N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

sábado, 28 de janeiro de 2017

Crónica da eleição do novo Prelado (legendado)

Um novo rumo para o Opus Dei?

O novo prelado, Mons. Fernando Ocáriz, já definiu os objectivos pastorais do Opus Dei para os próximos anos: os jovens, a família, a luta contra a pobreza e os doentes em sintonia com o Papa Francisco

Medalha oferecida pelo Santo Padre e enviada com a nomeação
Desde o passado dia 23, o Opus Dei tem um novo prelado: Mons. Fernando Ocáriz que, até à morte do seu antecessor, tinha sido vigário auxiliar da prelatura. Foi formalmente nomeado prelado pelo Papa Francisco, no próprio dia da sua eleição por representantes dos fiéis da prelatura do mundo inteiro.

A rapidez da eleição, confirmação e nomeação não é de estranhar: há já alguns anos que Mons. Ocáriz governava a prelatura, pois o anterior prelado, D. Javier Echevarria, nele tinha delegado praticamente todas as suas competências, com excepção das que implicavam o exercício da sua condição episcopal. Primeiro, como vigário geral do Opus Dei e, depois, como vigário auxiliar, o P. Fernando Ocáriz já era bem conhecido por Francisco, dada também a grande proximidade, efectiva e afectiva, do Opus Dei a todos os pontífices romanos, nomeadamente o actual papa. É consultor, desde 1986, da Congregação para a Doutrina da Fé e, desde 2003, da Congregação para o Clero. É também membro, há mais de vinte cinco anos, da Academia Pontifícia de Teologia.

Um novo prelado e, talvez, um novo rumo para a prelatura. Ao seu antecessor, Echevarria, se ficou a dever uma muito significativa mudança de estilo, sobretudo no que respeita à nem sempre fácil relação do Opus Dei com as outras instituições eclesiais e com os meios de comunicação social. Como escreveu, a este propósito, John L. Allen Jr., “os entendidos sobre o Opus Dei afirmavam a existência de uma profunda fissura, na instituição, entre uma prática da discrição e uma cultura da transparência, defensora de uma atitude de abertura e de divulgação da vida interna e da filosofia da instituição, na convicção de que a realidade é preferível à mitologia e à ‘lenda negra’ que, entretanto, se tinha difundido”.

John Allen, vaticanista não só não conotado com o Opus Dei como autor de uma obra crítica sobre esta controversa instituição eclesial (Opus Dei, Um olhar objectivo para além dos mitos da realidade da mais controversa força da Igreja católica, Alêtheia 2005), atribuiu ao anterior bispo e prelado um papel determinante nesta abertura: “Como prelado, Echevarria apostou decisivamente na transparência e o resultado foi uma rápida ‘normalização’ do estatuto do Opus Dei dentro da Igreja católica e a correspondente diminuição do nível de controvérsia e de animosidade. Quando Echevarria iniciou o seu mandato, havia ainda muitos bispos católicos que desconfiavam de qualquer iniciativa relacionada com o Opus Dei, mas em 2016 esse temor desapareceu quase completamente. Agora, a grande maioria dos bispos e dos responsáveis da Igreja olham para o Opus Dei como olham para a Cáritas ou para os Salesianos, ou seja, simplesmente como mais uma peça no mobiliário da sala de estar católica”.

É verdade que o Opus Dei foi muito atacado e incompreendido em termos mediáticos e talvez ainda hoje o seja por pessoas menos informadas, ou mal-intencionadas. Muitas das críticas dirigidas contra o espírito e a praxe da prelatura mais não são do que a reedição dos ataques que, em eras passadas, foram igualmente feitos a outras instituições eclesiais, que foram também, a seu tempo, inovadoras, como as ordens mendicantes ou os jesuítas. Segundo Allen, o Opus Dei também teve alguma culpa nessa desinformação, porque tinha “o que muitos consideravam a informação mais disfuncional de toda a Igreja Católica, recusando, por princípio, até mesmo responder a perguntas legítimas e, por essa via, alimentando imagens negativas” da própria instituição.

