N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Que saibamos abrir a alma

"Tota pulchra es Maria, et macula originalis non est in te!" – És toda formosa, Maria, e em Ti não há mancha original!, canta a liturgia com entusiasmo. Não há n'Ela a menor sombra de duplicidade. Peço diariamente à nossa Mãe que saibamos abrir a alma na direcção espiritual, para que a luz da graça ilumine toda a nossa conduta! Maria obter-nos-á a coragem da sinceridade, para que nos unamos mais à Santíssima Trindade, se assim lho suplicarmos. (Sulco, 339)

– Não me abandones, meu Senhor: não vês a que abismo sem fundo iria parar este teu pobre filho?
– Minha Mãe: sou também teu filho. (Forja, 314)

Assoma muitas vezes a cabeça ao oratório, para dizeres a Jesus: –... abandono-me nos teus braços.
Deixa a seus pés o que tens: as tuas misérias!
Desta maneira, apesar da turbamulta de coisas que levas dentro de ti, nunca perderás a paz. (Forja, 306)

"Nunc coepi!" – agora começo! É o grito da alma apaixonada que, a cada instante, tanto se foi fiel como se lhe faltou generosidade, renova o seu desejo de servir – de amar! – com inteira lealdade o nosso Deus. (Sulco, 161)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

No salão de reuniões da Câmara de Barbastro recebe a Medalha de ouro da cidade. No fim, diz: “Eu renovo o meu propósito, com a graça de Deus, de vir com vagar a Barbastro, para conversar com cada um na intimidade da alma, para falar de Deus para que vejam como Ele vos quer e eu vos quero, e para que me ajudem a ser bom e fiel”.

Quinta-feira de Espiga

Hoje é Quinta-feira de Ascensão ou Quinta-feira de Espiga... Acredita-se que este costume, que surge mais no centro e Sul de Portugal, nasceu de um antigo ritual cristão, no entanto, por ter tanta ligação com a Natureza, pensa-se que pode vir talvez de antigas tradições pagãs associadas às festas da deusa Flora que aconteciam por esta altura e que se mantêm ligadas à tradição dos Maios e das Maias. Esta é também uma festa religiosa que celebra a ascensão de Jesus ao Céu, depois de ter sido crucificado e de ter ressuscitado. Quarenta dias depois da Ressurreição, Jesus apareceu pela última vez aos seus discípulos, em Jerusalém, e levou-os ao Monte das Oliveiras. A Ascensão ocorre cerca de quarenta dias depois da Páscoa, e é sempre a uma quinta-feira.

Tradicionalmente, de manhã cedo, rapazes e raparigas vão para o campo apanhar a espiga e outras flores campestres. Com elas, formam um ramo com: espigas de trigo, folhagem de oliveira, malmequeres e papoilas. O ramo pode também incluir centeio, cevada, aveia...

Cada elemento simboliza um desejo:

A espiga significa que haja pão isto é, que nunca falte comida, que haja abundância em cada lar;

O ramo de folhas de oliveira, que haja paz, pois a pomba da paz traz no bico um ramo de oliveira e também que nunca falte a luz (divina);

As flores, malmequeres, papoilas, etc., significam que haja alegria, simbolizada pela cor das flores - o malmequer ainda traz ouro e prata, a papoila traz amor e vida e o alecrim saúde e força.

O ramo é guardado ao longo de um ano, até ao Dia de Espiga do ano seguinte, pendurado algures dentro de casa.

(Fonte: Rádio Voz da Planície em http://www.vozdaplanicie.pt/index.php?go=noticias&id=5851)

Ensinar a palavra de Deus

«(…) deve fazer quanto estiver ao seu alcance para que seja escutado inteligentemente, com gosto e docilidade. Mas não duvide que se consegue algo e na medida em que o consegue, é mais pela piedade das suas orações que pelos seus dotes oratórios. Portanto, orando por aqueles aos quais há-de falar, seja antes varão de oração que de peroração. E quando se aproxime a hora de falar, antes de começar a falar, eleve a Deus a sua alma sedenta para derramar do que bebeu e exaltar do que se encheu»

(Santo Agostinho - De doctrina christiana, IV, cap. 15,32)

São Paulo é um extraordinário exemplo do exposto por Santo Agostinho, não era possuidor do dom da oratória nem de uma vistosa presença física, mas era possuidor de uma fé sem limites, que lhe permitiu ultrapassar enormes dificuldades e ser o grande Apóstolo que hoje conhecemos através dos Atos dos Apóstolos e sobretudo das suas Epístolas.

JPR

Pequenez!


Disseram-me ontem, Senhor, que eu sou muito grande e tapo a vista aos outros.
Não que isso me incomodasse, pois tenho-o ouvido tantas vezes, e em tantos momentos da minha vida.

Mas fiquei a pensar nisso, até porque naquela altura respondi com um sorriso a quem mo dizia:
«Sabe, tenho tentado como João Baptista diminuir, para que Ele cresça, mas pelos vistos não tenho conseguido.»

E agora, Senhor, fiquei mesmo a pensar se eu serei “realmente grande”, ou melhor, se ainda me acho “grande”, e assim sendo não deixo que Tu cresças em mim.

Era uma procissão, Senhor, e queriam ver a imagem de Tua Mãe que passava, vinda da Capelinha das Aparições para Leiria, e não conseguiam porque eu lhes tapava a vista.

