Natal

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Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Santo Rosário - Quarto Mistério Gozoso

Apresentação de Jesus no Templo

Com a humildade simples de sempre, foste, Senhora, cumprir a Lei: Passados os dias estabelecidos depois do nascimento, a jovem Mãe tem de purificar-se no Templo. Pelo filho deve oferecer um casal de pombas ou rolas brancas e ser circuncidado.

E tu, Senhora, foste purificar-te ao Templo!

Tu, sem mancha de pecado, sem qualquer defeito que pudesse macular a brancura do teu coração e a limpidez da tua alma, não hesitaste um segundo em cumprir o que estava escrito que os filhos da Casa de Israel fizessem!

Quantas vezes eu não pensei que estava dispensado de rezar mais, de me humilhar, de me declarar disponível para o Senhor; quantas vezes não pensei comigo mesmo que sou melhor que estes, porque eu faço, eu penso, eu desejo muito mais e melhor!

Tudo porque o meu coração tem uma carapaça que turva a sua limpidez. A minha alma cheia de equimoses de pecados antigos e recentes; feridas e lanhos de defeitos que não consigo rebater nem ultrapassar.
Não consigo porque não dedico a essa luta um esforço humilde, continuado e perseverante que me leve a estar sempre pronto para a luta contra a minha falta de carácter.

Toda a tua vida, Senhora minha, é uma lição de humildade simples e serena. Não fazes nada de extraordinário, não dás nas vistas, não sobressais no meio das outras mulheres e, no entanto, cumpres com alegria e simplicidade todas as prescrições da Lei como se tuas obrigações fossem. E nisto está o teu segredo, Maria: Cumprir o que Deus manda, sem discutir, sem argumentar, a tempo e horas, quando e como deve ser feito.

Esta singela disponibilidade cumpridora dos deveres é sem dúvida, a característica mais extraordinária da Mãe do meu Senhor e minha Mãe.
Não a vemos nunca em êxtase em frente das multidões, sentada numa cadeira especial, ou nos primeiros lugares das assembleias. Não. Uma mulher simples, em que as coisas, os actos e as palavras não são estudados ou arquitectados de acordo e com conveniências ou objectivos.
Apenas uma serena certeza: Obedecer com prontidão e total disponibilidade.
E, no entanto, esta mulher é a Mãe de Deus!
Que lugar mais alto, que maior honra, que pergaminho, que nome ilustre pode comparar-se: A Mãe de Deus!

Ah Senhora minha, conseguiste com a tua serena calma, impor ao mundo um nome doce e vigoroso ao mesmo tempo que se nos coloca na boca com amoroso deleite, ou com esperançada angústia?

Nos nossos lábios um último grito, um último apelo, dos aflitos, dos que sofrem, dos que, em último recurso, para ti apelam. Dos que, acabrunhados pela dor buscam lenitivo. Dos que, esmagados pela alegria te agradecem. Dos que, como eu, doidos de amor apenas pronunciam o teu nome lentamente, deixando-o ecoar por todo o seu ser até ao mais profundo do seu coração.

Obedecer. Obedecer prontamente, sem hesitações ou desvios. Não dai a pouco, ou mais logo quando houver mais tempo, mais sossego, melhor luz… todas as mil desculpas que invento para adiar o que tem de ser feito já.

Obedecer!
É isto, Senhora, que procuro. É isto, Senhora, que quero: Obedecer.

Para isso, bem o sei, preciso expurgar de mim todos os invólucros que me cingem, as preocupações com coisas pequenas, as cobardias constantes, as faltas de atenção, as interrupções, os devaneios. Para isto é preciso estar pronto.
Só tu, Senhora minha, podes ajudar-me a conseguir este estado de alma. Só tu podes ajudar-me a eliminar tudo aquilo que tenho a mais e que tanto é, que não me deixa ver o essencial, o que realmente vale a pena. A ti recorro, Mãe Santíssima, para que me conduzas pela mão ao Templo da Purificação, onde eu, com os olhos finalmente libertos de escamas e o coração nu, de fora do peito, veja com toda a clareza a Vontade de Deus meu Senhor.
Tenho a certeza que serei também purificado e o fogo interior que se me acende no peito, incendiará todo o meu ser, purificando-me assim de todas as minhas faltas.

O centenário das “visões” de Fátima

É preciso falar com linguagem exata, defendeu D. Carlos Azevedo. A Igreja comemora o “centenário das aparições” mas, afinal, o conceito é teologicamente impreciso. Mais acessório, só o terço gigante
Estudei num colégio católico e era tradição ir a Fátima em maio. O ponto alto era a visita à loja de souvenirs, onde dávamos conta do stock de medalhinhas, terços e anéis que mudavam de cor consoante o estado de espírito (uma vez também trouxe uma Nossa Senhora que brilhava no escuro, um must-have naquela fase da vida em que decoramos o quarto com autocolantes fluorescentes).

