Natal

Natal
Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

quarta-feira, 8 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 7ª Reflexão

Oh, Senhor, às vezes não tenho paciência para certas pessoas. São tão “chatas”!

Com um sorriso de amor, respondes-me:
Eu sei, meu filho, porque já algumas vezes quis falar contigo, quis desabafar contigo e tu não me ligaste, porque não tiveste paciência. Algumas vezes precisei que me desses um pouco de atenção, um olhar, um sorriso, talvez até um abraço, mas tu olhaste para o lado e fingiste que não me viste.
É que sabes, Eu sou também essas pessoas “chatas” que referes!
Não estou Eu sempre atento a ti e para ti, mesmo quando te repetes, quando reclamas, quando te lamurias?

É verdade, Senhor, falho tantas vezes em acolher, em ouvir, em amar essas minhas irmãs e irmãos em Cristo, que se cruzam na minha vida.

Peço-Te então:
Abre, Senhor, o meu coração a todas essas pessoas com quem todos os dias me cruzo.
Que eu veja nelas a Tua presença e que seja capaz de acolher, de ouvir, de abraçar, de amar, como Tu o fazes a cada um de nós.
É que às vezes, Senhor, reconheço-o envergonhado, basta um olhar, um sorriso, um pouco de atenção, para fazer um pouco mais feliz a vida de cada um.

Sempre para Te servir, Senhor, servindo os outros.

Monte Real, 17 de Fevereiro de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

VIA SACRA

I Estação


JESUS É CONDENADO À MORTE
                    
Nós Vos adoramos e bendizemos oh Jesus!

Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.


Há longo tempo que os príncipes
dos sacerdotes e muitos dos membros do Sinédrio, procuravam a Tua morte.

Não podiam tolerar a Tua actividade em Israel.

As multidões que Te seguiam, ávidas das Tuas palavras de misericórdia e salvação, fugiam cada vez mais à sua influência, despótica.

Serviram-se, da perfídia e traição de um que tinhas por amigo, para o conseguir.

Sabiam perfeitamente que não poderiam atacar-te às claras.

Várias vezes Te propuseram questões dúbias, tentando apanhar-te em contradição, mas sempre tinham ficado envergonhados e humilhados.

Ficaste sozinho e abandonado de todos os Teus amigos.

Eu, também não intervenho, não quero envolver-me.

Tantas vezes, estive naquele
Sinédrio! «Não, não O conheço»[1], terei dito eu também quando, por conveniência ou respeito humano, me recusei conhecer-te.

A minha alma atormentada por esta realidade, confrange-se de dor, e choro contrito as minhas culpas.

Vou seguir-te, Senhor, no Teu caminho para o Calvário.

Tentarei, com as minhas lágrimas, com as minhas penas, com os meus sacrifícios e mortificações, tornar mais leves os suplícios das Estações que ainda faltam da agonia que agora começa.

Quero afirmar bem alto, sem
rebuços, sem medos:


"Este é o meu Senhor, o
meu Salvador, o meu Deus.
Por Ele dou a vida se for preciso,
a Ele entrego a minha vontade de ser filho fiel e cumpridor dos meus
deveres."


PN, AVM, GLP.
Senhor:
Tem piedade de nós

[1] Cfr Mc 14, 67-71

Meu Pai do Céu, ajuda-me

A ti, que desmoralizas, repetir-te-ei uma coisa muito consoladora: a quem faz o que pode, Deus não lhe nega a Sua graça. Nosso Senhor é Pai, e se um filho lhe diz na quietude do seu coração: Meu Pai do Céu, aqui estou, ajuda-me... Se recorre à Mãe de Deus, que é Mãe nossa, vai para a frente. Mas Deus é exigente. Pede amor de verdade; não quer traidores. É preciso ser fiel a essa luta sobrenatural, que é ser feliz na terra à força de sacrifício. (Via Sacra, 10ª Estação, n. 3)

Recorrei semanalmente – e sempre que o necessiteis, sem dar lugar aos escrúpulos – ao santo Sacramento da Penitência, ao sacramento do perdão divino. Revestidos da graça, caminharemos por entre os montes e subiremos a encosta do cumprimento do dever cristão, sem nos determos. Utilizando estes recursos com boa vontade e rogando ao Senhor que nos conceda uma esperança cada dia maior, possuiremos a alegria contagiosa dos que se sabem filhos de Deus: Se Deus está connosco, quem nos poderá derrotar? . Optimismo, portanto. Incitados pela força da esperança, lutaremos para apagar a mancha viscosa que espalham os semeadores do ódio e redescobriremos o mundo com uma perspectiva jubilosa, porque saiu formoso e limpo das mãos de Deus, e restituir-lho-emos assim belo, se aprendermos a arrepender-nos.

