N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Se os cristãos soubessem servir!

Quando te falo do "bom exemplo", quero indicar-te também que hás-de compreender e desculpar, que hás-de encher o mundo de paz e de amor. (Forja, 560)

Se os cristãos soubessem servir! Vamos confiar ao Senhor a nossa decisão de aprender a realizar esta tarefa de serviço, porque só servindo é que poderemos conhecer e amar Cristo e dá-Lo a conhecer e conseguir que os outros O amem mais.

Como o mostraremos às almas? Com o exemplo: que sejamos testemunho seu, com a nossa voluntária servidão a Jesus Cristo em todas as nossas actividades, porque é o Senhor de todas as realidades da nossa vida, porque é a única e a última razão da nossa existência. Depois, quando já tivermos prestado esse testemunho do exemplo, seremos capazes de instruir com a palavra, com a doutrina. Assim procedeu Cristo: coepit facere et docere, primeiro ensinou com obras, e só depois com a sua pregação divina.

Servir os outros, por Cristo, exige que sejamos muito humanos. Se a nossa vida é desumana, Deus nada edificará nela, porque habitualmente não constrói sobre a desordem, sobre o egoísmo, sobre a prepotência. Precisamos de compreender todas as pessoas, temos de conviver com todos, temos de desculpar todos, temos de perdoar a todos. Não diremos que o injusto é o justo, que a ofensa a Deus não é ofensa a Deus, que o mau é bom. Todavia, perante o mal, não responderemos com outro mal, mas com a doutrina clara e com a boa acção; afogando o mal em abundância de bem. (Cristo que passa, 182)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1933

Apercebe-se de uma intervenção directa de Deus na sua alma. Numa nota manuscrita deixa escrito o sucedido: “Só, numa tribuna desta igreja do Perpétuo Socorro, procurava fazer oração diante de Jesus Sacramentado exposto na custódia, quando, por um instante e sem chegar a concretizar-se nenhuma razão – não existem -, veio à minha consideração este pensamento muito doloroso: «e se tudo isto é uma mentira, ilusão tua, e estás a perder o tempo… e – o que é pior ainda – o fazes perder a tantos outros?». Foi coisa de segundos, mas como se sofre! Então falei a Jesus, dizendo-lhe: «Senhor (não à letra), se a Obra não é tua, destrói-a agora mesmo, neste momento, de maneira que eu o saiba».

Josemaría Escrivá e Tomás Moro

Artigo de Francesco Cossiga publicado em “Il Tempo” por ocasião da canonização de São Josemaría

Tive ocasião de me encontrar com São Josemaría Escrivá apenas uma vez, enquanto que mantive uma amizade profunda e pessoal com D. Álvaro del Portillo, seu sucessor, que, meio a sério, meio a brincar, me dizia muitas vezes entender eu plenamente a essência espiritual de Josemaría Escrivá, e a do Opus Dei que ele fundara.

Nas iniciativas apostólicas do Opus Dei que tive ocasião de conhecer, admirei especialmente o trabalho que nelas se desenvolve, e sobretudo um modelo de ensino que não tenho hesitação em apelidar de alto nível, e que o Estado deveria ter na devida conta, na actual crise do sistema de ensino italiano. Não hesito tão pouco em comparar esse sistema ao que o grande intelectual e santo, John Henry Newman, no seu excelente opúsculo The idea of a University em que, entre outras coisas, sustenta e demonstra que o fim específico da Universidade não deve ser confessional, mas sim o de transmitir cultura no sentido mais abrangente do termo, com a certeza de que uma missão natural como a de promover cultura é o terreno mais fecundo para todo e qualquer projecto de carácter religioso e moral.

O exemplo que o Opus Dei apresenta com este tipo de iniciativas no âmbito do ensino, que, depois, se estende a muitos outros aspectos do actuar humano, ajuda a configurar o verdadeiro papel dos leigos católicos. Nos dias de hoje parece claro e entendido por todos que os leigos da Igreja não são cristãos de segunda categoria e que a vocação laical não é entendida como não ter vocação religiosa, mas sim uma vocação específica na Igreja. Mas o que é ser leigo? O leigo era definido como sendo o que não é ordenado; não é subdiácono, não é diácono, nem padre, nem bispo; e também não é um religioso. Durante muito tempo, até ao Vaticano II, o leigo foi considerado membro da Igreja “por subtracção”: o leigo era aquele que não era outra coisa.

Para rebater estas convicções tão arreigadas, basta voltar a Newman: ele havia escrito um opúsculo intitulado Se é lícito e oportuno consultar os leigos em matéria de fé; pois bem um monsenhor da Cúria, um certo Talbot, não hesitou em denunciar o autor à autoridade eclesiástica pelo conteúdo do livro e o dito monsenhor afirmou que a função dos leigos na Igreja se limitava a jogar às cartas, a procriar e a ir à caça!

A pessoa que antes do Concílio teve a intuição da autonomia do papel dos leigos na Igreja e do facto de que ser leigo é uma vocação específica eclesial foi Josemaría. Escrivá. O Opus Dei é na sua essência uma instituição laical, de tal modo que o fundador procurou e encontrou os primeiros membros entre leigos empenhados em profissões liberais e não andou em busca de padres. Ao procurar um enquadramento jurídico, no início teve de acomodar-se a uma fórmula jurídica inadequada para exprimir a vocação dos membros do Opus Dei; de facto, quando Josemaría Escrivá, por volta do ano de 1946, foi ter com o então Substituto da Secretaria de Estado, Mons. Tardini, que veio depois a ser cardeal, a fim de lhe expor as suas ideias, este fez-lhe ver que essas suas ideias eram demasiado prematuras para os tempos que a Igreja estava a viver: “Talvez daqui a cinquenta anos...”, disse-lhe. Mas Escrivá começou a trabalhar para obter a solução jurídica definitiva, que é hoje a da Prelatura pessoal, já prevista nos documentos do Vaticano II.

