Natal

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Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

sábado, 18 de março de 2017

EU PADRE CASADO ME CONFESSO...

Anda por aí um burburinho dos diabos, à conta de uma declaração de uma centena e meia de teólogos alemães que, há falta de um tema mais original, decidiram questionar o celibato sacerdotal. É, juntamente com o famigerado sacerdócio feminino, uma insistente proposta de alguns grupos de católicos pouco ortodoxos que, se me permitem a charada ecuménica, de tão reivindicativos dir-se-ia que são protestantes.

Não obstante alguns contornos mais caricatos, a questão é séria e merece alguma reflexão. Depois de uma etapa fundacional em que, à imagem de Cristo, os apóstolos e outros, como São Paulo, se mantiveram célibes “pelo reino dos Céus”, vieram tempos em que os presbíteros podiam ser casados. Contudo, tendo em conta os resultados dessa primitiva experiência, entendeu-se preferível retomar a tradição evangélica, repondo o celibato sacerdotal na Igreja Católica latina. Portanto, um eventual regresso à anterior situação representaria, em termos históricos, um retrocesso, ainda que disfarçado de revolucionária novidade e, o que é pior, um afastamento em relação ao exemplo de Cristo, que é o modelo e a razão do sacerdócio eclesial.

Há, sobre esta matéria, um duplo equívoco, que importa esclarecer.

O primeiro decorre da suposição de que só há amor quando há uma vida sexual activa e, portanto, a imposição do celibato implica a frustração emocional do padre que, entregue à sua própria solidão, fica assim mais exposto às fraquezas da humana condição. Já São Paulo advertira: mais vale casar-se do que abrasar-se. É certo. Porém, o sacerdote não é um homem sem amor, muito embora a sua realização afectiva não tenha expressão sexual. Um presbítero que não ame, que não esteja apaixonado, é certamente um ser vulnerável e fragilizado, não por ser padre, mas precisamente por o não saber ser.

Com efeito, o ministério sacerdotal não se reduz a uma função burocrática, em cujo caso o celibato não faria sentido, mas antes se realiza naquele “amor maior” de que Jesus Cristo é o perfeito exemplo. E é bom recordar que o Verbo encarnado não é apenas Deus perfeito, mas também perfeito homem, pelo que a sua circunstância celibatária não só não foi óbice como condição para essa plena realização da sua natureza humana.

Outro lapso é supor que os padres da Igreja Católica são solteiros, o que manifestamente não corresponde à realidade. Saulo de Tarso, quando disserta sobre a grandeza do sacramento do matrimónio, refere-o a Cristo e à sua Igreja, por entender que esta aliança é de natureza nupcial. Por isso, o sacerdote católico, configurado com Cristo pela graça da sua ordenação, “casa” com a Igreja, que é a sua esposa, não apenas mística mas também real e existencial, na medida em que lhe exige uma entrega exclusiva e total.

Há tempos ouvi na rádio uma conhecida balada, em que se repetia um refrão que é aplicável ao celibato sacerdotal: “eu não sou de ninguém, eu sou de todo o mundo e todo o mundo me quer bem”. Nem mais: para ser de todos e para todos é preciso não ser de ninguém em particular. É o que também me dizia um amigo quando, dando-me as Boas Festas, desejava felicidades para a minha família que, acrescentava com inspirada eloquência, “somos todos nós”.

Mas há mais. Os inimigos do celibato sacerdotal obrigatório são muito mais generosos do que se pensa pois, não satisfeitos com dar uma mulher aos padres, querem dar-lhes duas: a esposa e … a sogra!

P. Gonçalo Portocarrero de Almada

2 comentários:

João Mexia Alves disse...

A propósito do casamento dos padres e de uma maior compreensão sobre a Igreja o seu passado e evolução, aconselho a leitura de um dos livros mais extraordinários que existem sobre o assunto: "Confession d'un cardinal", escrito por Olivier Le Gendre.
O autor é um especialista em assuntos da Igreja e numa entrevista a um cardeal de 80 anos, dá-nos uma visão completa do que é, do que foi e do que deveria mudar na Igreja.
Um livro que não se consegue parar de ler até ao fim.

Anónimo disse...

Deus nos abençoe.
O sacerdote de Cristo, é aquele que recebe o chamado á servir a igreja de Cristo, e este, sendo chamado, ao aceitar, não se permite questionar o que Cristo designou. A fidelidade e a felicidade em Cristo independe da solidão ou de acompanhado. Quem procura algo fora é porque não preencheu de Cristo o coração puro que Deus nos chamou.
Pedro era casado, Jesus o chamou para edificar sua Igreja, portanto, nada impede que um homem casado, ao ser chamado por Cristo seja sacerdote. Mas, aquele que foi chamado solteiro, permaneceu assim, pois, Paulo preencheu seu coração de Cristo Jesus.
A infelicidades vem da falta de oração, da infidelidade a si mesmo, são anos de estudos para ser sacerdote, se o homem não conseguiu compreender o que Jesus ensinou sobre a construção, se ele em anos não analisou em seu coração se teria condições de construir seu sacerdócio até o fim, como querer mudar a igreja para satisfazer a si só? Essa é uma teologia protestante que adapta as normas de acordo com o seu interesse pessoal.
Graças ao Bom Deus, hoje em nossa cidade temos um sacerdote que aceitou de coração o chamado de Cristo e o serve com amor. Mas nos últimos 20 anos, tivemos falsos sacerdotes travestidos de batina que só viviam para a promiscuidade, e para estes, se fosse permitido casar, não casariam, pois, não eram cristãos, eram falsos sacerdotes e se mantiveram aqui por falta de bispos. Graças ao Bom Deus, O papa Francisco é um sacerdote chamado por Cristo e que o serve de coração. Se temos hoje um sacerdote cristão, é graças ao papa, que lá de Roma, teve que afastar o promiscuo daqui, pois, não temos bispo cristão.
com amor e carinho.