Natal

Natal
Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

sexta-feira, 31 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 30ª Reflexão

Trazes ao meu coração a necessidade da confissão.

Abres os braços para me receberes e dizes-me:
Amo-te, meu filho, com amor eterno e por isso quero apenas o teu bem e a tua felicidade. Por isso não quero que vivas dividido, incompleto, separado de Mim, e é isso mesmo que o pecado faz em cada vida.
Só em Mim e comigo te completas e vives em plenitude, por isso Eu procuro-te incessantemente. Basta que o teu coração se abra ao reconhecer do pecado, ao arrependimento, e já Eu corro para ti, para te abraçar, para te perdoar para te conferir de imediato toda a verdade de seres filho de Deus.
Corro para ti na figura do sacerdote que escolheres para te confessares, e quando contares as tuas fraquezas, os teus pecados, arrependido e cheio de vontade de não voltar a pecar, lembra-te que sou Eu que te estou a ouvir, sou Eu que te estou a perdoar, (sem julgamento, porque a Confissão não é um julgamento), sou Eu que me entrego a ti e por ti.
Lembra-te ainda, meu filho, que se és muitas vezes o filho mais novo que sai de casa com a herança deixando tudo para trás, também não deixas de ser outras vezes o filho mais velho que fica em casa, e não se alegra com a vinda dos que regressam.

Deixo-me abraçar e abraço-Te também, pedindo:
Ajuda-me, Senhor, a reconhecer as minhas fraquezas, as minhas faltas, os meus pecados, e a voltar para Ti pedindo perdão.
Abre, Senhor, o meu coração ao arrependimento sincero e à vontade inabalável de não voltar a pecar.
Dá-me fortaleza, Senhor, para fugir com coragem às tentações e ocasiões de pecado.
(Curioso, Senhor, como é precisa coragem para fugir … a estas coisas!)
E perdoa-me, Senhor, hoje e sempre, para que me complete em Ti e viva a «vida em abundância» que Tu mesmo nos prometeste.

Obrigado, Senhor, pelo Sacramento da Confissão, obrigado!

Monte Real, 11 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

O Senhor procura o meu pobre coração

Quantos anos a comungar diariamente! – Outro seria santo – disseste-me – e eu, sempre na mesma! – Filho – respondi-te – continua com a Comunhão diária, e pensa: que seria de mim, se não tivesse comungado? (Caminho, 534)

Recordai – saboreando, na intimidade da alma, a infinita bondade divina – que, pelas palavras da Consagração, Cristo vai tornar-se realmente presente na Hóstia, com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Adorai-O com reverência e devoção; renovai na sua presença o oferecimento sincero do vosso amor; dizei-lhe sem medo que Lhe quereis; agradecei-lhe esta prova diária de misericórdia tão cheia de ternura, e fomentai o desejo de vos aproximardes da comunhão com confiança. Eu surpreendo-me perante este mistério de Amor: o Senhor procura como trono o meu pobre coração, para não me abandonar, se eu não me afastar d'Ele.

Reconfortados pela presença de Cristo, alimentados pelo seu Corpo, seremos fiéis durante esta vida terrena, e mais tarde no Céu, junto de Jesus e de Sua Mãe, chamar-nos-emos vencedores. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Demos graças a Deus que nos trouxe a vitória, pela virtude de Nosso Senhor Jesus Cristo. (Cristo que passa, 161)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1935


Deixa reservado o Santíssimo Sacramento na residência de estudantes da rua de Ferraz. Dois dias depois escreve agradecido: “Celebrou-se a Santa Missa, no Oratório desta Casa, e ficou Sua Divina Majestade Reservado, realizando plenamente os desejos de tantos anos (desde 1928)”

Irradiar optimismo

Provavelmente, é um relato inventado. Há uns anos atrás, andou a circular pelo ciberespaço. Confortou umas pessoas, encheu outras de esperança, animou alguns ― coisa que sempre se agradece! O conteúdo da história era mais ou menos o seguinte: «Sempre estava de bom humor e as suas palavras eram positivas e animadoras. Motivava aqueles que tínhamos a sorte de estar ao seu lado. Irradiava optimismo e, por isso, era muito agradável trabalhar com ele. Se alguém tinha alguma dificuldade, animava aquele que a padecia a ver o lado positivo da situação.

«Certo dia, sem meia tinta, perguntei-lhe abruptamente: “Como é possível que estejas sempre optimista? Como consegues ver a realidade constantemente de um modo tão positivo? Onde vais buscar essa alegria que irradias à tua volta?”. A sua resposta ― que me ficou gravada na memória ― ainda hoje tem influência no meu modo de encarar a vida: “Todos os dias, quando me levanto de manhã, digo a mim próprio que tenho duas opções para esse dia: deixar-me levar pelo mau humor ou, pelo contrário, esforçar-me por estar de bom humor. Como sou livre, escolho conscientemente a segunda opção”.

«Quando me acontece algo de mal durante o dia, digo a mim próprio que tenho duas opções: escolher o papel de vítima ou, pelo contrário, esforçar-me por aprender alguma coisa com aquilo que me aconteceu. Como sou livre, escolho conscientemente a segunda opção. Quando ouço alguém a queixar-se da vida, digo a mim próprio que tenho duas opções: associar-me às suas lamentações ou, pelo contrário, esforçar-me por ver o lado positivo de cada situação. Como sou livre, escolho conscientemente a segunda opção.