Numa dessas visitas trouxe também um livro sobre a vida dos pastorinhos. Teria uns nove ou dez anos. Eram meia dúzia de páginas, mas a ideia de alguém da minha idade se poder dedicar de coração a rezar pelo bem do mundo, todos os dias, tocou-me. Não me ficou nada sobre o segredo, mas sim essa entrega dos três à oração para se tornarem melhores e ajudarem a reparar os males do mundo. Lembro-me de tentar rezar o terço todos os dias, para ser mais como eles, numa guerra muitas vezes perdida com o sono.

Por esse testemunho de entrega desinteressada, guardei sempre um carinho especial pela Jacinta e pelo Francisco, que agora vão ser santos, e por Lúcia. Nunca me tinha debruçado sobre os contornos teológicos do que se passou em Fátima e suspeito que a maioria dos 9 milhões de católicos em Portugal (segundo as últimas estimativas do Vaticano...) também não. Nas últimas semanas, porém, o assunto revelou-se complexo. D. Carlos Azevedo e o pe. Anselmo Borges, em diferentes entrevistas, fizeram questão de explicar que não foram aparições, mas visões.

O modo pareceu-me inusitado, para mais quando a Igreja comemora oficialmente o “centenário das aparições”. Basta abrir o site do santuário para dar de caras com a terminologia. “É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima. Uma aparição é algo objetivo. Uma experiência religiosa interior é outra realidade, é uma visão, o que não significa necessariamente um delírio, mas é subjetivo”, disse Anselmo Borges ao “Expresso”. “A presença de Maria não vem do céu por aí abaixo. Essas descrições são mais simples, mais imediatas, para entender o que é uma visão mística, mas precisamos de usar a linguagem exata para não cair no ridículo”, disse D. Carlos Azevedo ao “Público”, sublinhando que o que aconteceu em Fátima foram “visões imaginativas”. Noutra entrevista lembra que algumas pessoas ficaram escandalizadas quando, há anos, disse que Nossa Senhora não aprendeu português para falar com Lúcia... “Era para se compreender melhor que o diálogo com Deus se faz através de uma consciência interior, imaginativa, como diz o Papa Ratzinger.”

Tem havido várias negações do que aconteceu em Fátima mas, até ver, a Igreja ainda o reconhece. Confusa, e inspirada pelo pe. Gonçalo Portocarrero de Almada, que assinalou que Ratzinger, ao falar de visões, não disse que tinha sido tudo subjetivo, fui ler o que escreveu o papa emérito. O comentário teológico, publicado no ano 2000, está disponível no site do Vaticano e explica que a antropologia teológica distingue três formas de perceção ou visão: a visão pelos sentidos, a perceção interior e a visão espiritual. 

No caso de Lourdes e Fátima, “não houve uma perceção externa normal dos sentidos”. Isto é bem evidente, diz Ratzinger, na visão do inferno pelos pastorinhos e pelo facto de esta e outras imagens terem sido captadas só por eles. Por outro lado, também não existe só uma visão intelectual sem imagens, o que seria a tal visão imaginativa.

Segundo Ratzinger, o que aconteceu em Fátima fica na categoria intermédia, “a perceção interior que, para o vidente, tem uma força de presença tal que equivale à manifestação externa sensível”. E isto “não significa que se trata de fantasia, que seria apenas uma expressão da imaginação subjetiva”, continua. “Significa, antes, que a alma recebe o toque suave de algo real mas que está para além do sensível, tornando-a capaz de ver o não sensível, o não visível aos sentidos: uma visão através dos ‘sentidos internos’. Trata-se de verdadeiros ‘objetos ‘ que tocam a alma, embora não pertençam ao mundo sensível que nos é habitual. Por isso, exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma.”

Portanto, uma aparição interior, que eles estavam disponíveis para acolher e traduziram em função da suas capacidades. Seja como for, também Ratzinger parecia concluir que isso não era o mais importante na análise das visões e do segredo de Fátima. “O que permanece é a exortação à oração como caminho para a ‘salvação das almas’ e, no mesmo sentido, o apelo à penitência e à conversão.” Fátima não é ensinada como um dogma, mas como um testemunho de fé, e é essa mensagem dos pastorinhos que toca. Vindo da Igreja, mais acessório do que esta intelectualização do fenómeno, talvez só o terço gigante que vai brilhar no escuro no santuário, no dia da chegada de Francisco.

Marta F. Reis  in jornal i AQUI

Mãe! – Chama-a bem alto

Mãe! – Chama-a bem alto. – Ela, a tua Mãe Santa Maria, escuta-te, vê-te em perigo talvez, e oferece-te, com a graça do seu Filho, o consolo do seu regaço, a ternura das suas carícias. E encontrar-te-ás reconfortado para a nova luta. (Caminho, 516)

Intimidade com Maria

De uma maneira espontânea, natural, surge em nós o desejo de conviver com a Mãe de Deus, que é também nossa mãe; de conviver com Ela como se convive com uma pessoa viva, porque sobre Ela não triunfou a morte; está em corpo e alma junto a Deus Pai, junto a seu Filho, junto ao Espírito Santo.

