N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

domingo, 26 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 25ª Reflexão

Hoje, Senhor, vêm ao meu coração todos os meus defeitos, ou pelo menos aqueles que consigo reconhecer com mais facilidade.

E abro-Te o coração!

Sou orgulhoso, vaidoso, inconstante, impaciente, por vezes mentiroso, invejoso, crítico sem procurar ajudar, uso da má língua, por vezes, sem me importar do mal que ela faz, procuro muitas vezes mais a minha consolação do que os outros consolar, não dou mais do que me sobra, com medo de que me falte, confio em Ti nas coisas fáceis mas nas difíceis por vezes duvido, espero em Ti, muitas vezes duvidando do meu esperar, dou testemunho, muitas vezes chamando mais a atenção para mim, do que para Ti a Quem quero testemunhar, rezo por vezes rotineiramente e outras vezes nem sequer quero rezar, e sou pecador, Senhor, muito pecador e muitas vezes me deixo pecar.

Abres-me os braços, chamas-me a Ti e dizes-me num imenso sorriso:
E Eu amo-te, meu filho, com amor eterno. Com um amor muito maior do que todos os teus defeitos, do que todas as tuas faltas, do que todos os teus pecados.

Prostro-me diante de Ti e peço-Te:
Ajuda-me e ensina-me, Senhor, a reconhecer sempre o meu pecado, a reconhecer sempre como sou pecador.
Mas sobretudo, Senhor, ajuda-me e ensina-me a acreditar inabalavelmente no Teu amor e a confiar constantemente que em cada regresso à casa do Teu perdão, Tu fazes a festa do filho pródigo que a Ti regressa.

Obrigado, Senhor, agora e sempre, obrigado!

Marinha Grande, 6 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

Uma Mãe que nunca nos abandona

Não estás sozinho. Nem tu nem eu podemos encontrar-nos sozinhos. E, menos ainda, se vamos a Jesus por Maria, pois é uma Mãe que nunca nos abandona. (Forja, 249)

É a hora de recorreres à tua Mãe bendita do Céu, para que te acolha nos seus braços e te consiga do seu Filho um olhar de misericórdia. E procura depois fazer propósitos concretos: corta de uma vez, ainda que custe, esse pormenor que estorva e que é bem conhecido de Deus e de ti. A soberba, a sensualidade, a falta de sentido sobrenatural aliar-se-ão para te sussurrarem: isso? Mas se se trata de uma circunstância tonta, insignificante! Tu responde, sem dialogar mais com a tentação: entregar-me-ei também nessa exigência divina! E não te faltará razão: o amor demonstra-se especialmente em coisas pequenas. Normalmente, os sacrifícios que o Senhor nos pede, os mais árduos, são minúsculos, mas tão contínuos e valiosos como o bater do coração.

Quantas mães conheceste como protagonistas de um acto heróico, extraordinário? Poucas, muito poucas. E contudo, mães heróicas, verdadeiramente heróicas, que não aparecem como figuras de nada espectacular, que nunca serão notícia – como se diz – tu e eu conhecemos muitas: vivem sacrificando-se a toda a hora, renunciando com alegria aos seus gostos e passatempos pessoais, ao seu tempo, às suas possibilidades de afirmação ou de êxito, para encher de felicidade os dias dos seus filhos. (Amigos de Deus, 134–135)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1967

“A vida cristã deve ser vida de oração constante, procurando estar na presença do Senhor de manhã até à noite e de noite até à manhã. O cristão nunca é um homem solitário, posto que vive numa conversa contínua com Deus, que está junto de nós e nos céus”, diz nesta data numa homilia que, depois, é publicada em Cristo que passa.

Bom Domingo do Senhor!

Imitemos o cego curado pelo Senhor de que nos fala o Evangelho de hoje (Jo 9, 1-41) e ajoelhemo-nos diante do Sacrário manifestando-lhe o nosso amor e reconhecimento em oração.

Graças e louvores se dêem a todo o momento ao Santíssimo Sacramento!