E eu fico a pensar:
Será que nessa minha “grandeza”, eu não deixo que os outros vejam que estás em mim, como neles também?
Será que sou eu que apareço muito mais, do que Tu apareces em mim?
Será que eu dou muito mais testemunho de mim, do que eu faço, do que testemunho a Tua presença na minha vida e das maravilhas que fazes em mim?
Será que eu acho que sou capaz de fazer alguma coisa, se não fores Tu a fazer em mim, na minha disponibilidade e entrega a Ti e aos outros?
E será que eu estou disponível para Ti e para os outros?

Ah, Senhor, que ao olhar para dentro de mim, afinal ainda vejo mais o meu tamanho exterior, do que a minha pequenez interior, e por isso mesmo, Senhor, em vez de Te “mostrar” em mim, ainda tapo a vista aos que querem “ver-Te”!

Perdoa-me, Senhor e deixa que faça minha a oração de João Baptista, «Ele é que deve crescer, e eu diminuir.» Jo 4,30.
Que esta oração saia do meu coração como um compromisso assumido, que só se tornará realidade se eu for realmente disponível e entregue à Tua presença em mim.

Então, Senhor, serei tão pequeno que ninguém me verá, mas por Tua graça, somente verão a Ti.

Monte Real, 24 de Maio de 2010

Joaquim Mexia Alves

S. Beda, o Venerável, Doutor da Igreja, †735

Todas as informações que temos sobre o extraordinário Beda, foram escritas por ele mesmo no livro "História da Inglaterra", um dos raros e mais completos registos da formação do povo inglês antes do século VIII, narradas assim:

"Eu, Beda, servo de Cristo e sacerdote, e monge do mosteiro de São Pedro e São Paulo, da Inglaterra, nasci neste país. Aos sete anos fui levado ao mosteiro para ser educado pelos monges. Desde então passei toda a minha vida no mosteiro, e me dediquei sobretudo ao estudo da Sagrada Escritura. Além de cantar e rezar na Igreja, a minha maior alegria foi poder dedicar-me a aprender, a ensinar e a escrever. Aos dezenove anos fui ordenado diácono e aos trinta sacerdote. Todos os momentos livres dediquei-os à busca de explicações da Sagrada Escritura, especialmente extraídas dos escritos dos Santos Padres".

Além desses dados podemos acrescentar ainda, com segurança, que Beda nasceu no ano 672, tendo sido educado e orientado espiritualmente pelo próprio São Bento Biscop, abade do mosteiro, que impressionado com os seus dons e inteligência tratava-o como se fosse seu filho na cidade de Wearmouth.

Cedo, Beda percebeu que um sermão podia ser ouvido por apenas algumas pessoas, mas podia ser lido por milhares delas e por muitos séculos. Por isso ele desejou escrever, e escreveu muito, sem se cansar, com cuidado no seu conteúdo e estilo, resultando em livros agradáveis à leitura, verdadeiras obras literárias, sobre os mais variados temas desde o teológico ao intelectual.

Ao todo foram sessenta obras sobre: teologia, filosofia, cronologia, aritmética, gramática, astronomia, música e até medicina. Mas Beda gostava de aprender, por isso pesquisava e estudava; e gostava também de ensinar, por isso escrevia e dava aulas. Atraídos pela linguagem simples, encantadora e acessível, ajudou a formar várias gerações de monges que eram dirigidos nos ensinamentos de Deus, por meio dessas matérias.

O Papa Gregório II chamou-o a Roma, para tê-lo como seu auxiliar, mas Beda implorou permanecer na solidão do mosteiro, onde ficou até aos últimos momentos da sua vida. Só saiu por poucos dias para estabelecer as bases da Escola de York, na qual depois estudou e se formou o famoso mestre Alcuíno, fundador da primeira universidade de Paris.

Ainda em vida era chamado de "Venerável Beda", ou "Beda o Venerável". Morreu com sessenta e três anos, na paz do seu mosteiro, no dia 25 de maio de 735 em Jarrow, Inglaterra. Muitos séculos depois, pelo imensurável serviço prestado à Igreja, o Papa Leão XIII, em 1899, proclamou-o Santo e Doutor da Igreja. São Beda, único Santo inglês que possui o título de Doutor da Igreja, é celebrado no dia 25 de maio.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 25 de maio de 2017

«Um pouco, e já não Me vereis; outra vez um pouco, e ver-Me-eis, porque vou para o Pai». Disseram então entre si alguns dos Seus discípulos: «Que é isto que Ele nos diz: Um pouco, e já não Me vereis, e outra vez um pouco, e ver-Me-eis? Que significa também: Porque vou para o Pai?». Diziam pois: «Que é isto que Ele diz: Um pouco? Não sabemos o que Ele quer dizer». Jesus, conhecendo que queriam interrogá-l'O, disse-lhes: «Vós perguntais uns aos outros porque é que Eu disse: Um pouco, e já não Me vereis, e outra vez um pouco, e ver-Me-eis. Em verdade, em verdade vos digo que haveis de chorar e gemer, e o mundo se há-de alegrar; haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria.

Jo 16, 16-20

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Santo Rosário - Mistérios da Luz - O Baptismo de Jesus

MISTÉRIOS DA LUZ [i]

O Baptismo é o sinal indelével que torna a pessoa humana em membro da Igreja de Cristo.

