N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Não há razão para que a Igreja e o Estado choquem

Não é verdade que haja oposição entre ser bom católico e servir fielmente a sociedade civil. Como não há razão para que a Igreja e o Estado choquem no exercício legítimo das respectivas autoridades, em cumprimento da missão que Deus lhes confiou. Mentem (isso mesmo: mentem!) os que afirmam o contrário. São os mesmos que, em aras de uma falsa liberdade, quereriam "amavelmente" que os católicos voltassem às catacumbas. (Sulco, 301)

Tendes de difundir por toda a parte uma verdadeira mentalidade laical, que há-de levar os cristãos a três consequências:

– a serem suficientemente honrados para arcarem com a sua responsabilidade pessoal;
– a serem suficientemente cristãos para respeitarem os seus irmãos na fé que proponham – em matérias discutíveis – soluções diversas das suas
– e a serem suficientemente católicos para não se servirem da Igreja, nossa Mãe, misturando-a com partidarismos humanos.

Vê-se claramente que, neste terreno como em todos, não poderíeis realizar o programa de viver santamente a vida diária se não gozásseis de toda a liberdade que vos é reconhecida – simultaneamente – pela Igreja e pela vossa dignidade de homens e de mulheres criados à imagem de Deus. A liberdade pessoal é essencial para a vida cristã. Mas não vos esqueçais, meus filhos, de que falo sempre de uma liberdade responsável.

Interpretai, portanto, as minhas palavras como o que são: um chamamento a exercerdes – diariamente!, não apenas em situações de emergência – os vossos direitos; e a cumprirdes nobremente as vossas obrigações como cidadãos – na vida política, na vida económica, na vida universitária, na vida profissional –, assumindo com coragem todas as consequências das vossas decisões, arcando com a independência pessoal que vos corresponde. E essa mentalidade laical cristã permitir-vos-á fugir de toda a intolerância, de todo o fanatismo. Di-lo-ei de um modo positivo: far-vos-á conviver em paz com todos os vossos concidadãos e fomentar também a convivência nos diversos sectores da vida social. (Temas Actuais do Cristianismo, 117)

São Josemaría Escrivá

O sonho e o centro

Hoje, os sonhadores estão ao centro. Sonham que todos os “refugiados” são uns porreiros, que a globalização ajuda “toda a gente” e que a União Europeia consegue soluções para tudo

