N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Eu confio em Ti, sei que és meu Pai

Jesus ora no horto: Pater mi (Mt XXVI, 39), Abba, Pater (Mc XIV, 36)! Deus é meu Pai, ainda que me envie sofrimento. Ama-me com ternura, mesmo quando me bate. Jesus sofre, para cumprir a Vontade do Pai... E eu, que também quero cumprir a Santíssima Vontade de Deus, seguindo os passos do Mestre, poderei queixar-me, se encontro por companheiro de caminho o sofrimento? Constituirá um sinal certo da minha filiação, porque me trata como ao Seu Divino Filho. E, então, como Ele, poderei gemer e chorar sozinho no meu Getsemani; mas, prostrado por terra, reconhecendo O meu nada, subirá ao Senhor um grito saído do íntimo da minha alma: Pater mi, Abba, Pater, ... fiat! (Via Sacra, 1ª Estação, n. 1)

Por motivos que não vem a propósito referir – mas que são bem conhecidos de Jesus, que aqui temos a presidir no Sacrário – a vida tem-me levado a sentir-me de um modo muito especial filho de Deus. Tenho saboreado a alegria de me meter no coração de meu Pai, para rectificar, para me purificar, para o servir, para compreender e desculpar a todos, tendo como base o seu amor e a minha humilhação.

Por isso, desejo agora insistir na necessidade de nos renovarmos, vós e eu, de despertarmos do sono da tibieza que tão facilmente nos amodorra e de voltarmos a entender, de maneira mais profunda e ao mesmo tempo mais imediata, a nossa condição de filhos de Deus.

O exemplo de Jesus, toda a vida de Cristo por aquelas terras do Oriente ajuda-nos a deixarmo-nos penetrar por essa verdade. Se admitimos o testemunho dos homens – lemos na Epístola – de maior autoridade é o testemunho de Deus. E em que consiste o testemunho de Deus? De novo fala S. João: Considerai o amor que nos mostrou o Pai em querer que nos chamemos filhos de Deus, e que o sejamos... Caríssimos, agora já somos filhos de Deus.

Ao longo dos anos, tenho procurado apoiar-me sem desfalecimento nesta feliz realidade. Em todas as circunstâncias, a minha oração tem sido a mesma com tonalidades diferentes. Tenho-lhe dito: Senhor, Tu colocaste-me aqui; Tu confiaste-me isto ou aquilo, e eu confio em Ti. Sei que és meu Pai e tenho visto sempre que as crianças confiam absolutamente nos pais. A minha experiência sacerdotal tem-me confirmado que este abandono nas mãos de Deus leva as almas a adquirir uma piedade forte, profunda e serena, que impele a trabalhar constantemente com rectidão de intenção. (Amigos de Deus, 143)

São Josemaría Escrivá

Verdades mentirosas

O principal ‘interesse nacional’ é a verdade: nenhum interesse económico, partidário ou pessoal pode legitimar ‘esquemas’ contrários à lei e aos mais elementares princípios éticos da governação.

A propósito da Caixa Geral dos Depósitos, muito se tem falado, nestes últimos tempos, sobre a verdade. Sem entrar na análise do caso concreto, nem em questões de natureza bancária ou partidária, vem a propósito tecer algumas breves considerações sobre a verdade e a mentira na política, sem fazer, como é óbvio, quaisquer julgamentos pessoais.

Em tempos de relativismo, tende-se a crer que a verdade não existe, porque não é mais do que uma mera narrativa. Contudo, segundo a clássica definição de Tomás de Aquino, a verdade existe e é a própria realidade enquanto presente ao entendimento. Assim sendo, é algo objectivo e real, não subjectivo nem virtual. A verdade é consubstancial ao conhecimento e o erro advém da falta de correspondência entre a realidade e o que dela se diz. Afirmar, consciente e voluntariamente, como verdadeiro o que é falso, com o intuito de enganar, é mentir.

A verdade é tão essencial à justiça que o juiz, só depois de proceder ao apuramento dos factos, pode deles deduzir a responsabilidade civil ou criminal. Também na política a verdade é relevante: um poder não fundado na verdade não pode ser legítimo, nem justo, como Cristo fez saber a Pôncio Pilatos (Jo 18, 28-39). Não é pois de estranhar que todos os regimes totalitários, como o nazismo e o comunismo, se fundem na mentira e impeçam o conhecimento da verdade, nomeadamente através da censura.

A mentira, como os chapéus, pode ser de muitos tipos. Pode-se mentir com meias-verdades e, até, com verdades inteiras. Foi o caso do imediato que, zangado com o comandante, escreveu no diário de bordo: hoje, o capitão não se embebedou. Era verdade, mas uma verdade mentirosa, porque levava a crer que todos os dias se embebedava aquele que, não só naquele dia como também nunca antes o fizera, ao contrário do que o imediato mentirosa e maliciosamente insinuara. Portanto, não mente apenas quem, consciente e voluntariamente, afirma algo contrário à verdade, mas também quem, pelas suas palavras ou silêncios, dá a entender alguma coisa falsa.