É a única verdadeira porta de entrada pela qual nos convertemos em membros efectivos da Igreja Católica, como se fosse um bilhete de identidade vitalício, para empregar termos e palavras humanas que são as nossas.

Mas... os Mistérios Luminosos que têm de facto a ver com o Santo Rosário que é uma oração eminentemente Mariana?

Porque não se pode dissociar a Santíssima Virgem do seu Filho, Jesus Cristo e estes Mistérios que se referem de forma muito particular à vida pública de Cristo, à implementação do Reino de Deus e à instituição dos Sacramentos são como que o "complemento" dos outros Mistérios.

Exactamente neste primeiro Mistério começa essa  "tarefa" do Salva­dor.

A água é o elemento natural mais precioso da humanidade. A sua falta em numerosos locais da terra provoca sofrimentos indizíveis e não pou­cas vezes lutas e guerras pela sua posse ou controlo.

Ao servir-se da água como elemento fundamental do Baptismo e, tam­bém, ao aceder recebê-la como sinal visível Jesus avaliza a fórmula baptismal instituindo com a Sua acção o Sacramento, o primeiro dos sete que há-de instituir.

Podemos dizer que a Santíssima Trindade quis "reforçar" a dignidade e importância do Baptismo estando presente Deus Espírito Santo que sob a forma de pomba desceu sobre o Baptizando, Deus Filho o Bapti­zando e Deus Pai que fez ouvir a Sua voz.

Dos sete Sacramentos existem dois que imprimem carácter, ou seja, são irreversíveis porque transformam o homem em algo inteiramente diferente do que era antes de o receber.

O Batismo ao introduzir a pessoa no seio da Igreja instituída por Jesus Cristo, dá-lhe uma nobreza e uma dimensão inteiramente novas que jamais perderá mesmo que o deseje.

A patética - para usar uma expressão "suave" - teoria de deixar ao livre arbítrio de cada um o desejo do Baptismo, não o baptizando en­quanto criança, configura um risco tremendo de responsabilidade pelo seu futuro eterno.

(ama, Malta, Abril de 2016)


[i] São João Paulo II acrescentou estes “Mistérios” a que chamou da Luz – ou Luminosos– ao Rosário de Nossa Senhora.

Não sei, evidentemente, a razão que terá levado o Santo Pontífice a fazê-lo e alguém poderá questionar o que têm a ver com o Rosário Mariano.

Têm tudo a ver porque a vida de Nossa Senhora está tão intimamente unida à do Seu Filho, nosso Salvador, que me parece muito lógico e adequado.

Os Cinco Mistérios levam-nos a considerar, principalmente, a instituição dos sacramentos que Jesus nos quis deixar como preciosos e imprescindíveis meios para obter a Salvação Eterna que nos ganhou na Cruz.

Bendita monotonia de Ave-Marias!

Eu entendo que cada Ave-Maria, cada saudação a Nossa Senhora, é um novo bater de um coração apaixonado. (Forja, 615)

"Virgem Imaculada, bem sei que sou um pobre miserável, que não faço senão aumentar todos os dias o número dos meus pecados...". Disseste-me noutro dia que falavas assim com a nossa Mãe.

E aconselhei-te, convicto, a rezar o Terço: bendita monotonia a das Ave-Marias que purifica a monotonia dos teus pecados! (Sulco, 475)

O Terço não se pronuncia só com os lábios, mastigando as Ave-Marias umas atrás das outras. Assim cochicham as beatas e os beatos. Para um cristão, a oração vocal há-de enraizar-se no coração, de modo que, durante a recitação do Terço, a mente possa penetrar na contemplação de cada um dos mistérios. (Sulco, 477)

Deixas sempre o Terço para depois, e acabas por omiti-lo por causa do sono. Se não dispões doutro tempo, reza-o pela rua, e sem que ninguém o note. Além disso, ajudar-te-á a ter presença de Deus. (Sulco, 478)

São Josemaría Escrivá 

Audiência (resumo) - A esperança cristã

Locutor: Debrucemo-nos hoje sobre a «terapia da esperança», aplicada por Jesus a dois discípulos desanimados que seguiam de Jerusalém para Emaús. O segredo da terapia está nisto: mostrar à pessoa que, apesar das aparências em contrário, continua a ser amada por Deus; Ele nunca deixará de lhe querer bem. Vendo-os tristes, Jesus começa por perguntar o motivo da sua tristeza, que Ele bem conhece, mas quer ajudá-los a sondar em profundidade a amargura que se apoderou deles. Caminham tristes, porque viram morrer as esperanças que tinham posto em Jesus de Nazaré de ser Ele o libertador de Israel. O sinal mais eloquente duma derrota, que não tinham previsto, era aquela cruz erguida no Calvário. Eles não a tinham previsto, mas Deus sim; e anunciara-o nas Escrituras Sagradas, que Jesus lhes explica: «Para entrar na sua glória, o Messias tinha antes de sofrer todas aquelas coisas». A verdadeira esperança passa através de derrotas. Nos Livros Sagrados, não se encontram histórias de heroísmo fácil, nem campanhas fulminantes de conquista. Deus não gosta de ser amado como um General que leva o seu povo à vitória, aniquilando os adversários. A presença do Senhor lembra uma chama frágil que arde num dia de frio e vento; e, para aparecer ainda mais frágil esta sua presença neste mundo, foi esconder-Se num lugar que todos desdenham: num pedaço de pão, que se oferece como alimento em cada Eucaristia. «Quando Se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho». Mas foi nisso que os discípulos de Emaús O reconheceram. E, no gesto fulcral da Eucaristia, está significado também como deve ser a Igreja: o destino de cada um de nós. Jesus toma-nos, pronuncia a bênção, «põe em pedaços» a nossa vida – porque não há amor sem sacrifício – e oferece-a aos outros, a todos.

