N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

sábado, 13 de maio de 2017

Ofertas do Papa a Portugal

O Papa ofereceu à capela da base aérea de Monte Real um baixo-relevo em mármore cor de marfim, de pequenas dimensões mas de grande qualidade. É uma representação de S. Francisco de Assis, rezando num bosque, na encosta do monte Verna. Naquela oração, viu Cristo com o aspecto de um Serafim, crucificado, que projectou sobre as mãos, os pés e o lado do santo os estigmas (as feridas) de Jesus. Essas feridas nunca curaram, até à morte.

Na casa onde ficou alojado, o Papa deixou uma placa de prata da Última Ceia, cópia de uma peça do Museu do Louvre. A placa está emoldurada num quadro de madre-pérola.

Ao Presidente da República, Francisco ofereceu um mosaico (35 cm x 60 cm) de Nossa Senhora de Fátima sobre a azinheira, com os três Pastorinhos ajoelhados.
José Maria C.S. André
13-V-2017

Impressões de Fátima

Neste santuário, cruza-se gente de todo o mundo e de todas as condições. Grupos de feições asiáticas, africanos de várias raças, europeus do norte e do sul, representações de todo o continente americano. E também conhecidos e amigos que não se vêem há muito tempo. Vêm-me cumprimentar alunos do Instituto Superior Técnico, acenam-me colegas de outras universidades.

Na zona dedicada aos jornalistas, onde reina uma azáfama indescritível, reencontro grandes vaticanistas, que viajaram no avião do Papa e têm tantas histórias para contar. A Aura Miguel comenta a expressão com que Francisco se referiu a si mesmo, o «homem vestido de branco», a expressão que os Pastorinhos usaram ao narrar o terceiro Segredo de Fátima: na roda de imprensa, no voo de regresso, vou perguntar ao Papa o que quis dizer!

Na confusão, fazem-se amizades. O «cameraman» italiano que filma a jornalista brasileira da TV Globo; o repórter de uma cadeia norte-americana; o fotógrafo de um jornal português; a equipa da rádio COPE espanhola (roubei-lhes por um momento o lugar na sala de imprensa, mas acabámos amigos e a colaborar)...

Os jornalistas dormiram esta noite como foi possível, alguns, de forma bem precária, estendidos no chão da sala de imprensa, ou dormitando dentro do automóvel. Os peregrinos também se acomodaram, alguns ao relento no chão da esplanada. Nesta madrugada, vêm-se rios de caminhantes pelas estradas, em direcção ao Santuário. Às 10h00, o Papa celebrará a Missa e canonizará a Jacinta e o Francisco.
José Maria C.S. André
13-V-2017

A profecia não se cumpriu?

Que dizer de uma profecia que não acontece?! A conclusão parece óbvia: não pode ser uma verdadeira profecia…

“Fátima é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas” – lê-se n’A mensagem de Fátima, da Congregação para a Doutrina da Fé, publicada a 26-6-2000, pouco mais de um mês depois da revelação, pelo Cardeal Ângelo Sodano, da terceira parte do segredo de Fátima, na celebração eucarística, presidida por São João Paulo II, em que foram beatificados os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, na Cova da Iria, a 13 de Maio de 2000.

A primeira e a segunda parte do segredo eram há já muito conhecidas e, segundo o mesmo texto, “dizem respeito antes de mais à pavorosa visão do inferno, à devoção ao Imaculado Coração de Maria, à segunda guerra mundial, e depois ao prenúncio dos danos imensos que a Rússia, com a sua defecção da fé cristã e adesão ao totalitarismo comunista, haveria de causar à humanidade”. Como nesse documento também se afirma, “em 1917, ninguém poderia ter imaginado tudo isto: os três pastorinhos de Fátima vêem, ouvem, memorizam, e Lúcia, a testemunha sobrevivente, quando recebe a ordem do Bispo de Leiria e a autorização de Nossa Senhora, põe por escrito”.

Muito se especulou sobre a terceira parte do segredo de Fátima, escrito pela Irmã Lúcia e guardado nos arquivos do Vaticano. Os papas São João XXIII e Beato Paulo VI tiveram conhecimento do seu teor, mas decidiram não o revelar. Depois do atentado que São João Paulo II sofreu, na praça de São Pedro, em Roma, a 13 de Maio de 1981, precisamente no aniversário da primeira aparição na Cova da Iria, este papa, ainda convalescente, leu a terceira parte do segredo de Fátima que, contudo, continuaria secreta por mais dezanove anos, pois só viria a ser revelada a 13 de Maio de 2000, na Cova da Iria, por ocasião da beatificação dos dois videntes mais novos.

A este propósito, o referido documento dessa congregação romana reconhece: “Quem lê com atenção o texto do chamado terceiro «segredo» de Fátima, que depois de longo tempo, por disposição do Santo Padre, é aqui publicado integralmente, ficará presumivelmente desiludido ou maravilhado depois de todas as especulações que foram feitas. Não é revelado nenhum grande mistério; o véu do futuro não é rasgado. Vemos a Igreja dos mártires deste século que está para findar, representada através duma cena descrita numa linguagem simbólica de difícil decifração.”

