Natal

Natal
Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

domingo, 7 de maio de 2017

Santo Rosário - Primeiro Mistério Doloroso

Agonia de Jesus no Horto das Oliveiras

O meu Senhor retirou-se para rezar.
Procurou a solidão no silêncio do fim do dia.
A Sua Humanidade sofria intensamente com a visão dos tormentos que se aproximavam.
Poderia Jesus ter suportado a flagelação, as vergastadas, os espinhos cravando-se na Sua cabeça, os pregos rasgando a carne, o horror do suplício da Cruz?

Estou certo que sim. Jesus era um homem perfeito e o sofrimento, por excessivo que fosse não deveria atemorizá-lo de forma tão absoluta.
Outros sofreram também horrores, sacrifícios inauditos de incrível crueldade.
Julgo que o atroz sofrimento de Jesus, no Horto das Oliveiras, nascia principalmente no Seu espírito, no Seu coração.
Ele tinha dado tudo quanto tinha para dar, oferecido todos os meios, apontado todos os caminhos e, agora, iam fazer pouco, escarnecê-lo, violentá-lo na sua inteireza de homem bom e recto, iam negá-lo como Filho de Deus, Deus verdadeiro feito homem.
Tudo isto, e muito mais, e não só nessa noite e no dia seguinte, mas depois, em todas as noites e todos os dias até ao final dos tempos.

Milhões de homens e mulheres que sempre O iriam negar, escarnecer, cuspir e crucificar outra vez. Que peso, Senhor, que peso incrível seria o conhecimento de tudo isto!

Ah! meu Jesus, se ainda se salvassem todos os homens!
Se, apesar de tudo, essas almas conhecessem a Vida Eterna no seio de Deus Pai, como tinhas previsto e desejado desde o início dos tempos!
Mas não, Jesus, o que mais te dói agora, neste fim de dia no Horto das Oliveiras é que tantos milhões de homens e mulheres se percam eternamente.

Dói-te tanto, Senhor, não pelo teu sacrifício ter sido inútil para esses, mas porque o Teu coração bondoso, a Tua misericórdia infinita se entristece mortalmente com esse fim trágico dos teus filhos.
Não foi isso que quiseste. Nunca desejas-te outra coisa senão a eterna felicidade de todos os homens, que todos, absolutamente todos, se salvassem e pudessem estar contigo, com o Pai, com o Espírito Santo, com a Tua Santíssima Mãe, com a legião de Anjos e Santos, por toda a eternidade.

Não tens, ali, a Tua Mãe extremosa, para te amparar e dar consolo. Nesta hora tão triste, de certeza que o seu coração se contrai também na dor que não pode deixar de sentir em uníssono com o seu Filho.
Talvez, na casa onde pernoita, vele angustiada, esperando o horror que adivinha.
Decerto que Tu, Filho fiel, com todo o carinho e ternura lhe terás desvendado algo do que irá acontecer nas próximas horas.
Soube, antes que lho contasses, da tristeza que já Te invadia o coração, bastava-lhe olhar o rosto adorado do seu divino Filho para se aperceber do vendaval de emoções que n'Ele se chocavam.

Também ela, a Tua Santíssima Mãe, reza com fervor repetindo o “Fiat” que pronunciara trinta e três anos antes. Punha nas mãos de Deus, Teu e seu Pai, toda a vida, toda a morte, todos os sofrimentos do seu Filho.
Tem confiança, tem esperança mas, sobretudo, sabe, que há-de voltar a ver-te ressuscitado e glorioso.
Esta certeza, do sofrimento de Tua Mãe, junta-se às dores que Te partem o coração e tornam tão grande, tão incomensurável a tua dor, tens tanta pena, que suas sangue [1] e, numa fraqueza momentânea, pedes a Teu Pai queafaste esse cálice[2]

Por momentos, Senhor, a Tua humanidade tornou-se mais evidente. Mas logo, a Tua perfeição absoluta, reduziu a nada esse desejo legítimo, a esse desabafo: «não se faça o que Eu quero, senão o que Tu queres!» [3]

Também eu digo, faça-se a Tua vontade, Deus e Senhor de tudo e de todas as coisas e não a minha vontade de homem!
A Tua dor, Senhor, é uma dor de amor que só pode ser mitigada com amor.