Santo Padre:
Saluto i pellegrini di lingua portoghese, invocando per tutti le consolazioni e le luci dello Spirito di Dio affinché, vinti i pessimismi e le delusioni della vita, possano attraversare, insieme ai loro cari, la soglia della speranza che abbiamo nel Cristo risorto. Conto sulle vostre preghiere. Grazie!

Locutor: Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, invocando para todos as consolações e luzes do Espírito de Deus, a fim de que, vencidos pessimismos e desilusões da vida, possam cruzar, juntamente com os seres queridos, o limiar da esperança que temos em Cristo ressuscitado. Conto com as vossas orações. Obrigado!

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

Durante a sua estada no Brasil, em 1974, comenta: “O Senhor quer que estejamos no mundo e que o amemos sem ser mundanos. O Senhor deseja que permaneçamos neste mundo – que agora está tão alvoroçado, onde se ouvem clamores de luxúria, de desobediência, de rebeldias que não levam a parte nenhuma – , para ensinarmos às pessoas a viver com alegria. Os homens estão tristes. Fazem muito ruído, cantam, dançam, gritam, mas choram. No fundo dos corações só há lágrimas: não são felizes, são desgraçados. E o Senhor, a vós e a mim, quer-nos felizes”.

Jesus é o caminho, A verdade e a vida.

Porque Ele está connosco,
Enquanto o tempo é tempo,
Ninguém espere, para O encontrar,
O fim dos dias...
Abrindo os olhos,
Busquemos o seu rosto e a sua imagem.
Busquemo-l’O na vida, sempre oculto
No íntimo do mundo, como um fogo.

Porque Ele está connosco
Nesta hora de violência,
Pensemos que Ele vive, fala e sente
Em quem padece.
Alerta, ó almas!
Volvamos para Ele os nossos passos.
Sigamos os seus gestos com que acena
Aos homens, sobre a cruz das grandes dores.

Porque Ele está connosco
Nos dias de fraqueza,
Ninguém espere conservar o alento
Sem O chamar...
De mãos ao alto,
Gritemos para Ele a nossa angústia.
Prostremo-nos, orando, aos pés d’Aquele
Que apaga em nós as manchas do pecado.

Porque Ele está connosco,
Tal como na manhã
De Páscoa, não faltemos ao banquete
Do sangue derramado,
Comamos do seu pão,
Bebamos do seu cálice divino,
Sinal do seu amor até ao fim!

Dúvidas de fé

Os católicos podem ter dúvidas, ou são hipócritas e hereges quando as têm? O que parece estranho nos cristãos é que façam uma distinção entre verdade religiosa e verdade científica. Ocupam-se de Darwin e vão à igreja. É possível tal separação? Só pode haver uma verdade. Ou o mundo foi realmente criado em seis dias ou se desenvolveu em milhões de anos.

Num mundo tão confuso como o nosso, a dúvida voltará sempre, inevitavelmente, a invadir cada pessoa. A dúvida não tem de estar automaticamente ligada a uma negação da fé. Posso confrontar-me seriamente com as questões que me inquietam, e ao mesmo tempo confiar em Deus, no núcleo essencial da fé. Por um lado, posso tentar resolver as contradições aparentes, mas, por outro, apesar de não poder encontrar soluções para tudo, posso confiar em que se venha a resolver o que não é possível solucionar agora.

Também na história da teologia volta sempre a haver questões que, de momento, não podem ser resolvidas, mas que não se devem pôr de parte com interpretações forçadas.

Também faz parte da fé a paciência do tempo. O tema a que acabou de referir-se - Darwin, a Criação, a teoria da evolução - é tema de um diálogo que ainda não está concluído e que, no momento, provavelmente não poderá ser concluído com os meios de que dispomos. O problema dos seis dias não se põe com particular agudeza entre a posição da ciência moderna sobre a origem do mundo e a fé. Porque também na Bíblia é claramente um esquema teológico, que não pretende narrar de forma literal a história da
Criação.

No próprio Antigo Testamento existem outras representações da Criação". No livro de Jó e nos livros sapienciais, encontramos relatos da Criação que deixam claro que os crentes não pensavam que o processo da Criação estivesse, por assim dizer, representado fotograficamente nesses textos, mesmo na ocasião em que foram escritos.

Só está representado na medida em que nos permite apreender o essencial: que o mundo provém do poder de Deus e é criado por Ele. Como se desenvolveram depois os processos concretos é uma questão completamente diferente, em que até a própria Bíblia deixa uma grande abertura. Por outro lado, penso que a teoria da evolução ainda não ultrapassou, em grande parte, o campo das hipóteses, e que, muitas vezes, está misturada com filosofias quase míticas, sobre as quais ainda tem de haver diálogos críticos.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘O sal da terra’ págs 26 e 27)

Aprender com Maria

«Aprendamos de Maria a falar pessoalmente com o Senhor, ponderando e conser­vando na nossa vida e no nosso coração a palavra de Deus, para que se converta em verdadeiro alimento para cada um. Deste modo, Maria guia-nos numa escola de oração, num contacto pessoal e profundo com Deus».

