N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

sábado, 24 de dezembro de 2016

"Noite Santa para todos" pelo Pe. Rodrigo Lynce de Faria

«Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo, o Senhor» (Lc 2, 11). Este anúncio do Anjo aos pastores possui uma força inesgotável de renovação para os homens e mulheres de todos os tempos e lugares da Terra. É o anúncio por excelência desta Noite Santa ― Noite única do ano! É o anúncio da Noite de Natal que todos os anos se repete e que sempre nos deixa assombrados e maravilhados: como Deus é grande! Como é humilde! Fez-Se uma criança para que nos aproximemos d’Ele com toda a confiança!

Hoje, «o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós» (Jo 1, 14). Nesta Noite, o tempo abre-se à eternidade. É Deus que vem habitar no meio das suas criaturas. E vem para nos salvar, para nos redimir, para nos resgatar da nossa vã maneira de viver. Para nos recordar que valemos muito para Ele. Não somos um produto do acaso. O nosso caminhar terreno possui um sentido divino porque possui um sentido eterno.

O Natal é, por definição, a festa da Vida. Recorda-nos que, por mais crises que atravessemos, vale a pena viver. E vale a pena porque Vós, Jesus, vindo à luz como cada um de nós, abençoastes a hora do nosso nascimento. Uma hora que, como dizia o Papa João Paulo II, simbolicamente representa o mistério de toda a nossa existência nesta Terra. Uma existência que une em si a aflição e a esperança, as sombras e a luz, a dor e a alegria. Tudo isto aconteceu também nesta Noite Santa em Belém e continua a acontecer na vida de cada um de nós.

Deus chora numa manjedoura «porque não havia lugar para eles na hospedaria» (Lc 2, 7). Não é num palácio que nasce o nosso Salvador. Nasce num estábulo. E acende nessa manjedoura um fogo que nunca mais se apagará: o fogo do amor de Deus. Possa esse fogo arder nos nossos corações como chama de uma caridade activa e vigilante. Uma caridade que saiba acolher e apoiar tantos irmãos nossos provados pelas necessidades, pelo sofrimento, pela ausência de sentido para as suas vidas.

Senhor Jesus, fazei-nos testemunhas do vosso Amor! Fazei que a luz que acendeste nesta Noite Santa ― mais brilhante do que o Sol ― oriente os nossos passos e os de toda a Humanidade pelo caminho da verdadeira paz.

Neste Ano da Fé, que estamos a viver, caminha, Senhor, com a tua Igreja. Faz-nos conscientes de que, se de verdade acreditamos em Ti, sentir-nos-emos envolvidos pela ternura do Teu Amor. E nos empenharemos ― sem desfalecimentos ― em que todos aqueles com quem convivemos encontrem o sentido divino do seu caminhar terreno. E, assim, possam chegar connosco um dia ao presépio eterno que tens preparado para nós.

Noite de Natal, Noite Santa para todos! Noite de alegria e de luz para toda a Humanidade!

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Coro de King’s College – Cânticos de Natal

O Evangelho do Natal do Senhor - 25 de dezembro de 2016

No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus. No princípio Ele estava em Deus. Por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência. Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam. Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e todos crerem por meio dele. Ele não era a Luz, mas vinha para dar testemunho da Luz. O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina. Ele estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram de laços de sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas sim de Deus. E o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco. E nós contemplámos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade. João deu testemunho dele ao clamar: «Este era aquele de quem eu disse: 'O que vem depois de mim passou-me à frente, porque existia antes de mim.'» Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graças sobre graças. É que a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo. A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer.

Jo 1, 1-18

‘O canto dos Anjos na Noite de Natal’ pelo Pe. Rodrigo Lynce de Faria

«Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade» (Lc 2, 14). É assim que São Lucas nos narra como os Anjos naquela Noite louvaram o Menino Jesus, que acabava de nascer. A Igreja, disse o Papa, ampliou este hino de júbilo sobre a glória de Deus. «Nós vos damos graças pela vossa imensa glória». Nós vos damos graças pela vossa beleza. E pela vossa grandeza. E pela vossa imensa bondade, que nesta Noite se torna especialmente visível para nós.