«Mas isso não é tão fácil assim ― respondi-lhe. “Também não é tão difícil como parece” ― foi a sua contestação imediata. E continuou: A vida é uma escolha constante. As atitudes que tomamos diante dela também o são. É uma decisão de cada um de nós escolher como viver a nossa vida. E também é uma decisão de cada um de nós escolher a atitude que vamos ter diante daquilo que nos acontece na nossa vida. Como somos livres, temos de escolher conscientemente a melhor opção».

É verdade que esta história é demasiadamente idílica. No entanto, é um relato que nos faz pensar em que a nossa vida é, de algum modo, uma escolha constante. Um cristão está chamado por Deus a irradiar um verdadeiro optimismo à sua volta. Um optimismo que procede da fé ― não de uma simples escolha livre da melhor opção.

Não façamos tragédias por tudo e por nada! A vida não é tão má como às vezes gostamos de a pintar! Se há coisas que não nos correm bem, também há outras que são maravilhosas e que nem nos damos conta disso. Ao olhar para o mundo que nos rodeia, não nos esqueçamos dessa bondade natural que possui por ter sido criado por Deus. Se a aceitarmos, desaparecerão muitos desânimos no nosso viver quotidiano, mesmo no meio das dificuldades. E as pessoas à nossa volta agradecer-nos-ão que lhes contagiemos essa alegria de viver.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

A castidade

«Eu pensava que a continência dependia das minhas próprias forças, forças que em mim não conhecia. E era suficientemente louco para não saber [...] que ninguém pode ser continente, se Tu lho não concederes. E de certo Tu o terias concedido, se com gemido interior eu chamasse aos teus ouvidos e se com fé sólida lançasse em Ti o meu cuidado»

(Santo Agostinho - Confissões, 6, 11, 20) 

Requisito base…


Para fazermos um bom exame de consciência, devemos começar desde logo por Lhe pedir a sabedoria, humildade e honestidade, escaqueirando-Lhe completamente a porta do nosso coração e se, ainda assim, ela estiver a estorvar, arranquemo-la, certos que Ele já sabe tudo, mas necessita de ouvi-lo da nossa consciência, não para Sua satisfação, mas para nosso bem e verdadeiro arrependimento.

JPR

O Evangelho do dia 31 de março de 2017

Depois disto, andava Jesus pela Galileia; não queria andar pela Judeia, visto que os judeus O queriam matar. Estava próxima a festa dos judeus chamada dos Tabernáculos. Jesus respondeu-lhes: «Já vo-lo disse, e vós não Me credes. As obras que faço em nome de Meu Pai, essas dão testemunho de Mim; porém vós não credes, porque não sois das Minhas ovelhas. As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz, e Eu conheço-as, e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna; elas jamais hão-de perecer, e ninguém as arrebatará da Minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior que todas as coisas; e ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai. Eu e o Pai somos um».

Jo 7, 1-2.10.25-30

quinta-feira, 30 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 29ª Reflexão

E a temperança, Senhor?

Cheio de bondade, respondes-me:
Meu filho, está rodeado de mundo, dos prazeres do mundo, dos prazeres da carne, que continuamente te procuram e te tentam.
E o teu ser é chamado para esse mundo, porque faz parte também da tua existência, por isso, muitas vezes, perdes o domínio de ti próprio e deixaste levar a viver essas tentações.
Precisas então da temperança, fruto do Espírito Santo, para alcançares o domínio de ti próprio, quando o teu ser te chama ao mundo e aos seus prazeres efémeros.
O domínio da tua língua, ou seja, daquilo que dizes, sobretudo acerca dos outros. Lembra-te que a língua pode abençoar, mas também pode ser um “assassino camuflado” destruindo a dignidade de outrem, quando profere mentiras e maldições.
O domínio dos teus hábitos quotidianos, que por vezes desrespeitam o corpo que Eu te dei, na comida, na bebida, na sexualidade em tantas outras coisas.
O domínio da tua mente, onde tantas vezes principiam as tentações a que depois cedes, por tantas razões, entre elas, o que vês, (e não devias querer ver), o que ouves, (e não devias querer ouvir), e que depois se transformam em actos contra ti, contra os outros, contra Mim.
Mas não temas, meu filho, pois o Espírito Santo te dará a temperança necessária para resistires às tentações, dando-te a capacidade de dominares as tuas inclinações para o mundo e para a carne.

Sinto-me pecador, mas aliviado, e peço-Te:
Derrama, Senhor, continuamente o Espírito Santo sobre todos e sobre mim, para que seja Ele a fazer em nós a obra que por nós próprios não conseguimos.
Faz com que eu O invoque em todos os momentos e sobretudo quando me apercebo de que o mundo me chama e me quer seduzir, para que, pelo fruto da temperança eu tenha domínio sobre mim próprio.
Ensina-me a que com o Espírito Santo eu descubra as maravilhas do mundo que para nós criaste, e me afaste de tudo o que nele me quer afastar de Ti.

Obrigado, Senhor, pela temperança.

Monte Real, 10 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

Tantos anos a lutar...