Aqui está, pois, a intuição. O leigo tem uma vocação específica. Para o dizer com palavras minhas, o leigo é o sacerdote do tempo, é o sacerdote da história, é o sacerdote da comunidade temporal. A vocação específica do leigo é a do sacerdócio das coisas do tempo. ... na investigação, na técnica e também, acrescento eu, na política, que é a expressão temporal da justiça e da caridade. Ou consideramos a política uma projecção da caridade no tempo, isto é, de um elevado serviço aos outros ou a política não pode considerar-se de modo nenhum uma vocação para o cristão.

A certeza de Escrivá, ao considerar o leigo dotado de uma verdadeira missão na Igreja, ajuda a compreender como ele encarava sempre Tomás Moro como aquela personagem ideal, muito próxima dele. Tomás Moro foi, por assim dizer, o primeiro que teve vocação de leigo, não sem os seus escolhos. Era filho de um grande advogado que tinha tido quatro mulheres. Tomás foi enviado primeiro para a corte do Cardeal Arcebispo de Cantuária, depois foi estudar para a Saint Mary School. A seguir, tornou-se advogado e casou-se: considerava o matrimónio não como um estado inferior relativamente ao dos religiosos ou ao dos sacerdotes, mas como uma vocação específica. Foi um grande advogado, mayor de Londres, um grande diplomata, membro e speaker da Câmara dos Comuns e depois Lord Chanceler de Inglaterra, o cargo mais elevado na época.

Foi um marido excelente, pai e sobretudo um amigo; a definição que deram dele, a de nascido para a amizade, born for friendship, e de homem para a eternidade, que em Inglaterra significa um homem que sabia viver como cristão em todas as circunstâncias do seu tempo.

Defendeu as prerrogativas da coroa contra o Papa mas, quando chegou o momento de permanecer fiel à sua consciência, ele, que não tinha o culto da consciência, não hesitou em desobedecer ao Rei porque ao Rei não lhe assistia o direito de impor aos cidadãos uma verdade religiosa. Foi leigo e talvez o primeiro santo leigo, de tal modo – a hipótese é minha – que, se tivesse vivido nos nossos dias, poderia talvez ter pertencido ao Opus Dei.

É o primeiro Santo com vocação exclusivamente laical. E porque me dei conta que a única categoria profissional que não tinha santo patrono era a dos governantes e políticos, e só Deus sabe quanto os governantes e políticos necessitam de um patrono, em 1984, iniciei, estimulado e ajudado pelo Prelado do Opus Dei, a recolha de assinaturas para que fosse nomeado Tomás Moro. Consegui assinaturas de pessoas da direita, do centro e da esquerda, em Itália e no estrangeiro; foram milhares até conseguir o objectivo durante o Jubileu dos políticos.

Tomás Moro foi uma figura extraordinária, e compreende-se porque agradava tanto a São Josemaría Escrivá: devia ver nele o prenúncio da vocação laical porque Tomás Moro viveu plenamente a condição de leigo como advogado, como diplomata, como político, como marido e como pai, até às últimas consequências. E sem saber que iria ser mártir. Compreende-se como o pensamento de Escrivá e a vida de Tomás Moro se conciliam, e como se deu uma conjunção entre a espiritualidade do fundador do Opus Dei e a espiritualidade “vivida” de Tomás Moro.

Suplemento de Il Tempo, Roma, 6 Outubro de 2002

(Fonte: site 'São Josemaria Escrivá em http://www.pt.josemariaescriva.info/artigo/josemaria-escriva-e-tomas-moro)

São Tomás More - Padroeiro dos políticos

Tomás More, nasceu em Chelsea, Londres, Inglaterra, no ano de 1478. Seus pais eram cristãos e educaram os filhos como tal. Aos treze anos de idade, foi trabalhar como mensageiro do Arcebispo de Canterbury. Este apercebendo-se da sua brilhante inteligência, enviou-o para na Universidade de Oxford. O seu pai que era juiz, enviava-lhe apenas o dinheiro indispensável para as suas despesas.

Aos vinte e dois anos já era Doutor em Direito e um brilhante Professor. Como não tinha dinheiro, sua diversão era escrever e ler bons livros. Além de intelectual brilhante tinha uma personalidade muito simpática, um excelente bom humor e uma devoção cristã arrebatadora. Chegou a pensar em ser religioso, vivendo por quatro anos num mosteiro, mas desistiu. Tentou tornar-se franciscano, mas sentiu que não era o seu caminho. Então, decidiu pela vocação do matrimónio. Casou-se e teve quatro filhos, foi um excelente esposo e pai, carinhoso e presente. Mas sua vocação ia mais além, centrava-se na política e na literatura.

Contudo Tomás nunca se afastou dos pobres e necessitados, os quais visitava para melhor atender às suas reais necessidades. A sua casa estava sempre repleta de intelectuais e pessoas humildes. Preferindo estes aos ricos, evitando a vida sofisticada e mundana da corte. Sua esposa e filhos amavam e admiravam-no, pelo carácter e bom humor, que era constante em qualquer situação. A sua contribuição para a literatura universal foi importante e relevante. Escreveu obras famosas como: "O diálogo do conforto contra as tribulações", um dos mais tradicionais e respeitados livros da literatura britânica. Outros livros famosos foram: "Utopia" e "Oração para o bom humor".

Em 1529, Tomás More era o Chanceler do Parlamento da Inglaterra e do Rei, Henrique VIII.

No ano seguinte o Rei tentou desfazer seu legítimo matrimónio com a Rainha Catarina de Aragão, para se unir em novo enlace com a cortesã Ana Bolena. Houve uma longa controvérsia a este respeito, envolvendo a Igreja, a Inglaterra e boa parte do mundo, que acabou numa grande tragédia. Henrique VIII casou com Ana, contrariando todas as leis da Igreja que se baseiam no Evangelho e reconhece a indissolubilidade do matrimónio. Para atingir o seu objectivo usou o Parlamento Inglês, que se curvou, e publicou o Acto de Supremacia, que proclamava o Rei e seus sucessores como chefes temporais da Igreja da Inglaterra.