Cresçamos na esperança, que deste modo nos consolidaremos na fé, verdadeiro fundamento das coisas que se esperam e prova das que não se vêem . Cresçamos nesta virtude, que é suplicar ao Senhor que aumente a sua caridade em nós, porque só se confia verdadeiramente no que se ama com todas as forças. E vale a pena amar o Senhor. Vós haveis experimentado, como eu, que a pessoa enamorada se entrega confiante, com uma sintonia maravilhosa, em que os corações batem num mesmo querer. E que será o Amor de Deus? Não sabeis que Cristo morreu por cada um de nós? Sim, por este nosso coração pobre, pequeno, se consumou o sacrifício redentor de Jesus.

Frequentemente, o Senhor fala-nos do prémio que nos ganhou com a sua Morte e Ressurreição. Vou preparar um lugar para vós. Depois que eu tiver ido e vos tiver preparado o lugar, virei novamente e tomar-vos-ei comigo para que, onde eu estou, estejais Vós também. O Céu é a meta do nosso caminho terreno. Jesus Cristo precedeu-nos e ali, na companhia da Virgem e de S. José – a quem tanto venero – dos Anjos e dos Santos, aguarda a nossa chegada…  (Amigos de Deus, 219–220)

São Josemaría Escrivá

Olhar o ambiente do lar de Nazaré

Que alegria nos causa também a proximidade das solenidades de S. José e da Anunciação de Nossa Senhora! Neste ano mariano dedicado à família, elas ganham uma relevância significativa, pois oferecem ao nosso olhar o ambiente do lar de Nazaré. Ali se fez presente a grande misericórdia de Deus com a humanidade, o amor da Santíssima Trindade, mediante a Encarnação do Verbo no seio puríssimo de Maria. Ali passou Jesus longos anos, rodeado em cada momento pelo carinho e cuidados da Sua Mãe e de S. José. Ali trabalhou o santo Patriarca com perfeição humana e sobrenatural. São excelentes motivos para lhes confiarmos a santidade dos lares cristãos e impetrar a sua proteção sobre todas as famílias da Terra.

Nas suas recentes catequeses, o Papa sublinhou o importantíssimo papel da mãe e do pai no seio da família: As mães, dizia numa destas ocasiões, são o antídoto mais forte contra a propagação do individualismo egoísta [7]. O mesmo se pode dizer dos pais, que desempenham igualmente um papel fundamental. Cada família precisa da presença de um pai, embora infelizmente, hoje se tenha chegado a afirmar que a nossa seria «uma sociedade sem pais» (…). Sobretudo na cultura ocidental, a figura do pai estaria simbolicamente ausente, diluída, desvanecida [8]. Esta atitude constitui um erro muito grave, pois tanto o pai como a mãe são totalmente imprescindíveis para o desenvolvimento harmonioso dos filhos em todas as suas vertentes. É intensa a nossa oração por esta célula vital da Igreja e da sociedade civil, a família? Rezamos para que cada lar seja um prolongamento daquele que acolheu o Filho de Deus em Nazaré? Como agradecemos a generosa e alegre abnegação de tantos pais e mães? Lembramo-nos de rezar pela felicidade dos esposos a quem Deus não concede filhos, para que amem a Vontade do Céu, dando, além disso, exemplo de serviço a toda a humanidade?

