Natal

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Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

quarta-feira, 8 de março de 2017

Olhar o ambiente do lar de Nazaré

Que alegria nos causa também a proximidade das solenidades de S. José e da Anunciação de Nossa Senhora! Neste ano mariano dedicado à família, elas ganham uma relevância significativa, pois oferecem ao nosso olhar o ambiente do lar de Nazaré. Ali se fez presente a grande misericórdia de Deus com a humanidade, o amor da Santíssima Trindade, mediante a Encarnação do Verbo no seio puríssimo de Maria. Ali passou Jesus longos anos, rodeado em cada momento pelo carinho e cuidados da Sua Mãe e de S. José. Ali trabalhou o santo Patriarca com perfeição humana e sobrenatural. São excelentes motivos para lhes confiarmos a santidade dos lares cristãos e impetrar a sua proteção sobre todas as famílias da Terra.

Nas suas recentes catequeses, o Papa sublinhou o importantíssimo papel da mãe e do pai no seio da família: As mães, dizia numa destas ocasiões, são o antídoto mais forte contra a propagação do individualismo egoísta [7]. O mesmo se pode dizer dos pais, que desempenham igualmente um papel fundamental. Cada família precisa da presença de um pai, embora infelizmente, hoje se tenha chegado a afirmar que a nossa seria «uma sociedade sem pais» (…). Sobretudo na cultura ocidental, a figura do pai estaria simbolicamente ausente, diluída, desvanecida [8]. Esta atitude constitui um erro muito grave, pois tanto o pai como a mãe são totalmente imprescindíveis para o desenvolvimento harmonioso dos filhos em todas as suas vertentes. É intensa a nossa oração por esta célula vital da Igreja e da sociedade civil, a família? Rezamos para que cada lar seja um prolongamento daquele que acolheu o Filho de Deus em Nazaré? Como agradecemos a generosa e alegre abnegação de tantos pais e mães? Lembramo-nos de rezar pela felicidade dos esposos a quem Deus não concede filhos, para que amem a Vontade do Céu, dando, além disso, exemplo de serviço a toda a humanidade?

Em qualquer caso, sejam os filhos que Deus concede muitos, poucos ou nenhum, é preciso que todos os lares cristãos promovam a alegria de se saberem igreja doméstica. Por isso transcrevo os seguintes ensinamentos de S. Josemaria, quando afirmava que devemos receber os filhos sempre com alegria e gratidão, porque são presente e bênção de Deus e uma prova da Sua confiança [9]. E acrescentava: não duvideis que a diminuição dos filhos nas famílias cristãs redundaria na diminuição do número de vocações sacerdotais e de almas que querem dedicar a sua vida ao serviço de Jesus Cristo. Eu vi bastantes casais que, não lhes dando Deus mais que um filho, tiveram a generosidade de o oferecer a Deus. Mas não são muitos os que o fazem. Nas famílias numerosas, é mais fácil compreender a grandeza da vocação divina e, entre os seus filhos, há-os para todos os estados e caminhos [10].

Nem sempre os esposos têm descendência. Nestes casos, não se devem considerar fracassados, porque não o são. É outro modo que o Senhor tem, também divino, de abençoar o amor conjugal. As famílias numerosas, afirmava o nosso Padre, dão-me muita alegria. Mas quando me encontro com um casal sem filhos, porque Deus não lhos concedeu, também me encho de alegria: não só podem igualmente santificar o seu lar, como dispõem além disso de mais tempo para se dedicar aos filhos dos outros, e são já muitos os que o fazem com uma abnegação impressionante. Tenho o orgulho de poder assegurar que nunca apaguei um amor nobre da Terra, pelo contrário, sempre o animei, porque deve ser, cada dia mais, um caminho divino [11]. Agradeçamos a Deus a fidelidade alegre destes esposos.

Na festa de S. José, todas e todos recorremos ao santo Patriarca pedindo lhe que encha de fidelidade a Deus toda a nossa existência, dia a dia, como fez este varão justo, correspondendo a todos os pedidos divinos. E antes de concluir, quero recordar que no dia 28 de março se completam noventa anos da ordenação sacerdotal do nosso Padre. Invocai-o especialmente com uma súplica piedosa e constante pela Igreja e pelo Papa, pelas vocações sacerdotais e religiosas, pelas vocações, também divinas, a uma entrega total no meio do mundo, no celibato apostólico ou no matrimónio; pela fidelidade de todos os cristãos. Dirigi as vossas orações, com fé e confiança, a Nossa Senhora e a S. José, para que saibamos caminhar de modo contemplativo no meio do mundo. E continuai a rezar por todas as minhas intenções.

[7]. Papa Francisco, Discurso na Audiência geral, 7-I-2015.
[8]. Papa Francisco, Discurso na Audiência geral, 28-I-2015.
[9]. S. Josemaria, Carta 9-I-1959, n. 54.
[10]. S. Josemaria, Carta 9-I-1959, n. 55.
[11]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 10-IV-1969.

(D. Javier Echevarría, na carta do mês de março de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

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