N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 17 de julho de 2017

CIÊNCIAS, MAIS OU MENOS OCULTAS, HÁ MUITAS …

Os estudos científicos valem o que valem os que os fazem

É infalível como o destino: sempre que se abre, na sociedade portuguesa, uma questão fracturante, não só surgem uns incógnitos sábios a testemunharem convictamente a normalidade dessa nova anormalidade, como também aparecem, vindos do nada, miríades de estudos científicos de prestigiadas instituições internacionais, a atestarem que a pretendida reforma é do melhor que há. Cá e lá.

Disse academias estrangeiras e disse bem. Com efeito, não tem nenhum impacto mediático um eventual Grémio dos Psicanalistas de Moscavide, ou uma hipotética Associação de Veteranos da Psicoterapia do Bolhão. Como diz a Bíblia, ninguém é profeta em sua casa, ou na sua terra. Mas fica a matar um parecer de uma imaginária Psychiatric Scientific Academy americana, um veredicto de uma organização ambientalista sediada nos fiordes da Noruega, ou um estudo exaustivo de um famosíssimo especialista birmanês. Famosíssimo cá, claro, porque na terra dele e arredores talvez ninguém o conheça.

A grande vantagem das referências mais ou menos eruditas é que dão logo um ar «científico» à coisa. Como o portuguesinho é muito dado a um certo complexo de inferioridade em relação ao que «já» se faz «lá fora» – tanto dá que seja nos Estados Unidos da América ou na Manchúria – basta insinuar o preconceito do nosso atávico atraso civilizacional, para que o país fique naquele nervoso miudinho de um miudinho nervoso. Quando o frenesim chega a ser colectivo, a questão passa a inadiável e, como tal, ultrapassa tudo na agenda política nacional. E, então, «lembramo-nos» de como é imperiosa uma reforma de que ninguém falava, há tão só um par de meses…

Num artigo do Público, de 27 de Junho de 2013, Ana Matos Pires defende que «os afectos não têm género e a parentalidade não está nos gâmetas», pelo que deve desconhecer, entre outros, o amor de mãe. Em abono da sua revolucionária tese, invoca nada mais nem nada menos do que dez instituições! Por sinal, todas norte-americanas e, seguramente, muito ilustres por essas bandas mas, se calhar, tão credíveis quanto o são, por cá, os «professores» Karamba, Bambo, Issa, Laminé, Mamadu, Marufe e Sidico, o qual, segundo o próprio, é «o melhor cientista que actua em Portugal e na Europa em ciências ocultas». Muito ocultas, de facto.

Os estudos científicos valem muito, como é óbvio. Mas valem o que valem as pessoas que os fazem. Todos os totalitarismos têm também os seus cientistas de serviço, dispostos a jurarem a inevitabilidade científica das teorias do poder. A tese da superioridade da raça ariana e da inferioridade dos judeus teve foros de verdade científica, na Alemanha nazi. Também o socialismo soviético tinha pretensões científicas, por contraste com o socialismo utópico, dos pré-marxistas. Entre nós, a rapaziada anticlerical da 1ª República, antes de expulsar os jesuítas, mediu-lhes os crânios, para assim atestar, cientificamente, a sua índole criminosa …

Algures, seria necessário levantar um memorial às vítimas dos estudos da ciência, ou da pseudo-ciência, porque talvez não sejam menos do que os mártires da fé, da pátria e da liberdade.

Tendo nascido na Holanda e estudado em Lisboa, Atenas, Madrid e Roma, não sou, nem nunca fui, apologista do «orgulhosamente sós», de triste memória. Mas também não embarco na parolice dos políticos que, como macaquinhos de imitação, pretendem importar, copiando, tudo o que se faz «lá fora». A míngua de argumentos racionais não se resolve com «estudos» estrangeiros, tão ilustres quanto desconhecidos são os seus autores. Por isso, ao estudante cuja namorada se esquivava com a desculpa dos «estudos», uma divertida tuna universitária portuense aconselhava: desconfia!

Gonçalo Portocarrero de Almada in 'Público' 15.07.2013

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