Talvez, mais do que a maravilha dos crentes, tenha prevalecido a desilusão por parte dos agnósticos e ateus, se não mesmo a decepção também de alguns fiéis. A terceira parte do segredo de Fátima previa que um “Bispo vestido de branco” morresse, como consequência de um atentado. Se o “Bispo vestido de branco” é o papa, como também a vidente reconheceu, dever-se-ia ter verificado, depois de 1917, algum atentado contra um romano pontífice, de que tivesse resultado a sua morte. Ora, como já se recordou, São João Paulo II, embora gravemente ferido depois de alvejado por Ali Agca, na Praça de São Pedro, a 13 de Maio de 1981, não só não morreu como viveu mais 23 anos, pois viria a falecer em 2005. Que dizer então de uma profecia que prevê a morte violenta de um papa quando esta, na realidade, não acontece?! Se o facto que anuncia não se realiza, a conclusão parece óbvia: não pode ser, portanto, uma verdadeira profecia!

Foi esta uma das questões a que o então perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger, respondeu no seu comentário teológico ao manuscrito da Irmã Lúcia sobre a terceira parte do segredo de Fátima, que já tinha sido sumariamente revelado pelo Cardeal Ângelo Sodano, na missa da beatificação dos pastorinhos Marto, a 13 de Maio de 2000, em Fátima.

Para melhor compreender o sentido do texto da vidente, Tarcísio Bertone, que era então Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé e depois viria a ser Cardeal Secretário de Estado do Papa Bento XVI, foi expressamente ao Carmelo de Coimbra, entrevistar-se com a Irmã Lúcia. “Quanto à passagem relativa ao Bispo vestido de branco, isto é, ao Santo Padre — como logo perceberam os pastorinhos durante a «visão» — que é ferido de morte e cai por terra, a irmã Lúcia concorda plenamente com a afirmação do Papa (João Paulo II): «Foi uma mão materna que guiou a trajectória da bala e o Santo Padre agonizante deteve-se no limiar da morte» (João Paulo II, Meditação com os Bispos Italianos, a partir da Policlínica Gemelli, 13 de Maio de 1994)”.

Segundo o Cardeal Ratzinger, a terceira parte do segredo de Fátima “constitui uma visão profética comparável às da Sagrada Escritura, que não descrevem de forma fotográfica os detalhes dos acontecimentos futuros, mas sintetizam e condensam sobre a mesma linha de fundo factos que se prolongam no tempo, numa sucessão e duração não especificadas. Em consequência, a chave de leitura do texto só pode ser de carácter simbólico”.

Quer isto dizer, em suma, que há que privilegiar uma interpretação não literal e, neste sentido, a anunciada morte do “Bispo vestido de branco”, que é um papa, é uma metáfora para o atentado mortal de que foi vítima. Se o seu falecimento não se chegou, de facto, a verificar foi graças a Nossa Senhora, segundo expressão muitas vezes repetida pelo próprio Karol Wojtyla: “foi uma mão materna que guiou a trajectória da bala e o Santo Padre agonizante deteve-se no limiar da morte”.

Que o atentado era mortal, não restam quaisquer dúvidas. O seu autor, um assassino profissional, Ali Agca, nunca chegou a compreender por que razão São João Paulo II não morreu quando contra ele disparou à queima-roupa, acertando no alvo. Quando ambos se encontraram, na prisão italiana onde cumpria pena, não pediu perdão ao Papa, nem confessou a sua culpa, mas perguntou-lhe o que era Fátima, pois não se explicava a sobrevivência de João Paulo II. Por essa razão, o Papa Wojtyla ofereceu a Fátima a bala que quase o matou e que, desde então, por feliz decisão de D. Alberto Cosme do Amaral, primeiro Bispo de Leiria-Fátima, está encastoada na coroa de Nossa Senhora.

Se é verdade, portanto, que na terceira parte do segredo de Fátima se previa a morte de um papa, não é certo que essa profecia não se tenha cumprido, não só porque a linguagem simbólica usada não era susceptível de uma interpretação literal, mas também porque o atentado que vitimou São João Paulo II cumpriu, segundo o juízo da vidente e do próprio papa, o que de essencial nessa parte do segredo se predissera.

“Chegamos assim” – pela mão de Bento XVI, quando ainda era o Cardeal Joseph Ratzinger – “a uma última pergunta: Que significa no seu conjunto (nas suas três partes) o «segredo» de Fátima? O que é nos diz a nós? (…) Quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história, deve ter ficado desiludido. Fátima não oferece tais satisfações à nossa curiosidade como, aliás, a fé cristã em geral, que não pretende nem pode ser alimento para a nossa curiosidade. O que permanece (…) é a exortação à oração como caminho para a «salvação das almas», e no mesmo sentido o apelo à penitência e à conversão.”

“Fátima é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas” – lê-se n’A mensagem de Fátima, da Congregação para a Doutrina da Fé, publicada a 26-6-2000, pouco mais de um mês depois da revelação, pelo Cardeal Ângelo Sodano, da terceira parte do segredo de Fátima, na celebração eucarística, presidida por São João Paulo II, em que foram beatificados os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, na Cova da Iria, a 13 de Maio de 2000.