Surgiram nuvens negras de falta de vontade, de perda de entusiasmo. Caíram aguaceiros de tristeza, com a clara sensação de te encontrares atado. E, como remate, vieram os desânimos, que nascem de uma realidade mais ou menos objectiva: tantos anos a lutar... e ainda estás tão atrasado, tão longe! Tudo isso é necessário, e Deus conta com isso. Para conseguirmos o "gaudium cum pace" – a paz e a alegria verdadeiras – havemos de acrescentar à certeza da nossa filiação divina, que nos enche de optimismo, o reconhecimento da nossa própria fraqueza pessoal. (Sulco, 78)

Mesmo nos momentos em que percebemos mais profundamente a nossa limitação, podemos e devemos olhar para Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, sabendo-nos participantes da vida divina. Nunca existe razão suficiente para voltarmos atrás: o Senhor está ao nosso lado. Temos que ser fiéis, leais, encarar as nossas obrigações, encontrando em Jesus o amor e o estímulo para compreender os erros dos outros e superar os nossos próprios erros. Assim, todos esses desalentos – os teus, os meus, os de todos os homens – servem também de suporte ao reino de Cristo.

Reconheçamos as nossas fraquezas, mas confessemos o poder de Deus. O optimismo, a alegria, a convicção firme de que o Senhor quer servir-se de nós têm de informar a vida cristã. Se nos sentirmos parte dessa Igreja Santa, se nos considerarmos sustentados pela rocha firme de Pedro e pela acção do Espírito Santo, decidir-nos-emos a cumprir o pequeno dever de cada instante: semear todos os dias um pouco. E a colheita fará transbordar os celeiros. (Cristo que passa, 160)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1925

Às 10.30 da manhã celebra a sua primeira Missa na capela da Virgem do Pilar, em Saragoça (Espanha), em sufrágio pela alma de seu pai, falecido havia poucos meses: “Na Santa capela, perante uma mão-cheia de pessoas, celebrei sem dar nas vistas a minha Missa Nova”. É a Segunda-feira anterior à Semana Santa desse ano.

O SIM MAIS DIFÍCIL DA HUMANIDADE

Será mais fácil dizer sim ou dizer não?

À primeira vista pareceria que seria bem mais fácil dizer sim.
Dizendo sim, faz-se a vontade do outro e portanto termina por aí tudo o que uma situação exige, ou seja, o outro fica contente, agradado, e nada mais exige de nós.
Ao dizer não, são precisas explicações, são precisos argumentos, para fundamentar o não a algo que nos é pedido, para além de que, apesar de tudo, ainda podermos incorrer no desagrado do outro e numa consequente frieza ou fim de uma relação.
Visto assim, poderíamos então inferir que é mais fácil dizer sim do que dizer não.

Pois, mas não foi assim com a Virgem Maria!

O sim que Ela disse foi bem mais difícil, foi bem mais complicado, do que o não que Ela poderia ter dito na sua liberdade.
Se dissesse não tudo terminaria ali para a sua pessoa, e como o outro neste caso era Deus, a sua relação com Ele continuaria exactamente a mesma, visto que Deus respeita a liberdade de cada um dos seus filhos, porque os ama com amor eterno.

Mas o sim de Maria foi bem mais difícil por muitas e variadas razões.

Primeiro, porque para dizer sim naquele momento, (a algo tão inverosímil), era preciso acreditar com fé firme que aquilo que o anjo Lhe dizia era possível, ou seja, que Deus queria e podia fazer aquilo para que Lhe pedia o sim.

Segundo, porque era preciso acreditar na sua humildade, que Ela era digna daquilo que Deus Lhe pedia, abandonando-se e aceitando a vontade de Deus, apesar de se reconhecer uma simples serva.

Terceiro, porque ficar grávida fora do casamento, quando se sabia que Ela «não conhecia homem» (Lc 1,34), era naquele tempo algo tão grave que podia levar à delapidação, à própria morte.

Quarto, porque perante esse estado de gravidez, aquele a quem Ela tinha sido entregue em casamento, José, podia repudiá-la com tudo o que isso significava naquela sociedade.

Quinto, porque o normal seria que a própria família a repudiasse.

Sexto, porque se fosse repudiada e sobrevivesse teria que, sozinha, alimentar, educar, tomar conta daquele Filho, que nunca seria aceite na sociedade.

Sétimo, porque se tentasse explicar a alguém o porquê do seu sim, apenas se ririam na sua cara e mais do que isso, condená-la-iam por blasfémia ao dizer que estava grávida do Filho de Deus.

E quantas razões mais poderíamos acrescentar, que à luz das nossas humanas fraquezas, “aconselhavam” um não à “proposta” feita.

Portanto, as razões para um não eram incomparavelmente “melhores” do que as razões que poderiam sustentar o sim naquele momento, e não nos esqueçamos que «Ela se perturbou», (Lc 1,29), pelo que não estava “fora de si”, mas sim perfeitamente consciente do momento e do que Lhe era pedido.

Sim, o Sim de Maria, foi o Sim mais difícil da humanidade e, ao mesmo tempo, o Sim mais importante da humanidade e para a humanidade.

Obrigado Mãe, porque «acreditaste, que se ia cumprir tudo o que te tinha sido dito da parte do Senhor.» (Lc 1, 45)

Obrigado Senhor por teres escolhido Maria como Mãe e obrigado Senhor por no-la teres dado como Mãe também.

