N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Quero entregar-me a Ti sem reservas!

Pedro diz-Lhe: "Senhor, Tu lavares-me os pés, a mim?!". Responde Jesus: "O que Eu faço, não o compreendes agora; entendê-lo-ás depois". Insiste Pedro: "Tu nunca me lavarás os pés!". Replicou Jesus: "Se Eu não te lavar, não terás parte coMigo". Simão Pedro rende-se: "Senhor, não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!". Ao chamamento a uma entrega total, completa, sem vacilações, muitas vezes opomos uma falsa modéstia como a de Pedro... Oxalá fôssemos também homens de coração, como o Apóstolo! Pedro não admite que ninguém ame Jesus mais do que ele. Esse amor leva-o a reagir assim: – Aqui estou! Lava-me as mãos, a cabeça, os pés! Purifica-me de todo, que eu quero entregar-me a Ti sem reservas! (Sulco, 266)

– Está completo o tempo, e aproxima-se o Reino de Deus; fazei penitência, e crede no Evangelho (Mc 1, 15).

– E vinha a Ele todo o povo, e ensinava-o (Mc 2, 13).

Jesus vê aquelas barcas na margem, e sobe para uma delas. Com que naturalidade se mete Jesus na barca de cada um de nós!

Quando te aproximares do Senhor, lembra-te de que Ele está sempre muito perto de ti, dentro de ti: Regnum Dei intra vos est (Lc 17, 21). No teu coração O encontrarás.

Cristo deve reinar, em primeiro lugar, na nossa alma. Para que Ele reine em mim, preciso da sua graça abundante, pois só assim é que o mais imperceptível pulsar do meu coração, a menor respiração, o olhar menos intenso, a palavra mais corrente, a sensação mais elementar se traduzirão num hossana ao meu Cristo Rei.

Duc in altum – Ao largo! – Repele o pessimismo que te torna cobarde. Et laxate retia vestra in capturam – e lança as redes para pescar.

Devemos, confiar nessas palavras do Senhor: meter-se na barca, pegar nos remos, içar as velas e lançar-nos a esse mar do mundo que Cristo nos deixa em herança.

Et regni ejus non erit finis. – O Seu Reino não terá fim!

Não te dá alegria trabalhar por um reinado assim? (Santo Rosário, mistérios Luminosos: ‘O anúncio do Reino de Deus’)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1966

Sai de Nápoles com D. Álvaro del Portillo rumo à Grécia. Em Atenas e Corinto visitarão os lugares onde, segundo a tradição São Paulo pregou: “o sítio pode ser ou não aquele; nada se ganha ou se perde se o não for. Mas, ao fim e ao cabo, fica a ganhar aquele que sabe aproveitar essa ocasião para se aproximar mais de Deus. Ali rezámos uma comunhão espiritual, orámos por todo o futuro trabalho na Grécia. Se nesse lugar concreto São Paulo esteve, muito bem; se não esteve, muito bem; isso é o que menos importa”.

Bom Domingo do Senhor!

Seguindo as palavras do Senhor no Evangelho de hoje (Mt 6, 24-34) procuremos alcançar o Reino de Deus e a Sua justiça abdicando do supérfluo e imitá-Lo na simplicidade.

Que o Senhor nos ajude a tudo fazer para sermos merecedores de entrar em Jerusalém Celeste!

E se aparecesse um Anjo?...

Detalhe da Anunciação de Caravaggio
O último número da «Civiltà Cattolica» (uma revista editada pelos jesuítas, que funciona há quase 200 anos como órgão oficioso da Santa Sé) transcreve o diálogo do Papa Francisco com os Superiores Gerais das ordens religiosas, em 25 de Novembro passado. A conversa aborda muitos temas e as respostas são densas e interessantes. Também falaram do sacrifício e o Papa referiu-se concretamente ao cilício. Contou que lho apresentaram logo que entrou nos Jesuítas e afirmou que era útil: «mas atenção: não é para eu mostrar como sou bom e forte. A verdadeira ascese deve fazer-me mais livre. Considero que o jejum continua actual: mas como é que eu jejuo? Simplesmente deixando de comer? (...) Há uma ascese diária, pequena, que é uma mortificação constante».