A primeira e a segunda parte do segredo eram há já muito conhecidas e, segundo o mesmo texto, “dizem respeito antes de mais à pavorosa visão do inferno, à devoção ao Imaculado Coração de Maria, à segunda guerra mundial, e depois ao prenúncio dos danos imensos que a Rússia, com a sua defecção da fé cristã e adesão ao totalitarismo comunista, haveria de causar à humanidade”. Como nesse documento também se afirma, “em 1917, ninguém poderia ter imaginado tudo isto: os três pastorinhos de Fátima vêem, ouvem, memorizam, e Lúcia, a testemunha sobrevivente, quando recebe a ordem do Bispo de Leiria e a autorização de Nossa Senhora, põe por escrito”.

Muito se especulou sobre a terceira parte do segredo de Fátima, escrito pela Irmã Lúcia e guardado nos arquivos do Vaticano. Os papas São João XXIII e Beato Paulo VI tiveram conhecimento do seu teor, mas decidiram não o revelar. Depois do atentado que São João Paulo II sofreu, na praça de São Pedro, em Roma, a 13 de Maio de 1981, precisamente no aniversário da primeira aparição na Cova da Iria, este papa, ainda convalescente, leu a terceira parte do segredo de Fátima que, contudo, continuaria secreta por mais dezanove anos, pois só viria a ser revelada a 13 de Maio de 2000, na Cova da Iria, por ocasião da beatificação dos dois videntes mais novos.

A este propósito, o referido documento dessa congregação romana reconhece: “Quem lê com atenção o texto do chamado terceiro «segredo» de Fátima, que depois de longo tempo, por disposição do Santo Padre, é aqui publicado integralmente, ficará presumivelmente desiludido ou maravilhado depois de todas as especulações que foram feitas. Não é revelado nenhum grande mistério; o véu do futuro não é rasgado. Vemos a Igreja dos mártires deste século que está para findar, representada através duma cena descrita numa linguagem simbólica de difícil decifração.”

Talvez, mais do que a maravilha dos crentes, tenha prevalecido a desilusão por parte dos agnósticos e ateus, se não mesmo a decepção também de alguns fiéis. A terceira parte do segredo de Fátima previa que um “Bispo vestido de branco” morresse, como consequência de um atentado. Se o “Bispo vestido de branco” é o papa, como também a vidente reconheceu, dever-se-ia ter verificado, depois de 1917, algum atentado contra um romano pontífice, de que tivesse resultado a sua morte. Ora, como já se recordou, São João Paulo II, embora gravemente ferido depois de alvejado por Ali Agca, na Praça de São Pedro, a 13 de Maio de 1981, não só não morreu como viveu mais 23 anos, pois viria a falecer em 2005. Que dizer então de uma profecia que prevê a morte violenta de um papa quando esta, na realidade, não acontece?! Se o facto que anuncia não se realiza, a conclusão parece óbvia: não pode ser, portanto, uma verdadeira profecia!

Foi esta uma das questões a que o então perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger, respondeu no seu comentário teológico ao manuscrito da Irmã Lúcia sobre a terceira parte do segredo de Fátima, que já tinha sido sumariamente revelado pelo Cardeal Ângelo Sodano, na missa da beatificação dos pastorinhos Marto, a 13 de Maio de 2000, em Fátima.

Para melhor compreender o sentido do texto da vidente, Tarcísio Bertone, que era então Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé e depois viria a ser Cardeal Secretário de Estado do Papa Bento XVI, foi expressamente ao Carmelo de Coimbra, entrevistar-se com a Irmã Lúcia. “Quanto à passagem relativa ao Bispo vestido de branco, isto é, ao Santo Padre — como logo perceberam os pastorinhos durante a «visão» — que é ferido de morte e cai por terra, a irmã Lúcia concorda plenamente com a afirmação do Papa (João Paulo II): «Foi uma mão materna que guiou a trajectória da bala e o Santo Padre agonizante deteve-se no limiar da morte» (João Paulo II, Meditação com os Bispos Italianos, a partir da Policlínica Gemelli, 13 de Maio de 1994)”.

Segundo o Cardeal Ratzinger, a terceira parte do segredo de Fátima “constitui uma visão profética comparável às da Sagrada Escritura, que não descrevem de forma fotográfica os detalhes dos acontecimentos futuros, mas sintetizam e condensam sobre a mesma linha de fundo factos que se prolongam no tempo, numa sucessão e duração não especificadas. Em consequência, a chave de leitura do texto só pode ser de carácter simbólico”.

Quer isto dizer, em suma, que há que privilegiar uma interpretação não literal e, neste sentido, a anunciada morte do “Bispo vestido de branco”, que é um papa, é uma metáfora para o atentado mortal de que foi vítima. Se o seu falecimento não se chegou, de facto, a verificar foi graças a Nossa Senhora, segundo expressão muitas vezes repetida pelo próprio Karol Wojtyla: “foi uma mão materna que guiou a trajectória da bala e o Santo Padre agonizante deteve-se no limiar da morte”.