Marinha Grande, 25 de Março de 2014

Joaquim Mexia Alves

A IGREJA TEM UM PROBLEMA COM AS MULHERES?

Há quem entenda que a Igreja católica tem um problema com as mulheres. O tópico, que não chega a ser sequer um argumento, era recorrente na voz das feministas de 68, que hoje são, pela certa, muito respeitáveis avós. Contudo, como o preconceito persiste, merece algumas sumárias considerações.

Desde os primórdios do Cristianismo que mulheres e homens gozam da mesma dignidade. A distinção funcional não obsta a esta fundamental igualdade de todos os fiéis porque, como ensina o Concílio Vaticano II, todos são chamados por igual à perfeição da vida cristã. Lucas enaltece a Mãe de Jesus e esclarece que, a par do grupo masculino dos doze apóstolos, também um conjunto de mulheres seguia o Mestre, com igual dedicação. Não estranha, portanto, que os relatos bíblicos da ressurreição de Cristo tenham, como protagonistas, as mulheres. Pelo facto de Maria Madalena a todos se ter antecipado no anúncio do ressuscitado, foi até cognominada “apóstola dos apóstolos”.

Na Igreja, desde sempre foi assim. São mulheres as superioras dos conventos e das ordens femininas, sem ingerência de nenhum poder masculino, salvo o do Papa, a que todos os católicos, sejam homens ou mulheres, estão sujeitos. Houve até abadessas que foram tidas por preladas, porque exerceram um poder quase episcopal. As rainhas cristãs, que o foram por direito próprio, exercitaram um poder em tudo igual ao dos reis. Note-se que, em pleno século XXI, a mulher do monarca marroquino não só não reina como nem sequer rainha é, mas apenas princesa e, como tal, inferior e subalterna ao seu augusto cônjuge. Mas isto não incomoda as feministas, que parecem mais interessadas em atacar a Igreja, do que em defender os direitos das mulheres de outras religiões.

Não consta que a religiosa Beata Teresa de Calcutá, a leiga C. Lubich, ou a médica Santa Joana Beretta Mola, casada e mãe de vários filhos, tivessem tido, por razão da sua condição feminina, nenhum problema com a Igreja do seu tempo, que é o nosso. Pelo contrário, mais e melhor do que muitos homens, enriqueceram a instituição eclesial com a alegria das suas vidas santas e, as duas primeiras, também com o dinamismo das entidades que originaram.

O movimento fundado por Chiara é até um caso de salutar feminismo cristão: embora misto, só as mulheres podem chegar à presidência. Seria caso para dizer que a Igreja católica tem um problema com os seus fiéis do sexo masculino, uma vez que nunca poderão ascender ao topo dessa meritória organização…

A questão da mulher na Igreja, como outras análogas, reporta-se a um aspecto para o qual o Papa Francisco tem chamado a atenção e que vai muito além do pormenor, significativo mas de somenos importância, de lavar os pés a duas adolescentes: a necessidade de entender a Igreja como serviço e não como poder. Quem vê ainda a Igreja como um poder, não pode compreender que, para um cristão coerente, seja homem ou mulher, o único que importa é o serviço e que, para esse efeito, tanto dá a condição masculina como a feminina, ser leigo ou sacerdote, viver vida contemplativa ou activa, ser religioso ou cidadão do mundo.

Decididamente, não é a Igreja que tem um problema com as mulheres, mas algumas mulheres que têm um problema com a Igreja. Umas quantas — Maria de Nazaré, Maria Madalena, Isabel de Portugal, Alexandrina de Balazar, Joana Beretta Mola, Teresa de Calcutá, Chiara Lubich, etc. — resolveram-no. Outras, pelos vistos, ainda não, mas estão a tempo de também serem, como alguém disse de Teresa de Lisieux, o rosto de Cristo na face de uma mulher.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada - artigo publicado no PÚBLICO (Domingo, dia 14-4-2013)

Santidade

O segredo da santidade é a amizade com Cristo e a adesão fiel à sua vontade.

Bento XVI - Discurso aos seminaristas (19.Ago.05)

O Evangelho do dia 30 de março de 2017

«Se dou testemunho de Mim mesmo, o Meu testemunho não é verdadeiro. Outro é o que dá testemunho de Mim; e sei que é verdadeiro o testemunho que dá de Mim. Vós enviastes mensageiros a João e ele deu testemunho da verdade. Eu, porém, não recebo o testemunho dum homem, mas digo-vos estas coisas a fim de que sejais salvos. João era uma lâmpada ardente e luminosa. E vós, por uns momentos, quisestes alegrar-vos com a sua luz. «Mas tenho um testemunho maior que o de João: as obras que o Pai Me deu que cumprisse, estas mesmas obras que Eu faço dão testemunho de Mim, de que o Pai Me enviou. E o Pai que Me enviou, Esse mesmo deu testemunho de Mim. Vós nunca ouvistes a Sua voz nem vistes a Sua face e não tendes em vós, de modo permanente, a Sua palavra, porque não acreditais n'Aquele que Ele enviou. «Examinai as Escrituras, visto que julgais ter nelas a vida eterna: elas são as que dão testemunho de Mim. E não quereis vir a Mim, para terdes vida. A glória, não a recebo dos homens, mas sei que não tendes em vós o amor de Deus. Vim em nome de Meu Pai e vós não Me recebeis; se vier outro em seu próprio nome, recebê-lo-eis. Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros e não buscais a glória que só de Deus vem? Não julgueis que sou Eu que vos hei-de acusar diante do Pai; Moisés, em quem confiais, é que vos acusará. Se acreditásseis em Moisés, certamente acreditaríeis também em Mim, porque ele escreveu de Mim. Porém, se não dais crédito aos seus escritos, como haveis de dar crédito às Minhas palavras?».