A seguir o Rei mandou prender e matar seus opositores. Entre eles estavam: o chanceler Tomás More e o Bispo católico John Fisher, as figuras mais influentes da corte. Os dois foram decapitados: o primeiro foi João em 22 de Junho de 1535, e duas semanas depois foi a vez de Tomás, que não aceitou o pedido de sua família, para renegar a religião católica, sua fé e ainda fugir da Inglaterra.

Ambos foram mártires na Inglaterra, que com o seu testemunho cristão combateram a favor da unidade da Igreja Católica Apostólica Romana, num tempo de violência e paixão. As sua memórias continuam vivas em verso e prosa, nos teatros e nos cinemas. Seus exemplos são reverenciados pela Igreja, pois eles foram canonizados na mesma cerimónia pelo Papa Pio XI, em 1935, que indicou o dia 22 de Junho, para a festa de ambos.

São Tomás More deixou registada a sua irreverência àquela farsa real, através da declaração pública que pronunciou antes de morrer: "Sedes minhas testemunhas de que eu morro na fé e pela fé da Igreja de Roma e morro fiel servidor de Deus e do Rei, mas primeiro de Deus. Rogai a Deus a fim de que ilumine o Rei e o aconselhe".

O Papa João Paulo II no ano 2000, declarou São Tomás More, padroeiro dos políticos.

S. Thomas More (leigo mártir, †1535)

Inglês, nascido em 1477, foi decapitado em Londres, por ordem de Henrique VIII pela sua fidelidade à Sé apostólica romana. Estudou na Universidade de Oxford. Era de carácter extremamente simpático. De honrada burguesia, filho de um juiz. Foi pajem do arcebispo de Cantuária. Pai de família, teve um filho e três filhas. Era jurista e amigo de Erasmo, que lhe dedicou a sua obra-prima: "O Elogio da loucura". Foi nomeado chanceler do Reino. 
Deixou várias obras escritas, versando sobre negócios civis e liberdade religiosa. A sua obra mais conhecida intitula-se "A Utopia" (vocábulo grego que significa: em parte nenhuma). 

Opôs-se duramente ao divórcio de Henrique VIII, que desejava anular seu primeiro casamento a fim de casar-se com Ana Bolena. Recusou-se a comparecer aos cerimoniais de coroação da nova rainha. Por ordem do rei, foi preso e lançado na Torre de Londres. Na prisão escreveu Diálogo do Conforto nas Tribulações. 

Mesmo condenado à decapitação, não perdeu o seu peculiar bom humor cristão, sua naturalidade e simplicidade. No dia da execução, pediu ajuda para subir ao cadafalso. E disse ao povo: "Morro leal a Deus e ao Rei, mas a Deus antes de tudo". E abraçando o carrasco, disse: "Coragem, amigo, não tenhas medo! Mas como tenho o pescoço muito curto, atenção! Está nisso a tua honra!" E pediu para que não lhe estragasse a barba, porque ela, ao menos, não cometera nenhuma traição. Morreu no dia 6 de Julho de 1535. Foi beatificado em 1886 por Leão XIII e canonizado em 1935 por Pio XI. 

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 22 de junho de 2017

Nas vossas orações não useis muitas palavras como os gentios, os quais julgam que serão ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós Lho peçais. «Vós, pois, orai assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome. «Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso supersubstancial nos dá hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. «Porque, se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não perdoará as vossas ofensas.

Mt 6, 7-15

S. João Fisher (bispo mártir, †1535)

João Fisher nasceu no ano de 1469, estudou em Cambridge (Inglaterra) e foi ordenado sacerdote. Mais tarde, foi nomeado bispo de Rochester, cargo que exerceu com uma vida de grande austeridade e intenso zelo apostólico, visitando com frequência os seus fiéis. Escreveu também diversas obras contra os erros do seu tempo.

Foi decapitado em 1535 por ordem do rei Henrique VIII, por se ter recusado a ceder na questão da pretendida anulação do seu matrimónio. Enquanto estava no cárcere, foi designado cardeal pelo papa Paulo III.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Levai a carga uns dos outros

Diz o Senhor: "Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Nisto se conhecerá que sois meus discípulos". – E São Paulo: "Levai a carga uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo". – Eu não te digo nada. (Caminho, 385)

Olhando à nossa volta, talvez descobríssemos razões para pensar que a caridade é realmente uma virtude ilusória. Mas considerando as coisas com sentido sobrenatural, descobrirás também a raiz dessa esterilidade, que se cifra numa ausência de convívio intenso e contínuo, de tu a tu, com Nosso Senhor Jesus Cristo, e no desconhecimento da acção do Espírito Santo na alma, cujo primeiro fruto é precisamente a caridade.

Recolhendo um conselho do Apóstolo – levai uns as cargas dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo – acrescenta um Padre da Igreja: amando a Cristo, suportaremos facilmente a fraqueza dos outros, mesmo a daquele a quem ainda não amamos, porque não tem boas obras .

Por aí se eleva o caminho que nos faz crescer na caridade. Enganar-nos-íamos se imaginássemos que primeiro temos de nos exercitar em actividades humanitárias, em trabalhos de assistência, excluindo o amor do Senhor. Não descuidemos Cristo por causa do próximo que está enfermo, uma vez que devemos amar o enfermo por causa de Cristo.