Em qualquer caso, sejam os filhos que Deus concede muitos, poucos ou nenhum, é preciso que todos os lares cristãos promovam a alegria de se saberem igreja doméstica. Por isso transcrevo os seguintes ensinamentos de S. Josemaria, quando afirmava que devemos receber os filhos sempre com alegria e gratidão, porque são presente e bênção de Deus e uma prova da Sua confiança [9]. E acrescentava: não duvideis que a diminuição dos filhos nas famílias cristãs redundaria na diminuição do número de vocações sacerdotais e de almas que querem dedicar a sua vida ao serviço de Jesus Cristo. Eu vi bastantes casais que, não lhes dando Deus mais que um filho, tiveram a generosidade de o oferecer a Deus. Mas não são muitos os que o fazem. Nas famílias numerosas, é mais fácil compreender a grandeza da vocação divina e, entre os seus filhos, há-os para todos os estados e caminhos [10].

Nem sempre os esposos têm descendência. Nestes casos, não se devem considerar fracassados, porque não o são. É outro modo que o Senhor tem, também divino, de abençoar o amor conjugal. As famílias numerosas, afirmava o nosso Padre, dão-me muita alegria. Mas quando me encontro com um casal sem filhos, porque Deus não lhos concedeu, também me encho de alegria: não só podem igualmente santificar o seu lar, como dispõem além disso de mais tempo para se dedicar aos filhos dos outros, e são já muitos os que o fazem com uma abnegação impressionante. Tenho o orgulho de poder assegurar que nunca apaguei um amor nobre da Terra, pelo contrário, sempre o animei, porque deve ser, cada dia mais, um caminho divino [11]. Agradeçamos a Deus a fidelidade alegre destes esposos.

Na festa de S. José, todas e todos recorremos ao santo Patriarca pedindo lhe que encha de fidelidade a Deus toda a nossa existência, dia a dia, como fez este varão justo, correspondendo a todos os pedidos divinos. E antes de concluir, quero recordar que no dia 28 de março se completam noventa anos da ordenação sacerdotal do nosso Padre. Invocai-o especialmente com uma súplica piedosa e constante pela Igreja e pelo Papa, pelas vocações sacerdotais e religiosas, pelas vocações, também divinas, a uma entrega total no meio do mundo, no celibato apostólico ou no matrimónio; pela fidelidade de todos os cristãos. Dirigi as vossas orações, com fé e confiança, a Nossa Senhora e a S. José, para que saibamos caminhar de modo contemplativo no meio do mundo. E continuai a rezar por todas as minhas intenções.

[7]. Papa Francisco, Discurso na Audiência geral, 7-I-2015.
[8]. Papa Francisco, Discurso na Audiência geral, 28-I-2015.
[9]. S. Josemaria, Carta 9-I-1959, n. 54.
[10]. S. Josemaria, Carta 9-I-1959, n. 55.
[11]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 10-IV-1969.

(D. Javier Echevarría, na carta do mês de março de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

São Josemaría Escrivá nesta data em 1932

“As crianças não têm nada de seu; tudo é de seus pais... E teu Pai sabe sempre muito bem como administra o património”, escreve nas suas notas pessoais.

"Minha filha, o Senhor conta com a tua ajuda"

- Minha filha, que formaste um lar, agrada-me recordar-te que vós, as mulheres, - bem o sabes! - tendes muita fortaleza, que sabeis envolver numa doçura especial, para que não se note. E, com essa fortaleza, podeis fazer do marido e dos filhos instrumentos de Deus ou diabos. Tu fá-los-ás sempre instrumentos de Deus: Nosso Senhor conta com a tua ajuda. (Forja, 690)

A mulher é chamada a levar à família, à sociedade civil, à Igreja, alguma coisa de característico, que lhe é próprio e que só ela pode dar: a sua delicada ternura, a sua generosidade incansável, o seu amor ao concreto, a sua agudeza de engenho, a sua capacidade de intuição, a sua piedade profunda e simples, a sua tenacidade... A feminilidade não é autêntica se não reconhece a formosura dessa contribuição insubstituível e não a incorpora na própria vida.