Jo 5, 31-47

quarta-feira, 29 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 28ª Reflexão
E a mansidão, Senhor?

Mais uma vez que me convidas a passear contigo e vais-me colocando perante mim:
A mansidão, meu filho, é uma virtude que te faz viver em paz contigo e com os outros, nas coisas mais simples e nas coisas mais difíceis. É aceitares os outros como eles são, e aceitares-te também a ti, como tu és.
É seres aberto a ser ensinado em tudo, às vezes por aqueles que julgas nada te poderem ensinar, (porque os julgas simples, sem nada para ensinar), mas que num gesto ou numa palavra te podem fazer perceber os teus erros e fraquezas ou tantas coisas que desconheces.
É não levantares a voz, nem externa, nem internamente, mas procurares, por exemplo, numa discussão, fazê-la de coração aberto, atento ao que te dizem e respondendo em paz e tranquilidade.
É um caminho tão vasto, meu filho, que só confiando no Espírito Santo e a Ele se entregando, é possível verdadeiramente percorrer.
Queres perceber, meu filho, numa coisa muito simples, onde podes viver também a mansidão?
Por exemplo, quando conduzes o teu automóvel e te irritas com aquilo que achas serem as aneiras dos outros. Serão mesmo asneiras e não as praticas tu também, de quando em vez? Sabes qual é o estado de espírito daquele que as praticou?
E não te esqueças, meu filho, que só pode ser manso aquele que é forte, porque só na fortaleza e na humildade se encontra a mansidão.

Nem sei o que Te dizer, mas peço-Te:
Faz com que o meu coração e a minha mente reflictam sempre na mansidão, antes de reagirem, antes de responderem, seja a quem for e a tudo aquilo que acontecer no dia-a-dia da vida que me dás.
Que eu me saiba entregar ao Espírito Santo, para que na Sua fortaleza, eu possa ser manso como Tu queres que seja.
Ensina-me a mansidão, Senhor, faz-me manso e humilde como Tu!

Obrigado, Senhor, pelos mansos e humildes de coração.

Monte Real, 9 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página Facebook

Não te assustes ao veres-te tal como és

Não necessito de milagres; bastam-me os que há na Escritura. – Pelo contrário, faz-me falta o teu cumprimento do dever, a tua correspondência à graça. (Caminho, 362)

Repitamos com a palavra e com as obras: Senhor, confio em Ti, basta-me a tua providência ordinária, a tua ajuda de cada dia. Não temos por que pedir a Deus grandes milagres. Temos de lhe suplicar, pelo contrário, que aumente a nossa fé, que ilumine a nossa inteligência, que fortaleça a nossa vontade. Jesus está sempre junto de nós e permanece fiel.

Desde o começo da minha pregação, preveni-vos contra um falso endeusamento. Não te assustes ao veres-te tal como és: assim, feito de barro. Não te preocupes. Porque, tu e eu somos filhos de Deus, – este é o endeusamento bom – escolhidos desde a eternidade, com uma vocação divina: escolheu-nos o Pai, por Jesus Cristo, antes da criação do mundo, para que sejamos santos diante dele. Nós, que somos especialmente de Deus, seus instrumentos apesar da nossa pobre miséria pessoal, seremos eficazes se não perdermos o conhecimento da nossa fraqueza. As tentações dão-nos a dimensão da nossa própria fraqueza.

Se sentimos desalento ao experimentar – talvez de um modo particularmente vivo – a nossa mesquinhez, é o momento de nos abandonarmos por completo, com docilidade, nas mãos de Deus. Conta-se que, certo dia, um mendigo saiu ao encontro de Alexandre Magno, pedindo uma esmola. Alexandre parou e ordenou que o fizessem senhor de cinco cidades. O pobre, confundido e atordoado, exclamou: eu não pedia tanto! E Alexandre respondeu: tu pediste como quem és; eu dou-te como quem sou. (Cristo que passa, 160) 

São Josemaría Escrivá

Audiência geral (resumo)