Olhai constantemente para Jesus, que, sem deixar de ser Deus, se humilhou tomando a forma de servo para nos poder servir, porque só nessa mesma direcção se abrem os afãs por que vale a pena lutar. O amor procura a união, a identificação com a pessoa amada; e, ao unirmo-nos com Cristo, atrair-nos-á a ânsia de secundar a sua vida de entrega, de amor sem medida, de sacrifício até à morte. Cristo coloca-nos perante o dilema definitivo: ou consumirmos a existência de uma forma egoísta e solitária ou dedicarmo-nos com todas as forças a uma tarefa de serviço. (Amigos de Deus, 236)

São Josemaría Escrivá

Audiência (resumo) - Os Santos companheiros e testemunhas de Esperança

Locutor Os santos são, para nós, testemunhas e companheiros de esperança mostrando-nos que a vida cristã não é um ideal inatingível. São companheiros de nossa peregrinação nesta vida. Compartilharam as nossas lutas e fortalecem a nossa esperança de que o ódio e a morte não têm a última palavra na existência humana. Por isso, invocamos o auxílio dos santos nos sacramentos. No Batismo, os invocamos como irmãos mais velhos que já cruzaram a estrada fatigosa desta vida e encontram-se no abraço de Deus por toda a eternidade. No Matrimônio, eles vêm em socorro dos noivos que, ao assumirem um compromisso por toda a vida, sabem que precisam da graça de Deus para se manterem fiéis. Na Ordenação Sacerdotal, o candidato sabe que conta com a ajuda de todos os que estão no Paraíso para poder suportar o peso da missão que lhe é confiada. De fato, os santos nos lembram que, apesar das nossas fraquezas, a graça de Deus é maior nas nossas vidas. Por isso, devemos manter sempre viva a esperança de ser santos, pois este é o maior presente que podemos dar ao mundo.

Santo Padre Rivolgo un cordiale saluto a tutti i pellegrini di lingua portoghese, in particolare ai fedeli di Jundiaí, São Carlos e Santo André. Cari amici, il mondo ha bisogno di santi e tutti noi, senza eccezioni, siamo chiamati alla santità. Non abbiamo paura! Con l’aiuto di quelli che sono già nel cielo, lasciamoci trasformare dalla grazia misericordiosa di Dio che è più potente di qualsiasi peccato. Iddio vi benedica sempre.

Locutor Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular os fiéis de Jundiaí, São Carlos e Santo André. Queridos amigos, o mundo precisa de santos e todos nós, sem exceção, somos chamados à santidade. Não tenhamos medo! Com a ajuda daqueles que já estão no céu, deixemo-nos transformar pela graça misericordiosa de Deus que é mais forte do que qualquer pecado. E que Ele sempre vos abençoe!

São Josemaría Escrivá nesta data em 1946

Vai pela primeira vez a Roma. Sai do porto de Barcelona no “J.J. Sister”. Anos mais tarde recordará esta viagem: “Vim a Roma, com a alma posta na minha Mãe a Virgem Santíssima e com uma fé ardente em Deus Nosso Senhor, a quem confiadamente invocava, dizendo: ecce nos reliquimus omnia, et secuti sumus te: quid ergo erit nobis?. Que será de nós, meu Pai?”.

Fé e filosofia

A fé precisa realmente da filosofia, ou a fé - que, em palavras de Santo Ambrósio, foi confiada a pescadores e não a dialéticos - é completamente independente da existência ou inexistência de uma filosofia aberta em relação a ela? Se se contempla a filosofia apenas como uma disciplina académica entre outras, então a fé é de facto independente dela. Mas o Papa [João Paulo II] entende a filosofia num sentido muito mais amplo e mais conforme com a sua origem. A filosofia pergunta-se se o homem pode conhecer a verdade, as verdades fundamentais sobre si mesmo, sobre a sua origem e o seu futuro, ou se vive numa penumbra que não é possível esclarecer e tem de enclausurar-se, em última análise, no âmbito da utilidade.

A característica própria da fé cristã no mundo das religiões é que afirma dizer-nos a verdade sobre Deus, o mundo e o homem, e que pretende ser a religio vera, a religião da verdade. [...] Mas isto significa o seguinte: a questão da verdade é a questão essencial da fé cristã, e, neste sentido, a fé tem inevitavelmente a ver com a filosofia.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘Fe, verdade y cultura’)

Acreditar em Deus é ser intolerante?

É um facto histórico. S. Pio X, no dia 27 de Maio de 1906, beatificou 16 carmelitas de Compiègne, mártires durante a Revolução francesa. Corria o ano de 1794. No processo de condenação, as autoridades judiciais pronunciaram a seguinte sentença: «Condenadas à morte por fanatismo». Uma das religiosas, com grande simplicidade, perguntou: «Senhor juiz, por favor, que quer dizer fanatismo?». E o juiz respondeu: «É a vossa estúpida adesão à religião». Ela, dirigindo-se às outras carmelitas, disse-lhes: «Irmãs, vocês ouviram? Somos condenadas pela nossa adesão à fé católica. Acreditar em Deus é considerado um fanatismo e uma intolerância com os outros».

Fizeram-nas sair da prisão da Consiergerie e obrigaram-nas a dirigirem-se para o local do suplício, a Praça do Trono, já repleta de gente sedenta de sangue. Era o dia 17 de Julho. Ao chegarem perto da guilhotina, estas 16 mulheres que se preparavam para morrer, começaram a cantar o hino Veni Creator Spiritus. A morte, para um cristão, não tem nunca a última palavra. Este modo de actuar, numa situação humanamente tão difícil, manifestava tudo menos fanatismo e intolerância.

Mas o cântico começou a tornar-se cada vez mais débil, à medida que as suas cabeças caíam uma após a outra. Por fim ficou somente uma, a prioresa, Madre Teresa de Santo Agostinho. As suas últimas palavras foram estas: «O amor será sempre vitorioso, porque o amor vence sempre». Não condenou ninguém. Não morreu com ódio a ninguém. As suas últimas palavras foram um grito de esperança.

Ontem como hoje, marcar com a suspeita de intolerância todo aquele que defende convicções religiosas é uma atitude pouco tolerante. E com facilidade, quantas pessoas caiem imperceptivelmente neste erro. Muitas vezes defendem que uma opinião, para ser verdadeiramente tolerante, tem de ser completamente “laica”.