Que o atentado era mortal, não restam quaisquer dúvidas. O seu autor, um assassino profissional, Ali Agca, nunca chegou a compreender por que razão São João Paulo II não morreu quando contra ele disparou à queima-roupa, acertando no alvo. Quando ambos se encontraram, na prisão italiana onde cumpria pena, não pediu perdão ao Papa, nem confessou a sua culpa, mas perguntou-lhe o que era Fátima, pois não se explicava a sobrevivência de João Paulo II. Por essa razão, o Papa Wojtyla ofereceu a Fátima a bala que quase o matou e que, desde então, por feliz decisão de D. Alberto Cosme do Amaral, primeiro Bispo de Leiria-Fátima, está encastoada na coroa de Nossa Senhora.

Se é verdade, portanto, que na terceira parte do segredo de Fátima se previa a morte de um papa, não é certo que essa profecia não se tenha cumprido, não só porque a linguagem simbólica usada não era susceptível de uma interpretação literal, mas também porque o atentado que vitimou São João Paulo II cumpriu, segundo o juízo da vidente e do próprio papa, o que de essencial nessa parte do segredo se predissera.

“Chegamos assim” – pela mão de Bento XVI, quando ainda era o Cardeal Joseph Ratzinger – “a uma última pergunta: Que significa no seu conjunto (nas suas três partes) o «segredo» de Fátima? O que é nos diz a nós? (…) Quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história, deve ter ficado desiludido. Fátima não oferece tais satisfações à nossa curiosidade como, aliás, a fé cristã em geral, que não pretende nem pode ser alimento para a nossa curiosidade. O que permanece (…) é a exortação à oração como caminho para a «salvação das almas», e no mesmo sentido o apelo à penitência e à conversão.”

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador AQUI
(seleção de imagens 'Spe Deus')

«Quereis oferecer-vos a Deus?...»

A bênção dos doentes é sempre um momento comovedor, no final das Eucaristias solenes de Fátima. O Papa Francisco aproveitou para lhes explicar o seu papel na Igreja e a nossa missão junto deles.

Retomando a homilia, afirma que «Jesus sabe o que significa o sofrimento». Sabe, por o ter experimentado: «quando passamos por alguma cruz, Ele já passou antes».

«Hoje, a Virgem Maria repete a todos nós a pergunta que fez, há cem anos, aos Pastorinhos: “quereis oferecer-vos a Deus?”. A resposta – “Sim, queremos!” – dá-nos a possibilidade de compreender e imitar as suas vidas. (...) Queridos doentes, vivei a vossa vida como um dom e dizei a Nossa Senhora, como os Pastorinhos, que vos quereis oferecer a Deus de todo o coração. (...) Não tenhais vergonha de ser um tesouro precioso da Igreja».

Como é que Jesus, que conhece o sofrimento, nos consola?

«Penso no Apóstolo Pedro, acorrentado na prisão de Jerusalém, enquanto toda a Igreja rezava por Ele. E o Senhor consolou Pedro. Isto é o mistério da Igreja: a Igreja pede ao Senhor para consolar os atribulados como vós e Ele consola-vos, mesmo às escondidas; consola-vos na intimidade do coração e consola com a fortaleza».

Diante de uma custódia enorme, em ouro, ostentando a Hóstia consagrada, o Papa dirige-se agora a nós:
«Amados peregrinos, diante dos nossos olhos, temos Jesus escondido, mas presente na Eucaristia; como temos Jesus escondido, mas presente nas chagas dos nossos irmãos e irmãs doentes e atribulados. No altar, adoramos a Carne de Jesus; neles, encontramos as chagas de Jesus. Hoje, a Virgem Maria repete a todos nós a pergunta: “Quereis oferecer-vos a Deus?”».

A pergunta fica a ecoar no coração de todos nós.

José Maria C.S. André
13-V-2017

Senhor, com o teu auxílio lutarei

O canto humilde e gozoso de Maria, no "Magnificat", recorda-nos a infinita generosidade de Nosso Senhor com os que se fazem como crianças, com os que se abaixam e sabem sinceramente que não são nada. (Forja, 608)

Não esqueçais que santo não é o que não cai, mas o que se levanta sempre, com humildade e com santa persistência. Se no livro dos Provérbios se comenta que o justo cai sete vezes ao dia, tu e eu – pobres criaturas – não nos devemos estranhar nem desalentar perante as misérias pessoais, perante os nossos tropeços, porque continuaremos em frente, se procurarmos a fortaleza n'Aquele que nos prometeu: Vinde a mim todos os que andais cansados e oprimidos, que eu vos aliviarei. Obrigado, Senhor, quia tu es, Deus, fortitudo mea, porque foste sempre Tu, e só Tu, meu Deus, a minha fortaleza, o meu refúgio, o meu apoio.