Posso eu, Senhor, ter sempre presente a Tua agonia enorme e inimaginável, ou estou sempre tão ocupado, tão absorvido, tão disperso que nem sequer sou capaz de estar contigo uma simples hora do meu dia, inteiramente dedicada a Ti, fazendo-te companhia, compartilhando a Tua dor, carregando um pouco do Teu sofrimento?

Minha Mãe Santíssima, ajuda-me a ter uma dor de amor tão completa que me faça despertar deste sono que me carrega o espírito e permanecer ao lado do teu divino Filho, vigilante e decidido a não ceder nem à dor nem ao cansaço.

Jesus, ajuda-me a acompanhar a Tua Santíssima Mãe e compartilhar com Ela estes Mistérios Dolorosos, animando-a e confortando-a na sua dor e angústia. 

Amar a Cristo...

Senhor Jesus doaste-nos a Tua Mãe puríssima no Calvário através do discípulo predileto e nós adoptámo-La como Rainha e nossa Mãe de imediato no nosso coração, sem Ela não teríamos como porto de abrigo o seu maternal regaço.

Doaste-nos ainda o dom especialíssimo da maternidade naquelas que nos criaram e que hoje homenageamos e às quais tanto amor e sacrifícios devemos.

Senhor hoje pedimos-Te também que concedas às mulheres e homens jovens do meu país um verdadeiro sentido de maternidade e paternidade, apesar das dificuldades económicas que em muitos casos servem de pretexto, pois se analisados em detalhe não são mais do que uma falta de capacidade de abnegação em prol da família.

Jesus Cristo Filho de Deus, agradecemos-Te humildemente as Mães que nos ofereceste, a Virgem Maria e a nossa Mãe terrena.

JPR

Maria, mestra de oração

O amor à nossa Mãe será sopro que transforme em lume vivo as brasas de virtude que estão ocultas sob o rescaldo da tua tibieza. (Caminho, 492)

Ama a Senhora. E Ela te obterá graça abundante para venceres nesta luta quotidiana. – E de nada servirão ao maldito essa coisas perversas, que sobem e sobem, fervendo dentro de ti, até quererem sufocar, com a sua podridão bem cheirosa, os grandes ideais, os mandamentos sublimes que o próprio Cristo pôs no teu coração. – "Serviam!" – Servirei! (Caminho, 493)

A Jesus sempre se vai e se "torna a ir" por Maria. (Caminho, 495)

Maria, Mestra da oração.
– Olha como pede a seu Filho em Caná. E como insiste, sem desanimar, com perseverança. – E como consegue.
– Aprende. (Caminho, 502)

Não se pode levar uma vida limpa sem a ajuda divina. Deus quer a nossa humildade, quer que lhe peçamos a sua ajuda, através da nossa Mãe e sua Mãe.

Tens que dizer a Nossa Senhora, agora mesmo, na solidão acompanhada do teu coração, falando sem ruído de palavras: – Minha Mãe, este meu pobre coração rebela-se algumas vezes... Mas se Tu me ajudares... E ajudar-te-á, para que o conserves limpo e continues pelo caminho a que Deus te chamou: Nossa Senhora facilitar-te-á sempre o cumprimento da Vontade de Deus. (Forja, 315)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1969

Reza no santuário de Nossa Senhora de Einsiedeln (Suiça), depois de ter estado em Lourdes (França), Sonsoles, no Pilar e em Nossa Senhora das Mercês (Espanha), onde vai pedir pela solução jurídica definitiva do Opus Dei, que chegaria em 1982 com a sua erecção como Prelatura pessoal.

Bom Domingo do Senhor!

Reconheçamos que também nós somos ovelhas a precisar de seguir o Senhor, n’Ele estaremos protegidos conforme no-lo diz no Evangelho de hoje (Jo 10, 1-10).

Louvado seja Deus Nosso Senhor que nos assegura a Sua divina bondade!

