N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O aspecto central da educação

Educar com amor e verdade
Em certa ocasião, ouvi um pai de família afirmar o seguinte: «Educação e liberdade são conceitos incompatíveis na prática do dia-a-dia familiar. Pode haver uma compatibilidade teórica ― defendida, talvez, por aqueles que escrevem artigos para os jornais e nunca educaram ninguém na sua vida. Esses idealistas da educação fazem-me lembrar os que mandam bitates para dentro das quatro linhas ― e nunca deram um pontapé numa bola de futebol!

No entanto, nós, que estamos no “terreno”, sabemos ― por experiência própria, não pela teoria ― que educar limita a liberdade dos nossos filhos. E digo-vos uma coisa que já me dizia o meu pai: “Acho muito bem que limite”. Se não fosse assim, eles só fariam aquilo que lhes apetecesse. Seria o caos familiar. O fim do lar-doce-lar. A guerra sem trincheiras lá em casa! Por isso, digo claramente aos meus filhos: “Serás verdadeiramente livre quando saíres desta casa. Quando fores independente economicamente. Até lá, rapaz, farás aquilo que eu e a tua mãe te dissermos e acabou-se a conversa”».

Não concordo absolutamente nada com este modo de entender a educação. Também é bom ter em conta que pertenço à vilipendiada classe de sujeitos que gostam de escrever artigos para os jornais. Aproveito a ocasião para lançar algumas ideias sobre esta temática.

Educação e liberdade não só são conceitos completamente compatíveis, como o primeiro (a educação) não existe de verdade se não se respeita o segundo (a liberdade). “Ensinar a usar bem a liberdade” não parece ser um pequeno “detalhe” da educação, mas sim o seu aspecto central. Que significa isto?

Significa que, para educar de verdade, é fundamental ajudar os filhos ― os alunos ― a fazerem o bem não só porque está mandado, mas, sobretudo e principalmente, porque entendem que é o melhor para eles. Está mandado porque é o melhor para eles e não ao contrário. Se o contrário fosse verdadeiro, cairíamos na arbitrariedade e perderíamos nesse preciso momento a autoridade que possuímos para educar. A autoridade que os pais possuem tem como fim indicar o bom caminho aos filhos. Ensiná-los a usarem bem esse dom maravilhoso ― e perigoso, se mal utilizado ― que se chama liberdade.

Esta afirmação possui consequências óbvias. Na educação, temos de dar razões ― de acordo com a idade e as capacidades das crianças e dos jovens ― para que eles possam interiorizar a bondade daquilo que se lhes indica. Que eles constatem que o que lhes dizemos não procede do nosso capricho ― não é algo arbitrário ― porque possui uma estreita relação com a verdade das coisas e das situações. Deste modo ― e não de outro ― a personalidade do filho fortalece-se. E ele pode crescer maduro, seguro e livre.

Por isso, é uma missão irrenunciável dos pais transmitir ― contagiar ― um amor à verdade que é sempre a chave para entender o sentido da liberdade. Sem referência à verdade, a liberdade perde o seu sentido ― e a educação também. A educação fica reduzida a mera transmissão de opiniões ― todas elas igualmente válidas!

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

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