A manifestação do que é belo torna-nos felizes. Exactamente por isso, diante da beleza — ao contrário de outras coisas — não nos interrogamos pela sua utilidade. «A glória de Deus, da qual provém toda a beleza — continuava Bento XVI — faz explodir em nós o deslumbramento e a alegria». Aquele que contempla a Deus — recém-nascido, indefeso, envolto em panos, deitado numa manjedoura — sente-se feliz. E não sabe muito bem explicar porquê.

São Lucas não nos diz que os Anjos cantaram. Diz-nos, isso sim, que eles louvaram a Deus (cfr. Lc 2, 13). Mas desde sempre os homens souberam que a linguagem dos Anjos é diferente da nossa. Nesta Noite, tal louvor dos espíritos celestes foi um canto no qual brilhou a glória, a bondade e a beleza do nosso Deus. É uma música que nos convida a aderir ao louvor da milícia celeste com o coração fascinado: Deus fez-se homem e veio habitar no meio de nós!

Os cânticos de Natal estão presentes nos quatro cantos da Terra. Porque cantam os homens na Noite de Natal? Porque experimentam uma grande alegria. E também porque não querem guardar essa alegria somente para si. Algo parecido aconteceu com os Anjos. Cantar é uma nova dimensão da fala. É um modo novo de comunicar-se. Uma comunicação que possui características magníficas e inefáveis.

Com o cântico o amor torna-se audível. Com o cântico suportamos com mais facilidade as aflições. Crescemos na esperança no meio das dificuldades. Permanecemos no amor mesmo quando ele é posto à prova. Cantamos — mesmo que seja somente no nosso interior — porque sentimos alegria e queremos comunicá-la. Ninguém canta com o coração amargurado.

Esta Noite convida-nos a cantar com os Anjos. Oxalá se recupere em muitas famílias cristãs o costume de cantar na Noite de Natal! Onde? Primeiro, na Missa do Galo. Depois, lá em casa, ao redor do presépio, antes de abrir os presentes. Não nos esqueçamos — pelo amor de Deus — de Quem é que faz anos nesta Noite!

Um cântico de Natal provém de uma alegria simples e profunda — não do excesso de álcool! E de onde vem essa alegria? A alegria genuína — ao contrário da “alegria mundana” — procede sempre do Amor. E o Amor — com letra maiúscula — é a mensagem principal da Noite de Natal. Somos amados por Deus! Veio à Terra para nos salvar! E também veio à Terra para nos animar a cantar com os Anjos na Noite de Natal.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Jesus nasce hoje... nomeio do nosso mundo e da nos quotidianidade. Que a sua vinda na passe desapercebida...

Copiado título e imagem a partir de um tweet de Dominik Kustra ن @KustraD‏ 

Deus humilha-se

E, em Belém, nasce o nosso Deus: Jesus Cristo! Não há lugar na pousada: num estábulo. – E Sua Mãe envolve-O em paninhos e reclina-O no presépio (Lc 11, 7) . Frio. – Pobreza. – Sou um escravozito de José. – Que bom é José! Trata-me como um pai a seu filho. – Até me perdoa, se estreito o Menino entre os meus braços e fico, horas e horas, a dizer-Lhe coisas doces e ardentes!... E beijo-O – beija-O tu – e embalo-O e canto para Ele e chamo-Lhe Rei, Amor, meu Deus, meu Único, meu Tudo!... Que lindo é o Menino... e que curta a dezena! (Santo Rosário, mistérios gozosos, 3)

Começa por estar nove meses no seio de sua Mãe, como qualquer outro homem, com extrema naturalidade. Sabia o Senhor de sobra que a Humanidade padecia de uma urgente necessidade d'Ele. Tinha, portanto, fome de vir à terra para salvar todas as almas; mas não precipita o tempo; vem na Sua hora, como chegam ao mundo os outros homens. Desde a concepção ao nascimento, ninguém, salvo S. José e Santa Isabel, adverte esta maravilha: Deus veio habitar entre os homens!

