Natal

Natal
Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

segunda-feira, 6 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 5ª Reflexão

Oh, Senhor, desculpa-me mas hoje quase não tive tempo para as orações da manhã.

Cheio de amor, respondes-me:
Já comparaste, meu filho, quanto tempo dedicas a estar comigo, a falar comigo, e o tempo que dedicas a todas as outras coisas da tua vida? O tempo que passas no trabalho, na televisão, no computador, a pensares nos teus sonhos, e o tempo que dedicas a Mim?
E mesmo assim, meu filho, repara como é normalmente sempre cheio de pressa que estás comigo. E, por vezes, nem te lembras de Me incluir nesse tempo da trabalho, de televisão, de computador, nem sequer nos teus sonhos!

Baixo a cabeça envergonhado!
É verdade, Senhor! E também é verdade que sempre que dedico mais tempo a Ti, nunca me falta tempo para o resto.

Hoje quero pedir-Te:
Perdoa-me, Senhor, e ajuda-me e ensina-me a fazer do meu tempo o Teu tempo, ou seja, que o tempo vivido para mim, Te tenho sempre incluído e presente.
Sobretudo no tempo em que estou conTigo, acalma o meu coração, serena a minha pressa, para que esse tempo seja verdadeiramente um tempo de comunhão em que me entregue a Ti e ao discernimento da Tua vontade para a vida que me deste.
Obrigado, Senhor!

Monte Real, 15 de Fevereiro de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

QUARESMA 2017

Retomo a viagem pelo deserto da Quaresma.

Sempre ao encontro de Cristo em mim, para que o Espírito Santo me vá mostrando caminho no amor do Pai.

Desta vez, na pedra em que sento está escrito: Crítica!

Diz-me o “outro” com voz mansa, para eu não perder tempo com esta pedra, porque a minha crítica, se a faço, (diz “ele” perversamente), é construtiva e para fazer o bem.
Graças a Deus que me julgo pecador e como tal não me deixo “embalar no canto da sereia”.

E, em vez disso, reconheço que faço muitas criticas, não só interiores, mas também da “boca para fora”, e muitas delas, (a maioria talvez), não constroem nada, não ajudam ninguém, mas são por vezes apenas para tentar “mostrar” as “minhas virtudes” em relação ao outro, pobre de mim.

«Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão.» Mt 7, 5

Olho para dentro de mim, e peço ao Espírito Santo que me ajude, me ilumine, que cale a crítica em mim, e sobretudo que me faça olhar o outro sempre com os olhos de Jesus.

Ah, Senhor, obrigado por me teres feito sentar nesta pedra da crítica, da qual me queres levantar para prosseguir caminho.

Ajuda-me a perceber e a viver que, ver os outros com os Teus olhos, sempre, é a Tua única vontade.

Monte Real, 6 de Março de 2017

Joaquim Mexia Alves

Quer que sejamos muito humano e muito divinos

Há muitos anos já que vi com clareza meridiana um critério que será sempre válido: o ambiente da sociedade, com o seu afastamento da fé e da moral cristãs, necessita de uma nova forma de viver e de propagar a verdade eterna do Evangelho. No próprio cerne da sociedade, do mundo, os filhos de Deus hão-de brilhar pelas suas virtudes como lanternas na escuridão, "quasi lucernae lucentes in caliginoso loco". (Sulco, 318)

Se aceitarmos a nossa responsabilidade de filhos de Deus, saberemos que Ele quer que sejamos muito humanos. A cabeça pode tocar o céu, mas os pés assentam na terra, com segurança. O preço de se viver cristãmente não é nem deixar de ser homem nem abdicar do esforço por adquirir essas virtudes que alguns têm, mesmo sem conhecerem Cristo. O preço de todo o cristão é o Sangue redentor de Nosso Senhor, que nos quer – insisto – muito humanos e muito divinos, com o empenho diário de O imitar, pois é perfectus Deus, perfectus homo.

