Natal

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Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O dom de línguas

S. Josemaria ensinou-nos a dar doutrina de maneira que todos compreendam a mensagem do Evangelho, independentemente do seu nível cultural ou da sua formação religiosa. Chamava-lhe dom de línguas, por analogia com o que aconteceu quando o Paráclito desceu visivelmente sobre a Igreja. Nos Apóstolos e nos primeiros discípulos, manifestou-se em forma de línguas como que de fogo, que se dividiam e pousavam sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas [11].
O Fundador do Opus Dei explicava que o dom de línguas, que pedia a Deus para todos, consiste em saber adaptar-se à capacidade dos ouvintes (...). Proporcionar a doutrina com prudência, com a suficiente sabedoria para que quem a recebe a possa digerir. Devemos dar doutrina a todos, mas sem saturar as pessoas: em doses razoáveis, segundo a capacidade de assimilação de cada um. Também isto faz parte do dom de línguas. Assim como saber renovar-se: saber dizer o mesmo cada dia com nova graça [12].
dom de línguas é uma graça do Espírito Santo, que conta também com a nossa iniciativa. O estudo e a revisão da Teologia, feitos com responsabilidade e ânimo apostólico, permitem-nos saborear as verdades da fé e descobrir maneiras de as apresentar em toda a sua beleza. E o diálogo com os nossos amigos e colegas, num clima de abertura às suas perguntas, permitir-nos-á ir ao encontro das suas inquietações. Para isso é fundamental escutar (…), ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de omnipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum.
Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cómodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia (…). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo[13] .
Comunicar a fé não é discutir para vencer, mas dialogar para convencer, porque «as ideias não se impõem, mas propõem-se» [14]. O diálogo leva a mostrar melhor uma Verdade que ilumina decisivamente as nossas vidas. Toda a vida de Jesus não é senão um maravilhoso diálogo, meus filhos, uma maravilhosa conversa com os homens [15]. Se aprendermos a viver assim, ajudaremos e ajudar-nos-ão, na nossa vida quotidiana e humilde, a que o Evangelho seja, para todos, luz do mundo [16].
[11]. At 2, 3-4.
[12]. S. Josemaria, Carta, 30-IV-1946, n. 70.
[13]. Papa Francisco, Mensagem para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24-I-2016
[14]. S. João Paulo II, Discurso aos jovens em Madrid, 3-V-2003.
[15]. S. Josemaria, Carta, 24-X-1965, n. 7.
[16]. Mt 5, 14.

(D. Javier Echevarría excerto da carta do mês de junho de 2016)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

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