Se verdadeiramente desejas progredir na vida interior, sê humilde. Recorre constantemente, confiadamente, à ajuda do Senhor e de sua Mãe bendita, que é também a tua Mãe. Com serenidade, tranquilo, por muito que te doa a ferida ainda não sarada da tua última queda, abraça de novo a cruz e diz: Senhor, com o teu auxílio lutarei para não parar, responderei fielmente aos teus convites, sem temer as encostas íngremes, nem a aparente monotonia do trabalho habitual, nem os cardos e pedras do caminho. Sei que a tua misericórdia me assiste e que, no fim, acharei a felicidade eterna, a alegria e o amor pelos séculos sem fim. (Amigos de Deus, 131)

São Josemaría Escrivá 

«Não vês tanta estrada?...»

Um sol magnífico. No recinto imenso de Fátima e nas ruas à volta, ecoa a voz pausada do Papa.

Faz-nos sonhar com a poesia de imagens tiradas do Apocalipse, fala da «Mulher revestida de sol», refulgente de beleza. Ela, disse-nos o Papa, é a nossa mãe! Depois de ver Nossa Senhora, a pequena Jacinta não se conteve e desvendou o segredo à mãe: «Hoje vi Nossa Senhora!».

Também nós a veremos pela eternidade inteira, se formos para o Céu – diz o Papa. Por isso o preocupa o risco do Inferno «onde leva a vida sem Deus e profanando Deus nas suas criaturas».

O assunto é da máxima gravidade: «Nas suas “Memórias”, a Irmã Lúcia dá a palavra à Jacinta que beneficiara de uma visão: “Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não têm nada para comer? E o Santo Padre numa igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta a gente a rezar com ele?”».

As circunstâncias desta homilia despertam-nos para a actualidade da visão. O Santo Padre diante de Maria, e uma multidão rezando... Mas é o próprio Papa que sublinha o que quer dizer: «Irmãos e irmãs, obrigado por me acompanhardes!». Sim, somos nós e é ele. Um arrepio de responsabilidade leva-nos a viver mais intensamente este momento que une o Céu e a Terra.
No meio das tribulações que desabam sobre a Igreja e a humanidade, o Papa aponta o caminho da esperança: sob o seu manto, não se perdem os filhos de Nossa Senhora – diz o Papa.

Com essa esperança, o Papa põe-nos a caminho:
– «Ele criou-nos como uma esperança para os outros, uma esperança real e realizável, segundo o estado de vida de cada um. Ao “pedir” e “exigir” o cumprimentos dos nossos deveres de estado (a citação é de uma carta da Irmã Lúcia de 1943), o Céu desencadeia aqui uma verdadeira mobilização geral contra esta indiferença, que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar. Não queiramos ser uma esperança abortada! A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida. Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12, 24) ».

No espaço desta homilia, cruzaram-se o esplendor da beleza e os abismos do mal, a esperança de Deus e a nossa responsabilidade. Com uma intensidade multiplicada pela multidão que ouve as palavras do Papa e reza com ele. Os que aqui estamos, somos, em primeira linha, a multidão imensa que a Jacinta viu.
José Maria C.S. André
13-V-2017

Homilia Missa canonização de Francisco e Jacinta Marto

«Apareceu no Céu (…) uma mulher revestida de sol»: atesta o vidente de Patmos no Apocalipse (12, 1), anotando ainda que ela «estava para ser mãe». Depois ouvimos, no Evangelho, Jesus dizer ao discípulo: «Eis a tua Mãe» (Jo 19, 26-27). Temos Mãe! Uma «Senhora tão bonita»: comentavam entre si os videntes de Fátima a caminho de casa, naquele abençoado dia treze de maio de há cem anos atrás. E, à noite, a Jacinta não se conteve e desvendou o segredo à mãe: «Hoje vi Nossa Senhora». Tinham visto a Mãe do Céu. Pela esteira que seguiam os seus olhos, se alongou o olhar de muitos, mas… estes não A viram. A Virgem Mãe não veio aqui, para que A víssemos; para isso teremos a eternidade inteira, naturalmente se formos para o Céu.

Mas Ela, antevendo e advertindo-nos para o risco do Inferno onde leva a vida – tantas vezes proposta e imposta – sem-Deus e profanando Deus nas suas criaturas, veio lembrar-nos a Luz de Deus que nos habita e cobre, pois, como ouvíamos na Primeira Leitura, «o filho foi levado para junto de Deus» (Ap 12, 5). E, no dizer de Lúcia, os três privilegiados ficavam dentro da Luz de Deus que irradiava de Nossa Senhora. Envolvia-os no manto de Luz que Deus Lhe dera. No crer e sentir de muitos peregrinos, se não mesmo de todos, Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir, como ensina a Salve Rainha, «mostrai-nos Jesus».

Queridos peregrinos, temos Mãe. Agarrados a Ela como filhos, vivamos da esperança que assenta em Jesus, pois, como ouvíamos na Segunda Leitura, «aqueles que recebem com abundância a graça e o dom da justiça reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo» (Rm 5, 17). Quando Jesus subiu ao Céu, levou para junto do Pai celeste a humanidade – a nossa humanidade – que tinha assumido no seio da Virgem Mãe, e nunca mais a largará. Como uma âncora, fundeemos a nossa esperança nessa humanidade colocada nos Céus à direita do Pai (cf. Ef 2, 6). Seja esta esperança a alavanca da vida de todos nós! Uma esperança que nos sustente sempre, até ao último respiro.