Terracina e Bonacina

Terracina, praia italiana ao Sul de Roma, é uma terra de plebeus. Bonacina é uma povoação histórica do Norte de Itália, origem de condes, nobres, marqueses e cavaleiros. Como é que uns plebeus Terracina se transformaram em 1944 nos senhores Bonacina? Como ocorreu esta promoção meteórica?

A história começou um ano antes e foi revelada agora por Alberto Terracina, que sentiu o dever de agradecer.

Os Terracina eram judeus e viviam em Roma. A 16 de Outubro de 1943, as tropas alemãs irromperam no bairro judaico e capturaram uma multidão de pessoas, entre eles todos os familiares do lado da mãe. Todos eles foram deportados: avós, tios, primos, o mais novo tinha 8 meses. Do lado do pai, capturaram a tia e duas filhas adolescentes. Todos desapareceram em Auschwitz. Alberto Terracina, hoje septuagenário, conta: «eu tinha dois anos, o meu irmão Leo tinha quatro. Salvámo-nos porque um de nós estava doente e a família não quis sair de casa; na altura, morávamos fora de Roma. Durante três dias, ficámos escondidos num alçapão em casa de amigos e depois, por iniciativa de Mons. Giovanni Battista Montini (futuro Paulo VI, na época principal colaborador do Papa Pio XII) que conhecia o meu pai, acolheram-nos no edifício da Propaganda Fide, junto à casa pontifícia de Castel Gandolfo, e arranjaram-nos documentação falsa».

Alguns judeus refugiados em Castel Gandolfo
Os Terracina permaneceram em Castel Gandolfo com mais 12000 pessoas até ao dia 10 Fevereiro de 1944. Nesse dia, as fortalezas voadoras americanas e inglesas, confundindo os refugiados com soldados alemães, bombardearam a zona e mataram mais de 500 pessoas. Muitos dos sobreviventes fugiram. Os Terracina ficaram alojados alguns dias no Vaticano, durante os quais receberam documentação falsa e o apelido Terracina se transformou em Bonacina. «A seguir – conta Alberto (Bonacina) – viajámos com outros refugiados, na caixa aberta de um camião. Durante o trajecto, contaram-me os meus pais, passámos, pelo menos, por três postos de controlo alemães, mas escapámos graças aos documentos falsos. No entanto, a certa altura o condutor entrou em pânico e deixou-nos em plena noite gelada na praça central de Todi. Na manhã seguinte, foi uma verdadeira competição de solidariedade entre diversas pessoas da cidade para nos trazerem bebidas quentes e cobertores».

«Depois de um breve acolhimento provisório arranjado pelo pároco de Santa Maria, os Bonacina ficámos a morar em casa de Leopoldo Marri, que tinha uma tabacaria e libertou um dos quartos dos filhos para nos instalar. O meu pai e a minha mãe revelaram-lhe logo a nossa verdadeira identidade, mas o tio Leopoldo – como lhe chamávamos o meu irmão e eu – não nos mandou embora apesar do perigo que corria. Nem lhe passou pela cabeça que os alemães pagavam 10000 liras por adulto e 5000 por cada criança».

Alberto Terracina com a mãe e um soldado aliado
(Todi, Junho de 1944)
Um dia, Alberto adoeceu e os pais tiveram de o levar ao médico, o Dr. Paolo Orsini. «Ao ver que eu estava circuncidado, percebeu imediatamente, mas não disse nada. Só no final da guerra, abraçando os meus pais, lhes revelou que tinha percebido». Por ser médico, se alguém o tivesse denunciado, Orsini tinha sido fuzilado.

Finalmente, em Junho de 1944, Todi foi libertada pelo exército Aliado e os Terracina voltaram a Roma, onde souberam que todo o resto da família tinha morrido. Depois da guerra, mantiveram uma amizade muito próxima com os Marri, em casa de quem tinham vivido. Os contactos com o Dr. Paolo Orsini foram esporádicos, até que ele faleceu em 1964.