Para compreendermos o papel que Maria desempenha na vida cristã, para nos sentirmos atraídos por Ela, para desejar a sua amável companhia com filial afecto, não são precisas grandes especulações, embora o mistério da Maternidade divina tenha uma riqueza de conteúdo sobre a qual nunca reflectiremos bastante.

Temos de amar a Deus com o mesmo coração com que amamos os nossos pais, os nossos irmãos, os outros membros da nossa família, os nossos amigos ou amigas. Não temos outro coração. E com esse mesmo coração havemos de querer a Maria.

Como se comporta um filho ou uma filha normal com a sua Mãe? De mil maneiras, mas sempre com carinho e confiança. Com um carinho que se manifestará em cada caso de determinadas formas, nascidas da própria vida, e que nunca são algo de frio, mas costumes muito íntimos de família, pequenos pormenores diários que o filho precisa de ter com a sua mãe e de que a mãe sente falta, se o filho alguma vez os esquece: um beijo ou uma carícia ao sair ou ao voltar a casa, uma pequena delicadeza, umas palavras expressivas... (Cristo que passa, 142)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1937

“Nalguns momentos dedico-me a fazer considerações que se tornam claras em quatro linhas cortantes”, escreve da Legação das Honduras, em Madrid, onde esteve refugiado durante a guerra civil. Algumas dessas anotações, de carácter espiritual, foram publicadas mais tarde no Caminho.

Educar o coração

«Um homem vale o que vale o seu coração». Esta afirmação é muito conhecida. Significa que a capacidade de amar que temos não é um talento mais que possuímos: é o mais importante, o mais radical e aquele que configura toda a nossa existência e o nosso “valor” como pessoas.

Estamos criados para amar, como as aves para voar. E, como alguém dizia, possuímos um coração inquieto que não encontra descanso em nada que seja efémero, fugaz, passageiro.

Encontraremos a felicidade nesta vida se soubermos amar bem. Perderemos o bom caminho se nos deixarmos arrastar por amores não genuínos. No entanto, tanto num caso como no outro, sempre actuaremos “por amor”. Não conseguiremos nunca deixar de buscar a felicidade naquilo que fazemos, mesmo que a procuremos onde ela não está.

Logo, como conclusão lógica de tudo o que foi dito, o coração necessita de ser educado, protegido e guardado. Ele é como um motor de grande potência que precisa de cuidados e afinação, para que todos os seus cavalos nos façam avançar pelo bom caminho.

Se não pomos o coração nos nossos deveres quotidianos, eles ficam amorfos, sem alma e fazem-nos sentir pouco livres. Actuaremos como tantas pessoas que vivem em função do fim-de-semana e contemplam os restantes dias como um verdadeiro calvário que os asfixia.

Cada um de nós tende para aquilo de que gosta e aprecia. Educar o nosso coração é procurar que aquilo de que gostamos coincida com o nosso verdadeiro bem e com o que devemos fazer. Para isso, devemos formar o nosso coração e impedir que ele fique hipotecado por um prato de lentilhas, como aconteceu com Esaú.

Educar o coração também é saber guardá-lo a sete chaves, uma para cada defeito capital. Não podemos levar o coração na mão como se fosse uma mercadoria de baixo preço, que não receamos perder. Quem actua assim desconhece a sua grandeza, ignora o seu destino e, por tudo isso, não é consciente do valor inestimável que possui a sua capacidade de amar.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Rogações ou Ladainhas

Ambas as palavras significam súplicas, orações, pedidos... e designam as preces solenes que a Igreja estabeleceu que se recitassem ou cantassem nos três dias que precedem a festa da Ascensão. O fim foi implorar a Deus que lance a sua bênção sobre a terra, para esta dar ao homem, que a trabalha, a abundância dos seus dons e riquezas, e afaste do povo cristão os flagelos.

Quando, no século V, calamidades públicas traziam em alvoroço a diocese de Viena, no Delfinado (França actual), o bispo local mandou que se fizesse uma procissão de penitência nos três dias anteriores à Ascensão, a fim de aplacar a cólera do Céu. É a forma modelo do tríduo: súplicas, salmos, orações, missa própria... organizam-se para atrair as bênçãos da bondade divina sobre os bens da terra.

Esta tradição alargou-se a toda a Igreja e, após o Concílio Vaticano II, foi-lhe dada particular importância como momento privilegiado para se viver a penitência. A reforma do Missal Romano permite aos bispos locais definir as datas em que se deve celebrar esta atitude de súplica e confiança do povo de Deus.

cf. Missal Romano, anotações de D. Crisóstomo d'Aguiar

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 5 de maio de 2017

Disputavam, então, entre si os judeus: «Como pode Este dar-nos a comer a Sua carne?». Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue não tereis a vida em vós. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. Porque a Minha carne é verdadeiramente comida e o Meu sangue verdadeiramente bebida. Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele. Assim como Me enviou o Pai que vive e Eu vivo pelo Pai, assim quem Me comer a Mim, esse mesmo também viverá por Mim. Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que comeram os vossos pais, e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente». Jesus disse estas coisas ensinando em Cafarnaum, na sinagoga. 

Jo 6, 52-59