Natal

Natal
Vinde, Senhor Jesus! Estamos ansiosos pela vossa chegada para proclamarmos de novo o nascimento do Filho de Deus Pai

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Novos logos da Comunicação do Vaticano


O valor divino do matrimónio

No meio do júbilo da festa, em Caná, só Maria nota a falta de vinho... Até aos mais pequenos pormenores de serviço chega a alma quando vive, como Ela, apaixonadamente atenta ao próximo, por Deus. (Sulco, 631)

O amor puro e limpo dos esposos é uma realidade santa, que eu, como sacerdote, abençoo com ambas as mãos. A tradição cristã viu frequentemente na presença de Jesus nas bodas de Caná uma confirmação do valor divino do matrimónio: O nosso Salvador foi às bodas – escreve S. Cirilo de Alexandria – para santificar o princípio da geração humana.

O matrimónio é um sacramento que faz de dois corpos uma só carne: como diz com expressão forte a teologia, são os próprios corpos dos contraentes que constituem a sua matéria. O Senhor santifica e abençoa o amor do marido à mulher e o da mulher ao marido; e ordenou não só a fusão das suas almas, mas também a dos seus corpos. Nenhum cristão, esteja ou não chamado à vida matrimonial, pode deixar de a estimar.

O Criador deu-nos a inteligência, centelha do entendimento divino, que nos permite – com vontade livre, outro dom de Deus – conhecer e amar; e deu ao nosso corpo a possibilidade de gerar, que é como uma participação do seu poder criador. Deus quis servir-se do amor conjugal para trazer novas criaturas ao mundo e aumentar o corpo da Igreja. O sexo não é uma realidade vergonhosa; é uma dádiva divina que se orienta limpamente para a vida, para o amor, para a fecundidade. (Cristo que passa, 24)

São Josemaría Escrivá

Porquê ir à Missa ao Domingo? (audiência)

Locutor: Depois da Páscoa, os discípulos de Jesus habituaram-se a esperar a visita do seu divino Mestre no primeiro dia da semana; foi nesse dia que Ele ressuscitou e veio encontrar-Se com eles no Cenáculo, falando e comendo com eles e dando-lhes o Espírito Santo. Tal encontro repetir-se-ia oito dias depois, já com a presença de Tomé. E assim, aos poucos, o primeiro dia da semana passou a ser chamado pelos cristãos o dia do Senhor, ou seja, o domingo. Nós, cristãos, vamos à Missa ao domingo para encontrar o Senhor ressuscitado ou, melhor, para nos deixarmos encontrar por Ele, ouvir a sua palavra, alimentar-nos à sua mesa e, assim, nos tornarmos Igreja, o seu corpo místico vivo hoje no mundo. Por isso o domingo é, para nós, um dia santo: santificado pela celebração eucarística, presença viva do Senhor para nós e entre nós. É a Missa que faz cristão o domingo. Infelizmente há comunidades cristãs que não podem ter Missa todos os domingos; mas também elas são chamadas a recolher-se em oração, nesse dia, ouvindo a Palavra de Deus e mantendo vivo o desejo da Eucaristia. Sem Cristo, estamos condenados a ser dominados pelo cansaço do dia-a-dia com as suas preocupações e pelo medo do futuro. O encontro dominical com Jesus dá-nos a força de que necessitamos para viver com coragem e esperança os nossos dias. Mais ainda, a comunhão eucarística com Jesus ressuscitado antecipa aquele domingo sem ocaso em que toda a humanidade entrará no repouso de Deus.

Santo Padre:
Rivolgo un cordiale saluto ai pellegrini di lingua portoghese, invitando tutti a rimanere fedeli all’incontro domenicale con Cristo Gesù. Egli ci sfida a uscire dal nostro mondo piccolo e ristretto verso il Regno di Dio e la vera libertà. Lo Spirito Santo vi illumini affinché possiate portare la Benedizione di Dio a tutti gli uomini. La Vergine Madre vegli sul vostro cammino e vi protegga.


Locutor: Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, convidando todos a permanecer fiéis ao encontro dominical com Cristo Jesus. Ele desafia-nos a sair do nosso mundo limitado e estreito para o Reino de Deus e a verdadeira liberdade. O Espírito Santo vos ilumine para poderdes levar a Bênção de Deus a todos os homens. A Virgem Mãe vele sobre o vosso caminho e vos proteja.

São Josemaría Escrivá nesta data em 1937

Está em San Sebastián. Celebra a Missa pelo Pe. Pedro Poveda, que tinha sido assassinado na madrugada de 28 de Julho de 1936. “Celebro pelo Pe. Pedro, encomendando-me a ele: mais que sufrágio pela sua alma (santa, ainda que sem martírio) peço-lhe a sua intercessão”. João Paulo II canonizará Pedro Poveda a 4-V-2003.

Devoção à Virgem Maria

Na aridez de certos dias, a Virgem Maria nos fará encontrar flores repletas de um bom aroma, do bonus odor Christi [8], como narram as aparições da Virgem de Guadalupe a S. Juan Diego, que celebramos no dia 12.

[8]. 2 Cor 2, 15.