A história das ideologias não é simples. O debate entre esquerda e direita nunca o foi, assim como a luta entre ordem liberal e ordem nacional não o era. Não há uma só direita ou uma só esquerda, nem sequer um só socialismo ou um só conservadorismo.
Quando olhamos para a ordem internacional que vigora desde a II Guerra Mundial e o crescimento económico que dela veio, duas ideologias destacaram-se. Governaram juntas ou em alternância, cimentaram a Europa e partidos a que nós, cá, chamamos arco de governação. Essa é uma expressão que aprecio.
As ideologias foram a social-democracia, que fundou o Estado social europeu e fez um continente renascer das cinzas de uma guerra, e, a seu lado, a democracia cristã.
O sucesso eleitoral e político dessas duas correntes não se devia a grandes diatribes ideológicas. Os partidos de centro-direita ou centro-esquerda não ganhavam eleições porque prometiam; ganhavam eleições porque faziam.
É evidente que essa capacidade de cumprir beneficiava de um contexto económico próspero e de uma bipolaridade, mesmo que aterradora, menos complexa que a multipolaridade contemporânea. E era também natural que os extremos, a que hoje chamamos populismos, estivessem demasiadamente vivos na memória cultural para se tornarem atrativos. Os crimes de Estaline e a brutalidade do Exército Vermelho eram indesmentíveis. O legado de Mussolini e Hitler foi a saudável gestação de anticorpos contra o estatismo autoritário.
A extrema-esquerda e a extrema-direita estavam remetidas a nichos eleitorais. Eram de mau tom e tudo valia para impedir a sua remassificação, até projetos comunitários contra a natureza dos povos, concebidos por uma elite que se julgava imortal.
Mas quando olhamos para o centro desse tempo, para as referidas social-democracia e democracia cristã, entendemos que o seu maior ativo era responderem a problemas de uma maioria. O quotidiano da sociedade era para ser melhorado e resolvido onde necessário. O interesse nacional e o bem comum ainda andavam de mão dada.
As ideologias extremistas, por outro lado, pecavam por utopia. Sonhavam demasiado. Eram projetos de sociedade que não tinham – e não têm – nada a ver com a sociedade em si. Os revolucionários queriam um futuro que invertesse o presente. Os reacionários queriam um presente invertido pelo passado. Não havia realidade ou dia-a-dia em ideologias que não passavam disso mesmo.
O problema de hoje, que trouxe a falência da social-democracia, a crise dos partidos de centro e a morte dos ancestrais arcos de governação, é que, além de esse centro se ter convertido em establishment, deixou também que os extremos, à direita e à esquerda, tomassem o seu lugar no monopólio da realidade.
O centro deixou as preocupações do votante mediano, das classes médias, ao abandono. Ficaram órfãs. Os operários já não votam no centro-esquerda. Os pequenos empresários já não votam no centro-direita. Votam em que diz que vai resolver os seus problemas.
Os franceses têm medo de viver numa França sem franceses e Marine Le Pen diz que resolve. Os americanos têm medo de viver numa América sem emprego e Donald Trump diz que resolve. Os alemães não querem viver numa Alemanha onde as mulheres tenham medo de sair à rua devido a migrantes. A Alternativa diz que resolve.
Os partidos de centro perderam eleitorado porque deixaram de responder às necessidades do eleitorado. As preocupações de quem não compreende ou não foi tão motivado pela globalização não são ouvidas por quem insiste na mesma ordem liberal em vez de a reformar. E sim, a austeridade em pacotes imediatistas também tem a sua culpa.
A sra. Le Pen pode ganhar em França porque a sra. Le Pen tomou o quotidiano da França, tomou o tal monopólio da realidade da maioria.
Hoje, o sonho passou para o centro. Um sonho em que todos os “refugiados” são uns gajos porreiros, a globalização ajuda “toda a gente” e a União Europeia consegue uma solução para qualquer coisa.
Os populistas viram apenas que, afinal, o centro é que se havia tornado a utopia.
Sebastião Bugalho in 'i' online AQUI
(seleção de imagem 'Spe Deus')

São Josemaría Escrivá nesta data em 1934

“Se vês claramente o teu caminho, segue-o. – Por que não repeles a cobardia que te detém?”, escreve nos seus apontamentos íntimos, nesta mesma data.

Libertar-se da tirania da procriação?


Longe do mundo ideal das imagens estereotipadas, veiculadas pelos media, das mulheres hiperlibertadas que saboreiam exultantes a sua vida profissional, na vida real vamos encontrando demasiadas mulheres que, apesar do seu rotundo êxito profissional, se sentem frustradas e insatisfeitas, cansadas de imitar os modos de fazer masculinos, atadas a papéis que não lhes pertencem e que não encaixam na sua essência mais profunda.

Mulheres que apostaram em cumprir as suas funções "exactamente como um homem" e a quem a natureza, rejeitada e reprimida, quer agora facturar sob a forma de depressão, ansiedade e infelicidade.

Esta ideologia, que penetrou com enorme força nas mais elevadas instâncias políticas, provocou o desprestígio e mesmo o menosprezo das mulheres que trabalham em casa ou que cuidam dos filhos, estigmatizadas por serem consideradas pouco atraentes ou interessantes e improdutivas para a sociedade.

Tudo ao contrário daquilo que diz respeito às mulheres que renunciam à maternidade ou ao cuidado personalizado dos filhos desde os primeiros dias de vida, as quais aparecem na opinião pública como heroínas, autênticas mulheres modernas, que longe de se escravizarem "desperdiçando o tempo" na atenção aos filhos, se entregam plenamente à sua profissão, pela qual sacrificam tudo, gesto que as liberta e converte em paradigmas da emancipação feminina.

Na sociedade actual está profundamente enraizada a ideia de que trabalhar em casa e ser boa esposa e mãe, é um atentado contra a dignidade da mulher, coisa humilhante que a degrada, escraviza e impede de se desenvolver em plenitude.