Graças a Echevarria, a situação inverteu-se totalmente: o Opus Dei deixou de ser a instituição eclesial com pior informação, para ser a que se considera, em Roma e segundo Allen, a melhor. “Na actualidade, a Universidade della Santa Croce, que o Opus Dei dirige em Roma, promove um curso de formação para jornalistas de todo o mundo, que informam sobre o Vaticano e a Igreja Católica, o ‘Church up close’. Provavelmente, qualquer responsável católico que precise de ajuda para resolver problemas de comunicação, a primeira coisa que tem a fazer é telefonar a alguém do Opus Dei. Tudo isto – conclui John Allen – foi o resultado de uma política iniciada e confirmada por Echevarria e que se baseia no princípio: ‘nada temos a ocultar, porque nada temos a temer’”.

Com o novo prelado, uma nova etapa se inicia na história do Opus Dei. De nacionalidade espanhola, como o fundador e os seus dois primeiros sucessores, Mons. Ocáriz nasceu em 1944 em Paris, cidade onde a sua família, de tradição republicana, se exilou, por motivos políticos, durante o franquismo. Mais tarde regressou a Espanha, onde se licenciou em Física, na Universidade de Barcelona. Depois, licenciou-se em Teologia na Universidade Lateranense, em Roma, tendo posteriormente obtido o respectivo doutoramento. Ocáriz é autor de uma notável obra teológica, mas também abordou temas filosóficos, como o seu Marxismo, teoria e praxis de uma revolução, que é, talvez, um dos melhores estudos sobre esta ideologia; e Voltaire, tratado sobre a tolerância.

São Josemaria era sobretudo um carismático e os seus dois primeiros sucessores – os bispos prelados Portillo e Echevarria – foram também mais práticos do que especulativos. Ocáriz poderá enriquecer o carisma fundacional com a sua própria perspectiva filosófica e teológica, por forma a dinamizar o diálogo com a cultura pós-moderna e a potenciar a acção apostólica dos fiéis da prelatura, em todos os ambientes profissionais.

O novo prelado, na sua primeira conferência de imprensa, logo após a sua eleição e nomeação pontifícia, enumerou os objectivos pastorais a que vai dar prioridade: os jovens, a família, a luta contra a pobreza e os doentes, em total sintonia com o pontificado do Papa Francisco. Inicia-se assim uma nova etapa na história da prelatura do Opus Dei, na fidelidade ao carisma fundacional e ao espírito do Vaticano II, ao serviço da Igreja, da paz e da justiça social.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador AQUI
(seleção de imagens 'Spe Deus')

Servir Nosso Senhor e os homens

Qualquer actividade – quer seja ou não humanamente muito importante – tem de converter-se para ti num meio de servir Nosso Senhor e os homens: aí está a verdadeira dimensão da sua importância. (Forja, 684)

Não me afasto da mais rigorosa verdade se vos digo que Jesus continua agora a buscar pousada no nosso coração. Temos de Lhe pedir perdão pela nossa cegueira pessoal, pela nossa ingratidão. Temos de Lhe pedir a graça de nunca mais Lhe fechar a porta das nossas almas.

O Senhor não nos oculta que a obediência rendida à vontade de Deus exige renúncia e entrega porque o amor não pede direitos: quer servir. Ele percorreu primeiro o caminho. Jesus, como obedecestes Tu? Usque ad mortem, mortem autem crucis, até à morte e morte de Cruz. É preciso sair de nós mesmos, complicar a vida, perdê-la por amor de Deus e das almas... Tu querias viver e que nada te acontecesse; mas Deus quis outra coisa... Existem duas vontades: a tua vontade deve ser corrigida para se identificar com a vontade de Deus, e não torcida a de Deus para se acomodar à tua.

