N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Alegria e confiança

Uma observação que sempre faço é que a alegria genuína se tornou mais rara. A alegria está hoje, por assim dizer, cada vez mais sobrecarregada de hipotecas morais e ideológicas. Quando uma pessoa se alegra, até tem medo de faltar à solidariedade com os muitos que sofrem. Pensa-se: Na realidade, nem posso alegrar-me num mundo em que existe tanta miséria, tanta injustiça.

Posso compreender isso. Estamos perante uma atitude também moral. Contudo, essa atitude é um erro. Porque o mundo não se torna melhor graças à perda da alegria: e, pelo contrário, o "não se alegrar" por causa do sofrimento também não ajuda os que sofrem.

Mas, por outro lado, o mundo precisa de pessoas que descubram o bem, que se alegrem por causa dele e que, desse modo, encontrem a energia e a coragem para o bem. A alegria, portanto, não exclui a solidariedade. Quando é correcta, quando não é egoísta, quando vem da percepção do bem, então também quer comunicar-se e se perpetua. O que volta sempre a chamar-me a atenção é que se encontram, nos bairros pobres, por exemplo, na América do Sul, muito mais pessoas rindo, alegres, do que entre nós.

Manifestamente, apesar de destituídas de tudo, ainda têm a percepção do bem, que as orienta como força inspiradora.

Nessa medida, precisamos outra vez dessa confiança originária, que, em última análise, só a fé pode dar: [a confiança de saber] que, no fundo, o mundo é bom, que Deus está presente e é bom, que é bom viver e ser humano. Daí vem também a coragem para a alegria, que, por sua vez, leva a que outros se alegrem e possam receber a Boa Nova.

(Cardeal Joseph Ratzinger em O sal da terra’ págs. 30-31)

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