N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

CONTO DE NATAL 2016

Tinha abraçado a vocação ao sacerdócio com toda a convicção, mas agora tinha dúvidas, muitas dúvidas. E não eram, infelizmente, dúvidas sobre o sacerdócio, mas sobre o próprio Deus.

Não percebia porquê, mas agora que se aproximava o dia de Natal olhava para trás e percebia o ano terrível que tinha vivido.
A morte dos seus pais ainda relativamente novos, num acidente; aquele seu irmão, tão novo, com aquela doença incurável; aquele seu amigo de infância que ao fim de tantos anos de dificuldades, depois de nunca ter desistido de lutar, tinha acabado por “vencer na vida” e de repente, por um incêndio fortuito, tinha ficado novamente sem nada.
E o mundo? Que mundo este em que se trucidavam crianças, se decapitavam pessoas, se tratava melhor os animais do que os seres humanos, um mundo em que a barbárie, não só da violência física, mas também a violência verbal e psíquica, se tinha instalado e “dava cartas” em todo o lado.

E Deus? Deus onde parava? Por onde andava?
Sim ele sabia bem, (tinha-o estudado profundamente), que Deus nos tinha criado em liberdade total e por isso não interferia na liberdade de cada um.
Mas, caramba, há um tempo para tudo!
Então Deus podia assistir impávido e sereno à destruição do bem, à destruição da humanidade que Ele mesmo tinha criado à sua imagem e semelhança?
Tudo isto, somado a uma Igreja que a seus olhos parecia não encontrar união, mas parecia antes querer encontrar pontos de divisão, mais as conversas mantidas com tanta gente desiludida e revoltada, levantavam-lhe dúvidas, muitas dúvidas, a que ele não conseguia responder, sobretudo no seu íntimo.
Lembrava-se perfeitamente da Missa que tinha celebrado no dia anterior e como lhe tinha custado.
Na altura da consagração apeteceu-lhe deixar a patena e o cálice no altar e não proferir as palavras da consagração, mas depois lembrou-se que, mesmo que ele não acreditasse, a consagração sempre aconteceria, tal como ensinava a Igreja.

Era dia 24 de Dezembro e estava na sacristia pensando que ainda teria que celebrar à noite a Missa do Galo.
Era fim de tarde e a essa hora já não estava ninguém na igreja.
Foi colocar-se em frente ao sacrário com a cabeça entre as mãos e ali se deixou ficar, sem pensar, nem dizer nada, sem nada fazer.
Ao fim de algum tempo, cansado da posição em que estava e percebendo que o dia já estava a acabar, olhou o sacrário com um olhar ainda de esperança e disse:
Senhor Jesus Cristo, se aí estás, dá-me um sinal, qualquer coisa que me faça sair deste torpor que me afasta de Ti. Eu quero-Te, mas sinto-me cada vez mais longe de Ti.

Saiu da igreja e dirigiu-se para casa, mas em vez de seguir pela estrada normal, decidiu atravessar o pequeno pinhal que ficava entre a igreja e a casa onde vivia.
A luz do crepúsculo provocava sombras estranhas nas árvores, mas isso não lhe interessava minimamente, pois caminhava totalmente absorto nos seus pensamentos sobre Deus e sobre a sua fé.

Pareceu-lhe ouvir um ruído, um gemido, qualquer coisa, talvez um animal ferido.
Parou e pôs-se à escuta.
Ouviu então algo que lhe pareceu um choro de criança, pelo que começou à procura por entre os arbustos, tentando descobrir de onde vinha tal lamento.
Encontrou então deitada no chão da mata, envolvida num pequeno cobertor, uma criança, que chorava lancinantemente.
Aproximou-se e percebeu que, embora já não fosse um recém-nascido, era sem dúvida uma criança nascida há muito pouco tempo.
Retirou com todo o cuidado o cobertor que a envolvia e verificou que apesar das circunstâncias a criança lhe parecia estar bem de saúde.
Tocou-lhe numa mão com o seu dedo para ver a sua reacção, e logo os pequeninos dedos do bebé se agarraram, como desesperados ao seu dedo, com uma força tal que o espantou.
Colocou-o ao colo e trouxe-o para a estrada, enquanto ligava para as emergências explicando o assunto, e pedindo uma ambulância.
Sentou-se num marco na berma da estrada com a criança ao colo e mais uma vez colocou o seu dedo entre aquela pequena mão, que logo o agarrou novamente com toda a força.
Estava assim, embevecido a olhar para a cara do bebé, que entretanto tinha acalmado e dormitava no seu colo com uma expressão muita calma, quando sentiu no seu coração as seguintes palavras:
Vês, meu filho, só tens que fazer isto mesmo! Abandona-te como uma criança, agarra a minha mão com toda a tua força e perceberás que estás ao meu colo, que Eu estou contigo, e que, quaisquer que sejam as tuas dúvidas, eu sou o Senhor teu Deus que te ama, que te chama e que te guia. Hoje é noite de Natal! Quando regressares à igreja, vai junto do presépio e coloca o teu dedo nas mãos da minha imagem deitado nas palhinhas. Acredita, meu filho, que mesmo sem sentires, Eu me agarrarei ao teu dedo e não te deixarei partir, porque te amo e te quero para mim!