(Bento XVI - Encontro com sacerdotes em Roma, 22-II-2007)

Nossa Senhora Auxiliadora

A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, tem seu começo em datas muito remotas, nascida no coração de pessoas piedosas que espalharam ao seu redor a devoção mariana. Assim a Mãe de Deus foi sempre conhecida como condutora da felicidade de todo ser humano. E Maria, sempre esteve junto ao povo, sobretudo do povo simples que não sofre as complicações que contornam e desfazem, muitas vezes, a vida humana, mas que é levado pelas emoções e certezas apontadas pela simplicidade do coração.

Em 1476, o Papa Sisto IV deu o nome de “Nossa Senhora do Bom Auxílio” a uma imagem do século XIV-XV, que havia sido colocada em uma Capelinha, onde ele se refugiou, surpreendido durante o caminho, com um perigoso temporal. A imagem tem um aspecto muito sereno, e o símbolo do ‘auxílio’ é representado pela meiguice do Menino segurando o manto da Mãe.

Com o correr dos anos, entre 1612 e 1620, a devoção mariana cresceu, graças aos Barnabitas, em torno de uma pequena tela de autoria de Scipione Pulzone, representando aspectos de doçura, de abandono confiante, de segurança entre o Menino e sua santa Mãe. A imagem ficou conhecida como “Mãe da Divina Providência”. Esta imagem tornou-se como que meta para as peregrinações de muitos devotos e também para muitos Papas e até mesmo para João Paulo II. Devido ao movimento cristão em busca dos favores e bênçãos de Nossa Senhora e de seu Filho, o Papa Gregório XVI, em 1837, deu-lhe o nome de “AUXILIADORA DOS CRISTÃOS”. O Papa Pio IX, há pouco tempo eleito, também se inscreveu no movimento e diante desta bela imagem, ele celebrou a Missa de agradecimento pela sua volta do exílio de Gaeta.     

Mais tarde também foi criada a ‘Pia União de Maria Auxiliadora’, com raízes em um bonito quadro alemão.

E chega o ano de 1815:  Nasce aquele que será o grande admirador, grande filho, grande devoto da Mãe de Deus e propagador da devoção a Maria Auxiliadora, o Santo dos jovens: SÃO JOÃO BOSCO. Neste ano era também celebrado o Congresso de Viena e foi a época em que, com a queda do Império Napoleónico  começa a Reestruturação  Europeia com restabelecimento dos reinos nacionais e das suas monarquias dinásticas 
Em 1817, o Papa Pio VII benzeu uma tela de Santa Maria e conferiu-lhe o título de “MARIA AUXILIUM CHRISTIANORUM”.

Os anos foram se sucedendo e o rei Carlo Alberto, foi a cabeça do movimento em prol da unificação da Itália, e ao mesmo tempo, os atritos entre Igreja e Estado, deram lugar a uma forte sensibilização política, com atitudes suspeitas para com a Igreja. E como não podia deixar de ser, D. Bosco, lutador e defensor insigne da Igreja de Cristo, ficou sendo mira forte do governo e foi até obrigado a fugir de alguns atentados. Sim, tinha de fato inimigos que não viam bem sua postura positiva a favor da Igreja e nem tão pouco a emancipação da classe pobre, defendida tenazmente pelo Santo.
Pio IX, então cabeça da Igreja, manifestou-se logo a favor de uma devoção pessoal para com a Auxiliadora e quando este sofrido Pontífice esteve no exílio, o nosso Santo lhe enviou 35 francos, recolhidos entre seus jovens do oratório. O Papa ficou profundamente comovido com esta atitude e conservou uma grande lembrança deste gesto de afeto de D. Bosco e da generosidade dos rapazes pobres.

E continuam muitas lutas políticas, desavenças, lutas e rixas entre Igreja e Estado.  Mas a 24 de maio, em Roma, o Papa Pio IX preside uma grandiosa celebração em honra de Maria Auxiliadora, na Igreja de Santa Maria.  E em 1862, houve uma grandiosa organização especificamente para obter da Auxiliadora, a proteção para o Papa diante das perseguições políticas que ferviam cada vez mais, em detrimento para a Igreja de Jesus Cristo.

Nestes momentos particularmente críticos, entre 1860-1862 para a Igreja, vemos que D. Bosco toma uma opção definitiva pela AUXILIADORA, título este que ele decide concentrar a devoção mariana por ele oferecida ao povo. E justamente em 1862, ele tem o “Sonho das Duas Colunas” e no ano seguinte seus primeiros acenos para a construção do célebre e grandioso Santuário de Maria Auxiliadora. E esta devoção à Mãe de Deus, desde então se expandiu imediata e amplamente.             

D. Bosco ensinou aos membros da família Salesiana a amarem Nossa Senhora, invocando-a com o título de AUXILIADORA. Pode-se afirmar que a invocação de Maria como título de Auxiliadora teve um impulso enorme com D. Bosco. Ficou tão conhecido o amor do Santo pela Virgem Auxiliadora a ponto de Ela ser conhecida também como a "Virgem de D. Bosco".

Escreveu o santo: “A festa de Maria Auxiliadora deve ser o prelúdio da festa eterna que deveremos celebrar todos juntos um dia no Paraíso".


