Natal

Natal
Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Semeadores de paz e de alegria

Ris-te porque te digo que tens "vocação matrimonial"? – Pois é verdade: assim mesmo, vocação. Pede a São Rafael que te conduza castamente ao termo do caminho, como a Tobias. (Caminho, 27)

É muito importante que o sentido vocacional do matrimónio nunca falte, tanto na catequese e na pregação como na consciência daqueles a quem Deus quer levar por esse caminho, porque estão real e verdadeiramente chamados a integrar-se nos desígnios divinos da salvação de todos os homens.

Por isso, talvez não possa apresentar-se aos esposos cristãos melhor modelo que o das famílias dos tempos apostólicos: o centurião Cornélio, que foi dócil à vontade de Deus e em cuja casa se consumou a abertura da Igreja aos gentios; Áquila e Priscila, que difundiram o cristianismo em Corinto e em Éfeso, e que colaboraram no apostolado de S. Paulo; Tabita, que com a sua caridade assistiu aos necessitados de Jope... E tantos outros lares de judeus e de gentios, de gregos e de romanos, nos quais lançou raízes a pregação dos primeiros discípulos do Senhor.

Famílias que viveram de Cristo e que deram a conhecer Cristo. Pequenas comunidades cristãs que foram centros de irradiação da mensagem evangélica. Lares iguais aos outros lares daqueles tempos, mas animados de um espírito novo que contagiava aqueles que os conheciam e com eles conviviam. Assim foram os primeiros cristãos e assim havemos de ser os cristãos de hoje: semeadores de paz e de alegria, da paz e da alegria que Cristo nos trouxe. (Cristo que passa, 30)

São Josemaría Escrivá

Audiência geral (resumo)

Locutor: A pesar de aprendermos desde criança que não devemos nos orgulhar daquilo que temos e somos, São Paulo, na Carta aos Romanos, convida a nos orgulharmos da abundância da graça de Deus que recebemos em Cristo. Isso significa aprender a ver todos os acontecimentos à luz do desígnio divino de salvação, levado à plenitude em Jesus. Quando acolhemos com gratidão essa manifestação do amor de Deus, experimentamos uma paz que se estende a todas as dimensões da nossa vida. O Apóstolo nos convida também a nos regozijarmos das nossas tribulações. Trata-se de algo mais difícil. Contudo, devemos pensar que a paz que Deus nos oferece não significa ausência de dificuldades e sofrimentos, mas é um dom que nasce da experiência de sabermos que somos amados por Ele, que sempre nos acompanha e nunca nos abandona. Isso faz com que sejamos pacientes nas tribulações, pois a misericórdia de Deus é maior do que tudo. Por isso, a esperança cristã não decepciona, pois tem por fundamento o amor de Deus e por garantia o Espírito Santo.

Santo Padre:
Saluto i pellegrini di lingua portoghese presenti a quest’Udienza. Auguro che questo incontro, che ci fa sentire membri dell'unica famiglia dei figli di Dio, rinnovi la vostra speranza nel Dio misericordioso che non esclude nessuno e ci invita a essere testimoni del suo amore, particolarmente verso i più bisognosi. Grazie.

Locutor: Saúdo os peregrinos de língua portuguesa presentes nesta Audiência. Possa este encontro, que nos faz sentir membros da única família dos filhos de Deus, renovar a vossa esperança no Deus misericordioso que não exclui ninguém e nos convida a ser testemunhas do seu amor sobretudo para com os mais necessitados. Obrigado.

São Josemaría Escrivá nesta data em 1932

“Se o amor, mesmo o amor humano, dá tantas consolações aqui, que será o amor no Céu?”, escreve hoje nas suas notas pessoais. Mais tarde será integrado em Caminho como o ponto 428.

Quem toma conta das coisas, no Vaticano?

Para quem não saiba, Caroline Pigozzi, vencedora de prémios de literatura e jornalismo, é uma das mulheres mais conhecidas da imprensa francesa. Trabalhou para várias televisões e jornais, onde se notabilizou na cobertura dos acontecimentos no Vaticano. Acompanhou as viagens de João Paulo II, de Bento XVI e agora viaja com o Papa Francisco, enviada pelo «Paris Match». A intimidade que Caroline tinha com os Papas anteriores, continua.

Caroline escreveu muito sobre João Paulo II: dois dos seus livros são «Jean-Paul II intime» (João Paulo II na intimidade) e «Le Pape en privé» (o Papa em privado). Continuou no pontificado de Bento XVI e agora com o Papa Francisco: além de muitos artigos e entrevistas, ela é co-autora do livro «Ainsi fait-il» (É assim que ele faz), que se vai engrossando com mais capítulos a cada nova edição.

A propósito do aniversário do Papa Francisco (o Papa faz anos a 17 de Dezembro), Caroline Pigozzi ofereceu-lhe um medalhão em prata de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina. Recentemente, no avião a caminho do Sri Lanka e das Filipinas, Caroline ofereceu-lhe um medalhão de Santa Teresinha de Lisieux, uma peça em bronze, com quase 100 anos, que deixou o Papa muito sensibilizado:

— «Agradeço-lhe muito Caroline, porque quando tenho um problema viro-me para Santa Teresinha e ela, para me indicar que se vai ocupar do assunto, costuma mandar-me uma rosa. Eu tinha posto esta viagem nas mãos dela, mas, em vez de me mandar uma rosa, é ela própria que me vem saudar».