(D. Javier Echevarría excerto da carta do mês de dezembro de 2016)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

A Santa Madre Igreja

«Humildade! Sublimidade! Tenda de Cedar e Santuário de Deus; habitação terrena e palácio celeste; casa de barro e corte real; corpo mortal e templo de luz; enfim, objecto de desprezo para os orgulhosos e esposa de Cristo! Ela é morena mas bela, ó filhas de Jerusalém; ela que, empalidecida pela fadiga e sofrimento dum longo exílio, tem, no entanto, por ornamento a beleza celeste»

(São Bernardo de Claraval - In Canticum sermo, 27, 7-14)

A perenidade da Igreja

«A Igreja vacilará se o seu fundamento vacila, mas poderá vacilar Cristo? Enquanto Cristo não vacilar, a Igreja não fraquejará jamais até ao fim dos tempos.»

(Santo Agostinho - Enarrationes in Psalmos, 103)

«Que pena verificar como marcham unidos por diversas paixões - mas unidos contra os cristãos, filhos de Deus - os que odeiam o Senhor, e alguns que afirmam estar ao seu serviço!»

(S. Josemaría Escrivá - Sulco 935)

À laia de desabafo e consciente da polémica, mas às vezes penso que para assegurar a perenidade da Igreja, talvez fosse necessário expurgá-la daqueles que a corroem dizendo-se católicos.

Rezo todos os dias por eles e peço a Deus que na pessoa do Espírito Santo os ilumine, mas entretanto colocá-los em ‘reciclagem’… «Por isso vos disse: Ninguém pode vir a Mim, se não lho for concedido por meu Pai» (Jo 6, 65)

JPR

Preparação para o Nascimento do Senhor

Não esqueçamos que, a partir do dia 17, a Igreja entoa as chamadas antífonas maiores, com as quais se prepara de forma imediata para o Nascimento do Senhor. A primeira é esta: Ó Sabedoria do Altíssimo, que tudo governais com firmeza e suavidade: vinde ensinar-nos o caminho da salvação [17]. É uma premente invocação ao Verbo Incarnado, cujo nascimento, da Virgem Maria, estamos quase a comemorar. Porque a Sabedoria que nasce em Belém é a Sabedoria de Deus (…), ou seja, um desígnio divino que permaneceu escondido durante muito tempo e que o próprio Deus revelou na História da salvação. Na plenitude dos tempos, esta Sabedoria adquiriu um rosto humano, o rosto de Jesus [18].

Preparemo-nos com fé para esta grande festa que é a festa da alegria por excelência. Vivamo-la com toda a humanidade. Vivamo-la com todos os fiéis da Obra. Acorramos a este encontro com a firme decisão de contemplar a infinita grandeza e a humildade de Jesus Cristo, que assumiu a nossa natureza – outra manifestação de como nos ama – e não nos cansemos de olhar para Maria e José, admiráveis mestres de oração, de amor a Deus.

A Palavra que se faz carne é o Verbo eterno de Deus, que ganhou para nós a condição de sermos n’Ele filhos de Deus: vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, a ponto de nos podermos chamar filhos de Deus; e somo-lo, de facto! [19] E S. Josemaria comenta: Filhos de Deus, irmãos do Verbo feito carne, d’Aquele de Quem foi dito: n’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens! (Jo 1, 4) Filhos da Luz, irmãos da Luz isso é o que nós somos! Portadores da única chama capaz de iluminar os corações feitos de carne! [20] Desejo que não faltemos a este encontro da celebração da chegada de Deus à Terra: nestes dias, obser­vemos como é o nosso esforço por melhorar o estar com Jesus, o viver com Jesus, o ser de Jesus.

[17]. Liturgia das Horas, Vésperas do dia 17 de dezembro, Antífona ad Magnificat.

[18]. Bento XVI, Homilia nas Vésperas de 17-XII-2009.
[19]. 1 Jo 3, 1.
[20]. S. Josemaria, Cristo que passa, n. 66.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de dezembro de 2012)

O Evangelho do dia 13 de dezembro de 2017

O «Vinde a Mim todos os que estais fatigados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo leve».

Mt 11, 28-30

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Tudo pode e deve levar-nos a Deus

É urgente difundir a luz da doutrina de Cristo. Entesoura formação, enche-te de clareza de ideias, de plenitude da mensagem cristã, para poder depois transmiti-la aos outros. Não esperes umas iluminações de Deus, que não tem porque dá-las, já que dispões de meios humanos concretos: o estudo, o trabalho. (Forja, 841)

O cristão precisa de ter fome de saber. Desde o estudo dos saberes mais abstractos até à habilidade do artesão, tudo pode e deve conduzir a Deus. Efectivamente não há tarefa humana que não seja santificável, motivo para a nossa própria santificação e oportunidade para colaborar com Deus na santificação dos que nos rodeiam. A luz dos seguidores de Jesus Cristo não deve estar no fundo do vale, mas no cume da montanha para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.

Trabalhar assim é oração. Estudar assim é oração. Investigar assim é oração. Nunca saímos afinal do mesmo: tudo é oração, tudo pode e deve levar-nos a Deus, alimentar a nossa intimidade contínua com Ele, da manhã à noite. Todo o trabalho honrado pode ser oração e todo o trabalho que é oração é apostolado. Deste modo, a alma fortalece-se numa unidade de vida simples e forte.