Recentemente, Alberto Terracina, achou que não tinha agradecido suficientemente e recorreu à televisão italiana para contactar os parentes de Orsini, conseguindo encontrar alguns sobrinhos. A verdade é que Alberto era muito pequeno na altura e «não me lembro do Dr. Orsini, mas penso nele como um homem de grande humanidade. Um homem justo numa época trágica. Pareceu-me que tinha o dever de dar um abraço pelo menos a alguém da família. Tenho pena de não os ter procurado há mais anos». Gaetano Vallini conta mais pormenores numa reportagem do «Osservatore Romano».

Agora, acerte o relógio: às 16h00 do dia 12 de Maio, o Papa Francisco aterra no aeroporto perto de Fátima.
José Maria C.S. André
07-V-2017
Spe Deus

Amigos dos nossos amigos

Para ajudar os outros com eficácia, através do conselho mais adequado às suas necessidades, é essencial falar primeiro sobre essas questões com o Senhor, na meditação. Precisamente aí, em conversa filial com Deus, receberemos luzes para as comunicar aos nossos amigos e colegas. É aí que o Espírito nos faz crescer interiormente (...) e nos ajuda a não cair na armadilha do egoísmo e do próprio modo de ver as coisas (...). A condição essencial para conservar este dom é a oração [9].

[9]. Papa Francisco, Discurso na Audiência geral, 17-IV-2013.

(D. Javier Echevarría excerto da carta do mês de maio de 2016)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

'Dia da Mãe'

Evangelho segundo S. Mateus 28,1-10.

Terminado o sábado, ao romper do primeiro dia da semana, Maria de Magdala e a outra Maria foram visitar o sepulcro.
Nisto, houve um grande terramoto: o anjo do Senhor, descendo do Céu, aproximou-se e removeu a pedra, sentando-se sobre ela.
O seu aspecto era como o de um relâmpago; e a sua túnica, branca como a neve.
Os guardas, com medo dele, puseram-se a tremer e ficaram como mortos.
Mas o anjo tomou a palavra e disse às mulheres: «Não tenhais medo. Sei que buscais Jesus, o crucificado; não está aqui, pois ressuscitou, como tinha dito. Vinde, vede o lugar onde jazia e ide depressa dizer aos seus discípulos: 'Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia. Lá o vereis.’ Eis o que tinha para vos dizer.»
Afastando-se rapidamente do sepulcro, cheias de temor e de grande alegria, as mulheres correram a dar a notícia aos discípulos.
Jesus saiu ao seu encontro e disse-lhes: «Salve!» Elas aproximaram-se, estreitaram-lhe os pés e prostraram-se diante dele.
Jesus disse-lhes: «Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos que partam para a Galileia. Lá me verão.»