Com alegria, tenho visto muitas almas que jogaram a vida – como Tu, Senhor, "usque ad mortem"! – para cumprir o que a vontade de Deus lhes pedia, dedicando os seus esforços e o seu trabalho profissional ao serviço da Igreja, pelo bem de todos os homens.

Aprendamos a obedecer, aprendamos a servir. Não há maior fidalguia do que entregar-se voluntariamente ao serviço dos outros. Quando sentimos o orgulho que referve dentro de nós, a soberba que nos leva a pensar que somos super-homens, é o momento de dizer que não, de dizer que o nosso único triunfo há-de ser o da humildade. Assim nos identificaremos com Cristo na Cruz, não aborrecidos ou inquietos, nem com mau humor, mas alegres, porque essa alegria, o esquecimento de nós mesmos, é a melhor prova de amor. (Cristo que passa, 19)

São Josemaría Escrivá

O Evangelho de Domingo dia 29 de janeiro de 2017

Vendo Jesus aquelas multidões, subiu a um monte e, tendo-Se sentado, aproximaram-se d'Ele os discípulos.  E pôs-Se a falar e ensinava-os, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. «Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. «Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. «Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. «Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. «Bem-aventurados sereis, quando vos insultarem, vos perseguirem, e disserem falsamente toda a espécie de mal contra vós por causa de Mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois também assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós.

Mt 5, 1-12

São Josemaría Escrivá nesta data em 1972

Diz àqueles que se encontram com ele em Roma: “O apostolado, a preocupação pelas almas, é como o carinho quando é sincero: está-se sempre convencido de que não se quer bastante. Eu quero-vos a vós, quero a todas as pessoas com toda a minha alma e contudo, parece-me sempre que posso querer-vos mais, e que posso servir-vos mais”.

Frei Tomás: o "boi mudo" ou "grande boi siciliano"

Para evitar atrair a estima pública e os louvores que recebera em Nápoles por seu saber Tomás, fechou-se num mutismo mal interpretado pelos seus condiscípulos. Ao que se acresce, "um grande corpo, lento e pesado, e uma placidez um pouco bovina servem-lhe de espesso envoltório para uma alma benigna e generosa, mas retraída; ele é tímido para além da humildade, e distraído para além da  contemplação" (G.K.Chesterton, Saint Thomas d'Aquin, versão francesa de Maximilien Vox, Librairie Plon, Paris, p. 20). Isso tudo leva a que o chamem de "boi mudo" ou "grande boi siciliano".

Sucedeu um dia que um condiscípulo, tomando a concentração de Tomás como sinal de que não entendera o que dissera o mestre, começou caridosamente a lhe explicar a matéria. Mas em determinado momento embaralha-se todo e não consegue ir adiante. Calmamente o "boi mudo" começou então a desenvolver a tese obscura, com muito mais clareza do que o fizera o próprio mestre. Os papéis então inverteram-se, e o condiscípulo suplicou a Tomás que sempre o ajudasse em suas dúvidas. Daí para frente não foi mais possível esconder aquele talento superior e fabulosa memória.

(Fonte: ‘Lepanto’ AQUI)

União entre o Rei santo e o Doutor santo

Detalhe do fresco “Triunfo de São Tomás de Aquino sobre os hereges, de Filippino Lippi 
A fama de São Tomás tornou-se universal, e todos queriam ouvi-lo. São Luís IX — o Rei Cruzado — consultava-o sobre todos os assuntos importantes. Certo dia convidou-o para sua mesa, o frade estava muito silencioso. De repente, dando um murro na mesa, Tomás exclamou: "Encontrei um argumento concludente contra os maniqueus". O rei, temendo que Tomás pudesse esquecer-se do argumento, chamou depressa o secretário para anotá-lo. "Edificante quadro medieval, bem demonstrativo da perfeita unidade que liga, nesse período nobilíssimo da História, os Reis e os Sábios, nos mesmos ideais da conquista da verdade e do serviço de Deus!" (João Ameal, op. cit., p. 115)

(Fonte: ‘Lepanto’ AQUI)

S. Tomás de Aquino (1225-1274) – Dominicano e grande figura da teologia

Conta-se que, quando criança e com apenas cinco anos, Tomás, ao ouvir os monges cantando louvores a Deus, cheio de admiração perguntou: "Quem é Deus?".

