N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Comunhão dos Santos

Vivei uma particular Comunhão dos Santos: e cada um sentirá, à hora da luta interior, e à hora do trabalho profissional, a alegria e a força de não estar só. (Caminho, 545)

Há instantes, antes do lavabo, invocámos o Espírito Santo, pedindo-Lhe que abençoasse o Sacrifício oferecido ao Seu Santo Nome. Terminada a purificação, dirigimo-nos à Trindade – Suscipe, Sancta Trinitas –, para que receba o que apresentamos em memória da Vida, da Paixão, da Ressurreição e da Ascensão de Cristo, em honra de Maria, sempre Virgem, e em honra de todos os santos.

A oblação deve redundar em benefício de todos – Orate, fratres, reza o sacerdote –, porque este sacrifício é meu e vosso, de toda a Igreja Santa. Orai, irmãos, mesmo que sejam poucos os que se encontram reunidos, mesmo que se encontre materialmente presente apenas um cristão ou até só o celebrante, porque uma Missa é sempre o holocausto universal, o resgate de todas as tribos e línguas e povos e nações!

Todos os cristãos, pela comunhão dos Santos, recebem as graças de cada Missa, quer se celebre diante de milhares de pessoas, quer haja apenas como único assistente um menino, possivelmente distraído, a ajudar o sacerdote. Tanto num caso como noutro, a Terra e o Céu unem-se para entoar com os Anjos do Senhor: Sanctus, Sanctus, Sanctus... (Cristo que passa, 89)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

“Meus filhos, aquele ignem veni mittere in terram, vim trazer fogo à terra, deve-nos queimar a alma. E temos de estar decididos, absolutamente decididos, a dizer ao Senhor: ecce ego quia vocasti me!, aqui me tens!, porque me chamaste a ser cristão”, diz perante milhares de pessoas em Caracas, Venezuela

CONFISSÃO!

Claro que não sou nada, Senhor!

E, claro, que Tu és tudo, Senhor!

E, graças a Deus que assim é, porque se não, como poderia eu saber que aquilo que faço, (ou pretendo fazer), é bom e com sentido, se me reconheço pecador empedernido, embora sempre com forte propósito de emenda.

E será que aquilo que faço, é bom e com sentido?
Será que não o faço para mim, para satisfazer o meu orgulho, a minha vaidade, a minha ânsia de protagonismo?

Vês, Senhor, como é bom querer reconhecer que sou nada e Tu és tudo!

É que assim, Senhor, Tu deixas que aquilo que faço aproveite a outros, sem Te importares com as minhas intenções, se elas são puras para Te servir nos outros, ou se são para me fazer, (pobre de mim pecador), melhor do que os outros.

E lembro-me de Paulo, Teu Apóstolo aos gentios, (perdoa-me a comparação, coitado de mim), que nos dizia ter um espinho cravado.
E olho para este espinho de orgulho e vaidade, cravado em mim, que me entra pelo ser adentro, e me faz questionar sempre, se o faço por Ti, pelos outros, ou apenas e só por mim.

Sim, Senhor, vivo com esse espinho, afinal por Tua graça, Senhor, porque acredito que sabes que é a melhor forma de me fazeres procurar o verdadeiro caminho para Ti … desistindo de mim, ou melhor, desistindo da minha vontade, para fazer apenas a Tua!

Obrigado, Senhor, apesar do espinho, ou mesmo pelo espinho, que me leva a querer aproximar ainda mais de Ti!

Feliz sou eu, Senhor, porque me dás luta, mas estás sempre comigo na luta que me dás!

Marinha Grande, 9 de Fevereiro de 2016

O Samaritano


Lc 10, 25-27 [i]
Próximos do próximo

Sou um samaritano e o que hoje aconteceu
comigo, tem a sua raiz há tempos atrás.

Vivia com a minha família em Sicar.
A minha vida corria bem, os negócios
prosperavam, embora tivesse que deslocar-me com frequência a Jericó o que era
assaz perigoso dada a frequência dos assaltos e atropelos praticados pelos mal
feitores que infestavam o caminho.

Um dia, sem aviso, comecei a notar sinais
alarmantes no meu corpo e, depois de observado pelo médico as suspeitas
confirmaram-se: estava a ser “atacado” pelo terrível flagelo da lepra.

Como se calcula, toda a minha vida se
transformou, não ousava sair de casa e evitava qualquer contacto com outras
pessoas sempre à espera que a minha doença fosse conhecida pelas autoridades
que me obrigariam a um exílio e imporiam uma segregação social extrema.

Um dia, porém, não pude deixar de assomar a
uma janela de minha casa para verificar a que se devia o burburinho e agitação
que percorria toda a aldeia.