Locutor: Abraão é nosso pai na fé; hoje podemos ver que ele é também, para nós, pai na esperança. Pois «foi com uma esperança, para além do que se podia esperar, que Abraão acreditou». Estas palavras do apóstolo Paulo mostram-nos a ligação íntima que existe entre a fé e a esperança. Esta não se apoia em raciocínios, previsões e certezas humanas, conseguindo ir mais além do que humanamente se pode esperar. É o caso de Abraão que acreditou na promessa divina de que haveria de ser pai de muitos povos, quando já nada o fazia esperar: a morte já o espreitava e a sua esposa, Sara, era estéril. A esperança teologal é capaz de subsistir no meio da derrocada de todas as esperanças humanas, porque não se funda numa palavra nossa, mas na Palavra de Deus. É uma esperança apoiada sobre uma promessa que, do ponto de vista humano, parece insegura e fora de todas as previsões; e contudo vemo-la resistir à própria morte, se quem promete é o Deus da Ressurreição e da Vida. Somos chamados, também nisto, a seguir o exemplo de Abraão: não obstante a sua vida já votada à morte, fiou-se de Deus, «plenamente convencido que Ele tinha poder para realizar o que tinha prometido». Peçamos a graça de viver apoiados, não tanto nas nossas seguranças e capacidades, como sobretudo na esperança que brota da promessa de Deus, como verdadeiros filhos de Abraão. Então a nossa vida assumirá uma luz nova, com a certeza de que Aquele que ressuscitou o seu Filho nos há de ressuscitar também a nós, para nos tornarmos verdadeiramente um só com Ele e com todos os nossos irmãos e irmãs na fé.
* * *
Santo Padre:
Con particolare affetto saluto il gruppo di «Amigos dos Museus de Portugal» e anche i professori e gli alunni del «Colégio Cedros», augurando a tutti i pellegrini presenti di lingua portoghese e alle rispettive famiglie una rinnovata vitalità spirituale nella fedele e generosa adesione a Cristo e alla Chiesa. Guardate al futuro con speranza e non stancatevi di lavorare nella vigna del Signore. Vegli sul vostro cammino la Vergine Maria.
* * *
LocutorCom particular afeto, saúdo o grupo de «Amigos dos Museus de Portugal» e também os professores e os alunos do «Colégio Cedros», desejando a todos os peregrinos presentes de língua portuguesa e respetivas famílias uma renovada vitalidade espiritual na fiel e generosa adesão a Cristo e à Igreja. Olhai o futuro com esperança e não vos canseis de trabalhar na vinha do Senhor. Vele sobre o vosso caminho a Virgem Maria.

São Josemaría Escrivá nesta data em 1947

A Câmara Municipal de Barbastro, sua cidade natal, nomeia-o Filho predilecto. Passados anos, numa carta dirigida ao Presidente da Câmara, datada de 28 de Março de 1971, escreve: “Sou muito barbastrense e procuro ser bom filho dos meus pais. Deixe-me dizer que a minha mãe e o meu pai, embora tivessem de sair dessa terra, inculcaram em nós, com a fé e a piedade, um carinho muito grande às terras banhadas pelo Vero e pelo Cinca”.

As bem-aventuranças… Felizes os não-felizes

«Na sua estrutura linguística e especulativa elas são paradoxos. Escolhemos somente uma para que o paradoxo surja em toda a sua drasticidade, “Bem-aventurados que sofrem” (Mt 5,4). Para sublinhar o paradoxo podemos traduzi-la assim: Bem-aventurados os que não são arrebatados pela felicidade. Nas bem-aventuranças o termo “bem-aventurado” não tem semanticamente nada a ver com palavras como “feliz” ou “bem”. De facto, aquele que sofre não se sente “bem”. “Felizes os não-felizes”, assim seria necessário traduzir para fazer sobressair todo o paradoxo».

(Joseph Ratzinger - “Olhar para Cristo”)

CHORA O MEU CORAÇÃO PORTUGUÊS

Chora o meu coração português!
E as lágrimas que ele deita,
beijam as ameias dos castelos,
recheadas da História,
de quem português se diz,
de quem português se sente,
a História do meu país.

Vejo um povo adormecido,
embalado em falsas promessas,
de futuros sem sentido,
de valores,
vazio e deserto,
um povo que já não parte,
a dar mais mundos,
ao mundo.

As Chagas de Cristo sangram,
sobre as Quinas do passado,
porque a memória dói,
num presente sem memória,
dum povo que foi herói.

Quase nada já te pertence,
oh meu querido Portugal,
exaurido das forças épicas,
roubado por mãos infames,
vais jazendo num torpor,
dorido, presente, real,
abafando a tua dor,
no passado glorioso,
que já não volta!

Levanta-te,
faz-te à vida,
faz-te ao mar,
navega rumo ao Sol,
desfralda as velas da Cruz,
vermelha como o teu sangue,
não tenhas medo de nada,
nem do mostrengo,
nem do mal,
ergue-te altaneiro,
forte, heroico e leal,
para que sejas de novo,
e sempre,
Portugal, Portugal, Portugal!

Monte Real, 29 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

«San Gennaro» (ou S. Januário)

Próculo nasceu na Calábria (Sul de Itália) no ano 272, numa época em que matar cristãos era um desporto habitual do império romano. O primeiro nome deste rapaz atlético (tinha 1,90 m) era Próculo, o apelido é o mês em que nasceu, Janeiro. Ainda muito novo, foi bispo na Itália do Sul. Morreu com 33 anos no dia 19 de Setembro de 305, decapitado, juntamente com bastantes outros cristãos, leigos, padres e diáconos.

Januário era estimadíssimo pelo povo, razão pela qual houve uma hesitação na sua condenação às feras, para evitar sublevações populares. Afinal, as autoridades ganharam coragem e cortaram-lhe a cabeça. Logo depois da decapitação, os cristãos conservaram o sangue, como era hábito. Compreende-se que os documentos cristãos tivessem guardado a memória da senhora cristã corajosa que se encarregou de recolher o sangue do bispo em duas ampolas: chamava-se Eusébia.