Não vale a pena cair no ridículo dos eufemismos, como “erro de percepção” ou outros, nem derivar para minudências casuísticas. Centrar a questão na natureza da mensagem – carta, telefonema, e-mail, sms, etc. – ou no tipo de documento – informático, material, etc. – é um preciosismo farisaico, que indicia artes e manhas daquele que é “mentiroso e pai da mentira” (Jo 8, 44). Também a este propósito, o ensinamento evangélico é claro: “a vossa linguagem deve ser: ‘sim, sim; não, não’. O que passa disso vem do maligno” (Mt 5, 37).

Outra questão é a da responsabilidade moral pelos actos próprios e alheios. Quem faz uma afirmação contrária à verdade é responsável por essa mentira, mas também devem ser responsabilizados, em termos éticos e políticos, os que, sabendo, deram cobertura a essa falsidade.

Conta-se que, em tempos que já lá vão, num país europeu que não o nosso, um ministro não sabia se devia permitir que alguns jornalistas estrangeiros tivessem acesso a dados do seu departamento. Para esse efeito consultou o chefe do governo, que lhe disse, laconicamente, que fizesse o que quisesse. Os repórteres foram admitidos, mas a reportagem que publicaram, depois de regressarem ao seu país, foi muito negativa. Na seguinte reunião do governo, como era de esperar, choveram as críticas sobre o ministro em causa, até que o primeiro-ministro pôs termo à discussão, dizendo que fora ele que autorizara a investigação jornalística. Poder-se-ia ter remetido a um cómodo e cobarde silêncio, deixando o ministro a arder, mas teve a dignidade de assumir que era sua a responsabilidade política e moral pelo acto do ministro, uma vez que lhe dera o seu aval.

Se alguém mentiu, deve ter a coragem de o reconhecer e de assumir as consequências óbvias. Se é grave faltar à verdade, grave é também ser cúmplice da mentira: se alguém lhe deu cobertura política, deve também aceitar a inerente responsabilidade, em nome da verdade e da dignidade do Estado. O principal ‘interesse nacional’ é a verdade: nenhum interesse económico, partidário ou pessoal pode legitimar ‘esquemas’ contrários à lei e aos mais elementares princípios éticos da governação.

Na vida, há senhores … e chicos-espertos. Na política, há estadistas … e os outros.

PS. Uma jornalista do DN, em artigo de opinião, insurgiu-se recentemente contra a presença de padres nas comissões de ética dos hospitais e na imprensa, como comentadores de temas da sua especialidade, como é o caso da presente crónica. Mais despropositado é, contudo, que jornalistas, sem especial formação em questões éticas, opinem sobre assuntos que não são do seu conhecimento. De uma jornalista generalista, ou seja não especializada em temas de religião e moral, esperam-se artigos de informação, porque os de opinião devem ser da exclusiva competência de quem recebeu uma formação específica sobre a matéria correspondente.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador AQUI
(Seleção de imagem 'Spe Deus')

O Evangelho de Domingo dia 19 de fevereiro de 2017

«Ouvistes que foi dito: “Olho por olho e dente por dente”. Eu, porém, digo-vos que não resistais ao homem mau; mas, se alguém te ferir na tua face direita, apresenta-lhe também a outra; e ao que quer chamar-te a juízo para te tirar a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém te forçar a dar mil passos, vai com ele mais dois mil. Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem deseja que lhe emprestes. «Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos. Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Mt 5, 38-48

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

Benze uma imagem de pedra de Nossa Senhora do Carmo que preside numa ermida dedicada a esta invocação na casa de retiros Altavista, Guatemala. “Traz sobre o peito o santo escapulário do Carmo. – Poucas devoções (há muitas, e muito boas devoções marianas) estão tão arraigadas entre os fiéis e têm tantas bênçãos dos Pontífices. – Além disso, é tão maternal este privilégio sabatino!”

A TI, MEU AMIGO, QUE TE DESESPERAS

Hoje apetece-me escrever-te, a ti, que fazes do desânimo, do desespero uma razão de viver ... para morrer.

Pois, não me venhas dizer que não sei do que falo, porque também eu um dia fiquei sem nada, vi o mundo ruir à minha volta, fiquei sem casa, sem horizonte, mas restou-me a esperança!

E sabes tu, qual era a minha esperança?

Chama-se Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que continuamente me repetia aos ouvidos do coração: «Não desistas, um dia compreenderás que sempre estive contigo.»