A jornalista Méliné Ristiguian, também do «Paris Match», relata que Caroline ficou de tal maneira comovida que nem se deu verdadeiramente conta do que aconteceu. A própria Caroline disse, aos colegas jornalistas que iam no avião, que só mais tarde consciencializou a alegria do Papa: «Parecia um menino com um brinquedo. Julgo que ele ficou felicíssimo, foi absolutamente incrível. E eu estava contentíssima...». As fotografias e a história aparecem na edição de 29 de Janeiro do «Paris Match».

A notícia podia ser que o Papa Francisco surpreendeu uma jornalista veterana. No entanto, acho que a notícia importante é que Santa Teresinha do Menino Jesus foi encarregada das coisas principais do Vaticano.

No que respeita à viagem ao Sri Lanka e às Filipinas, a prestação de Santa Teresinha foi notável. O Sri Lanka, até há pouco tempo agressivo para com o cristianismo, recebe hoje a Igreja como a grande referência mundial. Nas ilhas Filipinas, a força evangelizadora daqueles dias deixou uma marca inesquecível. A um dos encontros, assistiram 7 ou 8 milhões de peregrinos. Nunca, na história, se juntou uma multidão tão grande, fosse para o que fosse.

Em Portugal, alguns não esperavam, num ponto ou noutro, a pregação deste Papa. Por momentos, pode vir-lhes a dúvida de que o Espírito Santo o assista no magistério ordinário. Depois, recordam as palavras inequívocas de Cristo e confirmam-se com renovada confiança na voz desse magistério. Para esses, pode ser um grande consolo saber que o Papa reza, que o Papa reza muito. Um Papa que reza não se pode enganar.

Além disso, é bom saber que Santa Teresinha, nomeada por João Paulo II Doutora da Igreja, está a tomar conta de muitas coisas. Uma das frases mais conhecidas desta Santa é aquela profecia: «o meu Céu vai ser passar na Terra a fazer o bem». O código postal do seu lugar de trabalho é o Vaticano, ao lado do Papa.

José Maria C.S. André
«Correio dos Açores»,  «Verdadeiro Olhar»,  «ABC Portuguese Canadian Newspaper», 15-II-2015

Serenidade para corrigir

Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim
como o pai ao filho a quem quer bem. Provérbios 3:12
É impressionante a autoridade moral de quem quase nunca se irrita. A irritação costuma ser vista como manifestação de uma personalidade forte, decidida, segura, enérgica. No entanto, é exactamente ao contrário.

Personalidade forte possui aquele que se sabe dominar. Irritar-se diante das atitudes dos outros é sempre o mais fácil. Não costuma exigir grande esforço. Basta dar rédea solta ao orgulho que todos levamos dentro.

Pelo contrário, quem se mantém sereno e se domina a si mesmo inspira respeito aos outros. E é deste respeito que lhe vem essa autoridade moral para corrigir quando é necessário.

Quantos pais não conseguem repreender os seus filhos com eficácia porque o fazem sem a necessária serenidade! A repreensão, para produzir o seu fruto, necessita de um momento adequado e de palavras oportunas que ajudem de verdade. O objectivo da repreensão não é demonstrar “quem é que manda aqui” mas conseguir que os filhos melhorem.

Porque os pais ― e todos os educadores em geral ― têm o dever de educar, mas isso não lhes dá o direito de humilhar.

Por isso, é necessário ter sensibilidade para pensar no que se vai dizer, procurar o momento oportuno e falar a sós com o interessado. Há pessoas que o sabem fazer tão bem que dá gosto ser corrigido por elas. Saímos animados a melhorar.

Mas para que isto seja possível não se pode esquecer um sábio “pormenor” de capital importância: pôr-se no lugar daquele que vai ser corrigido. Perguntar-se com calma: «Como gostaria que me dissessem as coisas se estivesse na situação desta pessoa?». Não se esqueçam os pais de que já foram filhos com essa mesma idade.

Isto anima a saber intercalar algumas palavras de afecto que afastem a impressão de que se corrige por desgosto pessoal. Mostrar uma verdadeira confiança. Um filho deve pensar: «O meu pai corrige-me porque gosta de mim. Porque quer o meu bem. E ele confia em que eu vou melhorar».

A confiança é essa virtude recíproca que se recebe na medida em que se dá. Quando confiamos abertamente em alguém, essa pessoa esforça-se com coragem, sente-se reconhecida e tende a retribuir-nos, agradecida. E os pais têm de mostrar, com palavras e sobretudo com atitudes, que confiam nos seus filhos.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O Evangelho do dia 15 de fevereiro de 2017

Chegaram a Betsaida. Trouxeram-Lhe um cego e suplicavam-Lhe que o tocasse. Tomando o cego pela mão, conduziu-o para fora da aldeia, pôs-lhe saliva sobre os olhos e, impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: «Vês alguma coisa?». Ele, levantando os olhos, disse: «Vejo os homens que me parecem árvores que andam». Depois, Jesus impôs-lhe novamente as mãos sobre os olhos e ele começou a ver claramente. Ficou curado e distinguia tudo, nitidamente, de longe. Então Jesus mandou-o para casa, dizendo: «Não entres na aldeia». 

Mc 8, 22-26