Com esta esperança, nos congregamos aqui para agradecer as bênçãos sem conta que o Céu concedeu nestes cem anos, passados sob o referido manto de Luz que Nossa Senhora, a partir deste esperançoso Portugal, estendeu sobre os quatro cantos da Terra. Como exemplo, temos diante dos olhos São Francisco Marto e Santa Jacinta, a quem a Virgem Maria introduziu no mar imenso da Luz de Deus e aí os levou a adorá-Lo. Daqui lhes vinha a força para superar contrariedades e sofrimentos. A presença divina tornou-se constante nas suas vidas, como se manifesta claramente na súplica instante pelos pecadores e no desejo permanente de estar junto a «Jesus Escondido» no Sacrário.

Nas suas Memórias (III, n. 6), a Irmã Lúcia dá a palavra à Jacinta que beneficiara duma visão: «Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não tem nada para comer? E o Santo Padre numa Igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com ele?» Irmãos e irmãs, obrigado por me acompanhardes! Não podia deixar de vir aqui venerar a Virgem Mãe e confiar-lhe os seus filhos e filhas. Sob o seu manto, não se perdem; dos seus braços, virá a esperança e a paz que necessitam e que suplico para todos os meus irmãos no Batismo e em humanidade, de modo especial para os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados. Queridos irmãos, rezamos a Deus com a esperança de que nos escutem os homens; e dirigimo-nos aos homens com a certeza de que nos vale Deus.
Pois Ele criou-nos como uma esperança para os outros, uma esperança real e realizável segundo o estado de vida de cada um. Ao «pedir» e «exigir» o cumprimento dos nossos deveres de estado (carta da Irmã Lúcia, 28/II/1943), o Céu desencadeia aqui uma verdadeira mobilização geral contra esta indiferença que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar. Não queiramos ser uma esperança abortada! A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida. «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24): disse e fez o Senhor, que sempre nos precede. Quando passamos através dalguma cruz, Ele já passou antes. Assim, não subimos à cruz para encontrar Jesus; mas foi Ele que Se humilhou e desceu até à cruz para nos encontrar a nós e, em nós, vencer as trevas do mal e trazer-nos para a Luz.

Sob a proteção de Maria, sejamos, no mundo, sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor.

O Evangelho de Domingo dia 14 de maio de 2017

«Não se perturbe o vosso coração. Acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito. Vou preparar um lugar para vós. Depois que Eu tiver ido e vos tiver preparado um lugar, virei novamente e tomar-vos-ei comigo, para que, onde estou, estejais vós também. E vós conheceis o caminho para ir onde Eu vou». Tomé disse-Lhe: «Senhor, nós não sabemos para onde vais; como podemos saber o caminho?». Jesus disse-lhe: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por Mim. Jesus disse-lhe: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecesseis, também certamente conheceríeis Meu Pai; mas desde agora O conheceis e já O vistes». Filipe disse-Lhe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta». Jesus disse-lhe: «Há tanto tempo que estou convosco, e ainda não Me conheces, Filipe? Quem Me viu, viu também o Pai. Como dizes, pois: Mostra-nos o Pai? Não acreditais que Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim? As palavras que vos digo, não as digo por Mim mesmo. O Pai, que está em Mim, Esse é que faz as obras. Crede em Mim: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim. Crede-o ao menos por causa das mesmas obras. «Em verdade, em verdade vos digo, que aquele que crê em Mim fará também as obras que Eu faço. Fará outras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai.

Jo 14, 1-12

Santa Jacinta e São Francisco Marto rogai por nós...


São Josemaría Escrivá sobre Nossa Senhora de Fátima

Festividade de Nossa Senhora de Fátima: “Olha, minha filha, repito à Virgem muitas vezes ao dia, em diferentes tons – uns, de pedido de ajuda; outros de agradecimento, sempre de Amor – : Mãe, minha Mãe! Digo-o a Nossa Senhora de Fátima”.

O milagre do sol em Roma

Em 1950, a poucos dias da proclamação do Dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao Céu, Pio XII presenciou, no jardim do Vaticano, o mesmo fenómeno extraordinário que os peregrinos viram em Fátima, a 13 de Outubro de 1917, quando o sol dançou, mudou de cor e se podia olhar directamente sem ferir os olhos. Pio XII referiu aos seus colaboradores mais próximos o que tinha visto e o Cardeal Tedeschini contou-o durante uma homilia. Há alguns anos, descobriu-se a folha manuscrita pelo próprio Pio XII com a descrição do que aconteceu. Como costumava fazer, Pio XII escrevia em folhas de rascunho, utilizadas pelo outro lado.