Talvez não seja capaz de dizer qual é a principal virtude humana. Depende muito do ponto de vista de que se parta. Além disso, a questão torna-se ociosa, porque não se trata de praticar uma ou várias virtudes. É preciso lutar por adquiri-las e praticá-las todas. Cada uma de per si entrelaça-se com as outras e, assim, o esforço por sermos sinceros, por exemplo, torna-nos justos, alegres, prudentes, serenos.

Precisamos, ao mesmo tempo, de considerar que a decisão e a responsabilidade residem na liberdade pessoal de cada um e, por isso, as virtudes são também radicalmente pessoais, da pessoa. No entanto, nessa batalha de amor ninguém luta sozinho – ninguém é um verso solto, costumo repetir –: de certo modo, ou nos ajudamos ou nos prejudicamos. Todos somos elos de uma mesma cadeia. Pede agora comigo a Deus Nosso Senhor, que essa cadeia, nos prenda ao seu Coração, até chegar o dia de O contemplar face a face, no Céu, para sempre. (Amigos de Deus, 75–76)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1972

Diz a quem o acompanha: Non est opus valentibus medicus, sed male habentibus! [Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos] (Mt 9, 12). Esta é a minha oração constante durante todo o dia: Senhor, aqui estou eu, sou um doente crónico e necessito da tua ajuda!”.

Viver a Quaresma junto ao Mestre

Já passaram alguns dias desde o início da Quaresma. Além de rever, com agradecimento e disposição de aprender, os quarenta dias de oração e jejum de Jesus Cristo no deserto, e a Sua luta vitoriosa contra o espírito maligno, a Igreja propõe-nos que nos preparemos muito bem para entrar mais a fundo nas cenas da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor, na próxima Páscoa. Por isso nos convida a percorrer este tempo litúrgico muito unidos ao Mestre, como S. João Paulo II recordava há uns anos.

«Vamos subir a Jerusalém (Mc 10, 33). Com estas palavras, o Senhor convida os discípulos a percorrer com Ele o caminho que os conduz da Galileia até ao lugar onde a Sua missão redentora se consumará. Este caminho para Jerusalém, que os Evangelistas apresentam como o culminar do itinerário terreno de Jesus, constitui o modelo de vida do cristão comprometido em seguir o Mestre no caminho da Cruz.

Cristo também faz aos homens e às mulheres de hoje o convite a "subir a Jerusalém". E fá-lo com um vigor particular na Quaresma, tempo favorável para se converterem e encontrarem de novo a plena comunhão com Ele, participando intimamente no mistério da Sua Morte e Ressurreição. Portanto, a Quaresma representa para os crentes ocasião propícia para uma profunda revisão de vida» [1].

Conhecemos as principais práticas que a Igreja recomenda durante a Quaresma, para manifestarmos este desejo de conversão: a oração, a penitência, as obras da caridade. Gostaria que nos fixássemos agora particularmente nestas últimas. O Papa Francisco, na sua Mensagem para a Quaresma, refere-se à globalização da indiferença: um mal que se acentuou na nossa época e que se opõe frontalmente à forma de atuar de Deus. Com efeito, o Senhor, na Sua infinita misericórdia, cuida de todos e de cada um, procura-nos, também quando nos afastamos, não deixa de nos enviar a claridade da Sua luz e a força da Sua graça, para que nos decidamos a viver em cada momento como bons filhos Seus. Mas acontece-nos – sublinha o Santo Padre – que quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz), não nos interessam os seus problemas, nem a sua dor, nem as injustiças que sofrem… [2].

Para superar este perigo, devemos considerar que somos solidários uns com os outros. E sobretudo refletir sobre a Comunhão dos santos, que nos impulsionará a servir, a ocupar-nos, dia após dia, das nossas irmãs e dos nossos irmãos necessitados de atenção espiritual ou material. A Quaresma converte-se assim num tempo especialmente propício a imitar Cristo, com uma entrega generosa aos membros do Seu Corpo místico, pensando em como Ele Se nos entrega.