Ao ouvir proclamar este Evangelho na Vigília Pascal e depois durante a homilia, lembrei-me das mães, lembrei-me da minha mãe.
Porque me veio ao coração o facto de ter sido dada às mulheres essa primeiríssima missão, de anunciar aos próprios Apóstolos a Ressurreição de Jesus.
Foram as mulheres que tiveram a primeiríssima missão de avisar os Apóstolos que se deviam encontrar com Jesus Cristo Ressuscitado.
Foram as mulheres, sem dúvida, que pressurosamente e sem duvidarem, fizeram o primeiro anúncio àqueles que nasciam para uma vida nova, a vida que haviam de receber do Espírito Santo, depois do seu encontro com Jesus Cristo Ressuscitado.
E então lembrei-me, (por associação de pensamentos do coração), dessas mulheres que são mães, e que acreditando em Jesus Cristo, são sempre as primeiras a d’Ele falarem aos seus filhos.
Ainda com os seus filhos no ventre, e já as mães falam deles a Jesus, e Lhe pedem protecção e amparo para essas vidas que hão-de vir ao mundo.
Pequeninos, bebés frágeis ao seu colo, e essas mulheres, as mães, vão falando com eles, numa linguagem que só eles entendem, falando-lhes em surdina de Jesus, apresentando-os, entregando-os à sua protecção.
Assim que eles vêem, andam, falam e podem entender alguma coisa, logo no primeiro Natal explicam aos seus filhos pequeninos, quem foi Aquele outro Menino que nasceu num presépio em Belém.
E depois … depois, continuam pela vida fora, levando-os aos primeiros encontros com Jesus na catequese familiar e depois na catequese na Igreja.
E não cessam de por eles rezarem e de os exortarem ao encontro pessoal e decisivo com Jesus Cristo Senhor.
Colocam até como maior o amor que os filhos devem ter a Jesus, do que a si próprias, pois sabem que é nesse amor que os filhos podem encontrar a verdadeira felicidade.
E não cessam de fazer sacrifícios, de desistirem do que para si desejam, de darem tudo de si, para que os seus filhos cresçam e sejam felizes e bons.
E sabem, oh se sabem, que o melhor que podem dar aos seus filhos, é um amor forte e fiel a Jesus Cristo, pois reconhecem que é nesse amor que uma boa vida, que uma vida boa, se constrói e edifica.
E como elas, as mães, se desempenham bem desta missão!
Como elas, as mães, têm as palavras e os gestos certos para falarem de Jesus aos seus filhos.
E se não os alcançam para Jesus pelas palavras que lhes dizem, não desistem e oram constantemente, para que Jesus vá ao encontro daqueles que elas tanto amam.
Terá sido por isto, que Deus deu aquela primeiríssima missão de anúncio da Ressurreição às mulheres?
Sem pretensões de interpretação teológica, (pobre de mim, que para tal não tenho conhecimentos), deixo “apenas” o meu coração dizer-me que sim, que foi essa a razão, porque Deus sabe que uma mãe nunca desiste de dar aos seus filhos o melhor de si, o melhor de tudo, e para uma mãe que acredita, o melhor de si que pode dar ao seu filho, é sem dúvida, Jesus Cristo Nosso Senhor, vivo e constantemente presente na vida dele.
Hoje, Dia da Mãe, homenageio assim todas as mães, rezando por elas, as que já o são, as que estão para o ser, e as que ainda o vão ser.
E dou graças infindas a Deus pela mãe que me deu, que tão bem me apresentou a Jesus.
De tal modo O colocou em mim e me apresentou a Ele, que mesmo tendo-me afastado tanto tempo d’Ele, a Ele tive que regressar, sem dúvida para colocar um sorriso de felicidade no rosto da minha mãe, a quem Jesus, (que a tem no seu regaço), diz agora com certeza:
«Conheço esse teu sorriso, mulher!»

Monte Real, 1 de Maio de 2011

Joaquim Mexia Alves
http://queeaverdade.blogspot.com/2011/05/dia-da-mae.html

«Dou-lhes a vida eterna»

São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja 
Homilias sobre o evangelho, nº 14

O Senhor diz: «As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz; Eu conheço-as e elas seguem-Me; e dou-lhes a vida eterna.» Delas tinha dito um pouco antes: «Se alguém entrar por Mim, será salvo; poderá entrar e sair e encontrará pastagem» (Jo 19, 9). Entrará efetivamente, abrindo-se à fé; sairá passando da fé à visão e à contemplação, e encontrará pasto abundante no banquete eterno.

As Suas ovelhas, portanto, encontram pastagens, porque todo aquele que O segue na simplicidade de coração é nutrido com um alimento de eterna frescura. Que são afinal as pastagens destas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempre verdejante? O alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem interrupção, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida.

Procuremos pois, irmãos caríssimos, alcançar estas pastagens, onde poderemos alegrar-nos na companhia dos cidadãos do céu. A alegria festiva dos bem-aventurados nos estimule. Reanimemos o nosso espírito, irmãos; afervore-se a nossa fé nas verdades em que acreditamos; inflame-se a nossa inspiração pelas coisas do céu. Amar assim já é caminhar. Nenhuma contrariedade nos afaste da alegria desta solenidade interior. Se alguém, com efeito, deseja atingir um lugar determinado, não há obstáculo no caminho que o demova do seu intento. Nenhuma prosperidade sedutora nos iluda. Insensato seria o viajante que, contemplando a beleza da paisagem, se esquecesse de continuar a sua viagem até ao fim.