Três vezes por ano, o sangue de S. Januário, já com 17 séculos de história, volta a liquefazer-se, como sangue vivo. Desde há muitos anos, o milagre repete-se numa cerimónia soleníssima presidida pelo Cardeal Arcebispo de Nápoles e, no final, durante uma semana, as ampolas ficam à disposição dos fiéis, que as podem ver de perto e beijar.

O sangue liquefaz-se no início de Maio, aniversário da trasladação das relíquias, em Setembro, no aniversário do martírio, e no dia 16 de Dezembro, em memória de um rio de lava a escorrer do vulcão Vesúvio, que estacou à entrada de Nápoles, depois de o povo ter invocado S. Januário, no ano de 1631.

Geralmente, o sangue de S. Januário liquefaz-se nestas ocasiões mas, nalguns anos, isso não acontece, por razões que não se conhecem. Os devotos de S. Januário notam que esses casos têm coincidido com desgraças que acontecem à cidade. Existe na catedral um livro em que estão apontados todos os casos, ao longo dos séculos, em que o sangue não se liquefez, ou em que esse fenómeno ocorreu fora das datas habituais.

Muitos Papas peregrinaram a Nápoles mas nenhum se pronunciou sobre o eventual carácter milagroso da liquefacção do sangue contido nas duas ampolas. Paulo VI disse em 1966: «…tal como este sangue palpita em cada festa, assim a fé do povo de Nápoles possa palpitar, reflorir e afirmar-se». Comprometer-se, nada. Mesmo assim, em Nápoles e em toda a Itália, as pessoas gostam de olhar com devoção para aquelas ampolas e lembrar-se de que Deus cuida de nós, rodeado santos, de multidões de santos que foram fiéis e se interessam por nós.

Vem isto a propósito de algo que aconteceu pela primeira vez na passada festa de S. José, no dia 19 de Março de 2015. Nunca na história o sangue de S. Januário se tinha liquefeito durante a visita de um Papa a Nápoles: nem no século XIX com Pio IX, nem mais recentemente com João Paulo II, ou Bento XVI. Liquefez-se agora, no final das palavras que o Papa Francisco dirigiu aos fiéis e ao clero.

O Papa Francisco, falando sem discurso escrito, insistiu no amor à Igreja, «porque não se pode amar Jesus sem amar a sua Igreja», e na missão de evangelizar, «a Igreja existe para levar Jesus à gente». Falou também do amor a Nossa Senhora: «Jesus e Nossa Senhora são o ponto de partida». Lembrou o perigo da mundanidade, o exagero no conforto e nos gastos, «o espírito do mundo», que Jesus não queria. Falou a seguir do testemunho de vida dos cristãos: «isso é que atrai vocações!». Depois, referiu um aspecto característico do testemunho cristão, a alegria: «se há tristeza, qualquer coisa não funciona, na relação com Deus». Finalmente, alertou para o «terrorismo da murmuração»: «as críticas destroem, as diferenças discutem-se frente a frente».

Quando o fenómeno se começou a notar, a seguir ao discurso do Papa, o Cardeal de Nápoles disse ao microfone, entusiasmado: «é sinal de que S. Januário gosta de Nápoles e do Papa Francisco: metade do sangue liquefez-se!». A multidão aplaudiu longamente e o Papa comentou com o seu humor espontâneo: «Se se liquefez a meias, quer dizer que temos de nos esforçar mais, temos que ser melhores. O Santo só gosta de nós a meias». Um minuto depois, o sangue das ampolas liquefazia-se completamente.

José Maria C.S. André
«Correio dos Açores», «Verdadeiro Olhar», «ABC Portuguese Canadian Newspaper», 30-III-2015

O Evangelho do dia 29 de março de 2017

Mas Jesus respondeu-lhes: «Meu Pai não cessa de trabalhar, e Eu trabalho também». Por isso, os judeus procuravam com maior ardor matá-l'O, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era Seu Pai, fazendo-Se igual a Deus. Jesus respondeu e disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: O Filho não pode por Si mesmo fazer coisa alguma, mas somente o que vir fazer ao Pai; porque tudo o que fizer o Pai o faz igualmente o Filho. Porque o Pai ama o Filho e mostra-Lhe tudo o que faz; e Lhe mostrará maiores obras do que estas, até ao ponto de vós ficardes admirados. Porque assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida àqueles que quer. O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho o poder de julgar a fim de que todos honrem o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que O enviou. Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a Minha palavra e crê n'Aquele que Me enviou tem a vida eterna e não incorre na sentença de condenação, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. Com efeito, assim como o Pai tem a vida em Si mesmo, assim deu ao Filho ter vida em Si mesmo; e deu-Lhe o poder de julgar, porque é o Filho do Homem. Não vos admireis disso, porque virá tempo em que todos os que se encontram nos sepulcros ouvirão a Sua voz, e os que tiverem feito obras boas sairão para a ressurreição da vida, mas os que tiverem feito obras más sairão ressuscitados para a condenação. Não posso por Mim mesmo fazer coisa alguma. Julgo segundo o que ouço, e o Meu juízo é justo, porque não busco a Minha vontade, mas a d'Aquele que Me enviou.