Não sei justificar o efeito do sacrifício. Acredito no valor do sacrifício exactamente como na presença de Jesus na Eucaristia, porque Ele o disse. Em diversas circunstâncias, Jesus colocou os seus discípulos entre a espada e a parede, com perguntas do género: «também quereis ir embora?». Passados tantos séculos, ainda não se arranjou resposta melhor que a de Pedro. Em suma: não percebo, mas se és Tu quem o diz... Pedro é a sensatez em pessoa, porque Deus não Se engana nem nos pode enganar, mas a incompreensão permanece, independentemente de se acreditar em Deus e na Igreja. Porque é que o sacrifício é útil? Mistério!

Há casos simples. O sacrifício de um tratamento médico compreende-se. O sacrifício de acompanhar alguém que precisa de ajuda também. Até se compreende o treino desportivo, ou o esforço para ganhar uma competição. O difícil é compreender o sacrifício de Jesus, jejuando 40 dias e 40 noites; ou o sacrifício que a Igreja nos pede de jejuar certos dias da Quaresma: para quê?

Quando o Anjo apareceu aos Três Pastorinhos, em Fátima, fez-lhes um pedido estranho: «Oferecei constantemente ao Altíssimo, orações e sacrifícios de tudo o que puderdes, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores». E, logo no primeiro encontro com eles, Nossa Senhora perguntou: «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?».

A proposta é simples: a pessoa sacrifica-se (sem ninguém ver) e isso redunda em bem para os outros. Mas como? O Anjo lá sabe... As crianças, não perguntaram como. Aceitam? Aceitaram. A partir daí, ofereciam muitas vezes o almoço aos pobres, procuravam coisas amargas, não bebiam água no auge do calor, apertavam uma corda áspera à volta do corpo, até magoar, e ofereciam a Deus as doenças, as incompreensões e o medo.

Com a perspectiva dos anos que já passaram, o Anjo tinha razão. O sacrifício daquelas crianças beneficiou uma multidão que elas não podiam imaginar, nem chegaram a conhecer. Pelo efeito misterioso desses sacrifícios escondidos, muitíssimas pessoas se converteram e mudaram de vida, em Portugal e no resto do mundo.

Deu resultado, mas permanece a incógnita acerca de como esses sacrifícios transformaram o mundo. Não sei responder, mas pergunto-me: se um Anjo, ou o Papa, me fizessem a proposta de me sacrificar mais nesta Quaresma, como é que eu reagiria?

José Maria C.S. André
26-II-2017
Spe Deus

Deus fonte da razão e liberdade

«O mais profundo do pensamento e do sentimento humanos sabe, de algum modo, que Ele deve existir. Que na origem de todas as coisas deve estar não a irracionalidade, mas a Razão criativa; não o ocaso cego, mas a liberdade.»

(Bento XVI - Encontro com o mundo da cultura no Collège des Bernardins em Paris a 12.09.2008)

«Porventura não é a vida mais do que o alimento?»

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Catequeses baptismais, n° 8, 19-25; SC 50


Se dermos realmente o primeiro lugar às realidades espirituais, não teremos de nos preocupar com os bens materiais, pois Deus, na sua bondade, no-los dará em abundância. Se, pelo contrário, nos preocupamos unicamente com os nossos interesses materiais sem cuidarmos da nossa vida espiritual, a preocupação constante com os assuntos terrenos conduzir-nos-á à negligência da nossa alma. […] Não troquemos portanto a ordem das coisas. Conhecendo a bondade do nosso Senhor, confiar-Lhe-emos tudo e não nos deixaremos vencer pelas preocupações desta vida. […] «O vosso Pai Celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isto, mesmo antes que Lho tenhais pedido» (Mt 6,32.8).

Jesus quer que estejamos livres das preocupações deste mundo e que nos consagremos totalmente às obras espirituais. «Procurai pois, diz-nos Ele, os bens espirituais e Eu próprio zelarei amplamente por todas as vossas necessidades materiais. […] Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as» Dito de outra forma: «Se Eu tomo conta das aves do céu, que são irracionais, e lhes proporciono tudo aquilo de que elas necessitam, sem sementeiras nem trabalhos, tanto melhor o farei por vós, que sois dotados da razão, desde que escolhais preferir o espiritual ao corporal. Vendo que as criei para vós, tal como a todos os outros seres, dos quais tanto cuido, de que solicitude não vos julgarei dignos, vós para quem fiz tudo isto?»