Uma mulher, no meio do povo que a rodeava
cada vez em maior número contava entre lágrimas e risos, numa excitação quase
frenética, algo espantoso.

Dizia ela que tendo ido buscar água ao poço
de Jacob encontrara um judeu sentado na borda do poço que, sem mais, lhe pediu
de beber. [i]

Na sua surpresa argumentara:

«Como, sendo Tu judeu, me pedes de
beber a mim, que sou samaritana?»

[ii]

Mas,
continuava, a resposta foi ainda mais surpreendente de tal forma que regressara
a correr à aldeia a dar conta do sucedido e acrescentava:

«Vinde ver um homem que me disse
tudo o que eu fiz; será este, porventura, o Cristo?».
[iii]

Muitos ficaram excitados e correram atrás
da mulher em direcção ao poço, outros continuaram discutindo entre si tão
insólita novidade.

Eu recolhi-me de novo dentro de casa sem
saber o que pensar mas, dentro de mim algo me dizia que este assunto não
acabaria ali.

A doença avançava com rapidez e, tal como
temia, as autoridades vieram, forçaram-me a sair de casa e ir para uma furna
onde mal viviam outros dez homens com o mesmo mal.

Desesperava… as condições de vida eram
insuportáveis, ninguém ousava aproximar-se de nós e os escassos alimentos eram
atirados do alto da ravina como se fossemos animais perigosos.

Um dia, passado algum tempo, ouviam-se
gritos e agitação no caminho que passava perto do local onde nos encontrávamos
e, um de nós, arriscou-se a subir ao parapeito a dar-se conta do que acontecia.

Regressou e, ofegante, disse-nos que o tal
homem de que a mulher falara vinha pelo caminho seguido por uma multidão de
gente que o apertava e assediava com perguntas. [iv]

Tomámos uma decisão e, os dez, subimos ao
caminho e gritámos de longe:

«Jesus, Mestre, tem compaixão de
nós!» [v]
Ele viu-nos e disse-nos:
«Ide, mostrai-vos aos sacerdotes» [vi]
Não pensámos mais e
pusemo-nos imediatamente a caminho.
Dei-me conta então que o meu
corpo coberto de chagas estava limpo, a pele sã e – espantoso! – não havia
qualquer sinal de lepra!
Parei de repente e, enquanto
os outros continuavam a caminhar, voltei para trás quase gritando incontrolavelmente
graças ao Senhor Deus Todo Poderoso que operara em mim tal maravilha.
Rompendo pelo meio dos que o
rodeavam e prostrei-me a seus pés continuando a dar graças. [vii]
E foi então que a minha vida
se modificou radicalmente porque, o Mestre, disse-me simplesmente:
«Levanta-te, vai; a tua fé te
salvou».
[viii]
Sempre que tinha uma oportunidade ocorria
ao local onde me diziam que Ele estava a pregar, a ensinar, a anunciar que o
Reino de Deus estava próximo e que todos – absolutamente todos – os homens
devemos amar-nos uns aos outros.

A normalidade tinha regressado à minha vida
e retomando os meus negócios recomecei as minhas viagens a Jericó.

E, hoje, o que aconteceu – o que me
aconteceu – ao ver um pobre desgraçado estendido no chão, maltratado e ferido
por salteadores foi aproximar-me dele e prestar-lhe o auxílio que estava nas
minhas mãos prestar-lhe. [ix]

Agora, descansa na estalagem para onde o
levei e, eu, já deitado, sinto-me tão bem comigo próprio, tão – porque não
admiti-lo - orgulhoso com o meu comportamento que não posso deixar de pensar no Nazareno que me deu tão preciosa lição de vida que resumirei assim:

“Faz aos outros o que desejas que te façam
a ti”
.

(ama,
reflexões no Ano Jubilar da Misericórdia – 2)



[i] Lc 10, 25-27

Nota: Este trecho do Evangelho escrito por São Lucas poderia ser o Evangelho “oficial” do Ano Jubilar da Misericórdia.

De facto, aparte a magistral descrição da parábola proferida por Jesus Cristo, a beleza do texto, a economia das palavras, o ritmo da descrição – características deste Evangelista – põem-nos perante um autêntico quadro ou, melhor, perante um filme que se desenrola aos nossos olhos prendendo-nos a atenção e excitando os nossos sentidos.

São Josemaria recomendou: aconselho-te a que, na tua oração, intervenhas nas passagens do Evangelho, como um personagem mais

É isso mesmo que me proponho fazer.