Vimos a realidade da vocação cristã, ou seja, como o Senhor confiou em nós para levar as almas à santidade, para as aproximar d'Ele, para as unir à Igreja e estender o reino de Deus a todos os corações. O Senhor quer-nos entregues, fiéis, dedicados, com amor. Quer-nos santos, muito seus.. (Cristo que passa, 10–11)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

Escreve: “Ontem almocei em casa dos Guevara. Estando ali, sem fazer oração, dei comigo – como outras vezes – dizendo: “Inter medium montium pertransibunt aquae”. Creio que, nestes dias tenho tido outras vezes na minha boca essas palavras, porque sim, mas não lhes dei importância. Ontem disse-as com tanta força, que senti o desejo de as anotar: entendi-as”. Anos mais tarde, esclarecerá: “Eu recordo o consolo de uma alma que tinha de fazer algo que estava acima das forças do homem e ouviu dizer na intimidade do seu coração: Inter medium montium pertransibunt aquae; não te preocupes, as águas passarão através dos montes”.

Faz hoje um ano o Senhor levou-me um amigo e um Padre Santo

Apeteceu-me chorar, apeteceu-me dar graças ao Senhor por haver chamado D. Javier Echevarria no dia de Nossa Senhora de Guadalupe de quem à semelhança de S. Josemaria Escrivá era profundamente devoto, mas também senti a necessidade de dar um testemunho de gratidão pelo bem que me fez e faz a leitura das suas cartas pastorais de cada mês.

O Padre era um homem simples e envolto numa aura de timidez e paz que tão bem transmitia por escrito e nas tertúlias a que tive o privilégio de assistir, neste tempo conturbado, essa paz era um dos pilares que me sustentava.

Deixa um legado na senda do fundador, S. Josemaria, e do seu antecessor, o Bem-aventurado Álvaro del Portillo, de grande unidade na Igreja e ficámos plenamente confiantes após a escolha do seu sucessor Fernando Ocáriz que certamente prosseguirá em total respeito pelo caminho e carisma da Obra e do seu fundador.

Requiescat in pace”

JPR

Primeira filha de dois

A minha filhota Patrícia, escritora com vários livros publicados, editora e boa Mãe de dois maravilhosos rapazes, nasceu nesta data há 47 anos, tinha eu apenas 17, mas graças a Deus sempre tive uma só família.

A minha relação com a Patrícia norteia-se por amor e respeito mútuo, sabendo que em muitas coisas divergimos, mas estando sempre presentes quando precisamos um do outro. Hoje ainda não a “parabenizei” verbalmente por se encontrar no estrangeiro o que é habitual nesta altura do ano, mas os SMS, WhatsApp e Messenger do Facebook, que são sempre muito úteis nestas ocasiões, serão usados e certamente respondidos.

Da Patrícia, permito-me salientar algo que recomendaria a todas as Mães, que é a gestão dos tempos dos filhos. Os meus netos, hoje com 22 e 18 anos, sempre tiveram tempos divididos para as coisas que mais gostavam, ver TV, navegar na net, ver futebol, mas nunca lhes faltou um tempo próprio de leitura e este aparente simples facto dotou-os de uma cultura geral acima da média, para além daquilo que a enorme bagagem cultural da Mãe e do Pai lhes proporcionou.

Hoje dia de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina aonde a Patrícia se encontra de visita, peço-lhe que por sua intercessão o Senhor a abençoe e proteja.

Bem-haja!

JPR

Oração a Nossa Senhora de Guadalupe

Perfeita, sempre Virgem Santa Maria, 
Mãe do verdadeiro Deus, por quem se vive. 
Tu, que na verdade és nossa Mãe compassiva,
te buscamos e te aclamamos. 
Escuta com piedade o nosso pranto, as nossas tristezas. 
Cura as nossas penas, misérias e dores. 
Tu que és nossa doce e amorosa Mãe, acolhe-nos no aconchego do teu manto, 
no carinho dos teus braços. 

Que nada nos aflija nem perturbe o nosso coração. 
Mostra-nos e manifesta-nos o teu amado Filho, 
para que com Ele encontremos a nossa salvação e a salvação do mundo. 
Santíssima Virgem Maria de Guadalupe, 
faz-nos mensageiros teus, 
      mensageiros da palavra e da vontade de Deus. 
                                                                          Amen.
                                                                                                       Nossa Senhora de Guadalupe rogai por nós !

Com a Virgem morena de Guadalupe


«Meus filhos, durante este mês (…) fui como romeiro a “Torreciudad”, descalço, para honrar Nossa Senhora. Também fui a Fátima, novamente descalço, para honrar Nossa Senhora com espírito de penitência. Agora vim ao México fazer esta novena a Nossa Senhora (…). E creio que posso dizer que a amo tanto como os mexicanos».

Assim explicará o Fundador do Opus Dei o motivo principal da sua primeira viagem à América em 1970. Cerca das três da madrugada do dia 15 de Maio, aterra o avião que o traz à capital azteca.

- «Demorei vinte e um anos a vir a estas terras».

Refere-se o Padre à data da chegada dos seus filhos ao continente americano. Agora, Deus oferece-lhe a oportunidade de presenciar como Deus abençoou o Opus Dei.

O Padre, D. Álvaro del Portillo, e o Pe. Javier Echevarría descem a escada do avião. São recebidos com emoção por um grupo de homens que de há muito se encontram nesta terra.

