N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Querer a todos, compreender, desculpar

O amor às almas, por Deus, faz-nos querer a todos, compreender, desculpar, perdoar... Devemos ter um amor que cubra a multidão das deficiências das misérias humanas. Devemos ter uma caridade maravilhosa, "veritatem facientes in caritate", defendendo a verdade, sem ferir. (Forja, 559)

Se vos examinardes com valentia na presença de Deus, vós, tal como eu, sentir-vos-eis diariamente carregados de muitos erros. Quando lutamos por arrancá-los com a ajuda divina, carecem de verdadeira importância e podem ser superados, embora pareça que nunca conseguimos desarraigá-los totalmente. Além disso, independentemente dessas fraquezas, tu contribuirás para remediar as grandes deficiências dos outros, sempre que te empenhares em corresponder à graça de Deus. Reconhecendo-te tão fraco como eles – capaz de todos os erros e de todos os horrores – serás mais compreensivo, mais delicado e, ao mesmo tempo, mais exigente, para que todos nos decidamos a amar a Deus com o coração inteiro.

Nós, os cristãos, os filhos de Deus, temos de prestar assistência aos outros, pondo em prática honradamente o que aqueles hipócritas retorcidamente elogiavam ao Mestre: Não olhas à condição das pessoas. Isto é, havemos de rejeitar por completo a acepção de pessoas – interessam-nos todas as almas! – embora, logicamente, devamos começar por ocupar-nos daquelas que, por esta ou aquela circunstância, e até só por motivos aparentemente humanos, Deus colocou ao nosso lado. (Amigos de Deus, 162)

São Josemaría Escrivá 

São Josemaría Escrivá nesta data em 1933

“Espera tudo de Deus. Ele não perde batalhas”, anota.

O número da Besta (texto de 2016)

A «Scholas Occurrentes» é uma fundação de direito pontifício dedicada a actividades desportivas e artísticas que fomentem a integração social. Começou na Argentina, mas hoje colabora com 400 mil escolas de uma centena de países.

A 29 de Maio, no dia da sessão de encerramento do congresso mundial da Scholas, em Roma, o Governo argentino anunciou um donativo (soube-se depois) de 16.666 mil pesos. Passado pouco tempo, os responsáveis da organização escreviam ao Governo, a devolver a oferta. Que aconteceu?

Esta carta do Papa Francisco aos responsáveis de Scholas Occurrentes, que a imprensa argentina acaba de divulgar:

«Queridos irmãos, no meio de tanto trabalho, quase não tivemos tempo de nos despedirmos... ao menos, o telefonema compensou.

»Agradeço-vos todo o esforço para realizar este Congresso e, como sempre, o conselho: cuidem a saúde, não passem das marcas no trabalho (sobretudo tu, José María, com o enfarte que já tiveste). “Soldado que foge, serve para outra guerra”, dizem no campo. A “rapidização” põe a alma em progressão geométrica e isso é perigoso. Descansemos (...). Novamente, obrigado pelo trabalho».

O Papa passa ao tal congresso mundial, em Roma:

«Houve uma coisa que me inquietou e quero partilhar convosco. Já me tinham dito que o Governo Nacional tinha feito um Decreto de reconhecimento da Scholas, que seria lido na sessão de encerramento (diverti-me quando o funcionário [do Governo] se dispôs a ler o Decreto... e o Decreto não aparecia). O reconhecimento oficial da Scholas alegrou-me, porque lhe confere estabilidade e legalidade na Argentina. (...) Já no final, de passagem, tu, Quique, disseste-me que o Governo tinha atribuído à Scholas um andar numa escola pobre.

»Perguntei-te o que isso significava e disseste-me que era o orçamento de uma escola pobre de bairro. Não fiquei tranquilo, mas não era o momento para pedir explicações. Ontem, soube que a ajuda ou subsídio atinge o montante colossal de 16.666.000 pesos (um milhão de dólares). E a inquietação transformou-se em preocupação e zanga (não o 666).