Jo 5, 17-30

terça-feira, 28 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 27ª Reflexão

Trazes, Senhor, ao meu coração a Mãe do Céu, a Mãe que Tu nos deste naquele dia na Cruz.

E é Ela que me senta ao seu colo e me fala ao coração:
Meu Joaquim, o meu único e grande desejo é mostrar-te Jesus, todos os dias, desde que te levantas até que te deitas.
Discretamente, como sempre fiz, caminho ao teu lado e vou-te mostrando, com o coração de Mãe, a presença do meu Filho sempre junto de ti e de todos.
Por vezes estás distraído ou olhas para o lado, quando te surge aquele que não conheces ou te incomoda, mas Eu chamo-te a atenção para que vejas Jesus no teu irmão.
Não sou Eu, por vontade dEle, Mãe de todos?
Meu Joaquim, a melhor honraria, a melhor devoção que me podem fazer, é amar Jesus acima de todas as coisas, fazer em tudo a Sua vontade e só a Ele adorar e glorificar.

Olho-te nos olhos, e uma lágrima teimosa aparece, quando te peço:
Ajuda-me e ensina-me, Mãe, a amar Jesus acima de todas as coisas e a segui-lO em tudo e sempre.
Ajuda-me e ensina-me, Mãe, a reconhecer Jesus em cada irmã e cada irmão que passam na minha vida, seja em que circunstância for, mas sobretudo naqueles que mais necessitam.
Ajuda-me e ensina-me, Mãe, a fazer sempre tudo o que Ele me disser.
E não cesses nunca, Mãe, de interceder por todos e por mim, junto do teu Filho, que sempre te ouve, porque pedes sempre segundo a Sua vontade.

Obrigado, Mãe, obrigado!

Monte Real, 8 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

VIA SACRA

VII estação

Jesus cai pela segunda vez
  
Nós Vos adoramos e bendizemos oh Jesus!
Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Os joelhos em chaga, marcam uma vez mais com sangue as pedras da calçada do martírio.

Se não fosse necessário subires até ao Calvário, morrerias ali mesmo. De dor, de exaustão.

Mas é preciso que tudo se cumpra e Tu, levantas-te outra vez.

Eu fico pasmado com a Tua determinação de quereres, custe o que custar, ir até ao fim.

Percebo que pretendes demonstrar-me que não é irremediável cair, gravíssimo é não me levantar.

Necessito de coragem, força, ânimo e determinação para seguir em frente, levantando-me sempre que cair.

Se eu me esforçar verdadeiramente, se da minha parte houver esse firme propósito, então Tu Senhor, nunca me faltarás com o auxílio necessário e bastante para o conseguir, pois Tu bem sabes que, sozinho, nada posso.

Esta a mensagem que os Teus olhos doridos me comunicam, enquanto estás por terra.

Sabes bem que contribui para esta Tua queda, com as minhas faltas, as minhas omissões, as minhas cedências à concupiscência.

Mesmo assim, Tu perdoas-me e esperas que também eu me levante, que, envergonhadíssimo e contrito, peça perdão, faça o propósito de não tornar a pecar e siga em frente.

Podes levantar-te agora, Senhor.

Estou disposto a seguir o Teu exemplo.

Sei que hei-de cair muitas vezes, mas tenho a firme disposição de me levantar sempre, para que o caminho não deixe de ser andado, em frente, como deve ser, para Teu contentamento e alegria e para salvação da minha alma.

PN, AVM, GLP.

Senhor: Tem piedade de nós

Frequenta o convívio do Espírito Santo

Frequenta o convívio do Espírito Santo – o Grande Desconhecido – que é Quem te há-de santificar. Não esqueças de que és templo de Deus. – O Paráclito está no centro da tua alma: ouve-O e segue docilmente as Suas inspirações. (Caminho, 57)

A força e o poder de Deus iluminam a face da Terra. O Espírito Santo continua a assistir à Igreja de Cristo, para que ela seja – sempre e em tudo – sinal erguido diante das nações, anunciando à Humanidade a benevolência e o amor de Deus. Por maiores que sejam as nossas limitações, nós, homens, podemos olhar com confiança para os Céus e sentir-nos cheios de alegria: Deus ama-nos e liberta-nos dos nossos pecados. A presença e a acção do Espírito Santo na Igreja são o penhor e a antecipação da felicidade eterna, dessa alegria e dessa paz que Deus nos prepara. (...).

Mas esta nossa fé no Espírito Santo deve ser plena e completa. Não é uma crença vaga na sua presença no mundo; é uma aceitação agradecida dos sinais e realidades a que quis vincular a sua força de um modo especial. Quando vier o Espírito de Verdade – anunciou Jesus – Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. O Espírito Santo é o Espírito enviado por Cristo, para operar em nós a santificação que Ele nos mereceu para nós na Terra.

É por isso que não pode haver fé no Espírito Santo, se não houver fé em Cristo, na doutrina de Cristo, nos sacramentos de Cristo, na Igreja de Cristo. Não é coerente com a fé cristã, não crê verdadeiramente no Espírito Santo, quem não ama a Igreja, quem não tem confiança nela, quem se compraz apenas em mostrar as deficiências e limitações dos que a representam, quem a julga por fora e é incapaz de se sentir seu filho. (Cristo que passa, 128 – 130)

São Josemaría Escrivá