Guadalupe não é apenas um santuário visitado por quase trinta milhões de pessoas por ano: é a fé de todo o povo unido à Virgem morena. O dia 12 de Dezembro, comemoração de uma das aparições, é festa nacional. Desde a véspera, pessoas de toda a República e mexicanos que vivem no estrangeiro passam a noite às portas da Basílica para serem os primeiros a saudar Nossa Senhora.

Esta devoção remonta a 1531. No sábado 9 de Dezembro, antes de amanhecer, passava no sopé do monte Tepeyac um índio convertido, pobre e humilde. Era Juan Diego, que ia à primeira Missa da Missão. De repente ouviu um cântico suave, como de um bando de pássaros. E ao olhar para o cume vê uma nuvem branca no meio do arco-íris. Uma alegria inexplicável dá-lhe “asas aos pés” e sente-se chamado para o cume do monte. Sobe e vê uma Senhora muito bela cuja presença ilumina os cactos, os espinheiros e as pedras. E fala-lhe na sua língua habitual:

- «Meu filho, Juan Diego, a quem amo ternamente como a uma criancinha frágil, para onde vais?


- À Missa, minha Senhora.
- Meu filho muito querido, Eu sou a sempre Virgem Maria, mãe do Deus verdadeiro, e é meu desejo que se construa um templo neste lugar, onde como tua piedosa Mãe e dos teus semelhantes, mostrarei a minha clemência amorosa e a compaixão que tenho pelos nativos e por todos aqueles que me amam e me procuram, e por todos os que solicitarem o meu amparo e recorrerem a mim nos seus trabalhos e aflições, e onde ouvirei as suas lágrimas e rogos para lhes dar consolo e alívio. Vais dizer ao Bispo que eu te envio para que me edifique um templo»

Juan Diego vai ao Paço de Frei Juan de Zumárraga, primeiro Bispo do México. Mas tem pouca sorte com a sua embaixada e regressa, cabisbaixo, para dar contas à Senhora. Ela anima-o. Tem de insistir. E o Bispo pede-lhe uma prova. Tem que demonstrar que viu, efectivamente, algo de sobrenatural. A Virgem diz que volte na manhã seguinte. Dar-lhe-á um sinal.


Mas a manhã do dia 12, terça-feira, encontra um Juan Diego caminhando, desalentado à procura de um frade. O seu tio, Juan Bernardino, está a morrer. Nem sequer passa pelo alto do monte para não se demorar porque o tempo é pouco para levar assistência ao moribundo. E a Virgem vai ao seu encontro na base da encosta.

«Meu filho, nada te aflija. Não estou eu aqui que sou a tua Mãe? Não estás tu sob o meu amparo? Não sou eu vida e saúde? Não estás no meu regaço e sob a minha protecção? Tens necessidade de outra coisa? Não tenhas medo porque o teu tio já está curado».

A Virgem pede-lhe que, antes de ir a casa do Bispo, suba ao monte e apanhe as rosas que encontrar lá no alto.

Nunca há flores lá no cimo em Dezembro. Mas nesse dia, Juan Diego encontra um jardim e enche a manta índia que lhe serve de capa. Rapidamente chega à presença do Bispo, que o olha assombrado: pensou que não voltaria. E ao abrir o poncho, caem as rosas no chão e fica desenhada na tela a imagem da Virgem de Guadalupe tal como hoje se venera no México. Sobre o tecido feito de palma silvestre brilham as cores e as formas de uma linda mulher de cabelo negro, semblante sereno e de tez morena. Uma túnica rosada e bordada a ouro cobre-a totalmente. O manto é de cor verde mar. Usa coroa real e tem a cabeça inclinada para a direita, com os olhos baixos. Todo o sol do México emerge por de trás como que a protegê-la: cento e vinte e um raios. Um anjo de asas abertas sustenta alegremente o leve peso etéreo da imagem.

Pintores de grande prestígio vieram chamados pelo Vice-Rei, Marquês de Mancera, e pelo Bispo Zumárraga, para indagar sobre a pintura. Entre eles, Juan Salguero, Tomás Conrado, López de Avalos, Alonso de Zárate. Todos são unânimes em afirmar a inexplicável textura e qualidade da tela. O avesso do tecido é muito áspero e a trama muito grossa. O lado da pintura é macio como a seda. As cores e a técnica da pintura permanecem intactas com o decorrer do tempo.

Neste século começou-se a realizar-se um estudo científico; contudo, o mistério permanece, mesmo à luz dos conhecimentos técnicos e científicos de alta precisão. O sábio Richard Kühn, Prémio Nobel de Química, confirmou que a policromia da Virgem de Guadalupe não provém de corantes de origem animal ou vegetal.

Os doutores Callahan e Brant da NASA, fizeram uma análise muito aprofundada com alta tecnologia e, mediante raios infra-vermelhos, verificaram que a pintura não foi feita com esboço prévio nem com pinceladas. A imagem foi pintada directamente. E, finalmente o doutor Aste Tonsmann referiu, apoiando-se na digitalização de imagens fotográficas, que encontrou figuras humanas de tamanho infinitesimal na íris dos olhos da Virgem. Figuras que formam uma cena equivalente ao episódio relatado em náhuatl por António Valenciano no Nican Mopohua do século XVI.

O Padre, ao chegar ao México, tinha comentado:

«Quando for à Villa tereis que me tirar de lá com uma grua».