Para cumprir essa missão, a mulher tem de desenvolver a sua própria personalidade, sem se deixar levar por um ingénuo espírito de imitação, que - em geral - a colocaria facilmente num plano de inferioridade e deixaria irrealizadas as suas possibilidades mais originais. Se se formar bem, com autonomia pessoal, com autenticidade, realizará eficazmente o seu trabalho, a missão para que se sente chamada, seja ela qual for. A sua vida e o seu trabalho serão realmente construtivos e fecundos, cheios de sentido, tanto se passa o dia dedicada ao marido e aos filhos, como se, tendo renunciado ao matrimónio por alguma razão nobre, se entregou plenamente a outras tarefas. Cada uma no seu próprio caminho, sendo fiel à sua vocação humana e divina, pode realizar e realiza de facto a plenitude da personalidade feminina. Não esqueçamos que Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe dos homens, é não só modelo, mas também prova do valor transcendente que pode alcançar uma vida aparentemente sem relevo. (Temas Actuais do Cristianismo, 87)

Uma mulher com preparação adequada deve ter a possibilidade de encontrar aberto o caminho da vida pública, em todos os níveis. Neste sentido, não se podem apontar tarefas específicas da mulher. Como disse antes, o específico neste terreno não é dado tanto pela tarefa ou pelo posto, como pelo modo de realizar esta função, pelos matizes que a sua condição de mulher encontrará para a solução dos problemas com que se enfrente, e inclusivamente pela descoberta e pela formulação destes problemas. (Temas Actuais do Cristianismo, 90)

São Josemaria Escrivá

As mulheres ao serviço do Evangelho

Amados irmãos e irmãs

Hoje chegámos ao fim do nosso percurso entre as testemunhas do cristianismo nascente, que os escritos neotestamentários mencionam. E usamos a última etapa deste primeiro percurso para dedicar a nossa atenção às diversas figuras femininas que tiveram um papel efectivo e precioso na difusão do Evangelho. O seu testemunho não pode ser esquecido, de acordo com o que o próprio Jesus pôde dizer da mulher que lhe ungiu a cabeça pouco antes da Paixão: "Em verdade vos digo: em qualquer parte do mundo onde este Evangelho for anunciado, há-de também narrar-se, em sua memória, o que ela acaba de fazer" (Mt 26, 13; Mc 14, 9). O Senhor quer que estas testemunhas do Evangelho, estas figuras que deram uma contribuição a fim de que aumentasse a fé nele, sejam conhecidas e a sua memória seja viva na Igreja. Podemos historicamente distinguir o papel das mulheres no Cristianismo primitivo, durante a vida terrena de Jesus e durante as vicissitudes da primeira geração cristã.

Jesus certamente, sabemo-lo, escolheu entre os seus discípulos doze homens como Pais do novo Israel, escolheu-os para "estarem com Ele e para os enviar a pregar" (Mc 3, 14). Este facto é evidente mas, além dos Doze, colunas da Igreja, pais do novo Povo de Deus, são escolhidas no número dos discípulos também muitas mulheres. Apenas brevemente posso mencionar aquelas que se encontram no caminho do próprio Jesus, a começar pela profetisa Ana (cf. Lc 2, 36-38), até à Samaritana (cf. Jo 4, 1-39), à mulher sírio-fenícia (cf. Mc 7, 24-30), à hemorroíssa (cf. Mt 9, 20-22) e à pecadora perdoada (cf. Lc 7, 36-50). Não me refiro sequer às protagonistas de algumas parábolas eficazes, por exemplo a uma dona de casa que amassa o pão (cf. Mt 13, 33), à mulher que perde a dracma (cf. Lc 15, 8-10), à viúva que importuna o juiz (cf. Lc 18, 1-8). Mais significativas para o nosso assunto são aquelas mulheres que desenvolveram um papel activo no contexto da missão de Jesus. Em primeiro lugar, o pensamento dirige-se naturalmente à Virgem Maria que, com a sua fé e a sua obra materna, colaborou de modo único para a nossa Redenção, tanto que Isabel pôde proclamá-la "bendita és tu entre as mulheres" (Lc 1, 42), acrescentando: "Feliz de ti que acreditaste" (Lc 1, 45). Tornando-se discípula do Filho, Maria manifestou em Caná a confiança total nele (cf. Jo 2, 5) e seguiu-o até aos pés da Cruz, onde recebeu dele uma missão materna para todos os seus discípulos de todos os tempos, representados por João (cf. Jo 19, 25-27).