Parece que pôr este “adjectivo” é sinónimo de que se trata de algo neutro, que está por cima de qualquer tipo de debate, e que por isso deve ser aceite pacificamente por todos. E em nome de “verdades laicas”, que combatem sem tréguas qualquer tipo de “intolerância”, já se cortaram muitas cabeças.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

S. Luís Gonzaga, religioso, †1591

São Luís Gonzaga nasceu em Mântua, Itália, em 1568 e morreu com 23 anos de idade, em 1591. É o patrono da juventude, e o seu corpo repousa na Igreja de Santo Inácio, em Roma.

Recebeu educação esmerada e frequentou os ambientes mais sofisticados da alta nobreza italiana: Corte dos Médici, em Florença; Corte de Mântua; Corte de Habsburgos, em Madrid. Foi pajem do príncipe Diego, filho de Filipe II.

Para surpresa de todos, optou pela vida religiosa, derrubando por terra os interesses nele depositados pelo pai. Finalmente conseguiu realizar o seu ideal: entrar para a Companhia de Jesus. Entretanto, viveu ali apenas seis anos. Morreu mártir da caridade ao serviço daqueles atacados pela peste, em Roma, a 21 de Junho de 1591. A 21 de Julho de 1604 a mãe pôde venerar como Beato a Luís, seu filho primogénito. Deixou a coroa de marquês, fez-lhe Deus presente a coroa dos Santos. Morreu aos 24 anos. Foi canonizado por Bento XIII em 1724 e pelo mesmo Papa dado como padroeiro à juventude que estuda.

O Evangelho do dia 21 de junho de 2017

«Guardai-vos de fazer as boas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles. De contrário não tereis direito à recompensa do vosso Pai que está nos céus. «Quando, pois, dás esmola, não faças tocar a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas, quando dás esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola fique em segredo, e teu Pai, que vê o que fazes em segredo, te pagará. «Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, a fim de serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e, fechada a porta, ora a teu Pai; e teu Pai, que vê o que se passa em segredo, te dará a recompensa.  «Quando jejuais, não vos mostreis tristes como os hipócritas que desfiguram o rosto para mostrar aos homens que jejuam. Na verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto, a fim de que não pareça aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que está presente no oculto, e teu Pai, que vê no oculto, te dará a recompensa.

Mt 6, 1-6.16-18

terça-feira, 20 de junho de 2017

A única medida é amar sem medida

Cumpres um plano de vida exigente: madrugas, fazes oração, frequentas os Sacramentos, trabalhas ou estudas muito, és sóbrio, mortificas-te..., mas notas que te falta alguma coisa! Leva ao teu diálogo com Deus esta consideração: como a santidade (a luta por atingi-la) é a plenitude da caridade, tens de rever o teu amor a Deus e, por Ele, aos outros. Talvez descubras então, escondidos na tua alma, grandes defeitos contra os quais nem sequer lutavas: não és bom filho, bom irmão, bom companheiro, bom amigo, bom colega; e, como amas desordenadamente "a tua santidade", és invejoso. "Sacrificas-te" em muitos pormenores "pessoais"; e por isso estás apegado ao teu eu, à tua pessoa e, no fundo, não vives para Deus nem para os outros; só para ti. (Sulco, 739)

A todos os que estamos dispostos a abrir-lhe os ouvidos da alma, Jesus Cristo ensina no Sermão da Montanha o mandato divino da caridade. E, ao terminar, como resumo, explica: amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai sem esperardes nada em troca, e será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom, mesmo com os ingratos e os maus. Sede, pois, misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso.


A misericórdia não se limita a uma simples atitude de compaixão; a misericórdia identifica-se com a superabundância da caridade que, ao mesmo tempo, traz consigo a superabundância da justiça. Misericórdia significa manter o coração em carne viva, humana e divinamente repassado por um amor rijo, sacrificado e generoso. Assim glosa S. Paulo a caridade no seu canto a esta virtude: A caridade é paciente, é benéfica; a caridade não é invejosa, não actua precipitadamente; não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não pensa mal dos outros, não folga com a injustiça, mas compraz-se na verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo sofre(Amigos de Deus, 232)

São Josemaría Escrivá 

São Josemaría Escrivá nesta data em 1957

Morre em Roma Cármen Escrivá, irmã do Fundador do Opus Dei, a quem ajudou incondicionalmente desde o princípio: “Acabaram-se as lágrimas no momento em que morreu: agora estou contente, meus filhos, agradecido ao Senhor que a levou para o Céu: com o gozo do Espírito Santo. Tendes de me dar os parabéns, porque está no Céu. Estava entusiasmada por ir para o Céu, entusiasmadíssima. Agora já está a pedir por nós a Deus”

Poder e amor

A teologia do pequeno [dos humildes] é uma categoria fundamental do ser cristão. Segundo a nossa fé, a grandeza especial de Deus manifesta-se precisamente na ausência de poder. Isto pressupõe que, a longo prazo, a força da História se encontra precisamente nas pessoas que amam, numa força, portanto, que não se pode medir de acordo com categorias de poder. Assim, Deus revelou-se deliberadamente, para mostrar quem Ele é, na impotência de Nazaré e do Gólgota. O maior não é, pois, aquele que mais pode destruir - para o mundo, o potencial de destruição é ainda a verdadeira demonstração de poder -; pelo contrário, a menor força de amor já é maior do que o maior potencial de destruição.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘O sal da terra’ pag.18)

O egoísmo escondido

Cumpres um plano de vida exigente: madrugas, fazes oração, frequentas os Sacramentos, trabalhas ou estudas muito, és sóbrio, mortificas-te..., mas notas que te falta alguma coisa! Leva ao teu diálogo com Deus esta consideração: como a santidade (a luta por atingi-la) é a plenitude da caridade, tens de rever o teu amor a Deus e, por Ele, aos outros. Talvez descubras então, escondidos na tua alma, grandes defeitos contra os quais nem sequer lutavas: não és bom filho, bom irmão, bom companheiro, bom amigo, bom colega; e, como amas desordenadamente "a tua santidade", és invejoso. "Sacrificas-te" em muitos pormenores "pessoais"; e por isso estás apegado ao teu eu, à tua pessoa e, no fundo, não vives para Deus nem para os outros; só para ti.