O Natal também está rodeado de uma simplicidade admirável: o Senhor vem sem aparato, desconhecido de todos. Na Terra, só Maria e José participam na divina aventura. Depois, os pastores, avisados pelos Anjos. E mais tarde os sábios do Oriente. Assim acontece o facto transcendente que une o Céu à Terra, Deus ao homem!

Como é possível tanta dureza de coração que cheguemos a acostumar-nos a estes episódios? Deus humilha-Se para que possamos aproximar-nos d'Ele, para que possamos corresponder ao seu Amor com o nosso amor, para que a nossa liberdade se renda, não só ante o espectáculo do seu poder, como também ante a maravilha da sua humildade.

Grandeza de um Menino que é Deus! O Seu Pai é o Deus que fez os Céus e a Terra, e Ele ali está, num presépio, quia non erat eis locus in diversorio, porque não havia outro sítio na Terra para o dono de toda a Criação! (Cristo que passa, 18)

São Josemaría Escrivá

Elogio do Natal consumista

Não, falsos apóstolos do anti-consumismo, não nos roubem o Natal. A religião cristã é festa e alegria, em todos os dias e para toda a eternidade, mas sobretudo no dia que celebra o nascimento de Jesus

Sempre que chega o Natal, ouvem-se as velhas vozes de novos profetas insurgindo-se contra o consumismo que, ao que parece, ataca de forma particularmente virulenta nesta época final do ano. Mas, toda a eloquência das suas invectivas moralistas não logra embaciar o brilho desta festa que a todos, sem distinção de religiões ou raças, nos toca e desperta para a grande alegria do Natal, a festa de Deus connosco! A religião cristã é festa e alegria, agora e para toda a eternidade, mas sobretudo nos abençoados dias em que o calendário litúrgico solenemente celebra o nascimento de Cristo para a vida terrena e, depois, na festa gloriosa da páscoa da sua ressurreição, o seu definitivo nascimento para a vida eterna!

Não é preciso ser teólogo, nem sequer crente, para compreender a necessidade do Natal! O nosso mundo, os nossos países, as nossas cidades, as nossas empresas, as nossas famílias e todos nós precisamos, absolutamente, do Natal. Não foi certamente por acaso que um recente e lamentável ataque terrorista, em Berlim, teve como alvo, precisamente, uma feira de Natal. Se um terrorista, que é, por definição, um inimigo da civilização, ataca o Natal desta forma hedionda é porque, também ele, de algum modo, reconhece que nenhuma outra festa do que a universal celebração do nascimento de Cristo é tão emblemática da cultura europeia. Por isso, defender o Natal é defender também o que de melhor há na cultura ocidental. E, se não for possível fazê-lo sem consumismo, pior para o consumismo!

É verdade que o consumismo materialista não é uma prática coerente com a fé cristã, mas talvez não seja excessivamente ousado afirmar que, de algum modo, Jesus Cristo foi o primeiro ‘consumista’. Com efeito, as suas últimas palavras, antes de expirar na Cruz, foram: “Tudo está consumado!” (Jo 19, 30). Um pouco antes, o evangelista que o Senhor amava, introduzindo o seu relato evangélico da paixão, morte e ressurreição de Cristo, dissera: “sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo ao pai, tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até ao fim” (Jo 13, 1). O Natal é um convite a este ‘consumismo’: uma excelente ocasião para nos consumirmos no serviço dos outros, sobretudo dos que nos são mais próximos, ou estão mais necessitados.

Mas … e os pobrezinhos?! Esta é, decerto, a mais recorrente crítica ao consumismo natalício e, porventura, a mais consistente. Como podem os cristãos montar presépios, quando há tantas pessoas que nem um tecto têm para se abrigar?! Como se podem sentar a uma mesa cheia de apetitosas iguarias, se tantos há, também a seu lado, que nem sequer têm uma sopa e um pouco de pão para dar aos filhos?! Como se atrevem a oferecer e receber presentes, mais ou menos fúteis, se tantos há que carecem até do que é mais indispensável?! Não seria muito melhor converter todas as despesas de tão inúteis comemorações em benefícios sociais para os que mais precisam?