E eu perguntava: «Onde, que não Te vejo, quase não Te sinto, e o horizonte apresenta-se-me escuro, tão escuro, como a noite mais escura.»

E Ele não se calava, (oh sim, Ele nunca se cala quando O temos em nós), e dizia-me: «Olha para o teu lado, todos te abandonam! Mas não vês agarrados à tua mão, a tua mulher, os teus filhos, os teus verdadeiros amigos? Pois é neles que Eu estou, para te dizer que é uma curva no caminho, um obstáculo a ultrapassar, um meio que finaliza numa fé mais forte, mais coesa, mais vivida, mais sentida, mais dependente da minha vontade.»

«Mas Senhor, precisavas de ser tão duro, ou seja, precisavas de permitir que tal acontecesse?»

Ah, mas Ele não se cala mesmo, e respondia-me. «Mas, meu filho, e não era mesmo preciso? Falei-te tantas vezes e não me ouvias, embora me quisesses seguir. E Eu sabia que esse era o teu desejo mais profundo, seguir-Me. Tinha que mostrar-te tudo, ou seja, que nada do que vivias era Eu, ou melhor, que aquilo que vivias, o vivias sem Mim. E lembras-te, que percebeste então?»

«É verdade, Senhor!»

E ouve tu agora, meu amigo que fazes do desânimo, do desespero uma razão de viver ... para morrer.
Baixei a cabeça, entrei no fundo de mim, olhei para o Céu, sorri, e disse-Lhe que Ele e apenas Ele, era a minha razão de viver, e que tudo mais, família, amigos, trabalho e lazer apenas faziam sentido envolvidos no seu amor, porque assim sendo eram extensão d’Ele mesmo que assim me tocava, tão física e proximamente.

Vês agora, tu, meu irmão, que fazes do desânimo, do desespero uma razão de viver ... para morrer, que Ele também está sempre contigo, mesmo no “infinitamente” pouco que te dá a conhecer, ou melhor, em que se te dá a conhecer?

Razão para morrer há só uma, viver com Ele, nEle, para Ele, em todos os momentos e horas, até que Ele nos chame, para nEle morrermos, para com Ele vivermos, eternamente no amor!

Marinha Grande, 25 de Janeiro de 2015

Joaquim Mexia Alves

Oração de Sebastião Reis Bugalho

Pode-se abraçar a família, os amigos e o amor
Pode-se abraçar uma causa, uma vontade
Mas, sem Fé, nada se pode abraçar
Abraça Deus e deixa-te abraçar pelo mundo, seu reino
Abraça a derrota e lembra-te dela quando sentires a vitória
Abraça te a ti, a ela, a ele e a eles
Abraça esta mensagem, também
E nunca dês um ultimo abraço, mas oferece muitos primeiros
Abraça as memórias para abraçares o teu presente
Abraça a vida
E agora, abracemos este pão que partilhamos com Jesus, o Cristo

Diálogo com Deus

«A Palavra de Deus introduz-nos nós mesmos no colóquio com Deus. O Deus que fala na Bíblia ensina-nos como podemos falar com Ele. Especialmente no Livro dos Salmos, dá-nos as palavras com as quais podemos dirigir-nos a Ele, levar a nossa vida, com os seus altos e baixos, para o colóquio diante d'Ele, transformando assim a mesma vida num movimento para Ele.»

(Bento XVI - Encontro com o mundo da cultura no Collège des Bernardins em Paris a 12.09.2008)

O Evangelho do dia 18 de fevereiro de 2017

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e conduziu-os sós, à parte, a um monte alto, e transfigurou-Se diante deles. As Suas vestes tornaram-se resplandecentes, de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra os poderia tornar tão brancos. Depois apareceu-lhes Elias com Moisés, que estavam a falar com Jesus. Pedro tomando a palavra disse a Jesus: «Rabi, que bom é nós estarmos aqui; façamos três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que dizia, pois estavam atónitos de medo. E formou-se uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem saíu uma voz que dizia: «Este é o meu Filho muito amado, ouvi-O». Olhando logo à volta de si, não viram mais ninguém com eles senão Jesus. Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois de o Filho do Homem ter ressuscitado dos mortos. Observaram esta ordem, mas perguntavam-se o que queria dizer “quando tiver ressuscitado dos mortos”. Interrogaram-n'O dizendo: «Porque dizem os escribas que Elias deve vir primeiro?». Jesus respondeu-lhes: «Elias efectivamente há-de vir primeiro e pôr tudo em ordem. Mas como é que está escrito acerca do Filho do Homem, que terá que sofrer muito e ser desprezado? Pois, Eu digo-vos que Elias já veio, e fizeram dele quanto quiseram, como está escrito dele». 

Mc 9, 2-13