Sob o Título: “Próximos do próximo (sugerido por um bom amigo) vou tentar personificar alguns dos personagens da parábola e, também, introduzir-me nela como observador directo.

[i] Cfr. Jo 4, 7
[ii] Cfr. Jo 4, 9
[iii] Cfr. Jo 4, 29
[iv] Cfr. Lc 17, 11
[v] Cfr. Lc 17, 13
[vi] Cfr. Lc 17, 14
[vii] Cfr. Lc 17, 15-16
[viii] Cfr. Lc 17, 19
[ix] Cfr. Lc 10, 33-35

Os defeitos dos outros

Era já de provecta idade. Considerava-se, com toda a humildade, um verdadeiro especialista em obras de arte. Um dia, foi visitar um museu com um grupo de amigos. Logo no início da visita, começou a manifestar as suas contundentes opiniões. Inadvertidamente, tinha-se esquecido dos óculos em casa. Mesmo assim, não se coibiu de satirizar as diferentes pinturas com a sua veemência característica.

Ao parar diante de um “retrato”, analisou-o com ar arrogante: «O homem está mal vestido. O artista cometeu um erro de palmatória. O modelo é demasiado vulgar. Resumindo e concluindo: esta pintura não tem qualidade nenhuma». A sua mulher, ao aperceber-se da barraca que o marido armava, aproximou-se discretamente e sussurrou-lhe: «Querido, estás a olhar para um espelho». Moral da história: custa-nos reconhecer os nossos defeitos. Quando os vemos nos outros, parecem-nos muito grandes.

Além disso, também podemos concluir que, muitas vezes, o melhor modo de nos darmos conta da necessidade que temos de lutar contra os nossos defeitos é vê-los “encarnados” noutra pessoa. Nesse caso, os defeitos vêem-se com objectividade, sem névoas que procedem do nosso amor-próprio.

Desaparece a típica indulgência automática que possuímos connosco próprios. Os defeitos aparecem como aquilo que são: algo mais vivo, mais áspero, menos agradável, mais necessitado de uma mudança urgente. As nossas imperfeições ― contempladas com a realidade que dá ver as coisas com uma perspectiva exterior ― parecem-nos menos lógicas e muito menos desculpáveis. Para melhorarmos, é preciso que não tenhamos medo de olharmos para elas cara a cara, chamá-las pelo seu nome e esforçar-nos por erradicá-las sem falsas compreensões.

O esforço é exigente, sem dúvida nenhuma. Mas, evidentemente, vale a pena. Não é nada fácil reconhecer os nossos defeitos e admitir a necessidade de esforçarmo-nos por superá-los. Mesmo não sendo fácil, esse passo prévio é fundamental para podermos melhorar com o passar do tempo. Não basta deixarmos os anos correrem.

O passar dos anos melhora o vinho do Porto ― mas não o nosso carácter. O que aperfeiçoa o nosso carácter é o esforço por arrancar ― ou pelo menos diminuir ― as nossas imperfeições. E não nos enganemos: sem uma visão objectiva dessas imperfeições não há esforço de nenhum tipo. Ficam só os desejos genéricos de «mudar alguma coisa para que fique tudo na mesma».

Todos possuímos ― sabe-se lá porquê ― uma grande perspicácia para ver os defeitos dos outros e uma enorme dificuldade para vislumbrar os próprios. Talvez porque, como diz o ditado, nunca ninguém é bom juiz em causa própria.

Sabendo disso, podíamos avançar muito se, cada vez que vemos noutra pessoa um defeito, nos examinássemos sinceramente para ver se também nós não o temos num grau superior. Isso por uma razão muito simples: porque, geralmente, os defeitos que mais nos custam a aceitar nas outras pessoas são precisamente aqueles que nós possuímos. Estamos a olhar para um espelho.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O Evangelho do dia 9 de fevereiro de 2017

Partindo dali, foi Jesus para os confins de Tiro e de Sidónia. Tendo entrado numa casa, não queria que ninguém o soubesse, mas não pôde ocultar-Se, pois logo uma mulher, cuja filha estava possessa do espírito imundo, logo que ouviu falar d'Ele, foi lançar-se a Seus pés. Era uma mulher gentia, de origem sirofenícia. Suplicava-lhe que expulsasse da sua filha o demónio. Jesus disse-lhe: «Deixa que primeiro sejam fartos os filhos, porque não está certo tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães». Mas ela respondeu-Lhe: «Assim é, Senhor, mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, das migalhas que caem dos filhos». Ele disse-lhe: «Por esta palavra que disseste, vai, que o demónio saiu da tua filha». Voltando para casa, encontrou a menina deitada na cama, e o demónio tinha saído dela.

Mc 7, 24-30