(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 24 de maio de 2017

Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não as podeis compreender agora. Quando vier, porém, o Espírito da Verdade, Ele vos guiará no caminho da verdade total, porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á as coisas que estão para vir. Ele Me glorificará, porque receberá do que é Meu e vo-lo anunciará. Tudo quanto o Pai tem é Meu. Por isso Eu vos disse que Ele receberá do que é Meu e vo-lo anunciará.

Jo 16, 12-15

terça-feira, 23 de maio de 2017

Ensina-me a relacionar-me com o teu Filho!

Se não procuras a intimidade com Cristo na oração e no Pão, como podes dá-Lo a conhecer? (Caminho, 105)

Procura Deus no fundo do teu coração limpo, puro; no fundo da tua alma, quando lhe és fiel, e não percas nunca essa intimidade!

E se, alguma vez, não souberes como falar-lhe nem que dizer-lhe, ou não te atreveres a procurar Jesus dentro de ti, recorre a Maria, "tota pulchra", toda pura, maravilhosa, para lhe confiares: - Senhora, nossa Mãe, Nosso Senhor quis que fosses Tu, com as tuas mãos, quem cuidasse de Deus; ensina-me - ensina-nos a todos - a relacionar-nos com o teu Filho!! (Forja, 84)

São Josemaría Escrivá

O QUE É UM ABRAÇO?

Um abraço,
é um sorriso,
desenhado pelos braços,
num apertado sentir,
de um sentimento de amor,
dado ao outro,
na alegria,
ou na dor!

Monte Real, 23 de Maio de 2017

Joaquim Mexia Alves
http://queeaverdade.blogspot.pt/2017/05/o-que-e-um-abraco.html

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

Encontra-se no santuário de Torreciudad com D. Álvaro del Portillo e o arquitecto Heliodoro Dols. Depois de contemplar o retábulo comenta: “Com material humilde desta nossa terra fizestes material divino”.

Mostra que és Mãe

Monstra te esse matrem!

Sim, mostra que és Mãe, minha Mãe.

Como, apesar de tudo quanto não sou e deveria ser, tu és minha Mãe e me queres, e me proteges, e desejas a minha felicidade aqui na terra e, depois, no Céu.

Monstra te esse matrem!

Ajuda-me também a mostrar-me como teu filho, a comportar-me, a conduzir a minha vida como teu filho, e, sobretudo: Recordare Virgo Mater Di, dum steteris in conspectu Domini et loquaris pro me bona. Amen.

ama

A síndrome da presunção e a doença mental na política

Muitos de nós já se terão questionado: será que o poder transforma as pessoas, alterando-lhes a personalidade, ou será que aqueles que chegam ao poder já apresentam traços ou características de doença psiquiátrica?

É provável que ambas as hipóteses sejam verdadeiras, senão vejamos: um estudo (Davidson et al.) publicado em 2006 na revista Journal of Nervous and Mental Disease, após uma revisão de fontes biográficas de presidentes dos EUA entre 1776 e 1974  mostrou que 18 (49%) preencheram critérios que sugeriam doença psiquiátrica. Neste caso, depressão (24%), ansiedade (8%), perturbação bipolar (8%) e alcoolismo (8%) foram as doenças mais frequentemente reportadas. Também há vários relatos de que Winston Churchill sofria de depressão, a que chamava “o cão negro”. Existem ainda inúmeros elementos biográficos que levam a suspeitar que, por exemplo,  Mussolini, Mao Tse-Tung, Khrushchev e Saddam Hussein sofriam de doença bipolar.

Em 2009, num artigo publicado na prestigiada revista Brain, David Owen, médico e ex-ministro dos negócios estrangeiros inglês, juntamente com o psiquiatra Jonathan Davidson, defenderam a existência de uma doença psiquiátrica, originada pelo exercício do poder, designada por “síndrome da presunção” (Hubris syndrome). Segundo estes autores, esta síndrome, que partilha elementos com o narcisismo e a psicopatia, corresponde a um padrão de comportamento provocado pela exposição a um cargo de poder por um período variável de 1 a 9 anos. Os sintomas identificados são vários: perda de contacto com a realidade, predisposição para ver o mundo como um lugar para a auto-glorificação através do uso do poder, preocupação exagerada com a imagem e a apresentação, forma messiânica de falar acerca do que estão a fazer, utilização recorrente do “nós” em tom majestático, identificação de si próprios (ideias e pensamentos) com o Estado, como se fossem um só, excesso de autoconfiança com desdém perante os conselhos ou críticas dos outros, assumir apenas responsabilidade para um tribunal superior (história ou Deus) ao mesmo tempo que reitera a crença de que será recompensado nesse julgamento.

O ambiente de poder que rodeia a maior parte dos chefes de governo tem um impacto significativo sobre estas pessoas, mesmo as mais estáveis psiquicamente, uma vez que deixam de ter uma vida normal. Vivem muitas vezes em casas sumptuosas do Estado, rodeados de um séquito de aduladores, têm carros com motorista, seguranças, e deslocam-se em ambientes protegidos: de uma suíte VIP de um aeroporto para um palácio governamental, ou para um fórum com a elite empresarial. Ora tudo isto dá um nível de vida e um afastamento dos problemas do dia-a-dia que só algumas pessoas muito ricas podem igualar. Mas mais importante é que este estilo de vida origina ao líder político um grande isolamento. Por conseguinte, este começa a acreditar que não é igual aos outros homens. Fica emerso num mundo de ideias geradas apenas por si próprio, e aos poucos, sem se aperceber, vai perdendo o contacto com o mundo real.

