteca P12).
[12]. S. Josemaria, Caminho, n.173.

(D. Javier Echevarría excerto da carta do mês de agosto de 2016)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Acompanhar Jesus de casa às costas

Há tempos ao meditar na Transfiguração do Senhor de que nos fala o Evangelho de hoje (Lc 9, 28b-36) quando Pedro se oferece para erguer três tendas, uma para Jesus Cristo, outra para Elias e outra para Moisés, vi confirmada a extraordinária entrega de si próprios por parte dos Apóstolos.

Se tomarmos os Santos Evangelhos «… o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça» (Mt 8, 20) e os raros episódios em que nos é narrado que o Senhor ficou em casa de alguém, Marta, Maria e Lázaro ou Zaqueu permito-me concluir, ainda que o Senhor quando enviou os Apóstolos lhes tenha dito para aceitarem a hospedagem em casa daqueles que os recebessem, que trariam consigo o necessário para montar uma tenda sempre que precisassem, nomeadamente quando se refugiavam com Jesus na montanha.

Só nos é possível imaginar, quão boa era a companhia do Mestre, para que tudo tenham deixado e de tudo tenham abdicado, para assim o poderem seguir e com Ele tudo aprender.

Falo por mim, frequentemente comodista, e peço ao Senhor que me conceda a humildade e o espírito de entrega para abdicar, sem me lastimar, de tudo o que Ele entender que eu deva fazer, abrindo-me o coração à Sua vontade e não me deixando dominar pela fraqueza.

JPR

A Transfiguração do Senhor

Festa da Transfiguração do Senhor

A Festa da Transfiguração do Senhor remonta ao século V, no Oriente. Na Idade Média estendeu-se por toda Igreja Universal, especialmente com o papa Calisto III. O episódio foi relatado pelos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas. Presentes estavam os apóstolos Pedro, João e Tiago. Jesus transfigurou-se diante deles, seu corpo ficou luminoso e resplandecentes as suas vestes. Com isto, Jesus quis manifestar aos discípulos que Ele era realmente o Filho de Deus, enviado pelo Pai. Jesus é o cumprimento de todas as promessas de Deus; é Deus connosco, a manifestação da ternura e da misericórdia do Pai entre os homens. A sua paixão e morte não serão o fim, mas tudo recobrará sentido quando Deus Pai o ressuscitar e o fizer sentar-se à Sua direita, na Sua glória. Tudo isto é dito de uma maneira plástica - luz, brancura, glória, nuvem ... que indicam a presença de Deus.

O caminho necessário para a ressurreição é, contudo, o caminho da cruz, da paixão e morte, da entrega total de Sua vida pelo perdão dos pecados.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

«Este é o Meu Filho muito amado»

Santo Efrém (c. 306-373), diácono na Síria, Doutor da Igreja 

Opera Omnia, p. 41 (a partir da trad. Brésard, 2000 ans C, p. 292)



Simão Pedro diz: «Senhor, é bom estarmos aqui». Que dizes, Pedro? Se ficarmos aqui, quem realizará então o que predisseram os profetas. Quem confirmará as palavras dos arautos? Quem levará a bom termo os mistérios dos justos? Se ficarmos aqui, a quem se referirão as palavras: «Trespassaram as Minhas mãos e os Meus pés»? A quem se aplicarão as afirmações: «Repartiram entre si as Minhas vestes e deitaram sortes sobre a Minha túnica»? (Sl 21, 17.19; Jo 19, 24). Quem realizará o anúncio do salmo: «Deram-Me fel, em vez de comida, e vinagre, quando tive sede»? (68, 22; Mt 27, 34; Jo 19, 29) Quem dará vida à expressão: «Estou abandonado entre os mortos»? (Sl 87,6) Como se consumarão as Minhas promessas, como construiremos a Igreja?


E Pedro diz mais: façamos «aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias». Enviado para erigir a Igreja no mundo, Pedro quer levantar três tendas na montanha. Ainda não vê a Cristo senão como homem e classifica-O juntamente com Moisés e com Elias. Mas Jesus em breve lhe mostra que não precisa de tenda. Fora Ele que, durante quarenta anos, erguera para os Patriarcas uma tenda de nuvem, enquanto eles permaneciam no deserto (Ex 40, 34).

«Ainda ele estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra». Vês, Simão, esta tenda montada sem esforço? Ela afasta o calor sem comportar as trevas, é uma tenda brilhante e resplandecente! Enquanto os discípulos estão surpresos, uma voz vinda do Pai faz-Se ouvir da nuvem: «Este é o Meu Filho muito amado, no qual pus todo o Meu agrado. Escutai-o.» [...] O Pai ensinava aos discípulos que a missão de Moisés estava concluída: de então em diante é ao Filho que deverão escutar. O Pai, na montanha, revelava aos apóstolos aquilo que ainda lhes estava oculto: «Aquele que é» revelava «Aquele que é» (Ex 3, 14), o Pai dava a conhecer o Seu Filho.