Igreja

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A Igreja é de Cristo e é essa que o cristão deve ambicionar servir e não usar

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Audiência (resumo) - A Esperança cristã

Locutor: Jesus ensinou-nos a tratar Deus por Pai, ou melhor, por Papá (na língua dele: Abbá). Quem não recorda a oração que Ele nos ensinou: o Pai-Nosso? A paternidade de Deus é fonte da nossa esperança. Como vemos no Evangelho, Deus não consegue estar sem nós. Nunca estamos sozinhos. Podemos viver afastados d’Ele, ou mesmo estar contra Ele; podemos até professar-nos como pessoas «sem Deus». Mas Ele não pode estar sem nós. Pensemos na parábola do Pai misericordioso. Quando o filho pródigo, depois de ter gasto tudo, regressa à casa onde nasceu, o pai não aplica critérios de justiça humana, mas primariamente sente a necessidade de perdoar e, com o seu abraço, faz o filho perceber que, durante todo o tempo da sua ausência, sentiu falta dele, o seu amor de Pai sofreu. Como Jesus ensinou e viveu, Deus é Pai, mas não à nossa maneira humana: nenhum pai deste mundo se teria comportado como o Protagonista da referida parábola. Deus não pode estar sem nós; sente a nossa falta. Ele nunca será um Deus «sem o homem». Esta certeza é a fonte da nossa esperança, que encontramos espelhada em todas as invocações do Pai-Nosso. Quando precisamos de ajuda, Jesus não nos diz para nos resignarmos e fecharmos em nós mesmos, mas ensina-nos a elevar ao Pai do Céu uma súplica confiante. Todas as nossas necessidades, desde as mais evidentes e diárias como a alimentação, a saúde, o trabalho, até à necessidade de sermos perdoados e sustentados contra as tentações, não são uma prova de que estamos abandonados e sozinhos, mas há um Pai amoroso nos Céus que sempre olha por nós e nunca nos abandona.


Santo Padre:
Cari pellegrini venuti dal Brasile e voi tutti qui presenti di lingua portoghese, benvenuti! La risurrezione di Cristo ci ha aperto la strada oltre la morte; abbiamo così sgombra la strada fino al Cielo. Nulla vi impedisca di vivere e crescere nell’amicizia del Padre celeste, e di testimoniare a tutti la sua infinita bontà e misericordia. Su di voi e sulle vostre famiglie, scenda copiosa la sua Benedizione.


Locutor: Amados peregrinos vindos do Brasil e todos vós que aqui vos encontrais de língua portuguesa, sede bem-vindos! A ressurreição de Cristo abriu-nos a estrada para além da morte; e assim temos a estrada desimpedida até ao Céu. Que nada vos impeça de viver e crescer na amizade do Pai celeste, e testemunhar a todos a sua infinita bondade e misericórdia! Sobre vós e vossas famílias, desça abundante a sua Bênção.

São Josemaría Escrivá nesta data em 1974

Foto não corresponde à ocasião
Chega ao aeroporto de Buenos Aires (Argentina). Neste país levará a cabo uma catequese que dura três semanas. Nesse mesmo dia escreve: “Fiat adimpleatur, laudetur et in aeternum superexaltetur iustissima atque amabilíssima voluntas Dei super omnia. Amén. Amén (Faça-se, cumpra-se, seja louvada e eternamente exaltada a justíssima e amabilíssima Vontade de Deus, sobre todas as coisas. Ámen. Ámen). – La Chacra, 7-6-1974”.

O dom de línguas

S. Josemaria ensinou-nos a dar doutrina de maneira que todos compreendam a mensagem do Evangelho, independentemente do seu nível cultural ou da sua formação religiosa. Chamava-lhe dom de línguas, por analogia com o que aconteceu quando o Paráclito desceu visivelmente sobre a Igreja. Nos Apóstolos e nos primeiros discípulos, manifestou-se em forma de línguas como que de fogo, que se dividiam e pousavam sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas [11].
O Fundador do Opus Dei explicava que o dom de línguas, que pedia a Deus para todos, consiste em saber adaptar-se à capacidade dos ouvintes (...). Proporcionar a doutrina com prudência, com a suficiente sabedoria para que quem a recebe a possa digerir. Devemos dar doutrina a todos, mas sem saturar as pessoas: em doses razoáveis, segundo a capacidade de assimilação de cada um. Também isto faz parte do dom de línguas. Assim como saber renovar-se: saber dizer o mesmo cada dia com nova graça [12].
dom de línguas é uma graça do Espírito Santo, que conta também com a nossa iniciativa. O estudo e a revisão da Teologia, feitos com responsabilidade e ânimo apostólico, permitem-nos saborear as verdades da fé e descobrir maneiras de as apresentar em toda a sua beleza. E o diálogo com os nossos amigos e colegas, num clima de abertura às suas perguntas, permitir-nos-á ir ao encontro das suas inquietações. Para isso é fundamental escutar (…), ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de omnipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum.
Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cómodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia (…). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo[13] .
Comunicar a fé não é discutir para vencer, mas dialogar para convencer, porque «as ideias não se impõem, mas propõem-se» [14]. O diálogo leva a mostrar melhor uma Verdade que ilumina decisivamente as nossas vidas. Toda a vida de Jesus não é senão um maravilhoso diálogo, meus filhos, uma maravilhosa conversa com os homens [15]. Se aprendermos a viver assim, ajudaremos e ajudar-nos-ão, na nossa vida quotidiana e humilde, a que o Evangelho seja, para todos, luz do mundo [16].
[11]. At 2, 3-4.
[12]. S. Josemaria, Carta, 30-IV-1946, n. 70.
[13]. Papa Francisco, Mensagem para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24-I-2016
[14]. S. João Paulo II, Discurso aos jovens em Madrid, 3-V-2003.
[15]. S. Josemaria, Carta, 24-X-1965, n. 7.
[16]. Mt 5, 14.

(D. Javier Echevarría excerto da carta do mês de junho de 2016)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

O Evangelho do dia 7 de junho de 2017

Foram ter com Ele os saduceus, que negam a ressurreição, e interrogaram-n'O, dizendo: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito que, se morrer o irmão de alguém e deixar a mulher sem filhos, seu irmão tome a mulher dele e dê descendência a seu irmão. Ora havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu sem deixar filhos. O segundo casou com a viúva e morreu também sem deixar filhos. Do mesmo modo o terceiro. Nenhum dos sete deixou filhos. Depois deles todos, morreu também a mulher. Na ressurreição, pois, quando tornarem a viver, de qual deles será ela mulher? Porque os sete a tiveram por mulher». Jesus respondeu-lhes: «Não andareis vós em erro, porque não compreendeis as Escrituras, nem o poder de Deus? Quando ressuscitarem de entre os mortos, nem os homens tomarão mulheres, nem as mulheres maridos, mas todos serão como anjos do céu. Relativamente à ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés, como Deus lhe falou sobre a sarça, dizendo: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob”? Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos. Logo vós estais num grande erro».

Mc 12, 18-27