Razão não falta a esta tão aparentemente caridosa e pertinente objecção contra o Natal consumista. Pena é que reproduza, ipsis verbis, a argumentação de Judas Iscariotes, o traidor, quando censurou asperamente o consumismo de Maria, a irmã de Lázaro, que ungira o Senhor com “uma libra de perfume feito de nardo puro de grande preço”: “Porque não se vendeu este perfume por trezentos denários para se dar aos pobres?!”. “Disse isto – esclarece o evangelista – não porque se importasse com os pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, roubava o que nela se deitava” (Jo 12, 1-8). E Jesus não censurou o consumismo da irmã de Lázaro, mas a avareza do apóstolo traidor.

Os modernos profetas do anti-consumismo natalício, que tanto abundam, também nas publicações católicas, na realidade são réplicas, mais ou menos exactas, do irmão primogénito do pródigo. Também ele, cheio de razões sem razão, se insurgiu contra o consumismo desenfreado do pai, que deu ao filho mais novo o vestido mais precioso, um anel no dedo e sandálias nos pés. Para esse filho pródigo, mandou até matar o vitelo gordo e organizou uma grande festa, a que nem sequer faltaram a música e os coros! E, ante a indignação do filho mais velho, despeitado por aquele escandaloso consumismo, o pai disse-lhe: “Era justo que houvesse banquete e festa” (Lc 15, 11-32).

Não, falsos apóstolos do anti-consumismo, não nos roubem o Natal! Não nos tirem a festa! Não silenciem as músicas, nem calem os coros, porque são anjos que nos anunciam o nascimento do Senhor! (Lc 2, 13-14). Não nos excluam dessa mesa a que o Pai dos céus a todos convida! (Lc 14, 15-24). O Natal não exclui ninguém: Deus veio ao mundo para os bons e para os que o não são, para os fiéis e os pagãos; para todos, sem excepção.

Porque, como veio Deus ao mundo? Não veio como Deus, para que a sua santidade não afugentasse os pecadores. Não veio como omnipotente, para que o seu poder não atraísse os ambiciosos, nem afastasse os tímidos. Não veio como sacerdote, para que os não crentes, ou crentes noutras religiões, não fossem excluídos. Não veio como rei, para que não se impusesse aos seus súbditos pela força. Não veio como mestre, para que também os soberbos o pudessem aceitar. Não veio como sábio, para que também os ignorantes o pudessem compreender. Não veio como herói, para não humilhar os cobardes. Não veio como vencedor, para não envergonhar os derrotados. Não veio como rico, para não intimidar os pobres.

Então, como veio aquele que, antes de nascer e até de ser concebido, já era rico, vencedor, herói, mestre, rei, sacerdote e omnipotente, como Deus que é desde sempre?! Veio como ínfima criança, para que todos os homens e mulheres do mundo, qualquer que seja a sua virtude ou vício, o possam contemplar e amar. Porque não há ninguém, por melhor ou pior que seja, que, diante da fragilidade de um recém-nascido, não seja capaz de se comover e de sorrir. Santo Natal!

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in OBSERVADOR AQUI (seleção imagem 'Spe Deus')

São Josemaría Escrivá nesta data em 1963

Pronuncia uma homilia, publicada anos mais tarde em Cristo que passa: “Quando chega o Natal, gosto de contemplar as imagens do Menino Jesus. Essas figuras que nos mostram o Senhor tão pouca coisa, recordam-me que Deus nos chama, que o Omnipotente quis apresentar-Se desvalido, quis necessitar dos homens. Do berço de Belém, Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós; reclama de nós uma vida cristã sem hesitações, uma vida de entrega, de trabalho, de alegria”.