Ao longe já se viam as luzes da ambulância e ele iria jurar que se pareciam exactamente com as estrelas que tinha iluminado os pastores naquela Santa Noite!

O seu coração exultou de alegria e exclamou dentro de si:
Meu Senhor e meu Deus! Ó meu Menino Jesus, obrigado pelo teu presente de Natal!!!

Foi com muita relutância que deixou que os bombeiros lhe tirassem dos seus braços aquele seu “Menino Jesus”!

Marinha Grande, 19 de Dezembro de 2016

Joaquim Mexia Alves

Vergílio, BUCÓLICAS, canto IV

Tradução da IV écloga de Virgílio por Luís Filipe Thomaz a partir do latim, repassada de um messianismo que atesta da esperança universal no Emanuel — o "Deus connosco", a que a antiga liturgia romana aplicava o epíteto de "desideratus cunctarum gentium", o desejado de todas as gentes. Escrita necessariamente antes da morte do autor, em 19 A. C., a écloga — a que Jerôme Carcopino dedicou um detalhado e sábio estudo — fala do nascimento de um menino, que os primeiros cristãos identificaram com Jesus, fazendo, por conseguinte, de Virgílio uma espécie de profeta pagão, como a Sibila.

*****
           
Sicilianas Musas, nossos cantos, um tanto soergamos:
nem a todos deleitam os arbustos, os tamariscos franzinos,
se é aos bosques que cantamos,
que de um cônsul os bosques sejam dinos!
            Eis que na verdade,
do oráculo de Cumas vem chegando a derradeira idade:
dos séculos a grande ordem de novo recomeça;
eis que volta a Virgem; eis que de Saturno o reino já regressa,
e dos altos céus nova linhagem dece!
            Mal nasça o menino com que já fenece
a férrea idade, e de polo a polo
se mostre a áurea estirpe, tu, casta Lucina, o favorece!
Já reina o teu Apolo!
            Em teu consulado, ó Polião, e sob a tua guia,
principiará a glória desta nova era,
e dos grandes meses o transcurso, dia a dia.
Se de nosso crime algum vestígio houvera,
írrito será doravante,
e livre quedará do pavor eterno a esfera.
            Dos deuses receberá vida o nascituro infante,
e aos deuses juntos os heróis verá;
ver-se-á a si a estes mesclado,
e o orbe regerá,
pela virtude paternal pacificado.
            E a ti, menino, como dom primeiro,
hedras trepadeiras e acanto sorridente
bácaro abundante e colcas, juntamente,
sem qualquer lavoura, em profusão
dará o campo inteiro.
            De livre moto, as cabras ao curral trarão
túrgidos de leite os úberes dilatados;
e ao corpulento leão
não voltarão jamais a recear os gados.
            De si o berço se te porá, meigo, em flor;
tombará morta a serpente,
e murcha a erva do veneno enganador;
mas o amomo da Assíria vicejará vulgarmente.
            Quando dos feitos paternos fores ciente,
dos heróis saibas ler o elogio,
e da virtude discernir o vulto,
louros, lentamente,
se porão os campos com o brando estio;
a uva rósea penderá do tojo inculto,
e do roble agreste escorrerá o mel em fio.
            Da prístina fraude algum vestígio quedará, porém, oculto,
forçando a jangada a arrostar o mar ingente,
a cidade a manter em torno o muro,
e o arado a sulcar ainda o solo duro.
            Um novo Tífis haverá então, e novamente,
Argo aparecerá, que dos heróis transfrete a jóia,
pois virão novas guerras no futuro,
e uma vez mais o grão Aquiles será mandado a Tróia.
            Quando a idade firme te tornar, porém, sisudo,
desistirá do mar o próprio marinheiro,
e inútil quedará, sem conteúdo,
a nave talhada do pinheiro,