E repete a mesma coisa ao Arcebispo, Cardeal Miranda, quando o vai visitar. E o Cardeal, que o tinha convidado muitas vezes a atravessar o Atlântico para visitar a Virgem, responde sorridente:
- “Pois não serei eu quem mandarei buscar a grua”.

Está encantado por ter no seu país o Fundador da Obra, e quando o cumprimenta com um abraço, diz:
- «Finalmente conseguimos! Finalmente conseguimos!».

No Sábado, 16 de Maio, o Padre começa as suas visitas à Virgem morena, que se vão prolongar durante nove dias. Acompanham-no Mons. Álvaro del Portillo, o Pe. Javier Echevarría e mais três pessoas. Um grupo pequeno que se aproxima, discretamente, da Basílica. Acabam de soar as seis horas da tarde. O Padre entra, apressadamente, com a juventude e o ânimo de quem tem desde sempre, um encontro gratíssimo e importante. Chega ao altar-mor e ajoelha-se. Permanecerá ali muito tempo a rezar comos olhos postos na Virgem.

Ouve-se, à distância, um relógio com badaladas metálicas. Mons. Álvaro del Portillo aproxima-se do Fundador: «Padre, já aqui estamos há duas horas e estamos rodeados de gente do Opus Dei…».

Enquanto fazia a sua oração, foram chegando as suas filhas e filhos mexicanos. A Basílica encheu-se de caras conhecidas e rezam, todos em uníssono, por aquilo que o Padre está a colocar aos pés da Virgem.

Nos dias seguintes ocupa uma galeria alta localizada sobre o presbitério, à direita da imagem, de onde a pode ver com intimidade. Passa ali várias horas com a Senhora.

Durante os quarenta dias de permanência no México, o Padre verá mais de vinte mil pessoas de toda a América. Numa tertúlia, alguém lhe perguntou o que se deve dizer àqueles que se esquecem da Virgem.

- «Ouviram aquelas palavras de Deus quando, para manifestar o seu carinho, diz: mas, é possível que alguma mãe se esqueça dos seus filhos? Ainda que isso acontecesse, eu, pelo contrário, nunca me esquecerei do amor que vos tenho. Pois também os filhos não se podem esquecer da Mãe».

O índio, por temperamento, é reservado, silencioso. Pode seguir com interesse uma conversa mas ficar calado. Junto do Padre o comportamento é diferente: os camponeses mexicanos do Valle de Amilpas falam com ele, riem-se, manifestam a simplicidade e o afecto do seu coração.

E porque os vê e compreende a língua do seu coração, assume os problemas humanos e sociais referentes ao estado de pobreza dos camponeses. Fala de projectos de habitações condignas, para os camponeses da zona vizinha de Montefalco; interessa-se pela formação que recebem os nativos nesta grande escola profissional que representou um esforço gigantesco; preocupa-se com as famílias das nativas que frequentam escolas do Opus Dei em toda a zona do México.

«Estamos preocupados com o vosso desenvolvimento, de que possam sair desta situação, de modo a não terem dificuldades económicas… Vamos procurar também que os vossos filhos adquiram cultura: verão, com a ajuda de todos o conseguiremos, e que –os que tenham talento e desejos de estudar – cheguem muito alto (…). E, como o faremos? Como quem faz um favor? Não (…) isso não! Não tenho dito que todos somos iguais?».

No dia 16 de Junho reúne-se em Jaltepec, a cinquenta quilómetros de Guadalajara, no estado de Jalisco, com sacerdotes do Opus Dei que trabalham no México e com outros muitos que participam dos meios de formação da Obra.

«Estou muito contente no México, entre outras coisas porque aqui encontrei um anticlericalismo sadio, como aquele de que eu costumo falar. É bem verdade que o têm como fruto de uma grande perseguição contra a Igreja, mas, graças a Deus, isso já passou: confio que saberão manter sempre o equilíbrio que agora têm.

Não quis vir aqui sem que as autoridades o soubessem (…) e dos vossos governantes só recebi atenções».

Conversará com estes sacerdotes dos temas que devem ocupar o coração dos ministros de Cristo: do trabalho com as almas, da dedicação total, da sua entrega incondicional e do serviço constante.

«Todo o nosso coração é para Cristo e – através de Cristo – para todas as criaturas, sem excepções».

Fala-lhes de humildade: essa virtude torna o homem grande apesar dos seus erros: da extraordinária vocação a que foram chamados por Deus desde toda a eternidade. Da ajuda de uns aos outros. Dessa fraternidade que distingue, inconfundivelmente, os filhos de Deus.

“Não estais sozinhos. Nenhum de vós se pode sentir só. E, ainda menos se vamos a Jesus por Maria, porque é uma Mãe que nunca nos abandonará».

Passa o tempo, entre perguntas e respostas rápidas, o bom humor do Padre e a alegria espontânea que produz a sua presença. O sol forte do meio da manhã sente-se e uma bruma suave desce sobre as águas da vizinha lagoa de Chapala.