Hino ao nascimento do Senhor Jesus

Uma voz que vem de longe 
Faz estremecer a noite, 
Prometendo a madrugada 
Que anuncia a luz de Cristo.

Despertai, adormecidos 
Na escravidão do pecado: 
Já desperta o novo Sol, 
Vencedor do inimigo.

Do alto desce o Cordeiro, 
Que nos traz a salvação. 
A voz clama no deserto: 
Preparai os seus caminhos.

E quando, no fim dos tempos, 
De novo Cristo vier, 
Mereçamos ser chamados 
Para a glória dos eleitos.

Glória e louvor sejam dados 
A Deus Pai e a seu Filho, 
Com o Espírito Paráclito, 
Agora e por todo o sempre.

São Francisco no primeiro presépio

Tomás de Celano (c. 1190-c. 1260), biógrafo de São Francisco e de Santa Clara
Primeira vida de São Francisco, §§84-86

Quinze dias antes do Natal, Francisco disse [...]: «Quero evocar a memória do Menino que nasceu em Belém e de todos os sofrimentos que padeceu desde a Sua infância. Quero vê-Lo, com os meus olhos carnais, tal como Ele estava, deitado numa manjedoura, dormindo sobre o feno, entre uma vaca e um burro». [...]

Chegou o dia da alegria. [...] Convocaram-se os irmãos de vários conventos dos arredores. Segundo as possibilidades de cada um, com a alma em festa, o povo dos campos, homens e mulheres, prepararam tochas e círios para iluminar essa noite em que se elevou a estrela cintilante que ilumina todos os séculos. Ao chegar, o santo viu que tudo estava pronto e alegrou-se muito. Tinham trazido uma manjedoura e feno; também tinham trazido uma vaca e um burro. Ali valorizava-se a simplicidade, era o triunfo da pobreza, a melhor lição de humildade: Greccio tinha-se tornado uma nova Belém. A noite fez-se luminosa como o dia e deliciosa quer para os animais quer para os homens. Multidões acorreram e a renovação do mistério reavivou a alegria. Os bosques ressoavam com os cânticos; as montanhas repercutiam ecos. Os irmãos cantavam os louvores do Senhor e toda a noite foi repleta de alegria. O santo passou o serão de pé diante do presépio, pleno de compaixão e cheio de uma alegria inexprimível. Por fim, celebraram a missa com a manjedoura a fazer de altar e o sacerdote sentiu um fervor nunca antes experimentado.

Francisco revestiu-se da dalmática, pois era diácono, e cantou o Evangelho com voz sonora. [...] Depois pregou ao povo e encontrou palavras doces como o mel para falar do nascimento do pobre Rei e da pequena aldeia de Belém.

Humildade diante do presépio

Nesta Noite Santa, sobre o povo que andava nas trevas, resplandeceu uma grande Luz. Sobre cada um de nós, especialmente no fundo da nossa alma, brilha essa Luz ímpar que marca o tempo da História: o nascimento do nosso Deus!
Não há lugar para dúvidas. Deixemo-las para os cépticos que, como diz o Papa Francisco, por interrogarem somente com a razão — esquecendo a pequenez de cada ser humano — nunca chegam à Verdade com letra maiúscula.
Nesta Noite não há lugar para a indiferença nem para a apatia. Se acreditamos de verdade que Deus Se fez Homem e veio à Terra para nos salvar, tudo o resto — preocupaçõezinhas, egoísmozinhos, orgulho ferido — adquire um sentido muito relativo.
Se vivemos bem o Natal — não só de um modo exterior-superficial — voltamos a redescobrir a nossa grandeza e a nossa pequenez.
Grandeza porque somos de verdade filhos de Deus. Ele veio à Terra para nos recordar que valemos muito. Não somos produtos do acaso. Deus conta connosco para recordar a tantos a sua dignidade — muitas vezes desfeita por um orgulho de pretender viver sem contar com Ele.
Pequenez porque sem Deus não podemos nada. Somos o único ser nesta Terra que é consciente da sua mortalidade. E também somos o único que, tantas vezes, se comporta como se fosse imortal. Como se fosse Deus. Como se não necessitasse da salvação que Ele nos traz.
Não é só Deus que ama o humilde e rejeita o soberbo. Nós fazemos o mesmo. A modéstia, quando é sincera, atrai. Faz com que uma pessoa seja amada, a sua companhia desejada e a sua opinião valorizada.
Com Maria e José, possam os nossos corações ficar maravilhados contemplando Jesus reclinado numa manjedoura. E que diante da modéstia do nosso Deus brote um propósito sincero que resolverá tantas “tragédias” da nossa vida: sermos humildes de verdade.
Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Chega o Natal