(São Josemaría Escrivá - Sulco, 739)
Título da responsabilidade do blogue

O Evangelho do dia 20 de junho de 2017

«Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos. Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Mt 5, 43-48

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Querer a todos, compreender, desculpar

O amor às almas, por Deus, faz-nos querer a todos, compreender, desculpar, perdoar... Devemos ter um amor que cubra a multidão das deficiências das misérias humanas. Devemos ter uma caridade maravilhosa, "veritatem facientes in caritate", defendendo a verdade, sem ferir. (Forja, 559)

Se vos examinardes com valentia na presença de Deus, vós, tal como eu, sentir-vos-eis diariamente carregados de muitos erros. Quando lutamos por arrancá-los com a ajuda divina, carecem de verdadeira importância e podem ser superados, embora pareça que nunca conseguimos desarraigá-los totalmente. Além disso, independentemente dessas fraquezas, tu contribuirás para remediar as grandes deficiências dos outros, sempre que te empenhares em corresponder à graça de Deus. Reconhecendo-te tão fraco como eles – capaz de todos os erros e de todos os horrores – serás mais compreensivo, mais delicado e, ao mesmo tempo, mais exigente, para que todos nos decidamos a amar a Deus com o coração inteiro.

Nós, os cristãos, os filhos de Deus, temos de prestar assistência aos outros, pondo em prática honradamente o que aqueles hipócritas retorcidamente elogiavam ao Mestre: Não olhas à condição das pessoas. Isto é, havemos de rejeitar por completo a acepção de pessoas – interessam-nos todas as almas! – embora, logicamente, devamos começar por ocupar-nos daquelas que, por esta ou aquela circunstância, e até só por motivos aparentemente humanos, Deus colocou ao nosso lado. (Amigos de Deus, 162)

São Josemaría Escrivá 

São Josemaría Escrivá nesta data em 1933

“Espera tudo de Deus. Ele não perde batalhas”, anota.

O número da Besta (texto de 2016)

A «Scholas Occurrentes» é uma fundação de direito pontifício dedicada a actividades desportivas e artísticas que fomentem a integração social. Começou na Argentina, mas hoje colabora com 400 mil escolas de uma centena de países.

A 29 de Maio, no dia da sessão de encerramento do congresso mundial da Scholas, em Roma, o Governo argentino anunciou um donativo (soube-se depois) de 16.666 mil pesos. Passado pouco tempo, os responsáveis da organização escreviam ao Governo, a devolver a oferta. Que aconteceu?

Esta carta do Papa Francisco aos responsáveis de Scholas Occurrentes, que a imprensa argentina acaba de divulgar:

«Queridos irmãos, no meio de tanto trabalho, quase não tivemos tempo de nos despedirmos... ao menos, o telefonema compensou.

»Agradeço-vos todo o esforço para realizar este Congresso e, como sempre, o conselho: cuidem a saúde, não passem das marcas no trabalho (sobretudo tu, José María, com o enfarte que já tiveste). “Soldado que foge, serve para outra guerra”, dizem no campo. A “rapidização” põe a alma em progressão geométrica e isso é perigoso. Descansemos (...). Novamente, obrigado pelo trabalho».

O Papa passa ao tal congresso mundial, em Roma:

«Houve uma coisa que me inquietou e quero partilhar convosco. Já me tinham dito que o Governo Nacional tinha feito um Decreto de reconhecimento da Scholas, que seria lido na sessão de encerramento (diverti-me quando o funcionário [do Governo] se dispôs a ler o Decreto... e o Decreto não aparecia). O reconhecimento oficial da Scholas alegrou-me, porque lhe confere estabilidade e legalidade na Argentina. (...) Já no final, de passagem, tu, Quique, disseste-me que o Governo tinha atribuído à Scholas um andar numa escola pobre.

»Perguntei-te o que isso significava e disseste-me que era o orçamento de uma escola pobre de bairro. Não fiquei tranquilo, mas não era o momento para pedir explicações. Ontem, soube que a ajuda ou subsídio atinge o montante colossal de 16.666.000 pesos (um milhão de dólares). E a inquietação transformou-se em preocupação e zanga (não o 666).

»A mística da Scholas é de serviço e gratuidade. Necessitam de ajuda e está bem que a peçam às instituições e ONGs que a possam dar, (...) mas não ao Governo».

A carta de Francisco pede aos dirigentes da Scholas que devolvam o dinheiro e lhe façam chegar uma cópia do comprovativo da devolução, acrescentando: «Sei que vocês não actuaram com má vontade, foi só um descuido».

E continua:

«Porquê tanta complicação com esses “666”? Não se assustem com a expressão mas, como pai e irmão e porque vos quero, falo claramente. Tenho medo de que comecem a escorregar pelo caminho da corrupção. Desculpem-me, se vos ofendo... mas tenho medo. É um escorregar suave, quase sem a pessoa se dar conta, e que depois continua como todas as tentações: cresce, contagia e justifica-se... e no final ficamos pior que no princípio».

A carta acrescenta a referência a Lucas 11, 26. É aquela passagem em que Jesus previne os discípulos acerca da actuação do demónio. E continua:

«É um caminho resvaladiço, suave e cómodo... e teremos mil razões para o justificar, mas é um caminho que mata. Prefiro um jogo de futebol improvisado pelos rapazes num pátio do bairro, com uma bola comum e com alegria limpa, a um grande campeonato num estádio famoso, encharcado de corrupção (lembrem-se da FIFA do ano passado)».

O final da carta, resume: «para fugir do risco da corrupção é preciso austeridade, pobreza e trabalho nobre. Sois apóstolos de uma mensagem e não “executivos” de organizações internacionais».