No dia 22 de Junho, véspera do regresso a Roma, o Padre está reunido com um grupo dos seus filhos. Alguém toca uma guitarra:
- «Padre, é uma antiga canção popular. Dizem que é um bocado “piegas”, mas eu gosto dela. O princípio é um pouco lento:

«Quero cantar-te, mulher, minha mais bela canção, porque és tu o meu amor, rainha do meu coração…»
(em castelhano: Quiero cantarte mujer, mi mas bonita canción porque eres tú mi querer, reina de mi corazón…).(clik para ouvir “Maria Elena” em mp3).

«Porque não vamos todos à “Villa” cantar esses versos à Virgem e fazer-lhe uma serenata?».

O assentimento é unânime. Às 8h30 da noite, estão todos na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe.

Meia hora antes, a Igreja começa a esvaziar-se dos peregrinos. Mas, em vez de o recinto ficar numa penumbra isolada, hoje enche-se totalmente com uma concorrência entusiasta. Os encarregados do “mariachi” chegam com as suas guitarras e escolhem o lugar apropriado. A “Villa” está completamente cheia. Chega o Padre, e os porteiros fecham as entradas. Uma vez mais, como no primeiro dia, o Fundador ajoelha-se diante da Virgem da América. Depois entoa a Salve-Rainha, que todos cantam: as suas filhas e os seus filhos reunidos numa despedida imprevista. Fica no altar-mor, rodeado por sacerdotes. Há-os de mais idade, com cabelos embranquecidos pelo trabalho e pelo tempo, e outros muito jovens, todos unidos num mesmo afecto. As guitarras rompem o silêncio.

«O meu coração é teu, ó sol do meu amar».
(em castelhano – «Tuyo es mi corazón, oh sol de mi querer»)

Depois entoam «La Morenita» (clik para ouvir “La Morenita” em mp3) e, assim por diante, uma e outra canção. A emoção cresce, porque ali está uma grande parte da alma do México; reuniram-se junto do Padre todos os que percorreram este caminho de fidelidade a Cristo que é o Opus Dei.

Ao começar a terceira canção, o Padre levanta-se e sai da Basílica, enquanto continua a ouvir-se outra canção à Virgem: «Obrigado, por te ter conhecido!...»(clik para ouvir “Gracias” em mp3). e apagam-se as luzes. Os carros regressam à cidade enquanto cai uma chuva miúda, quase imperceptível. Dir-se-ia que o céu mexicano também manifesta a emoção simples e íntima deste adeus.

No dia seguinte, um avião levará Mons. Escrivá de Balaguer a caminho de Roma. Lá longe em Montefalco, junto às velhas paredes da Igreja, ficam umas árvores que plantou antes de partir. Passados anos, quando o tempo as tiver feito crescer, a sua sombra dará paz ao caminhante.

Próximo de Jaltepec, o quadro que representa a Guadalupana a dar uma flor ao índio Juan Diego, ouve um pedido do Fundador:
- «Gostaria de morrer assim: olhando para a Virgem e que ela me entregasse uma flor…».

E, depois de um silêncio, acrescenta:

- «Sim, gostaria de morrer diante deste quadro, com a Virgem a dar-me uma rosa».

Ana Sastre Tempo de caminhar, (trad. port., Lisboa, Diel), p. 523-529

São Josemaría no México em 1970

Nossa Senhora de Guadalupe

Num sábado, no ano de 1531, a Virgem Santíssima apareceu a um indígena que, de seu lugarejo, caminhava para a cidade do México a fim de participar da catequese e da Santa Missa enquanto estava na colina de Tepeyac, perto da capital. Este índio convertido chamava-se Juan Diego (canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002).

Nossa Senhora disse então a Juan Diego para que fosse até o Bispo, pedindo que naquele lugar fosse construído um santuário para a honra e glória de Deus.

O Bispo local, usando de prudência, pediu um sinal da Virgem ao indígena que, somente na terceira aparição, foi concedido. Foi quando Juan Diego estava indo buscar um sacerdote para o tio doente: "Escute, meu filho, não há nada que temer, não fiques preocupado nem assustado; não temas esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a teu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei aos meus cuidados? Que desejas mais do que isto? Não permitas que nada te aflija e te perturbe. Quanto à doença do teu tio, ela não é mortal. Eu te peço, acredita agora mesmo, porque ele já está curado. Filho querido, essas rosas são o sinal que irás levar ao Bispo. Diz-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Tu és meu embaixador e mereces a minha confiança. Quando chegares diante dele, desdobra a sua "tilma" (manto) e mostra-lhe o que carrega, porém, só na sua presença. Diz-lhe tudo o que viste e ouvistes, nada omitas..."

O Bispo viu não somente as rosas, mas o milagre da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, pintada prodigiosamente no manto do humilde indígena. Ele levou o manto com a imagem da Virgem para a capela, e ali, em meio às lágrimas, pediu perdão a Nossa Senhora. Era o dia 12 de dezembro de 1531.

Uma linda confirmação deu-se quando Juan Diego visitou o tio, que sadio narrou:"Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou comigo. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac e que sua imagem seria chamada de 'Santa Maria de Guadalupe', embora não tenha explicado o porquê". Diante de tudo isto muitos se converteram e o Santuário foi construído.

O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já dura há mais de quatro séculos e meio. Durante 16 anos, a tela esteve totalmente desprotegida, sendo que a imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos em pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção.