»A mística da Scholas é de serviço e gratuidade. Necessitam de ajuda e está bem que a peçam às instituições e ONGs que a possam dar, (...) mas não ao Governo».

A carta de Francisco pede aos dirigentes da Scholas que devolvam o dinheiro e lhe façam chegar uma cópia do comprovativo da devolução, acrescentando: «Sei que vocês não actuaram com má vontade, foi só um descuido».

E continua:

«Porquê tanta complicação com esses “666”? Não se assustem com a expressão mas, como pai e irmão e porque vos quero, falo claramente. Tenho medo de que comecem a escorregar pelo caminho da corrupção. Desculpem-me, se vos ofendo... mas tenho medo. É um escorregar suave, quase sem a pessoa se dar conta, e que depois continua como todas as tentações: cresce, contagia e justifica-se... e no final ficamos pior que no princípio».

A carta acrescenta a referência a Lucas 11, 26. É aquela passagem em que Jesus previne os discípulos acerca da actuação do demónio. E continua:

«É um caminho resvaladiço, suave e cómodo... e teremos mil razões para o justificar, mas é um caminho que mata. Prefiro um jogo de futebol improvisado pelos rapazes num pátio do bairro, com uma bola comum e com alegria limpa, a um grande campeonato num estádio famoso, encharcado de corrupção (lembrem-se da FIFA do ano passado)».

O final da carta, resume: «para fugir do risco da corrupção é preciso austeridade, pobreza e trabalho nobre. Sois apóstolos de uma mensagem e não “executivos” de organizações internacionais».

«Queridos José María e Quique, obrigado por escutarem isto que vos digo. Rezo por vocês e pela Scholas. Por favor, peço-vos que rezem e façam rezar por mim. Jesus vos abençoe e a Virgem Santa vos cuide. Fraternalmente, Francisco».

Os dirigentes da Scholas confirmaram, em comunicado, que cumpriram imediatamente o que o Papa pediu.
José Maria C.S. André
Spe Deus
19-VI-2016

Comoção

«Quanto chorei com os teu hinos e os teus cânticos, vivamente comovido pela suave voz da Igreja! Aquelas palavras soavam nos meus ouvidos, e a Tua verdade penetra no meu coração, e com isso se exacerbava o piedoso afecto, e corriam as lágrimas, e faziam-me bem»

(Santo Agostinho - Confissões, Livro IX, VI, 14)

Igreja da Cruz

Jesus fracassou? Com certeza, não teve sucesso no sentido em que o tiveram César ou Alexandre Magno. De um ponto de vista puramente terreno, inicialmente pareceu que tinha fracassado: morreu, foi abandonado por quase todos e condenado pelas suas palavras. A resposta do povo à sua mensagem não foi adesão, mas crucifixão. Diante de um final assim, teremos de reconhecer que "sucesso" não é um dos nomes de Deus e que não é cristão basear-se em sucessos externos ou em números. Os caminhos de Deus são diferentes dos nossos: o seu sucesso vem pela Cruz e está sempre sob esse sinal.

Se dirigirmos o olhar para trás e observarmos a História, teremos de dizer que o que nos impressiona não é a Igreja daqueles que tiveram sucesso: a Igreja dos Papas senhores do mundo [com poder temporal] ou a Igreja daqueles que tiveram de enfrentar o mundo. A Igreja que nos impressiona e que nos leva a crer é a Igreja dos sofredores, a Igreja que perseverou com fortaleza e nos dá esperança. Ainda hoje essa Igreja é o sinal de que Deus existe e de que o homem não é só um fracasso, mas pode ser salvo.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘Il Dio vicino’ pag.36)

O Evangelho do dia 19 de junho de 2017

«Ouvistes que foi dito: “Olho por olho e dente por dente”. Eu, porém, digo-vos que não resistais ao homem mau; mas, se alguém te ferir na tua face direita, apresenta-lhe também a outra; e ao que quer chamar-te a juízo para te tirar a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém te forçar a dar mil passos, vai com ele mais dois mil. Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem deseja que lhe emprestes.

Mt 5, 38-42