Há depois várias mulheres, que a diversos títulos gravitam em volta da figura de Jesus, com funções de responsabilidade. São exemplo eloquente disto as mulheres que seguiam Jesus para o assistir com os seus bens e das quais Lucas nos transmite alguns nomes: Maria de Magdala, Joana, Susana e "muitas outras" (cf. Lc 8, 2-3). Depois, os Evangelhos informam-nos que as mulheres, diversamente dos Doze, não abandonaram Jesus na hora da Paixão (cf. Mt 27, 56.61; Mc 15, 40). Entre elas, sobressai em particular Madalena, que não só presenciou a Paixão, mas foi também a primeira testemunha e anunciadora do Ressuscitado (cf. Jo 20, 1.11-18). Precisamente a Maria de Magdala S. Tomás de Aquino reserva a singular qualificação de "apóstola dos apóstolos" (apostolorum apostola), dedicando-lhe este bonito comentário: "Como uma mulher tinha anunciado ao primeiro homem palavras de morte, assim uma mulher foi a primeira a anunciar aos apóstolos palavras de vida" (Super Ioannem, ed. Cai 2519).

Também no âmbito da Igreja primitiva a presença feminina não é de modo algum secundária. Não insistamos sobre as quatro filhas não nomeadas do "diácono" Filipe, residentes em Cesareia Marítima e todas elas dotadas, como nos diz São Lucas, do "dom da profecia", ou seja, da faculdade de intervir publicamente sob a acção do Espírito Santo (cf. Act 21, 9). A brevidade da notícia não permite deduções mais precisas. Aliás, devemos a São Paulo uma mais ampla documentação sobre a dignidade e sobre o papel eclesial da mulher. Ele parte do princípio fundamental, segundo o qual para os baptizados não só "não há judeu nem grego, não há escravo nem livre", mas também "não há homem nem mulher". O motivo é que "todos somos um só em Cristo Jesus" (Gl 3, 28), ou seja, todos irmanados pela mesma dignidade de fundo, embora cada um tenha funções específicas (cf. 1 Cor 12, 27-30). O Apóstolo admite como algo normal que na comunidade cristã a mulher possa "profetizar" (1 Cor 11, 5), isto é, pronunciar-se abertamente sob o influxo do Espírito, contanto que isto seja para a edificação da comunidade e feito de modo digno. Portanto, a sucessiva, bem conhecida, exortação para que "as mulheres estejam caladas nas assembleias" (1 Cor 14, 34) deve ser antes relativizada. Deixemos aos exegetas o consequente problema, muito discutido, da relação entre a primeira palavra as mulheres podem profetizar na assembleia e a outra não podem falar da relação entre estas duas indicações aparentemente contraditórias. Não se pode discuti-lo aqui. Na quarta-feira passada já encontrámos a figura de Prisca ou Priscila, esposa de Áquila, que em dois casos é surpreendentemente mencionada antes do marido (cf. Act 18, 18; Rm 16, 3): de qualquer maneira, ambos são explicitamente qualificados por Paulo como seus sun-ergoús, "colaboradores" (Rm 16, 3).

Outros relevos não podem ser descuidados. É necessário reconhecer, por exemplo, que a breve Carta a Filémon é na realidade endereçada por Paulo também a uma mulher chamada "Ápfia" (cf.Fm 2). Tradições latinas e sírias do texto grego acrescentam a este nome "Ápfia" o apelativo de "irmã caríssima" (Ibidem) e deve-se dizer que na comunidade de Colossos ela devia ocupar um lugar de relevo; de qualquer forma, é a única mulher mencionada por Paulo entre os destinatários de uma sua carta. Noutro lugar, o Apóstolo menciona uma certa "Febe", qualificada comodiákonos da Igreja de Cêncreas, a pequena cidade portuária a leste de Corinto (cf. Rm 16, 1-2).