A importância do milagre

Desde há séculos, a Igreja adoptou a norma, antes de declarar a santidade de alguém, de exigir a verificação dos homens e a aprovação de Deus. O crivo humano é o minucioso processo histórico, que reconstrói a biografia da pessoa, ouve as testemunhas e reúne toda a documentação possível. A aprovação de Deus manifesta-se em dois milagres claros, um antes da beatificação e o outro antes da canonização. Não se trata de procurar fenómenos surpreendentes. Os milagres expressam a aprovação divina porque alteram as leis da natureza num contexto em que se torna clara a actuação do Criador. De facto, só Deus é omnipotente e, assim como estabeleceu o curso normal da natureza, só Ele é capaz de o alterar.

Compreende-se a importância do milagre que foi aceite pelo Papa Francisco na passada quinta-feira, atribuído à intercessão de Francisco e da Jacinta, os dois mais novos pastorinhos de Fátima. Este milagre era a condição que faltava para a sua canonização e por isso muitos pensam que o Papa os vai canonizar no próximo dia 13 de Maio.

O processo da Irmã Lúcia, a terceira pastorinha de Fátima, deve demorar tempo, porque a documentação e os milagres têm de passar pelo escrutínio de várias comissões especializadas. Só depois de percorrer todas essas etapas é que o assunto chega ao Papa para a decisão final.

Carta manuscrita pela Irmã Lúcia sobre o 3º segredo de Fátima
Este ano do centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima é uma boa ocasião para perceber o que aconteceu. Uma fonte são as «memórias da Irmã Lúcia», uns cadernos que ela escreveu, cada vez que o Bispo lhe pedia um relatório mais específico sobre algum aspecto. Em geral, não lhe apetecia pegar na caneta, mas acabava sempre por escrever páginas cheias de pormenor. Encarava aquele exercício como longas cartas de resposta ao Bispo ou ao Reitor do Santuário, sem pensar que, no final, poderiam ser publicadas. Talvez porque as comunicações não eram fáceis naquele tempo, as «memórias» saíram em livro antes de lhe pedirem a opinião. Paciência! Não era bem a intenção da autora, mas já não havia nada a fazer.

Um dos pontos notáveis da história de Fátima é a reacção dos dois pastorinhos. Sendo ainda tão novos (a Jacinta tinha 7 anos e o Francisco 9), eles confiaram totalmente em Deus, com uma intensidade heróica. Fizeram-nos sofrer muito, suportaram ameaças gravíssimas, mas, em vez de ficarem abatidos, cada vez confiavam mais, com uma serenidade que contagiou multidões.

Um dia, o Administrador de Ourém, anti-clerical furioso, fechou as crianças num quarto prometendo que, a seguir, as ia queimar vivas. No momento em que estavam à espera do destino fatal, umas lágrimas correram pelas faces da Jacinta, de 7 anos: «Eu queria sequer ver a minha mãe!». «Então tu não queres oferecer este sacrifício pela conversão dos pecadores?», pergunta-lhe a prima. «Quero, quero!» e, com as lágrimas ainda a banharem-lhe as faces, faz o oferecimento. Os outros presos, que presenciaram a cena, comoveram-se. Quando os três pastorinhos começam a rezar o Terço, todos ajoelharam e alguns, que sabiam a oração, rezaram também. No final, para distrair as crianças ameaçadas de morte, os presos começaram a tocar harmónica, a cantar e a dançar. A Jacinta foi então o par de um pobre ladrão que, vendo-a tão pequenina, terminou a bailar com ela ao colo. A história de Fátima é um nunca mais acabar de emoções e de ternura.

Imagem de 13 de outubro de 1917 aquando do milagre do Sol
A propósito de ajoelhar, ouvi várias testemunhas presenciais contarem que, em Outubro, quando se deu o milagre, os mais devotos fecharam os guarda-chuvas e ajoelharam, apesar de o chão estar coberto de lama. No final, os que tinham ajoelhado estavam limpos e enxutos e os que se tinham protegido da chuva estavam encharcados…

Graças a Fátima, ajoelharam os peregrinos com fé, os ladrões de Ourém e até os intelectuais ateus. Quando se deu o milagre do Sol, Afonso Lopes Vieira saboreava o vento e o mar em S. Pedro de Moel, sem o mínimo interesse pelo que pudesse acontecer na Cova da Iria, a 40 km de distância. De repente, viu o Sol mudar de cor e mexer-se. Depois, veio a saber que o mesmo tinha acontecido em Fátima e converteu-se. Foi ele quem escreveu a letra do conhecido hino de Fátima.
José Maria C.S. André
26-III-2017
Spe Deus

“A defesa da família exige um projecto cultural de fundo”

Family and Media é um grupo de investigação internacional que analisa a informação dada pela comunicação social sobre a família e elabora propostas para dela dar um retrato mais fiel. O impulsionador desta iniciativa é Norberto González Gaitano, actual vice-reitor de Comunicação da Universidade Pontifícia da Santa Cruz (Roma) e antigo professor da Universidade de Navarra.