No ano de 1971, alguns peritos inadvertidamente deixaram cair ácido nítrico sobre toda a pintura. Pois nem a força de um ácido tão corrosivo estragou ou manchou a imagem. Com a invenção e ampliação da fotografia descobriu-se que, assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, da mesma forma a figura de Juan Diego, do Bispo e do intérprete refletiu-se e ficou gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora. Cientistas americanos chegaram à conclusão de que estas três figuras estampadas nos olhos de Nossa Senhora não são pintura, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva.

Disse o Papa Bento XIV, em 1754: "Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros... uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja... Deus não agiu assim com nenhuma outra nação".

Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada "Padroeira de toda a América" pelo Papa Pio XII a 12 de outubro de 1945.

No dia 27 de janeiro de 1979, durante sua viagem apostólica ao México, o Papa João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e consagrou à Mãe Santíssima toda a América Latina, da qual a Virgem de Guadalupe é Padroeira.

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

(Fonte: ‘Canção Nova’ com adaptação de JPR)

O Evangelho do dia 12 de dezembro de 2017

«Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, porventura não deixa as outras noventa e nove no monte, e vai em busca daquela que se extraviou? E, se acontecer encontrá-la, digo-vos em verdade que se alegra mais por esta, do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. Assim, não é a vontade de vosso Pai que está nos céus que pereça um só destes pequeninos.

Mt 18, 12-14

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Piedosos como meninos

– Jesus, considerando agora mesmo as minhas misérias, digo-te: Deixa-te enganar pelo teu filho, como esses pais bons, carinhosos, que põem nas mãos do seu menino a dádiva que dele querem receber..., porque sabem muito bem que as crianças nada têm. E que alvoroço o do pai e o do filho, ainda que ambos estejam no segredo! (Forja, 195)

A vida de oração e de penitência e a consideração da nossa filiação divina transformam-nos em cristãos profundamente piedosos, como meninos pequenos diante de Deus. A piedade é a virtude dos filhos e, para que o filho possa entregar-se nos braços do seu pai, há-de ser e sentir-se pequeno, necessitado. Tenho meditado com frequência na vida de infância espiritual, que não se contrapõe à fortaleza, porque requer uma vontade rija, uma maturidade bem temperada, um carácter firme e aberto.

Piedosos, portanto, como meninos; mas não ignorantes, porque cada um há-de esforçar-se, na medida das suas possibilidades, pelo estudo sério e científico da fé. E o que é isto, senão teologia? Piedade de meninos, sim, mas doutrina segura de teólogos.

O afã por adquirir esta ciência teológica – a boa e firme doutrina cristã – deve-se, em primeiro lugar, ao desejo de conhecer e amar a Deus. Simultaneamente é consequência da preocupação geral da alma fiel por alcançar a mais profunda compreensão deste mundo, que é uma realização do Criador. Com periódica monotonia, há pessoas que procuram ressuscitar uma suposta incompatibilidade entre a fé e a ciência, entre a inteligência humana e a Revelação divina. Tal incompatibilidade só pode surgir, e só na aparência, quando não se entendem os termos reais do problema.

Se o mundo saiu das mãos de Deus, se Ele criou o homem à sua imagem e semelhança e lhe deu uma chispa da sua luz, o trabalho da inteligência deve ser – embora seja um trabalho duro – desentranhar o sentido divino que naturalmente já têm todas as coisas. E, com a luz da fé, compreendemos também o seu sentido sobrenatural, que resulta da nossa elevação à ordem da graça. Não podemos admitir o medo da ciência, visto que qualquer trabalho, se é verdadeiramente científico, tende para a verdade. E Cristo disse: Ego sum veritas. Eu sou a verdade. (Cristo que passa, 10)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1972

Diz aos que tem a seu lado: “por temporadas, a minha oração e a minha mortificação é viver continuamente n’Ele: abandono-me em Ti! (…) Ponho-me nos braços de meu Pai Deus, recorro a minha Mãe Santa Maria, e confio plenamente, apesar das asperezas do caminho”.

As duas vindas do Senhor

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermão para o domingo e a festa dos santos, 3.º domingo do Advento

«Alegrai-vos no Senhor, repito-vos: alegrai-vos» (Fil 4,4). Alegria dupla, motivada por um duplo benefício: a primeira e a segunda vindas. Devemos alegrar-nos porque o Senhor, na sua primeira vinda, nos trouxe riquezas e glória. Devemos alegrar-nos ainda porque, na sua segunda vinda, nos dará «dias sem conta, pelos séculos fora» (Sl 20,5). Como diz o Livro dos Provérbios: «na sua mão direita sustenta uma longa vida, na esquerda, riquezas e glória» (Prov 3,16). A esquerda é a primeira vinda, com as suas riquezas gloriosas, a humildade e a pobreza, a paciência e a obediência; a direita é a sua segunda vinda, com a vida eterna.

Sobre a primeira vinda, diz Isaías: «Desperta, desperta; reveste-te de fortaleza, braço do Senhor; desperta como nos dias antigos, como nos tempos de outrora. Não foste tu que esmagaste Raab, que trespassaste o dragão? Não foste tu que secaste o mar, que estancaste as águas do grande oceano, que abriste um caminho pelo fundo do mar, para que por aí passassem os resgatados?» (Is 51,9-10) O braço do Senhor é Jesus Cristo, Filho de Deus, por quem e em quem Deus fez todas as coisas. [...] Ó braço do Senhor, ó Filho de Deus, desperta; vem até nós da glória de teu pai, tomando a nossa condição carnal. Reveste-Te da força divina para lutares contra o «príncipe deste mundo» (Jo 12,31) e para «expulsares o forte», Tu que és «mais forte do que ele» (Lc 11,20-22). Desperta, para resgatares o género humano, como libertaste, nos tempos antigos, o povo de Israel da escravatura do Egipto. [...] Secaste o Mar Vermelho e voltarás a fazê-lo [...], como abriste no fundo do inferno a estrada por onde passam os redimidos.