«Queridos José María e Quique, obrigado por escutarem isto que vos digo. Rezo por vocês e pela Scholas. Por favor, peço-vos que rezem e façam rezar por mim. Jesus vos abençoe e a Virgem Santa vos cuide. Fraternalmente, Francisco».

Os dirigentes da Scholas confirmaram, em comunicado, que cumpriram imediatamente o que o Papa pediu.
José Maria C.S. André
Spe Deus
19-VI-2016

Comoção

«Quanto chorei com os teu hinos e os teus cânticos, vivamente comovido pela suave voz da Igreja! Aquelas palavras soavam nos meus ouvidos, e a Tua verdade penetra no meu coração, e com isso se exacerbava o piedoso afecto, e corriam as lágrimas, e faziam-me bem»

(Santo Agostinho - Confissões, Livro IX, VI, 14)

Igreja da Cruz

Jesus fracassou? Com certeza, não teve sucesso no sentido em que o tiveram César ou Alexandre Magno. De um ponto de vista puramente terreno, inicialmente pareceu que tinha fracassado: morreu, foi abandonado por quase todos e condenado pelas suas palavras. A resposta do povo à sua mensagem não foi adesão, mas crucifixão. Diante de um final assim, teremos de reconhecer que "sucesso" não é um dos nomes de Deus e que não é cristão basear-se em sucessos externos ou em números. Os caminhos de Deus são diferentes dos nossos: o seu sucesso vem pela Cruz e está sempre sob esse sinal.

Se dirigirmos o olhar para trás e observarmos a História, teremos de dizer que o que nos impressiona não é a Igreja daqueles que tiveram sucesso: a Igreja dos Papas senhores do mundo [com poder temporal] ou a Igreja daqueles que tiveram de enfrentar o mundo. A Igreja que nos impressiona e que nos leva a crer é a Igreja dos sofredores, a Igreja que perseverou com fortaleza e nos dá esperança. Ainda hoje essa Igreja é o sinal de que Deus existe e de que o homem não é só um fracasso, mas pode ser salvo.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘Il Dio vicino’ pag.36)

O Evangelho do dia 19 de junho de 2017

«Ouvistes que foi dito: “Olho por olho e dente por dente”. Eu, porém, digo-vos que não resistais ao homem mau; mas, se alguém te ferir na tua face direita, apresenta-lhe também a outra; e ao que quer chamar-te a juízo para te tirar a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém te forçar a dar mil passos, vai com ele mais dois mil. Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem deseja que lhe emprestes.

Mt 5, 38-42

domingo, 18 de junho de 2017

Pudor na desgraça

Porque me incomoda a utilização da desgraça para exteriorizar a minha piedade procurando fazê-lo no silêncio da oração, ainda assim e perante a tragédia que se abateu sobre tantos compatriotas meus, sinto a necessidade de apelar à oração com o pudor de a não publicitar aos quatro ventos como se estivéssemos a fazer algo mais do que de facto o Senhor nos pede. Não, não somos nenhuns santinhos piedosos, devemos ser sim, cristãos que rezam fechados no quarto.

Compartilhar as nossas preocupações e angústias é positivo e útil, fazê-lo ad nauseam é uma forma de piedade vaidosa.

JPR

Prece de um aflito

Senhor Jesus, nos momentos de sofrimento e dor, dá-nos a humildade de tudo Te oferecer vendo em Ti o Bom Pastor que nunca abandona a ovelha tresmalhada ou ferida por um lobo e que só deseja o seu bem.

Tu és o nosso Porto de Abrigo, mesmo se quando nos abrigamos junto ao Teu peito já estejamos doloridos e massacrados, aliás, é sobretudo por isso mesmo que Te buscamos, pois tudo farás para nos consolar e sarar as feridas, mesmo quando isso, na nossa condição humana e egocêntrica, nos possa parecer que não ocorre. Ajuda-nos ainda a ter-Te sempre presente e não Te esquecer quando tudo corre bem.

Obrigado meu Senhor e Amigo pela Tua imensa bondade!

JPR

Sempre o tens a teu lado

Que maravilhosa é a eficácia da Sagrada Eucaristia, na ação – e, antes, no espírito – das pessoas que a recebem com frequência e piedosamente. (Forja, 303)

Se aqueles homens, por um bocado de pão – mesmo sendo muito grande o milagre da multiplicação –, se entusiasmaram e te aclamaram, que devemos fazer nós pelos muitos dons que nos concedeste e, especialmente, porque te entregas a nós sem reservas na Eucaristia? (Forja, 304)

– Menino bom: como beijam as flores, a carta, a recordação de quem amam, os amadores da terra!...

– E tu? Poderás esquecer-te alguma vez de que o tens sempre a teu lado... a Ele!? Esqueces-te... de que o podes comer? (Forja, 305)

Assoma muitas vezes a cabeça ao oratório, para dizeres a Jesus: –... abandono-me nos teus braços.

Deixa a seus pés o que tens: as tuas misérias!

Desta maneira, apesar da turbamulta de coisas que levas dentro de ti, nunca perderás a paz. (Forja, 306)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

Deixa o Patronato dos Doentes, centro de assistência a pessoas pobres. Custava-lhe sair dali, onde tinha possibilidade de aliviar e oferecer os sofrimentos dos doentes: “Penso que alguns doentes, daqueles que assisti até à morte, durante os meus anos apostólicos, “fazem força” ao Sagrado Coração de Jesus”, medita no seu interior.

Bom Domingo do Senhor!

É nosso dever e obrigação atender às palavras do Senhor de que nos fala o Evangelho de hoje (Mt 9,36-38.10,1-8) e sem hesitação e na medida das nossas possibilidade e capacidades proclamarmos a Boa Nova.

Louvado seja Jesus Cristo Nosso Senhor fonte permanente de inspiração.