E ainda que, para ser mulher moderna, é preciso previamente libertar-se do jugo da feminidade, em especial da maternidade, entendida como um sinal de repressão e subordinação: a tirania da procriação.

(Fonte: AQUI)

A civilização da imagem

Em certo país, existia um quartel militar perto de uma aldeia. No meio do pátio desse quartel estava um banco de madeira. Era um banco simples, branco e sem nada de especial. E junto desse banco estava um soldado de guarda. Fazia guarda de dia e de noite. Ninguém no quartel sabia porque se fazia guarda junto a esse banco. Mas fazia-se. Os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém duvidava. Ninguém perguntava. Era assim.

Até que um dia foi trabalhar para aquele quartel um oficial que era diferente. Tinha o mau costume de perguntar o que ninguém perguntava. Perguntou porque se fazia guarda junto a esse banco. Responderam-lhe que era algo que sempre se tinha feito assim. Era uma ordem que se cumpria há muito tempo e funcionava. Logo, não podia estar errada. O oficial pediu então para ver a ordem escrita. Foi necessária uma pesquisa profunda nos arquivos do quartel, que já estavam cheios de pó. Por fim, alguém conseguiu encontrá-la. Dezoito anos, três meses e cinco dias atrás, um coronel tinha mandado que ficasse um soldado de guarda junto a esse banco. Aí estava a ordem. O motivo, escrito em baixo com letra pequena, era que o banco estava recém-pintado e havia o perigo de alguém se sentar.

Esta história pode ajudar-nos a reflectir sobre a importância da actividade de pensar. A importância de não actuarmos com o argumento de que sempre se fez assim. Porque pensar é útil. Pensar é necessário. E pensar com calma revela-se, com frequência, algo profundamente eficaz. Algo que evita a perda de muito tempo. Quantas vezes temos a sensação de que uma coisa correu mal porque não pensámos bem antes de actuar? Porque não actuámos com ponderação? Porque nos deixámos levar pelo imediato?

Este frenesi está muito relacionado com a civilização da imagem na qual vivemos. É um facto que muitas pessoas vêem muitas imagens e lêem pouco ou quase nada. Não porque sejam analfabetas, mas porque parece mais fácil adquirir conhecimentos assim. Assusta conhecer pessoas que passam horas diante da televisão e nem consideram a possibilidade de abrir um livro. «Se uma imagem vale por mil palavras, qual é a utilidade da leitura? Se já vi o filme, para que é que vou ler o livro?».

E esta importância excessiva dada à imagem em detrimento da palavra explica em parte o pensamento débil de muitos. Porque a actividade de pensar articula-se com palavras. Palavras que chegam ao fundo do espírito, que convidam à reflexão e despertam a inteligência. Uma das características mais habituais daqueles que lêem pouco é a pobreza de vocabulário. E isso produz uma pobreza de pensamento. Uma facilidade para actuar como todos. Uma propensão para deixar-se manipular por slogans simplistas. Uma dificuldade para transmitir o próprio pensamento com palavras adequadas. E quem não sabe transmitir aquilo que pensa, o mais provável é que não pense bem.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O Evangelho do dia 24 de fevereiro de 2017

Saindo dali, foi Jesus para o território da Judeia, e além Jordão. Novamente as multidões se juntaram à volta d'Ele, e de novo as ensinava, segundo o Seu costume. Aproximando-se os fariseus, perguntavam-Lhe para O tentarem: «É lícito ao marido repudiar a mulher?». Ele respondeu-lhes: «Que vos mandou Moisés?». Eles responderam: «Moisés permitiu escrever libelo de repúdio e separar-se dela». Jesus disse-lhes: «Por causa da dureza do vosso coração é que ele vos deu essa lei. Porém, no princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso deixará o homem pai e mãe, e se juntará à sua mulher; e os dois serão uma só carne. Assim não mais são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus juntou». Depois, em casa, os discípulos interrogaram-n'O novamente sobre o mesmo assunto. Ele disse-lhes: «Quem repudiar a mulher e se casar com outra comete adultério contra a primeira; e se a mulher repudiar o marido e se casar com outro comete adultério».

Mc 10, 1-12