Sobre a segunda vinda, o Senhor fala nestes termos em Isaías: «Olhai, vou criar uma Jerusalém destinada à alegria, e o seu povo ao júbilo. Jerusalém será a minha alegria, e o meu povo o meu júbilo; e doravante, não mais se ouvirão aí choros nem lamentos» (Is 65,18-19). Porque, como Ele disse também, «o Senhor enxugará as lágrimas de todos os rostos».

Não há nada melhor para as crianças que a estabilidade que se encontra no matrimónio

Sir Paul Coleridge, juiz do Tribunal Superior de Justiça de Inglaterra e Gales e fundador da Marriage Foundation (Fundação do Matrimónio), assinalou que não há nada melhor para as crianças que a estabilidade que se encontra no matrimónio.

Um estudo recente da Marriage Foundation revelou que as crianças cujos pais não estavam casados eram duas vezes mais propensas a sofrer de divisões familiares, que aquelas cujos pais estavam casados.

Em declarações ao jornal britânico The Daily Telegraph, Coleridge advertiu que existe um "alto nível de ignorância", no sistema político sobre os benefícios do matrimónio.

Para o juiz britânico, o problema não é que os políticos e outras autoridades estejam "atemorizados" para falar a favor do matrimónio, mas é que muitos pensam que esta instituição e a coabitação são equivalentes.

"Existe esta ideia de que não faz nenhuma diferença coabitar ou casar", lamentou, indicando que "uma tende a durar e a outra tende a não durar".

"E quando se considera o que é o melhor para as crianças, a estabilidade é o nome do jogo".

Sir Paul Coleridge advertiu que não tem a intenção de "pregar moral", mas "a realidade da família é muito simples".

"Se a relação existente for suficientemente estável para enfrentar os rigores de criar uma criança, então deve-se considerar seriamente acrescentar a proteção do matrimónio à relação".

Por outro lado, assinalou o magistrado, "se a relação não for o suficientemente estável para assumir a criação das crianças, não deveria nem tê-las. O casal tem uma responsabilidade, não tem nenhum direito a ter crianças, tem apenas a responsabilidade".

Coleridge disse que em tribunal, "as pessoas falam sobre os seus direitos. Ninguém tem direito quando se trata de crianças… o que tem são responsabilidades e deveres de fazer o melhor possível para eles".

"Não acho que os casais deveriam ter crianças até que estejam certos de que relação entre eles é o suficientemente estável para enfrentar o estresse e as tensões".

Por sua parte, Christian Guy, diretor do Centro para Justiça Social, disse que "muita gente não se dá conta de que a coabitação prolongada com crianças é extremamente estranha. A maioria de pessoas com filhos que ainda estão juntas depois de muitos anos estão casadas".

"Os resultados em longo prazo mostram que há algo diferente por estar casado, é mais estável. As pessoas estão vinculadas quando estão casadas, de uma forma que não acontece quando apenas estão vivendo juntas", assinalou.

(Fonte: 'ACI Digital' com adaptação)

S. Dâmaso I, papa, †384

São Dâmaso, um grande Papa da Igreja, ocupou a Sé de Roma de 366 a 384. Era muito provavelmente originário da Península Ibérica. Foi eleito Papa a 1 de Outubro de 366. Não foi fácil a sua escolha nesse período conturbado da Igreja. No tempo do seu Pontificado, era bispo de Milão o grande santo Ambrósio. São Dâmaso teve que enfrentar o cisma causado por um antipapa; embora não fosse este o único problema para Dâmaso, já que teve de combater o Arianismo, que negava a consubstancialidade de Cristo com o Pai.

O Imperador Teodósio encontrou nele um Papa que afirmou sempre, com serena firmeza, a “autoridade da Sé Apostólica”. Dâmaso fez tudo pela unidade da Igreja, e para deixar claro o Primado do Papa, pois foi ordem expressa de Cristo “e eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela”(Mt 16,18).

São Dâmaso esteve no II Concilio Ecuménico onde foi declarado a definição dogmática sobre a Divindade do Espírito Santo. Foi ele quem encarregou S. Jerónimo da tradução da Bíblia do original para o latim, língua oficial da Igreja. Ficou conhecido como o “Papa das catacumbas dos Mártires”, por ter sido ele o responsável pela sua restauração.

Foi o Papa mais notável do século IV, faleceu em 384 com 80 anos, e está sepultado na chamada Cripta dos Papas, por ele explorada nas Catacumbas de S. Calisto onde tinha anteriormente inscrito: “Aqui eu, Dâmaso, desejaria mandar sepultar os meus restos, mas tenho medo de perturbar as piedosas cinzas dos santos” – humildade e descrição de um Papa verdadeiramente santo, que de facto preparou para si uma sepultura longe, num local solitário.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)