N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Sem Ele nada podemos

Quando sentires o orgulho que ferve dentro de ti – a soberba! –, que faz com que te consideres um super-homem, chegou o momento de exclamar: – Não! E, assim, saborearás a alegria do bom filho de Deus, que passa pela terra com erros, mas fazendo o bem. (Forja, 1054)

Vedes como é necessário conhecer Jesus, observar amorosamente a sua vida? Muitas vezes fui à procura da definição da biografia de Jesus na Sagrada Escritura. Encontrei-a lendo aquela que o Espírito Santo faz em duas palavras: pertransiit benefaciendo. Todos os dias de Jesus Cristo na terra, desde o seu nascimento até à morte, pertransiit benefaciendo, foram preenchidos fazendo o bem. Como, noutro lugar, a Escritura também diz: bene omnia fecit, fez tudo bem, terminou bem todas as coisas, não fez senão o bem.

E tu? E eu? Lancemos um olhar para ver se temos alguma coisa que emendar. Eu, sim, encontro em mim muito que fazer. Como me vejo incapaz, só por mim, de fazer o bem e, como o próprio Jesus nos disse que sem Ele nada podemos, vamos tu e eu implorar ao Senhor a sua assistência, por meio de sua Mãe, neste colóquio íntimo, próprio das almas que amam a Deus. Não acrescento mais nada, porque é cada um de vós que tem de falar, segundo a sua particular necessidade. Por dentro, e sem ruído de palavras, neste mesmo momento em que vos dou estes conselhos, aplico esta doutrina à minha própria miséria. (Cristo que passa, 16)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1937

“Dia 19 de Dezembro. “O que devo eu a Deus, como cristão! A minha falta de correspondência a essa dívida tem-me feito chorar de dor: de dor de Amor. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!...”, anota durante o retiro que faz em Pamplona.

A humildade engrandece-nos

"Não sou um santo, a menos que vejam um santo como um pecador que continua a tentar."

Nelson Mandela

A ilusão egoísta

Infelizmente e muitas vezes, para não dizer quase sempre, de uma forma inconsciente o mundo que nos rodeia vive do e para o ‘optimismo’, dando-se conta do logro com a velhice, se de tal forem capazes e tiverem a humildade suficiente para o fazer, a este ‘optimismo’ eu permito-me chamar ilusão egoísta.

Em contra-partida, a esperança cristã, que assenta na fé e no conhecimento do Reino dos Céus, conduz-nos até à morte física na certeza altruísta da bondade e misericórdia de Deus e consequentemente seguros que seremos chamados a compartilhar a alegria do Reino de Deus para sempre.

Sejamos, cada um à sua maneira, capazes de anunciar aos nossos irmãos essa felicidade, conscientes que é uma tarefa árdua, mas Jesus Cristo, os Apóstolos e muitos Santos tiveram de dar a vida por fazê-lo, pelo que cada insucesso nosso seja tido apenas como mais um pequeno obstáculo na nossa caminhada.

JPR

Celebrar O Natal em Família

Quando este texto chegar às suas mãos, leitor amigo em quem penso enquanto escrevo, estaremos em plena época natalícia. Imaginamos com que intensidade reviveria a Sagrada Família as recordações daqueles dias de Belém, mistos de dores que se transformavam em alegrias deixando os corações inundados de profunda paz. À medida que o Cristianismo se foi consolidando e conhecidos os factos em que se deu o nascimento e infância de Jesus a festa do Natal do Senhor passou a ser celebrado nas comunidades cristãs. A 1ª referência documental à data de 25 de Dezembro aparece num texto de Sexto Júlio Africano em 221 e em 354 o calendário litúrgico filocaliano refere expressamente, (MGH, IX, I, 13-196), que “VIII kal. Ian. natus Christus in Betleem Iudeae”, [“nas VIII Calendas de Janeiro (25 de Dezembro) nasceu Cristo em Belém da Judeia”].

Chegou-se à definição desta data pela relação entre dados dos calendários sacerdotais judaicos, da astronomia, da história romana e da tradição cristã. O Natal é pois algo mais profundo do que a pouco credível substituição de uma celebração pagã por uma cristã.

Os materialismos contemporâneos procuram intensamente afogar as celebrações do Natal em consumismo. Para lhe disfarçar a fria agressividade e fealdade revestem-no com um estaladiço banho exterior de solidariedade fraterna, de festa da família, de tempo de sermos bons, de sorrirmos aos desconhecidos… Como em todos os reducionismos também, neste caso, existe uma réstia de verdade já que, a fraternidade só pode ser realidade entre filhos do mesmo Pai. Por isso é necessário recuperar o sentido do Natal: que chegada a plenitude dos tempos Deus enviou o Seu Filho para nos redimir e podermos ser chamados filhos de Deus.