Ao estudarem a família, os media limitavam-se até há pouco tempo a investigar os efeitos da televisão nas crianças ou o modo como a imprensa tratava o problema da violência doméstica. Faltavam, no entanto, análises de fundo sobre o conceito de família nos meios de comunicação social.

Com este objectivo nasceu em Fevereiro de 2005 a Family and Media. Trata-se de um grupo de investigação ao qual já aderiram professores de Itália, de Espanha, da Argentina, do Chile, da Polónia e de Angola.

- Quais são os temas sobre a família hoje mais debatidos na opinião pública?
- Os movimentos pró-família usam cada vez menos metáforas muito gastas como a da "célula básica da sociedade". A ideia que está por detrás desta imagem continua válida, mas enriquece-se agora com outras perspectivas: a família como agente de mudança social (mais usada no espaço anglo-saxónico), como escola de humanidade ou como espaço de solidariedade inter-geracional.

"Entre os que não estão desse lado, não existe uma ideia clara sobre a família. O modelo de relação dominante são as uniões afectivas sem vínculos. Durante muito tempo, dizia-se que a "família estava em transformação". Esta expressão utilizava-se como arma retórica para impor um modelo de relação emotiva e sem compromisso.

A ideologia do género contribuiu para criar este estado de coisas, difundindo a ideia de que a família é uma construção cultural. As séries televisivas, as telenovelas e os talk-shows "domesticam" massivamente os seus públicos reformulando "novos modelos de família".

- Além de analisar as concepções de família nos meios de comunicação social, a equipa de investigação que dirige tem uma "finalidade operativa". Em que consiste e que passos estão a dar para a conseguir?
Conhecer como se caracteriza a família nos media tem um interesse operativo e não só descritivo. Utilizamos os resultados das análises empíricas para promover uma imagem verdadeira da família. Interessam-nos, sobretudo, os aspectos antropológicos e culturais que estão por detrás das representações da família.

Em segundo lugar, o nosso objectivo é fornecer argumentos às organizações que se dedicam à promoção da família, às associações de orientação familiar e às de ouvintes da rádio e telespectadores. Sem ideias nem argumentos não há acção eficaz. Acreditamos que assim melhoraremos o seu poder comunicativo nos media e o seu impacto na agenda política.

Por exemplo, estamos agora mesmo a terminar uma investigação sobre a gestão da comunicação por parte das associações que integram o Fórum das Famílias em Itália. Esses resultados serão também apresentados às outras associações pró-família de Itália, da América Latina e de Espanha.

- Nas sociedades ocidentais, o lobby gay conseguiu alterar as ideias sobres as práticas homossexuais. Que lições podem tirar aqueles que desejam promover abordagens favoráveis à família?
- Há que dizer, em nome da verdade, que nem todos os homossexuais estão de acordo com a ideologia gay. Convém além do mais recordar que o que este colectivo procura implicitamente alcançar é o reconhecimento social; a legalização do "casamento gay" é simplesmente um meio errado de o conseguir.

O nosso projecto é cultural, não ideológico. É um pequeno contributo para reconstruir o imaginário social sobre a família. É fundamental haver comunicação, porque isso obriga a pensar em termos estratégicos e não tácticos. Não chegam acções isoladas nem mobilizações, requer-se um projecto cultural de fundo que integre essas acções pontuais num programa a longo prazo.

- Há anos que os militantes pró-família dos Estados Unidos insistem em afirmar que o casamento não é uma simples relação afectiva entre dois adultos, mas sobretudo um bem social pensado para proteger as crianças. No seu entender, que mensagens sobre a família é necessário tentar transmitir hoje à opinião pública?
- Na minha opinião, hoje devemos pôr a tónica na educação dos filhos. A partir desta ideia, poderemos reconstruir o tecido das relações conjugais e paterno-filiais com as suas características específicas. É lógico que as associações pró-família façam finca-pé nesta ideia, a fim de fortalecer o casamento. Por exemplo, não é por acaso que muitas uniões de facto decidam oficializar a sua união quando chega o primeiro filho.