O Natal mostra-nos onde se esconde a grandeza da Deus: num estábulo, numa gruta. "Deus humilha-Se para que possamos aproximar-nos d’Ele, para que possamos corresponder ao seu Amor com o nosso amor" (Cristo que passa, 18)

Quando chega o Natal, gosto de contemplar as imagens do Menino Jesus. Essas figuras que nos mostram o Senhor tão apoucado, recordam-me que Deus nos chama, que o Omnipotente Se quis apresentar desvalido, quis necessitar dos homens. Do berço de Belém, Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós; reclama de nós uma vida cristã sem hesitações, uma vida de entrega, de trabalho, de alegria.

Não conseguiremos jamais o verdadeiro bom humor se não emitarmos deveras Jesus, se não formos humildes como Ele. Insistirei de novo: vedes onde se oculta a grandeza de Deus? Num presépio, nuns paninhos, numa gruta. A eficácia redentora das nossas vidas só se pode dar com humildade, deixando de pensar em nós mesmos e sentindo a responsabilidade de ajudar os outros.

É corrente, às vezes até entre almas boas, criar conflitos íntimos, que chegam a produzir sérias preocupações, mas que carecem de qualquer base objectiva. A sua origem está na falta de conhecimento próprio, que conduz à soberba: o desejo de se tornarem o centro da atenção e da estima de todos, a preocupação de não ficarem mal, de não se resignarem a fazer o bem e desaparecerem, a ânsia da segurança pessoal... E assim, muitas almas que poderiam gozar de uma paz extraordinária, que poderiam saborear um imenso júbilo, por orgulho e presunção tornam-se desgraçadas e infecundas!

Cristo foi humilde de coração. Ao longo da sua vida, não quis para Si nenhuma coisa especial, nenhum privilégio. Começa por estar nove meses no seio de sua Mãe, como qualquer outro homem, com extrema naturalidade. Sabia o Senhor de sobra que a Humanidade padecia de uma urgente necessidade d’Ele. Tinha, portanto, fome de vir à terra para salvar todas as almas; mas não precipita o tempo; vem na Sua hora, como chegam ao mundo os outros homens. Desde a concepção ao nascimento, ninguém, salvo S. José e Santa Isabel, adverte esta maravilha: Deus veio habitar entre os homens!

O Natal também está rodeado de uma simplicidade admirável: o Senhor vem sem aparato, desconhecido de todos. Na Terra, só Maria e José participam na divina aventura. Depois, os pastores, avisados pelos Anjos. E mais tarde os sábios do Oriente. Assim acontece o facto transcendente que une o Céu à Terra, Deus ao homem!

Como é possível tanta dureza de coração que cheguemos a acostumar-nos a estes episódios? Deus humilha-Se para que possamos aproximar-nos d’Ele, para que possamos corresponder ao seu Amor com o nosso amor, para que a nossa liberdade se renda, não só ante o espectáculo do seu poder, como também ante a maravilha da sua humildade.

Grandeza de um Menino que é Deus! O Seu Pai é o Deus que fez os Céus e a Terra, e Ele ali está, num presépio, quia non erat eis locus in diversorio, porque não havia outro sítio na Terra para o dono de toda a Criação! (Cristo que passa, 18)

São Josemaria Escrivá

Por que se celebra o nascimento de Jesus a 25 de Dezembro?