Sugiro, como melhor maneira de preparar o Natal fazermos uma boa Confissão. Se Natal é tempo de ser bom haverá alguma forma mais razoável de o fazer do que pedir sinceramente perdão ao nosso Pai Deus e decidirmos ser Seus melhores filhos?

Depois, armar o Presépio num local acolhedor da casa onde possamos facilmente lançar um olhar amoroso ao Menino Deus e fazer-Lhe companhia.

Ao decorarmos a árvore de Natal poderemos atribuir um significado sobrenatural a cada um dos seus enfeites: a cor azul a uma oração de reconciliação, a prata para dar graças, a dourada para louvar a Deus, o vermelha para Lhe expor as nossas necessidades; os laços representam a união da família e entre os homens de boa vontade. O Anjo que encima o Presépio pode recordar-nos o nosso Anjo da Guarda; a Estrela de Belém que conduziu os Magos a Cristo lembra a fé que deve guiar as nossas vidas; as luzes, a Luz de Cristo…

João Paulo II lembrava que a cor verde e a perenidade das folhas do abeto são sinal da vida que não morre e que a mensagem da árvore de Natal é, portanto, que a vida permanece "sempre verde" se se torna dom: não tanto de coisas materiais, mas de si mesmo: na amizade e no carinho sincero, na ajuda fraterna e no perdão, no tempo compartilhado e na escuta recíproca. Também as prendas que se costumam colocar na sua base recordam que da árvore da Cruz procedem todos os bens e que Jesus Cristo é o supremo dom de Deus à humanidade (Cfr. João Paulo II, Angelus, 19 de Dezembro de 2004).

Se nos esforçarmos por viver assim o Natal, com fé, esperança e caridade, Jesus encontrará pousada no nosso coração e enchê-lo-á de paz e de alegria. E transmitiremos às novas gerações os valores das tradições que fazem parte do património da nossa fé e cultura.

Para si leitor, para a sua família, desejo um Santo Natal e um 2011 (2015) cheio dos dons do Menino Deus.

António Faure em 2010

O Evangelho do dia 19 de dezembro de 2016

Houve no tempo de Herodes, rei da Judeia, um sacerdote chamado Zacarias, da turma de Abias; a sua mulher era da descendência de Aarão e chamava-se Isabel. Ambos eram justos diante de Deus, caminhando irrepreensivelmente em todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e ambos se achavam em idade avançada. Sucedeu que, exercendo Zacarias as funções de sacerdote diante de Deus na ordem do seu turno, segundo o costume sacerdotal, tocou-lhe por sorte entrar no templo do Senhor a oferecer o incenso. Toda a multidão do povo estava a fazer oração da parte de fora, à hora do incenso. Apareceu-lhe um anjo do Senhor, de pé ao lado direito do altar do incenso. Zacarias, ao vê-lo, ficou perturbado e o temor o assaltou. Mas o anjo disse-lhe: «Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração; tua mulher Isabel dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. Será para ti motivo de júbilo e de alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento; porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho nem outra bebida inebriante; será cheio do Espírito Santo desde o ventre da sua mãe; e converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. Irá adiante de Deus com o espírito e a fortaleza de Elias, “a fim de reconduzir os corações dos pais para os filhos”, e os rebeldes à prudência dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto». Zacarias disse ao anjo: «Como hei-de verificar isso? Porque eu sou velho e a minha mulher está avançada em anos». O anjo respondeu-lhe: «Eu sou Gabriel que estou diante de Deus; fui enviado para te falar e te dar esta boa nova. Eis que ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas coisas sucedam, visto que não acreditaste nas minhas palavras, que se hão-de cumprir a seu tempo». Entretanto, o povo esperava Zacarias e admirava-se de ver que ele se demorava tanto no templo. Quando saiu, não lhes podia falar, e compreenderam que tinha tido alguma visão no templo, o que lhes dava a entender por acenos; e ficou mudo. Aconteceu que, depois de terem acabado os dias do seu ministério, retirou-se para a sua casa. Alguns dias depois, Isabel, sua mulher, concebeu, e durante cinco meses esteve escondida, dizendo: «Isto é uma graça que me fez o Senhor nos dias em que me olhou para tirar o meu opróbrio de entre os homens».

Lc 1, 5-25