pois toda a terra produzirá de tudo.
            Não mais o solo padecerá lavoura,
nem tampouco a vinha o golpe da seitoura.
            Soltará da canga aos bois o lavrador robusto,
e não terá mais a lã de se tingir de laivos variados,
pois ao pascer nos prados,
o mesmo anho mudará, venusto,
ora em púrpura suave, ora em amarelo,
as cores do próprio velo.
            Espontâneo vestirá o azarcão de tons profusos
o cordeiro que retouça nos montados.
"Fiai tais séculos" - disseram as Parcas a seus fusos,
conformes como sempre com os fados.
            Das honras mais augustas chegando vem o momento!
Ó cara prole dos deuses, de Júpiter ó maior rebento!
Acerca-te, enxerga asinha:
vacilante, ajoujado ao cárrego do mundo,
as terras, a extensão do mar, o céu profundo,
vê como se alegra tudo com a era já vizinha!
            Oh, que da já longa vida me reste um tempo derradeiro,
e me não falte quanto hei mister de alento,
p'ra de teus feitos lavrar o rol inteiro…
Não me vencerá em carmes o talento
nem do Orfeu trácio, nem de Lino,
ainda que a este inspire o pai divino,
e àquele assista a mãe que o trouxe ao colo:
de Orfeu Caliopeia, de Lino o belo Apolo.
O próprio Pan, com Arcádia por juiz, se comigo se batia,
o próprio Pan, com Arcádia por juiz, vencido se diria.
            Começa, pois, menino, a conhecer pelo sorriso
a mãe que dez meses o fastio suportou mofino;
começa, pequenino,
pois, de feito,
quem jamais conheceu nos pais o riso,
nem da mesa um deus reputa dino,
nem uma deusa do leito.

A nossa tendência para o egoísmo não morre

Não ponhas o teu "eu" na tua saúde, no teu nome, na tua carreira, na tua ocupação, em cada passo que dás... Que coisa tão maçadora! Parece que te esqueceste que "tu" não tens nada, é tudo d'Ele. Quando ao longo do dia te sentires, talvez sem razão, humilhado; quando pensares que o teu critério deveria prevalecer; quando notares que a cada instante borbota o teu "eu", o teu, o teu, o teu..., convence-te de que estás a matar o tempo e que estás a precisar que "matem" o teu egoísmo. (Forja, 1050)

Convém deixar o Senhor meter-se nas nossas vidas e entrar confiadamente sem encontrar obstáculos nem recantos obscuros. Nós, os homens, tendemos a defender-nos, a apegar-nos ao nosso egoísmo. Sempre tentamos ser reis, ainda que seja do reino da nossa miséria. Entendei através desta consideração por que motivo temos necessidade de recorrer a Jesus: para que Ele nos torne verdadeiramente livres e, dessa forma, possamos servir a Deus e a todos os homens. Só assim perceberemos a verdade daquelas palavras de S. Paulo: Agora, porém, livres do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santificação e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, ao passo que o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Estejamos precavidos, portanto, visto que a nossa tendência para o egoísmo não morre e a tentação pode insinuar-se de muitas maneiras. Deus exige que, ao obedecer, ponhamos em exercício a fé, porque a sua vontade não se manifesta com aparato ruidoso; às vezes o Senhor sugere o seu querer como que em voz baixa, lá no fundo da consciência; e é necessário escutar atentamente para distinguir essa voz e ser-Lhe fiel. (Cristo que passa, 17)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1924


Recebe o diaconado na igreja de São Carlos, em Saragoça, das mãos de D. Miguel de los Santos Díaz Gómara. Tem 22 anos.