Embora o título naquele tempo não tenha um específico valor ministerial de tipo hierárquico, ele expressa um verdadeiro e próprio exercício de responsabilidade desta mulher em favor daquela comunidade cristã. Paulo recomenda que seja recebida cordialmente e assistida "nas actividades em que precisar de vós"; depois, acrescenta: "Pois também ela tem sido uma protectora para muitos e para mim pessoalmente". No mesmo contexto epistolar, o Apóstolo recorda com traços de delicadeza outros nomes de mulheres: uma certa Maria, depois Trifena, Trifosa e a "querida" Pérside, além de Júlia, das quais escreve abertamente que "se afadigaram por vós" ou "que se afadigaram pelo Senhor" (Rm 16, 6.12a.12b.15), ressaltando assim o seu forte compromisso eclesial. Depois, na Igreja de Filipos deviam distinguir-se duas mulheres chamadas "Evódia e Síntique" (Fl 4, 2): a exortação que Paulo faz à concórdia recíproca deixa entender que as duas mulheres tinham uma função importante no interior daquela comunidade.

Em síntese, a história do cristianismo teria tido um desenvolvimento muito diferente, se não houvesse a generosa contribuição de muitas mulheres. Por isso, como pôde escrever o meu venerado e querido Predecessor João Paulo II na Carta Apostólica Mulieris dignitatis, "a Igreja rende graças por todas e cada uma das mulheres... A Igreja agradece todas as manifestações do "génio" feminino, surgidas no curso da história, no meio de todos os povos e nações; agradece todos os carismas que o Espírito Santo concede às mulheres na história do Povo de Deus, todas as vitórias que deve à fé, à esperança e à caridade das mesmas: agradece todos os frutos de santidade feminina" (n. 31). Como se vê, o elogio diz respeito às mulheres ao longo da história da Igreja, e é expresso em nome de toda a comunidade eclesial. Também nós nos unimos a este apreço, dando graças ao Senhor porque Ele conduz a sua Igreja, de geração em geração, valendo-se indistintamente de homens e mulheres, que sabem frutificar a sua fé e o seu baptismo, para o bem de todo o Corpo eclesiástico, para maior glória de Deus.

(Bento XVI – Audiência-Geral 14.02.2007)

Mulheres, uni-vos!

Era uma vez um escriba que trabalhou uma temporada na Alemanha. No primeiro dia, como bom português, o escriba não saiu à hora certa. Ficou a trabalhar até tarde. No dia seguinte, o chefe chamou-o: "Heinrich Raposieren, não voltas a fazer isso; se não fazes o teu trabalho até às quatro e meia, então, não sabes trabalhar". Ao início, o escriba não encaixou aquele rigor, e participou na indignação portuguesinha que recebia via telefone: "epá, estes tipos são mesmo frios". Mas o tempo, a vidinha e a fruição do horário 8h-16h mudaram a perspetiva do pobre escriba. Nesta saga luso-germânica, o alemão é que tinha razão. O Herr chefe limitou-se a colocar o dedo na ferida de uma nobre tradição portuguesa: estar muitas horas no trabalho não é o mesmo que trabalhar durante muitas horas. Naquele dia, o escriba passou muito tempo a beber bicas coletivas (com as eslavas), a cochichar e a 'facebookar' (um cochicho armado aos cucos). Resultado? Ficou a trabalhar até às tantas para compensar as horas perdidas.

Durante muito tempo, o escriba pensou que o reparo do Herr chefe estava relacionado apenas com a produtividade. Mais uma vez, o escriba estava errado. A 'Mãe' e a 'Família' também estavam presentes naquele choque tuga-teutónico. Não é difícil perceber porquê. O horário de trabalho em Portugal é o horário do solteirão inveterado. Acorda-se tarde, começa-se a trabalhar tarde, trabalha-se até tarde, marcam-se reuniões para as 7 da tarde. É como se toda a gente trabalhasse na redacção de um jornal diário. Este dia-a-dia pode ser perfeito para o Don Juan trintão, mas é infernal para a mulher com filhos e, sobretudo, para a mulher que quer ter filhos. A gravidez, a licença de parto e o filho são três figuras que não rimam com este quotidiano feito à medida do marmanjo com cromossoma Y e hábitos de noctívago: "os bifes vão para a cama às dez e meia. Que totós!".  Repare-se que não é uma questão de ritmo, mas de horário. O ritmo de trabalho do Herr chefe é frenético, mas acaba às quatro da tarde. O resto da tarde é da família e, já agora, da pirâmide demográfica.