A intoxicação pelo poder é um caminho que nem todos os indivíduos têm capacidade para neutralizar. Muitos acabam por ultrapassar a fronteira entre a decisão competente e a incompetência presunçosa.  Os políticos, tal como os médicos, têm a vida das pessoas que governam nas suas mãos. Nalguns casos a responsabilidade pode ser ainda maior, já que podem decidir se colocam em risco a vida dos seus cidadãos. Por exemplo, podem decidir subtrair os rendimentos das pessoas, através dos impostos, remetendo os mais frágeis para a asfixia da pobreza;  podem criar um clima de insegurança e medo, roubando a esperança no futuro a gerações inteiras; podem cobardemente incentivar a emigração ou de forma inábil obrigarem as pessoas a viver resignadamente num país onde floresce a miséria psicológica.

Importa sublinhar que a síndrome de presunção é um tema controverso e não surge, pelo menos para já, nos manuais de psiquiatria. Mas é curioso constatar que facilmente podemos identificar algumas das características descritas nalguns políticos portugueses. Seja como for, uma das formas mais eficazes de evitar os efeitos devastadores dos políticos presunçosos, é através da detecção precoce dos sinais de “intoxicação pelo poder”, tais como: a crença de que o sofrimento de um povo corresponde a lamechices, a utilização obsessiva de agências de comunicação e de eventos organizados para autopromoção, a preocupação excessiva pela imagem, a tentativa de controlo da comunicação social, o desdém pelos adversários políticos, a teimosia e a obstinação,  o recurso a retóricas políticas extravagantes e enganadoras, nas quais surgem frequentes contradições, e a persistência perversa numa política que comprovadamente não funciona.

Tal como nas psicoses, os afetados pela síndrome da presunção não reconhecem “estar doentes”, já que para eles isso é um sinal de fraqueza. Ou seja, raramente se demitem, devendo por isso serem demitidos. Para bem da sociedade e dos governantes afetados, os médicos que descreveram esta síndrome afirmam que ela tem cura, já que é propensa a desaparecer com o afastamento do poder. Finalmente, e citando Chesterton, a perfeita autoconfiança não é apenas um pecado; a perfeita autoconfiança é uma fraqueza. Os homens que acreditam “demasiado” em si mesmos estão todos fechados nos manicómios.

Pedro Afonso
Médico Psiquiatra
In jornal Público 16.05.2013

A arte de educar

Educar não é uma técnica. Nem é um conjunto mais ou menos abrangente de saberes que se procuram conhecer e pôr em prática. Educar é, essencialmente, uma arte. Um dom. Uma habilidade que necessitamos cultivar.

É ou não é uma arte saber conjugar exigência e compreensão? Constância e flexibilidade?

Não será uma habilidade saber corrigir sem humilhar? Manter a autoridade sem autoritarismos? Educar no esforço pessoal sem cair em falsos ternurismos?

Educar é, ao mesmo tempo, uma tarefa de suma beleza. Porque transmite com eficácia e sem traumas os “valores” que a Humanidade acumulou durante séculos. Valores que humanizam a pessoa porque a tornam precisamente mais humana.

Não existe nenhuma educação que seja perfeita. Também com os erros que cometemos podemos aprender e devemos melhorar. Só necessitamos de humildade, boa vontade e ânimo para não desistir.

Porque educar é uma missão de primeiríssima categoria. Possui uma transcendência difícil de avaliar ― em primeiro lugar para cada um de nós!
Ninguém educa os outros sem se educar ao mesmo tempo a si mesmo. E da educação que damos a nós mesmos dependem coisas grandes: o modo como vivemos aqui e o modo como viveremos depois.

Vale a pena dedicar tempo a pensar nesta tarefa, que possui uma enorme influência na felicidade de cada um de nós!

No entanto, dizer que educar é uma arte não é a mesma coisa que dizer que é algo espontâneo. Não basta o bom senso para educar ― sobretudo se queremos educar bem! É necessário tempo real de reflexão. Para isso, a leitura de bons livros é imprescindível.

Como dizia Bento XVI, vivemos numa situação de grande emergência educativa. E é tarefa de todos enfrentar este grande desafio.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O Evangelho do dia 23 de maio de 2017

«Agora vou para Aquele que Me enviou e nenhum de vós Me pergunta: Para onde vais? Mas, porque vos disse estas coisas a tristeza encheu o vosso coração. «Contudo, digo-vos a verdade: A vós convém que Eu vá, porque se não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se for, Eu vo-l'O enviarei. Ele, quando vier, convencerá o mundo quanto ao pecado, à justiça e ao juízo. Quanto ao pecado, porque não creram em Mim; quanto à justiça, porque vou para o Pai e vós não Me vereis mais; quanto ao juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.

Jo 16, 5-11

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Amar pelos dois: Jacinta e Francisco

Ainda no rescaldo da estadia do Santo Padre em Fátima e inebriado pela graça da canonização de Jacinta e Francisco Marto e do centenário das aparições marianas na Cova da Iria, não é fácil alinhavar umas quantas considerações que, em jeito de conclusão, ajudem a retirar, de todos estes extraordinários acontecimentos, uma lição de vida cristã.