Pelas 4 horas da tarde do dia 30 de Outubro, «quando dava a passeata habitual pelo jardim do Vaticano, lendo e estudando», ao sair da praceta onde está a imagem de Nossa Senhora de Lourdes, levantou os olhos das folhas que lia. «Assisti a um fenómeno que nunca tinha visto. O sol, que ainda ia bastante alto, parecia um disco amarelado, circundado de uma auréola luminosa», que não feria os olhos. Havia uma pequenina nuvem diante. «O disco opaço movia-se ligeiramente na periferia ora girando, ora inclinando-se para a esquerda ou para a direita. Mas no interior do disco viam-se com toda a clareza uns movimentos fortíssimos, sem interrupção».

Pio XII voltou a assistir a este fenómeno no dia seguinte, 31 de Outubro, e novamente no dia a seguir, 1 de Novembro, no qual definiu, numa sessão solene em S. Pedro, o referido Dogma da Assunção de Nossa Senhora.

Nos dias seguintes, Pio XII tentou voltar a olhar para o Sol, para ver o mesmo fenómeno, mas só voltou a acontecer uma vez, no dia 8 de Novembro. Tentou várias vezes, mas nem sequer conseguia fixar directamente a luz solar sem ficar ofuscado.

O Cardeal Tedeschini, legado pontifício a Fátima, mencionou estes acontecimentos, apesar de o próprio Papa preferir não lhes dar muita publicidade. Pio XII compreendeu que a mensagem era principalmente para ele e não devia transformar-se numa distracção para o anúncio do Evangelho.
Quando teve notícia das aparições de Fátima, Pio XII compreendeu outro pequeno sinal do Céu. É que o Papa da época tinha-o ordenado bispo na capela Sistina, exactamente no 13 de Maio de 1917.

Segundo a «Agência Ecclesia», o Papa Pio XII ter-se-ia encontrado com a Irmã Lúcia e ordenou-lhe que transcrevesse as mensagens recebidas de Nossa Senhora. Não conseguimos confirmar esta notícia, mas é verdade que foi a autoridade eclesiástica que pediu à Irmã Lúcia que escrevesse em pormenor sobre as aparições e foi Pio XII o primeiro Papa que reconheceu a credibilidade das aparições.
José Maria C.S. André
12-V-2017

Maio - Fátima

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA 13 Maio

Nota Histórica    

No ano 1917, quando o mundo se debatia ainda nas violências e atrocidades da guerra, a Virgem Maria apareceu seis vezes em Fátima a três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco. Por meio deles, a Santa Mãe de Deus recomendou insistentemente aos homens a firmeza da fé e o espírito de oração, penitência e reparação. O culto de Nossa Senhora de Fátima, depois de ter sido aprovado pelo Bispo da diocese e mais tarde confirmado pela Autoridade Apostólica, foi especialmente honrado com a peregrinação do papa Paulo VI ao local das aparições no ano 1967 e João Paulo II nos anos 1982 e 1991.

Maria, Mãe da Igreja e Advogada dos fiéis

Por ocasião das cerimónias religiosas que têm lugar nestes dias em Fátima, Portugal, em honra da Virgem Mãe de Deus, onde acorrem numerosas multidões de fiéis para venerarem o seu coração maternal e compassivo, desejamos mais uma vez chamar a atenção de todos os filhos da Igreja para o inseparável vínculo que existe entre a maternidade espiritual de Maria e os deveres que têm para com Ela os homens resgatados.

Julgamos ser de grande utilidade para as almas dos fiéis considerar duas verdades muito importantes para a renovação da vida cristã.

A primeira verdade é esta: Maria é Mãe da Igreja, não só por ser Mãe de Jesus Cristo e sua íntima colaboradora na nova economia da graça, quando o Filho de Deus n’Ela assumiu a natureza humana para libertar o homem do pecado mediante os mistérios da sua carne, mas também porque brilha à comunidade dos eleitos como admirável modelo de virtude.

Depois de ter participado no sacrifício redentor de seu Filho, e de maneira tão íntima que mereceu ser por Ele proclamada Mãe não somente do discípulo João, mas – seja consentido afirmá-lo – do género humano, por este de algum modo representado, Ela continua agora no Céu a desempenhar a sua função materna de cooperadora no nascimento e desenvolvimento da vida divina em cada alma dos homens remidos.

Mas de que modo coopera Maria no crescimento da vida da graça nos membros do Corpo Místico? Antes de tudo, pela sua oração incessante, inspirada por uma ardentíssima caridade. A Virgem Santa, de facto, gozando embora da contemplação da Santíssima Trindade, não esquece os seus filhos que caminham, como Ela outrora, na peregrinação da fé; pelo contrário, contemplando-os em Deus e conhecendo bem as suas necessidades, em comunhão com Jesus Cristo que está sempre vivo para interceder por nós, deles se constitui Advogada, Auxiliadora, Amparo e Medianeira.

No entanto, a cooperação da Mãe da Igreja no desenvolvimento da vida divina nas almas não consiste apenas na sua intercessão junto do Filho. Ela exerce sobre os homens remidos outra influência importantíssima, a do exemplo, segundo a conhecida máxima: as palavras movem, o exemplo arrasta. Realmente, tal como os ensinamentos dos pais adquirem maior eficácia quando são acompanhados pelo exemplo duma vida conforme as normas da prudência humana e cristã, assim também a suavidade e o encanto das excelsas virtudes da Imaculada Mãe de Deus atraem irresistivelmente as almas para a imitação do divino modelo, Jesus Cristo, de que Ela foi a mais perfeita imagem.