Uma sociedade que transforma a gravidez numa ameaça para a própria mulher já não é bem uma sociedade. É um suicídio demográfico em câmara lenta e sem banda sonora. Sim, sem banda sonora. Não há um acorde de preocupação sobre este assunto. Aliás, o melhor comentário que o escriba já ouviu sobre o inverno demográfico português veio da boca de um indivíduo que come salsicha com couve todos os dias. O Herr chefe não é tão frio como parece. Nós, com a nossa bravata latina, festiva e machona, é que estamos a ficar frios. Demograficamente frios. Demograficamente fritos.

Henrique Raposo in Expresso em 2012 AQUI

S. João de Ávila, confessor, doutor da Igreja, †1569

Santo espanhol nascido em Almodóvar del Campo, próximo de Toledo, de espírito reformista e um do maior pregadores do seu tempo, conselheiro de bispos e nobres, diretor de almas, coluna da Igreja e um dos paladinos da Contra-Reforma católica no século XVI, considerado o pai espiritual de um grande número de santos na Espanha de sua época. Descendente de uma família de judeus convertidos e de boas posses, era filho único de Alonso de Ávila e Catarina Xixón, aos 14 anos entrou para a famosa Universidade de Salamanca para estudar Direito. Porém seu apego à fé em Jesus Cristo pesou mais fortemente e abandonou os estudos para voltar para casa. Depois de três anos de profunda dedicação à religiosidade, dirigiu-se à famosa Universidade de Alcalá, com o objetivo de seguir o sacerdócio e estudou filosofia e teologia. Foi discípulo do renomado Domingos de Soto e recebeu a ordenação sacerdotal. Com a morte dos pais vendeu sua grande fortuna, distribuiu pelos necessitados e passou a viver de esmolas. Dirigiu-se a Sevilha com o intuito de embarcar para as Índias, mas foi persuadido a permanecer na Espanha, onde deu início à sua brilhante carreira apostólica, que o tornaria conhecido como o grande Apóstolo da Andaluzia. Autor e diretor espiritual cuja liderança religiosa animou a Espanha durante o século XVI, morreu em Montilla, de problemas renais.

Foi proclamado Doutor da Igreja em 2011 por Bento XVI.

S. João de Deus, †1550

"É pelo fruto que se conhece a árvore." Mt 12,33b

O Santo de hoje é muito conhecido, sobretudo no mundo português. É São João de Deus, português, nascido em Montemor-o-Novo (1495) e falecido em Granada (Espanha, a 8 de Março de 1550).

De seu nome João Cidade conta-se que, tendo transportado aos ombros um menino andrajoso que com dificuldade se deslocava, este lhe mostrou uma granada ou romã, com uma representação da Santa Cruz e, referindo-se à cidade espanhola com esse nome, lhe disse: "Granada será a tua Cruz". A seguir desapareceu.

A primeira parte da vida deste santo foi marcada por aventuras, algumas até curiosas.

Abandonou a casa paterna aos oito anos. Fez-se soldado. Trabalhou em hospitais, como simples servente. Foi criado e comerciante. Manteve um pequeno negócio de livros. Ouvindo um sermão de São João d' Ávila sentiu-se tocado. Desfez-se de todos os seus bens. Reuniu esmolas e foi cuidar de doentes, especialmente dos loucos e dos incuráveis. Entre eles, como ele próprio conta, havia paralíticos, leprosos e até mudos. "Nas horas difíceis - dizia João de Deus - é Jesus Cristo quem provê tudo e dá de comer aos meus queridos doentes".

Mantinha ele mais de oitenta hospitais, que fundara só em Espanha. Por isso, tornou-se também o Fundador dos Irmãos dos Enfermos. E foi declarado patrono dos hospitais por Leão XIII.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 8 de março de 2017

Concorrendo as multidões, começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal, senão o sinal do profeta Jonas. Porque, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim o Filho do Homem será um sinal para esta geração. A rainha do meio-dia levantar-se-á no dia do juízo contra os homens desta geração, e condená-los-á, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está Quem é mais do que Salomão. Os ninivitas levantar-se-ão no dia do juízo contra esta geração, e condená-la-ão, porque fizeram penitência com a pregação de Jonas; e aqui está Quem é mais do que Jonas!

Lc 11, 29-32