Como tantos outros peregrinos do mundo inteiro, também eu rumei em direcção a Fátima no passado dia 11, na incerteza de saber se conseguiria chegar ao meu destino ou se, pelo contrário, ficaria retido a alguns quilómetros de distância, para depois apanhar algum transporte público que me levasse até Fátima, ou seguir até lá a pé. Graças a Deus, não tive qualquer problema em chegar e estacionar numa das artérias por onde o Papa Francisco iria passar no dia seguinte, ao entrar em Fátima, vindo de Monte Real. Foi aí também que, pela primeira vez, tive a graça de o ver e de receber a sua bênção.

Mais tarde, no santuário, estando já o Papa Francisco na Capelinha, com ele rezei o terço do rosário, a oração mariana que, em seis aparições mensais consecutivas, Nossa Senhora pediu aos videntes e a todos os fiéis que rezassem diariamente, para alcançar a salvação das almas e a paz para as famílias, para a Igreja e para todo o mundo.

À medida que anoitecia, acenderam-se milhares de velas por todo o recinto, convertido num mar de gentes simples que, como na canção brasileira, mesmo não sabendo rezar, oravam com o seu olhar, feito prece de esperança e filial devoção. Não vi os teólogos que, na comunicação social, muito gostam de questionar Fátima e a sua mensagem, nem os intelectuais que, de tanto racionalizarem o fenómeno sociológico, parecem incapazes de compreender a sua natureza profundamente humana e sobrenatural. Mas vi pessoas de todo o tipo e condição, irmanadas pela mesma fé, por igual esperança, por idêntico amor.

Permitam-me uma confissão pessoal: Fátima faz-me muito mal! Sempre que lá vou – e para lá peregrino muitas vezes ao ano! – de lá regresso abatido e desanimado. Chego como um campeão que acaba de cortar a meta, para depois sair envergonhado, como um soldado que, derrotado, abandona tristemente o campo de batalha. Ante a grandeza da fé daquelas gentes, a minha fé parece ridícula. Diante da esperança que brilha no olhar daqueles peregrinos, tantas vezes provados pelo fogo das mais cruéis provações, a minha esperança afigura-se uma futilidade pueril. A fé profunda e ardente daqueles sacrificados fiéis reduz a cinzas a minha devoção, talvez mais erudita que essa sua oração, mas tão longe daquela tão autêntica simplicidade evangélica!

É então que compreendo por que a ‘Senhora mais brilhante do que o sol’ não escolheu, para seus interlocutores, os sábios nem os poderosos deste mundo, mas três crianças analfabetas, como já em Lourdes a Imaculada Conceição se revelara à pobre Bernardete. O critério de selecção da celestial mensageira não poderia ser mais evangélico, porque o Pai, Senhor do Céu e da terra, não se revelou aos sábios e entendidos, mas aos pequeninos, porque assim foi do seu agrado (cf. Mt 11, 25-26).

Mesmo que, tecnicamente, as aparições de Fátima tenham sido visões – como o Papa Francisco confirmou no avião de regresso a Roma, ao fazer seu o comentário teológico do seu predecessor, Bento XVI, quando este era ainda prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé – a verdade é que Maria apareceu em Fátima. Pouco importa, na realidade, que o tenha feito de forma sensível aos sentidos externos, ou apenas perceptível pelos sentidos internos dos videntes. Os teólogos distinguem estes dois tipos de visões mas ambos são, sem dúvida, aparições sobrenaturais: não têm a mesma ‘estrutura antropológica’, para utilizar a terminologia do teólogo Joseph Ratzinger, mas os dois são igualmente válidos e fidedignos na transmissão da mensagem transcendente, a que esta polémica algo bizantina pouco ou nada acrescenta.

Decerto, muito mais importante do que a caracterização científica do fenómeno, é a sua realização existencial na vida dos pastorinhos, nomeadamente os agora canonizados, Santa Jacinta e São Francisco Marto. Enquanto a pequena vidente foi mais sensível à necessidade de rezar e sofrer pela conversão dos pecadores, pois muitas almas há que se condenam por não haver quem por elas peça e padeça, o que mais impressionou o seu irmão foi a imensidade de Deus, consideração que o retinha, por longos tempos, em amorosa meditação.

Santa Jacinta e São Francisco falam-nos, afinal, do amor a Deus que se expressa pela oração e pelo sacrifício. E, como ambos já estão no Céu, é a nós que compete, agora, amar pelos dois.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Voz da Verdade AQUI
(seleção de imagens 'Spe Deus')

Participaremos na sua maternidade espiritual

Recorre constantemente à Virgem Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da humanidade: e Ela atrairá, com suavidade de Mãe, ao amor de Deus as almas com quem fazes apostolado, para que se decidam a ser – no seu trabalho corrente, na sua profissão – testemunhas de Jesus Cristo. (Forja, 911)

Se nos identificarmos com Maria, se imitarmos as suas virtudes, poderemos conseguir que Cristo nasça, pela graça, na alma de muitos que se identificarão com Ele pela acção do Espírito Santo. Se imitarmos Maria, participaremos de algum modo na sua maternidade espiritual: em silêncio, como Nossa Senhora, sem que se note, quase sem palavras, com o testemunho íntegro e coerente de uma conduta cristã, com a generosidade de repetir sem cessar um fiat que se renova como algo íntimo entre Deus e nós. (Amigos de Deus, 281)

São Josemaría Escrivá