Mas nem a graça do divino Redentor nem a poderosa intercessão de sua e nossa Mãe espiritual poderiam conduzir-nos ao porto da salvação, se a tudo isso não correspondesse a nossa perseverante vontade de honrar Jesus Cristo e a Virgem Mãe de Deus com a fiel imitação das suas sublimes virtudes.
É, pois, dever de todos os cristãos imitar religiosamente os exemplos de bondade que lhes deixou a Mãe do Céu. É esta a segunda verdade sobre a qual nos agrada chamar a vossa atenção. É em Maria que os cristãos podem admirar o exemplo que lhes mostra como realizar, com humildade e magnanimidade, a missão que Deus confiou a cada um neste mundo, em ordem à sua eterna salvação e à do próximo.

Uma mensagem de suma utilidade parece chegar hoje aos fiéis da parte d’Aquela que é a Imaculada, a toda santa, a cooperadora do Filho na restauração da vida sobrenatural das almas. A santa contemplação de Maria incita-os, de facto, à oração confiante, à prática da penitência, ao santo temor de Deus, e recorda-lhes com frequência aquelas palavras com que Jesus Cristo anunciava estar perto o reino dos Céus: Arrependei-vos e acreditai no Evangelho, bem como a sua severa advertência: Se não vos arrependerdes, perecereis todos de maneira semelhante.

Comemorando-se este ano o vigésimo quinto aniversário da solene consagração da Igreja a Maria Mãe de Deus e ao seu Coração Imaculado, feita pelo Nosso Predecessor Pio XII no dia 31 de Outubro de 1942, por ocasião da Rádio-Mensagem à Nação Portuguesa – consagração que Nós mesmo renovámos no dia 21 de Novembro de 1964 – exortamos todos os filhos da Igreja a renovar pessoalmente a sua própria consagração ao Coração Imaculado da Mãe da Igreja e a viver este nobilíssimo acto de culto com uma vida cada vez mais conforme à vontade divina, em espírito de serviço filial e devota imitação da sua celeste Rainha.

(Da Exortação Apostólica Signum magnum do Papa Paulo VI, Dia 13 de Maio de 1967: AAS 56, 1967, 4-473, 475)

Visitar um Santuário Mariano

«Como dizia Bento XVI num santuário mariano: para o homem em busca, este convite transforma-se sempre de novo num pedido espontâneo, um pedido que se dirige em particular a Maria, que nos deu Cristo como seu Filho: “Mostra-nos Jesus!”. Assim rezamos hoje com todo o coração. E assim rezamos também, para além deste momento, interiormente, em busca do Rosto do Redentor. “Mostra-nos Jesus!”. Maria responde, apresentando-O diante de nós, antes de mais, como Menino. Deus fez-se pequenino para nós. (Homilia no Santuário de Mariazell, 8-IX-2007).

Excerto carta de Maio 2009 de D. Javier Echevarría

A mais profética das aparições modernas

«Decorre hoje o nonagésimo aniversário (2007) das Aparições de Nossa Senhora em Fátima. Com o seu veemente apelo à conversão e à penitência é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas. Vamos pedir à Mãe da Igreja, Ela que conhece os sofrimentos e as esperanças da humanidade, que proteja nossos lares e nossas comunidades».

(Bento XVI - Regina Caeli – 13/V/2007 – Santuário de Aparecida)

«No dia 13 de Maio recordamos uma daquelas manifestações: a primeira apari­ção da Santíssima Virgem Maria em Fátima. Que ressoe nos nossos ouvidos a mensagem de oração, de conversão, de reparação pelos pecados, que com tanta força se difunde daquele santuário mariano. Como é lógico, agradeçamos especialmente a protec­ção que Nossa Senhora dispensou ao Papa João Paulo II, salvando a sua vida do atentado de 13 de Maio de 1981. E recordemos também, com agradecimento, as muitas vezes que S. Josemaría se prostrou perante Ela na capelinha, impetrando o seu auxílio maternal para a Igreja, para a Obra, para todas as almas. Repetiu frequentemente que aquele lugar era o seu ‘refúgio’».

(D. Javier Echevarría, excerto carta de Maio de 2008)

O Evangelho do dia 13 de maio de 2017

Estando Ele ainda a falar ao povo, eis que Sua mãe e Seus irmãos se achavam fora, desejando falar-Lhe. Alguém disse-Lhe: «Tua mãe e Teus irmãos estão ali fora e desejam falar-Te». Ele, porém, respondeu ao que falava: «Quem é a Minha mãe e quem são os Meus irmãos?» E, estendendo a mão para os Seus discípulos, disse: «Eis Minha mãe e Meus irmãos. Porque todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai que está nos céus, esse é Meu irmão e Minha irmã e Minha mãe».

Mt 12, 46-50