A força para atuarmos assim provém da escuta atenta da Palavra de Deus e da receção dos sacramentos – a Confissão, a Eucaristia – referidos de modo concreto nos Mandamentos da Igreja relativos a esta época. Consideremos que, ao receber o Corpo do Senhor na Comunhão com as disposições espirituais necessárias, nos vamos parecendo cada vez mais com Ele, a nossa identificação com Jesus vai-se tornando mais perfeita até chegar a ser, como o nosso Padre repetia, ipse Christus, o próprio Cristo. E faremos muito nossas as indigências dos outros, sem deixar que se forme nos nossos corações a crosta do egoísmo, de nos centrarmos no próprio eu: quem é de Cristo pertence a um só Corpo e n'Ele não se é indiferente com os outros [3]. Como não recordar a pregação de S. Paulo: se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele. E se um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele [4].

[1]. S. João Paulo II, Mensagem para a Quaresma, 7-I-2001.
[2]. Papa Francisco, Mensagem para a Quaresma de 2015, 4-X-2014.
[3]. Papa Francisco, Mensagem para a Quaresma de 2015, 4-X-2014.
[4]. 1 Cor 2, 16.

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de março de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Correção fraterna como manifestação de caridade

Esta manifestação de caridade não se limita a um ensinamento isolado. Já no Antigo Testamento ele aparece várias vezes e se aconselhava, por exemplo: repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber [1]. E noutra passagem: quem guarda a instrução caminha para a vida, mas quem abandona a correção anda perdido [2].

No Novo Testamento, seguindo a pregação do Mestre, concretiza-se ainda mais como há de ser esta urgência de fina fraternidade, que ampara os outros para caminharem diretamente para Deus. S. Paulo avisa que se há de exercer com espírito de mansidão 3], vendo na outra pessoa não um inimigo mas um irmão [4]. A Escritura faz também notar que toda a correcção, no momento em que é aplicada, não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; mais tarde, porém, produz um fruto de paz e de justiça nos que foram exercitados por ela [5].

[1] Pr 9, 8-9.
[2] Pr 10, 17.
[3] Gl 6, 1.
[4] Cfr. 2 Ts 3, 15.
[5] Heb 12, 11.

(D. Javier Echevarría, na carta do mês de Março 2011 escrevendo sobre a ‘correcção fraterna’ como tema proposto por Bento XVI para a Quaresma desse ano)

Amor ao próximo na Quaresma e sempre

Estamos em pleno tempo quaresmal e, certamente, porque queremos ser bons fiéis de Jesus Cristo, fizemos os nossos propósitos para viver muito bem este tempo litúrgico. A Paixão e Morte do Senhor, que surge como o cume da Redenção do homem, orienta a nossa vida, que deve ser mais abnegada na oração e na preocupação pelos outros. À oração vamos buscar a intimidade com Deus, que nos ilumina a inteligência, vigoriza a vontade e purifica os nossos afectos, incentivando-os a amar o bem, a fazermos o bem e a ter como nossos, tanto quanto nos for possível, os problemas das pessoas que convivem connosco todos os dias. Por obrigação de caridade devo dar-lhes mais atenção e tentar tornar a sua vida mais agradável.

Tanto quanto dependa de mim, é a elas que me obrigo a estar mais atento perante as suas necessidades. Mais e melhor as devo compreender. E sempre, ajudar no que precisem.

Para que esta atitude se torne realidade, tenho de saber que os meus juízos sobre elas só lhes são benéficos, em primeiro lugar, quando correspondem à verdade e jamais a algumas impressões superficiais, fáceis de aceitar e difíceis de dominar, quando vão unidas a algum mal-estar que o seu modo de ser me provoca. Rapidamente, confundo o que me choca com a sua realidade. E esta não pode ser positiva.

Em segundo lugar, quando o meu juízo está alicerçado na caridade, que é paciente, benigna e tudo suporta, como a define S. Paulo. Esta virtude, que deve caracterizar as atitudes dos filhos de Deus, não significa passividade ou indiferença perante os outros. Pelo contrário, é a mola do amor que lhes devo ter. E o amor quer o bem de quem sou amigo. Por isso, se algum aspecto do seu comportamento não é objectivamente adequado, devo, com suavidade e com fortaleza, fazer aquilo que Jesus Cristo nos ensinou com a correcção fraterna. Em privado, e depois de rezar longamente pela pessoa a quem a vou fazer, de me mortificar para que tudo corra da melhor forma, dir-lhe-ei com calma, suavidade e fortaleza, o que, em consciência, julgo que não está bem no seu procedimento.