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A Luz do Natal


«O povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9, 1). Esta afirmação da primeira leitura da Missa do Galo sempre enternece. Lá fora estão as trevas da noite. Cá dentro ― a uma hora pouco habitual ― estamos os cristãos reunidos a ouvir esta antiquíssima profecia do profeta Isaías.

Profecia lapidar, categórica e expressiva daquilo que define o sentido da nossa vida: caminhamos para a Casa do Pai. Peregrinamos cercados por incompreensões, mas consolados e animados constantemente pela luz que vem de Deus. Luz que nos indica o caminho seguro para a nossa verdadeira Pátria.

Como disse o Papa Francisco: «Esta frase de Isaías comove-nos porque exprime a realidade profunda daquilo que somos: um povo em caminho e ao nosso redor ― e também dentro de nós ― há trevas e luz». E nesta Noite Santa de Natal, enquanto o espírito das trevas envolve grande parte deste mundo, o povo de Deus vê novamente essa grande luz: Jesus Cristo, envolto em paninhos e reclinado numa manjedoura.

Não pode haver tristeza na Noite em que nasce a Vida! Uma Vida que destrói o temor da morte. Uma Vida que nos infunde a alegria da eternidade prometida.

No desporto, pensar na meta nunca foi egoísmo. Também não o é na vida cristã. Sobretudo, quando essa Meta não é uma afirmação pessoal, não é um desejo de brilhar ou de ser melhor do que os outros. É um Amor que nos leva à entrega, à generosidade, ao serviço desinteressado, ao esquecimento próprio. Enfim, a tudo aquilo que nos faz felizes já nesta Terra.

Sem o Menino, a alma torna-se azeda pelas asperezas da vida, os inevitáveis fracassos, a ressaca de satisfações passageiras. Com Ele, quanto mais vivemos, mais rejuvenescemos.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Vigília de Natal

A liturgia desta noite fala-nos de um Deus que ama os homens; por isso, não os deixa perdidos e abandonados a percorrer caminhos de sofrimento e de morte, mas envia “um menino” para lhes apresentar uma proposta de vida e de liberdade. Esse menino será “a luz” para o povo que andava nas trevas.

A primeira leitura anuncia a chegada de “um menino”, da descendência de David, dom de Deus ao seu Povo; esse “menino” eliminará a guerra, o ódio, o sofrimento e inaugurará uma era de alegria, de felicidade e de paz sem fim.

O Evangelho apresenta a realização da promessa profética: Jesus, o “menino de Belém”, é o Deus que vem ao encontro dos homens para lhes oferecer – sobretudo aos pobres e marginalizados – a salvação. A proposta que Ele traz não será uma proposta que Deus quer impor pela força; mas será uma proposta que Deus oferece ao homem com ternura e amor.

A segunda leitura lembra-nos as razões pelas quais devemos viver uma vida cristã autêntica e comprometida: porque Deus nos ama verdadeiramente; porque este mundo não é a nossa morada permanente e os valores deste mundo são passageiros; porque, comprometidos e identificados com Cristo, devemos realizar as obras d’Ele.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 24 de dezembro de 2016 - NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Naqueles dias, saiu um édito de César Augusto, prescrevendo o recenseamento de toda a terra. Este recenseamento foi anterior ao que se realizou quando Quirino era governador da Síria. Iam todos recensear-se, cada um à sua cidade. José foi também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, que se chamava Belém, porque era da casa e família de David, para se recensear juntamente com Maria, sua esposa, que estava grávida. Ora, estando ali, aconteceu completarem-se os dias em que devia dar à luz, e deu à luz o seu filho primogénito, e O enfaixou, e O reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho. Apareceu-lhes um anjo do Senhor e a glória do Senhor os envolveu com a sua luz e tiveram grande temor. Porém, o anjo disse-lhes: «Não temais, porque vos anuncio uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo: Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo, o Senhor. Eis o que vos servirá de sinal: Encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura». E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celeste louvando a Deus e dizendo: «Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens, objecto da boa vontade de Deus».

Lc 2, 1-14