«Maria levantou-se e partiu à pressa para a montanha»

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Comentário ao Evangelho de Lucas, II, 19ss.; SC 45

É normal que todos os que querem que se acredite neles dêem razões para se acreditar. Foi por isso que o anjo [...] anunciou a Maria, a virgem, que uma mulher idosa e estéril se tornara mãe, mostrando assim que Deus pode fazer tudo o que quiser. Assim que Maria soube disto partiu para as montanhas ─ não por falta de fé na profecia, nem pela incerteza perante este anúncio, nem por dúvida [...], mas na alegria do seu desejo, para cumprir um dever religioso, na urgência da alegria. Doravante cheia de Deus, como poderia Ela não se elevar apressadamente às alturas? Os raciocínios lentos são estranhos à graça do Espírito Santo.

Até então, Maria vivia sozinha, retirada do mundo exterior; mas nem o pudor de partir publicamente, nem as escarpas das montanhas, nem a lonjura do caminho a detiveram no seu desejo de servir. Esta virgem apressa-se a subir às alturas, é uma virgem que pensa em servir e que esquece as dificuldades; a caridade é a sua força [...]; deixa a sua casa e parte. [...] Vós que apreendestes a delicadeza de Maria; apreendei também a sua humildade. A mais nova vem ter com a mais velha [...], a que é superior vem ter com a que é inferior: Maria vai ter com Isabel, Cristo vai ter com João, como mais tarde o Senhor irá ser baptizado por João, para consagrar o batismo. E imediatamente se manifestam os benefícios da chegada de Maria e da presença do Senhor, porque «quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo». [...] As duas mulheres falam da graça que lhes foi dada; as duas crianças realizam esta graça e arrastam as mães para este mistério da misericórdia.

DIA DE NATAL* - Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada

Diálogo entre o Pai Natal e o Menino Jesus

Foi numa esquina qualquer que se encontraram o Pai Natal e o Menino Jesus. Enquanto aquele se preparava para trepar um prédio, com o seu saco às costas, este último, recém-nascido, descia à terra e oferecia-se inerme, num pobre estandarte, que cobria uma mísera janela.

- Quem és tu, Menino – disse o velho – e que fazes por aqui?! É a primeira vez que te vejo!

- Sou Jesus de Nazaré e ando há vinte séculos à procura de uma casa que me receba e, como há dois mil anos em Belém, não há quem me dê pousada.

- Pois não é de estranhar! Não vês que vens quase nu?! Porque não trazes roupas quentes, como as que eu tenho, para me proteger do frio do inverno?

- O calor com que me aqueço é o fogo do meu amor e o afecto dos que me amam.

- Eu trago muitos presentes, para os distribuir pelas casas das redondezas. E tu, que andas por aqui a fazer?

- Eu sou rico, mas fiz-me pobre, para os pobres enriquecer com a minha pobreza. Eu próprio sou o presente de quem me acolher. Não vim ensinar os homens a ter, mas a ser, porque quanto mais despojada é a vida humana, maior é aos olhos do Criador.

- E de onde vens e como vieste até aqui? Eu venho da Lapónia, lá para as bandas do pólo norte.

- Eu venho do céu, de onde é o meu Pai eterno, e vim ao mundo pelo sim de uma virgem, que me concebeu do Espírito Santo.

- Que coisa estranha! Nunca ouvi falar de ninguém que tenha nascido de uma virgem e assim tenha vindo ao mundo! E não tens nenhum animal que te transporte para tão longa viagem, como eu tenho estas renas?

- Um burrinho foi a minha companhia em Belém, e foi também o meu trono real, na entrada triunfal em Jerusalém.

- Um burro?! Não é grande coisa, para trono de um rei…

- O meu reino não é deste mundo e a sua entrada é tão estreita que os meus cortesãos, para lá entrarem, se têm que fazer pequeninos, porque destes é o meu reino.

- E que coisas ofereces? Que tesouros tens para dar? Que prometes?

- Trago a felicidade, mas escondida na cruz de cada dia; trago o céu, mas oculto no pó da terra; trago a alegria e a paz, mas no reverso das labutas do próprio dever; trago a eternidade, mas no tempo gasto ao serviço dos outros; trago o amor, mas como flor e fruto da entrega sacrificada.

- Pois eu trago as coisas que me pediram: jogos e brinquedos para os miúdos e, para os graúdos, saúde, prazer, riqueza e poder. Mas, por mais que lhes dê, nunca estão satisfeitos!