O vínculo conjugal pode dissolver-se. O que não se pode destruir é o vínculo com os filhos. Pode-se ser ex-mulher, ex-marido ou ex-companheiro. Mas não se pode ser ex-progenitor. Além do mais, hoje em dia temos de estar prevenidos para enfrentar a chantagem emocional que sofrem algumas crianças. Há pais e mães que tentam atrair afectivamente o filho para si ("se-ducere").

Aceprensa

Queremos, mas esquecemo-nos…*

Queremos reformar a Cúria Romana, queremos reformar os outros e esquecemo-nos da nossa própria reforma de vida…

Esquecemo-nos que só se pode ser realmente cristão num caminho de conversão e de santidade...

Esquecemo-nos da luta espiritual... e ignorámos o poder sedutor do mal dizendo que o Diabo não existia... Ora aí está ele, a esfregar as mãos de contente! Temos agora várias gerações de cristãos que não foram minimamente iniciados à vida cristã, à luta espiritual... Andaram dez anos na catequese para aprender que "Jesus é nosso amigo"... e basta. E depois admiramo-nos e escandalizamo-nos com o pecado... E as palavras de Jesus são muito claras:

«Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e são muitos os que entram por ela… e estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz à vida, e são poucos os que acertam com ela» (Mateus 7, 13-14).

Não há reforma sem conversão de vida…

Esta é uma verdade fundamental que, para nosso mal, está esquecida há meio século...

Quando vemos os irmãos cair apontamos o dedo… mas nós vamos pelo mesmo caminho…

De facto, continuamos a seguir cegamente as mesmas cartilhas ideológicas por onde estudaram aqueles que agora aparecem nas páginas dos jornais… padres, bispos, cardeais e outros cristãos, que pelos seus pecados são causa de escândalo… simplesmente porque se fascinaram com o “mundo”, e se esqueceram de que não há reforma sem conversão e santidade de vida...

Pe Fernando Antonio SJ

* título da responsabilidade do blogue

«Nós somos argila e Tu és o oleiro. Todos nós fomos modelados pelas tuas mãos» (Is 64,7)

Homilia escrita no norte de África no séc. V ou VI, erradamente atribuída a São Fulgêncio(467-532)
PL 65, 880


Aquele que «ao vir ao mundo, todo o homem ilumina» (Jo 1,9) é o verdadeiro espelho do Pai. Cristo vem ao mundo como imagem fiel do Pai (Heb1,3) e anula a cegueira dos que não vêem. Cristo, vindo dos céus, vem ao mundo para que toda a carne O veja […]; mas o cego não podia ver a Cristo, espelho do Pai […]. Cristo abriu essa prisão; descerrou as pálpebras do cego, que viu em Cristo o espelho do Pai […].

O primeiro homem havia sido criado como um ser luminoso; mas achou-se cego, depois que se afastou da serpente. Cego que veio a renascer quando passou a crer. […] O cego de nascença estava sentado […] sem pedir a nenhum médico uma pomada que lhe curasse os olhos. […] Chega o artesão do universo e reflecte a imagem no espelho. Vê a miséria do cego ali sentado, a pedir esmola. Que milagre é a força de Deus! Ela cura o que vê, ilumina quem visita […].

Ele, que criou o globo terrestre, abriu agora estes globos cegos […]. O oleiro que nos modelou (Gn 2,6; Is 67,7) viu estes olhos vazios […]; tocou neles, misturando a sua saliva com um pouco de terra, e, ao aplicar essa lama, formou os olhos do cego […]. O homem é feito de argila; a pomada, de lama […]; a matéria que primeiro servira para formar os olhos, veio depois a curá-los. Que prodígio é maior: criar o globo do sol ou recriar os olhos do cego de nascença? No seu trono, o Senhor fez brilhar o sol; ao percorrer as praças públicas da Terra, permitiu ao cego a visão. A luz veio sem ter sido pedida, e sem quaisquer súplicas o cego foi libertado da sua enfermidade de nascença.