«se matas alguém, é como se tivesses morto todas as pessoas; se salvas uma vida é como se tivesses salvo todas»

Myhanh Best, mulher de Rick, cumprimentada pelo pároco, no funeral do marido.
Duas raparigas de origem africana, estudantes do secundário, viajavam num metro de superfície em Portland (Oregon, Estados Unidos da América). Um fortalhaças de 35 anos começa a insultá-las com grande violência, por serem negras e uma delas usar um lenço muçulmano. Ricky Best, empregado da Câmara, de 53 anos, pai de 4 crianças, avança para defender as raparigas e dois outros passageiros seguem-no: Namkai-Meche, de 23 anos, que terminara o curso de Economia há poucos meses, e Micah Fletcher, de 21 anos, ainda estudante da Universidade. Graças a esta intervenção, as raparigas conseguiram escapar.

Então, o fortalhaças vira-se contra os três homens. Esfaqueia Best matando-o ali mesmo, a seguir degola Meche, que ficou em estado crítico e morreu no hospital, finalmente rasga o pescoço de Fletcher de uma ponta à outra, antes de abandonar o local. Dos três, só Fletcher sobreviveu. Era hora de ponta e o eléctrico estava apinhado. Passado o susto, alguns passageiros preveniram a polícia, a maioria dos passageiros simplesmente fugiu.

Como é natural, toda a cidade se interessou por conhecer alguma coisa dos três homens que se interpuseram para defender as raparigas.

Rick John Best, pai de 4 filhos, morto para defender
duas alunas do secundário.
Os colegas de trabalho de Rick Best contaram pequenas histórias. Era sempre o primeiro a ajudar os outros, falava muito da mulher e dos filhos, cheio de ternura e orgulho. Alguns Veteranos do exército descreveram-no como um herói durante os 23 anos da sua comissão no Afeganistão e no Iraque, exemplo de alguém que trabalhava generosamente para defender a vida de outros. Na paróquia, o pároco e o bispo da diocese explicaram o sentido profundo pelo qual Rick dava a vida diariamente. O pároco lembrou uma frase de Jesus, «não há maior amor do que dar a própria vida pelos amigos». É verdade que Rick não conhecia as raparigas que procurou salvar, mas, como dizia Erik Best (19 anos, filho de Rick), «fixo os olhos do meu pai e vejo o amor de Deus patente. Ele queria bem a todos». A própria família de Rick era bastante universal. Chamou-me a atenção que, na Missa do funeral, levavam todos lenços brancos na cabeça, símbolo de amor na tradição vietnamita, porque Myhanh, mulher de Rick, é do Vietname.

O Arcebispo de Portland partilhou nessa Missa uma experiência pessoal: «Deus tira sempre bem das tragédias humanas mais horríveis. O heroísmo de Rick já começou a dar fruto, unindo os cristãos e os muçulmanos numa frente comum contra o ódio e a violência». De facto, os muçulmanos sentiram a força poderosíssima de um abraço, ao preço de sangue, que os fez sentirem-se estimados por toda a cidade.

Musse Olol, Presidente do Conselho Somali do Oregon declarou: «a maioria dos imãs com quem falei quer saber quem eram estes bons samaritanos, estes heróis. A história é acerca deles, não do terrorista, nem sequer das raparigas, que estavam casualmente no sítio errado, à hora errada». Um deles lembrou o Corão: «se matas alguém, é como se tivesses morto todas as pessoas; se salvas uma vida é como se tivesses salvo todas».

Harris Zafar, chefe da comunidade muçulmana de Portland, ensinou a sua comunidade a aprender lições práticas da generosidade de Rick e a tratá-lo como um santo intercessor. «Quem me dera agradecer-lhe face a face por ele ser o pai que eu tento ser, a pessoa humana que me esforço por ser. Peço que ele me ajude em casa, com os meus filhos». E declarou, com humor: «O meu pai estava enganado: existem realmente super-heróis».

A população, agradecendo a Asha Deliverance (à esquerda) a
generosidade demonstrada pelo seu filho, Namkai-Meche,
morto para defender duas alunas do secundário.
A mãe de Namkai-Meche, o jovem economista que morreu, uma empresária de nome Asha Deliverance, mulher cheia de iniciativa, habituada a mandar, pôs toda a multidão a rezar, na vigília ao ar livre que se organizou no dia seguinte em Portland.

Fletcher, o mais novo e o único que sobreviveu, teve nestes dias bastantes oportunidades de demonstrar os seus dotes de oratória. Tinha recebido um prémio literário por uma poesia acerca do respeito pelos muçulmanos, que agora é lida pela cidade com um sentido redobrado. À televisão, declarou que «a comunidade muçulmana, especialmente em Portland, tem de compreender que muitos de nós não vamos ficar parados e deixar que alguém – daqui ou de fora – vos assuste fazendo-vos pensar que não podem fazer parte desta cidade, desta comunidade ou deste país». Insistiu em que «não sou um herói, sou só um miúdo de Portland» e que as principais vítimas foram Best, Meche e as duas raparigas. Dyjuana Hudson, mãe de uma delas, Destinee Mangum (16 anos) discorda amigavelmente: «Fletcher foi um dos anjos que salvou a vida da minha filha».

Lembrei-me do pesadelo de Portland por coincidir no tempo com uma proposta da Ordem dos Psicólogos Portugueses acerca do comportamento homossexual. Segundo o projecto, é preciso recusar ajuda às pessoas que querem ultrapassar esta tendência, é preciso proibir os psicólogos discordantes e é preciso obrigar os católicos a reconhecer que a sua religião os enche de preconceitos, quer como profissionais dispostos a ajudar, quer como pacientes que não estão satisfeitos com a sua tendência.

Esperemos que a proposta seja retirada e não faça vítimas mas, em Portland como em todo o mundo, há situações em que algum de nós pode ter de decidir se defende os mais fracos contra quem tem poder. A maioria dos passageiros do metro ligeiro de Portland fugiu e não lhes aconteceu nada.

José Maria C.S. André
18-VI-2017
Spe Deus