- A quem me dou, quer-me sempre mais na caridade que tem aos outros, porque é nos outros que eu quero que me amem a mim.

- Mais um enigma! De facto, somos muito diferentes, mas pelo menos numa coisa nos parecemos: ambos estamos sós, nesta noite de consoada!

- Eu nunca estou só, porque onde estou, está sempre o meu Pai e onde eu e o Pai estamos, está também o Amor que nós somos e estão aqueles que me amam.

- Bom, a conversa está demorada e ainda tenho muitas casas para assaltar, pela lareira, como manda a praxe.

- Eu estou à porta e bato e só entrarei na casa de quem liberrimamente me abrir a porta do seu coração e aí cearei e farei a minha morada.

- Pois sim, mas eu vou andando que já estou velho e cansado …

- Eu acabo de nascer e quem, mesmo sendo velho, renascer comigo, será como uma fonte de água viva a jorrar para a vida eterna.

O velho Pai Natal, resmungando, subiu ao telhado do luxuoso prédio, atirou-se pela chaminé abaixo e desapareceu.

Foi então que a janela onde estava o estandarte se abriu e uma pobre velhinha de rosto enrugado, como um antigo pergaminho, beijou o reverso da imagem do Deus Menino, que estremeceu de emoção. A seguir, encostou a vidraça, apagou a luz e, muito de mansinho, adormeceu. Depois, o Menino Jesus, sem a acordar, pegou nela ao colo e, fazendo do seu pendão um tapete mágico, levou-a consigo para o Céu.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada (2010)

* Os primeiros cristãos chamavam dies natalis, ou seja, natal, ao dia da sua morte, porque entendiam que esse era o dia do seu nascimento para a verdadeira vida.

O que seria o Natal em família sem as mulheres?

Elas montam o Presépio, vão às compras, cozinham, confeccionam e embrulham os presentes, preparam a casa e decoram-na especialmente para a ocasião, põem a mesa, distribuem afeto, carinho e consolo, cuidam dos idosos, etc., etc. e fazem tudo isto com um sorriso nos lábios e estão sempre disponíveis para dar mais e mais.

Também Nossa Senhora esteve atenta em Caná, quantas e quantas vezes ajudada por outras mulheres terá servido o Senhor e os Apóstolos, a sogra de Pedro levantou-se e pôs-se de imediato a servir, Marta e Maria receberam o Senhor e serviram-no, Lídia após ser baptizada com a sua família insiste com Paulo para que entre e fique em sua casa. É na senda destes belos exemplos que as mulheres de hoje como as de então, estão de alma e coração a ajudar a quem amam e delas precisam.

Demos graças ao Senhor por nos agradar através delas e saibamos Lhe e lhes retribuir com todo o carinho, afecto e amor que lhes é devido.

JPR

S. Domingos de Silos, abade, †1073

Claustros do Mosteiro de S. Domingos de Silos a 60 kms a sul da cidade de Burgos em Espanha
São Domingos de Silos nasceu em Canhas, pequena cidade da Rioja, Espanha, no ano 1000. Vivia na mais completa solidão há quase 18 anos, quando resolveu procurar Santo Emiliano e tornou-se noviço. Durante a sua caminhada, restaurou o Mosteiro de Silos que havia sido arruinado pelas guerras árabes. Restaurou também o priorado de Santa Maria de Canãs. Foi nomeado prior do convento de São Millán.

García de Nájera perseguiu São Domingos até que o exilou do Mosteiro de São Millán para Burgos, onde foi recebido por Fernando Magno, rei de Castela e de Aragão. Os historiadores contam também que São Domingos libertou muitos escravos cristãos caídos nas mãos dos mouros. Era muito culto, tendo exercido grande influência política e religiosa, fazendo parte dos homens mais versados em ciências e letras. Foi fundador de uma biblioteca, onde se reuniram numerosos manuscritos em caracteres visigóticos.

São Domingos de Silos morreu no dia 20 de Dezembro de 1073, em Silos.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 20 de dezembro de 2016

Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça; o Senhor é contigo». Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim». Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não conheço homem?». O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; porque a Deus nada é impossível . Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo afastou-se dela.

Lc 1, 26-38