A vida de santidade de Santo Tomás foi caracterizada pelo esforço em responder, inspiradamente para si, para os gentios e a todos sobre os Mistérios de Deus. Nasceu em 1225 duma família nobre, a qual lhe proporcionou óptima formação, porém visando a honra e a riqueza do inteligente jovem, e não a Ordem Dominicana, que pobre e mendicante atraía o coração de Aquino.

Perante a oposição familiar, principalmente da mãe condessa, Tomás chegou a viajar às escondidas para Roma com dezanove anos, para um mosteiro dominicano, porém, ao ser enviado para Paris, foi preso pelos irmãos servidores do Império. Levado ao lar paterno ficou, castigado pela mãe, por um tempo detido, tudo isto com a finalidade de fazê-lo desistir da vocação, mas nada adiantou.

Livre e obediente à voz do Senhor, prosseguiu nos estudos sendo discípulo do mestre Alberto Magno. A vida de Santo Tomás de Aquino foi tomada por uma forte espiritualidade Eucarística, na arte de pesquisar, elaborar, aprender e ensinar pela Filosofia e Teologia os Mistérios do Amor de Deus.

Pregador oficial, professor e consultor da Ordem, Santo Tomás escreveu, dentre várias obras, a Suma Teológica e a Suma contra os gentios. Chamado Doutor Angélico, Tomás faleceu em 1274, deixando à Igreja o testemunho e, o que muitos consideram, a síntese do pensamento católico.

São Tomás de Aquino - sacerdote e doutor da Igreja

"Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e arruinar a sua vida? Pois o que daria o homem em troca de sua vida?" Mc 8,36-37

Hoje a Igreja celebra um dos maiores santos da História: São Tomás de Aquino. É o autor da Suma Teológica.

Pertenceu à Ordem dos padres dominicanos.

Costuma ser indicado como o maior teólogo da Idade Média, como também, mestre dos teólogos até aos dias de hoje. Declarado "Doutor da Igreja", em 1567; e Padroeiro das Universidades, Academias e Colégios católicos, em 1880.

Foi de facto um génio, que poderia ter-se perdido, não fora ter-se libertado das atracções mundanas de sua classe, pois era rico, nobre e cerceado em seu desenvolvimento pela própria família. Foi em Paris - o maior centro de estudos teológicos do seu tempo - que ele pôde compor a sua gigantesca obra a Suma Teológica, verdadeira síntese do passado e intuição do futuro. Até hoje, essa obra não encontrou similar, nem em matéria de Filosofia nem em matéria de Teologia.

Por vezes, esquecemos, atrás do sábio, a grandeza do santo. E São Tomás soube desapegar-se das grandezas do mundo, para revelar o amor mais profundo à oração e à contemplação. Tornou-se, assim, o modelo de todos os que buscam a Deus, vivendo segundo o plano divino.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 28 de janeiro de 2017

Naquele mesmo dia, ao cair da tarde, disse-lhes: «Passemos à outra margem». Eles, deixando a multidão, levaram-n'O consigo, assim como estava, na barca. Outras embarcações O seguiram. Então levantou-se uma grande tempestade de vento, e as ondas lançavam-se sobre a barca, de tal modo que a barca se enchia de água. Jesus estava na popa a dormir sobre um travesseiro. Acordaram-n'O e disseram-Lhe: «Mestre, não Te importas que pereçamos?». Ele levantou-Se, ameaçou o vento e disse para o mar: «Cala-te, emudece». O vento amainou e seguiu-se uma grande bonança. Depois disse-lhes: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?». Ficaram cheios de grande temor, e diziam uns para os outros: «Quem será Este, que até o vento e o mar Lhe obedecem?». 

Mc 4, 35-41