Um cristão não critica: reza; não emite juízos fáceis sobre os outros, que podem ser temerários, se não são minimamente fundamentados e caluniosos se não correspondem à verdade. Além disso, a obrigação que temos é rezar pela santidade dos outros. Devo desejar, do fundo da minha alma, que os outros sejam verdadeiramente santos, isto é, bons cristãos que põem em prática o que Jesus nos legou como norma de conduta: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.

Não temos o mínimo dever de criticar os outros. É um vício que podemos ganhar facilmente, sempre que ao lidar com o próximo, me esqueço da sua condição de filho de Deus, que mereceu, tanto como eu, o Sangue que Cristo verteu no Calvário pela nossa Redenção. Criticar por futilidade ou por má-língua alguém é esquecer que ofendemos não apenas essa pessoa, mas sobretudo a Deus, que é seu Pai, Jesus Cristo, seu irmão, que deu a vida para que ela se salvasse e o Espírito Santo, que através do seu dom do conselho não nos inspira o juízo negativo, mas o que está de acordo com a caridade. Também Nossa Senhora, sua mãe desde a Cruz, se encherá de pena por ver um seu filho a maltratar com tanta falta de fraternidade um seu irmão.

Estamos na Quaresma, tempo de penitência e de conversão. Não será de fazer um propósito franco e corajoso para este período? Não criticar ninguém; antes, rezar por todos: por aqueles com quem simpatizo e com os que não tenho facilidade de relação.

Decerto que Deus Pai ficará contente por descobrir mais solidariedade entre os seus filhos, que Deus Filho verá com mais satisfação os resultados do Sacrifício da sua vida e Deus Espírito Santo sentirá uma maior liberdade para sugerir atitudes mais difíceis de tomar. Também a nossa Mãe, Nossa Senhora, a medianeira de todas as graças, regozijar-se-á pelas suas petições constantes pelos seus filhos que conduziram a tão salutares resoluções.

Sejamos corajosos, confiando mais na ajuda da graça de Deus do que nas nossas forças. Deus apoia todo o que quer fazer a sua vontade, mesmo que ela possa custar ou corresponder a uma espécie de marcha-atrás em relação a um vício muito assumido.  

(Pe. Rui Rosas da Silva in Boletim Paroquial de Março de 2012, seleção do título e imagem da responsabilidade do blogue) 

O Evangelho do dia 6 de março de 2017

«Quando, pois, vier o Filho do Homem na Sua majestade, e todos os anjos com Ele, então Se sentará sobre o trono de Sua majestade. Todas as nações serão congregadas diante d'Ele, e separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos, e porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à esquerda. «Dirá então o Rei aos que estiverem à Sua direita: “Vinde, benditos de Meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome, e Me destes de comer; tive sede, e Me destes de beber; era peregrino, e Me recolhestes; nu, e Me vestistes; enfermo, e Me visitastes; estava na prisão, e fostes ver-Me”. Então, os justos Lhe responderão: “Senhor, quando é que nós Te vimos faminto, e Te demos de comer; com sede, e Te demos de beber? Quando Te vimos peregrino, e Te recolhemos; nu, e Te vestimos? Ou quando Te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-Te?”. O Rei, respondendo, lhes dirá: “Em verdade vos digo que todas as vezes que vós fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequenos, a Mim o fizestes”. Em seguida, dirá aos que estiverem à esquerda: “Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demónio e para os seus anjos; porque tive fome, e não Me destes de comer; tive sede, e não Me destes de beber; era peregrino, e não Me recolhestes; estava nu, e não Me vestistes; enfermo e na prisão, e não Me visitastes”. Então, eles também responderão: “Senhor, quando é que nós Te vimos faminto ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não Te assistimos?”. E lhes responderá: “Em verdade vos digo: Todas as vezes que o não fizestes a um destes mais pequenos, foi a Mim que não o fizestes”. E esses irão para o suplício eterno; e os justos para a vida eterna».

Mt 25, 31-46