N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Homilia de Mons. Fernando Ocáriz na Santa Missa pelo Padre

As palavras de Jesus que acabamos de ouvir são uma maravilhosa abertura do seu coração, em que Ele fala ao Pai e aos seus discípulos. Da mesma forma também nós, os cristãos, estamos chamados a falar com Deus e com os nossos irmãos. A evangelização, o apostolado, é precisamente fruto da nossa intimidade com Deus, como escreveu são Josemaria: “O teu apostolado deve ser uma superabundância da tua vida «para dentro»”[1].

Nesta celebração eucarística em sufrágio pelo bispo e prelado do Opus Dei, D. Javier Echevarría, o Evangelho traz à minha memória a naturalidade com que D. Javier procurava nos ensinar a amar Cristo e os outros. Todos os dias comentava alguma passagem da Liturgia da Palavra ou dos outros textos da Missa. Fazia isso, é claro, em meditações ou conversas sobre temas espirituais, mas também no meio da simplicidade da sua vida diária. Assim, na mesma hora, começava a rezar e convidava os que estavam com ele a rezar: por uma viagem do Papa, pela paz na Síria, pelas vítimas de desastres naturais, pelos refugiados, pelos desempregados, e pelos doentes, por quem sempre teve uma particular preferência, que também aprendeu de São Josemaria. Quando voltava de uma viagem longa, antes de ir para casa, aproximava-se algumas vezes ao hospital para visitar a algum doente. Todos cabiam no seu coração. Tinha aprendido do fundador do Opus Dei a "amar o mundo apaixonadamente" porque, como explicava o santo "no mundo encontramos a Deus (...) nas ocorrências e acontecimentos do mundo, Deus se manifesta a nós e a nós se revela"[2]. E assim, Dom Javier amava a vida real, os fatos, as histórias belas e verdadeiras da misericórdia de Deus.

Teve que responder a um desafio: o de ser o sucessor de dois santos, são Josemaria e o bem-aventurado Álvaro. Estava convencido de que não estava à altura. Mas, ao mesmo tempo, tinha a força espiritual e a coragem para seguir em frente, sem nunca perder a esperança, porque era um destes pequenos a quem o Senhor revelou o mistério do seu amor (cfr. Mt 11,29).

Tinha conhecido o amor de Cristo na sua juventude. Em primeiro lugar, no lar da família; depois, para ele houve a grande luz do encontro com São Josemaria: descobriu então com maior profundidade a beleza do amor de Cristo. Lembrava como, naquela época, poucos dias depois de ter encontrado pela primeira vez a São Josemaria, andando de carro com ele e alguns outros, ouviu-o cantar uma canção de amor humano, que São Josemaria trasladava ao âmbito divino. Dizia: "Eu tenho um amor que me enche de alegria, esse amor é a maravilha de cada dia". Entendeu que este amor era o Amor de Deus por nós e que o Espírito Santo infundia no seu coração o amor para amar a Deus e aos outros. “O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11,30), é o que Jesus diz, porque o jugo é o amor: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.” (Jo 15,12).

Quando Javier Echevarría foi ordenado sacerdote, apesar de ser ainda muito jovem, a Missa já tinha se tornado o centro e a raiz do seu dia, porque a Eucaristia é “fonte e cume de toda a evangelização”[3], como ensina o Concilio Vaticano II. Durante mais de sessenta anos, enquanto se revestia com a casula para celebrar os santos mistérios, gostava de rezar com o coração aquela oração da Igreja que recorda a doçura do jugo do Senhor; a imensidão da sua caridade e da sua misericórdia, revelada de modo excelso em Jesus, morto na Cruz e ressuscitado por nós.

Seguindo o exemplo e os ensinamentos de São Josemaria, Javier Echevarría foi um homem de grande coração, capaz de perdoar e de pedir perdão. Amava muito o sacramento da Reconciliação e da Penitência, em que deixamos Jesus entrar na nossa alma, e experimentamos a “plena liberdade do amor, com o que Deus entra na vida de cada pessoa”[4], como escreve o Santo Padre Francisco. D. Javier, como vigário geral da Prelazia, nunca teve outro objetivo fora ajudar o bem-aventurado Álvaro na sua missão de guiar esta pequena parte do Povo de Deus. E depois de são João Paulo II nomeá-lo prelado, seu único pensamento e desejo ardente foi o de ajudar, aos que tinham passado a ser seus filhos e filhas espirituais, a buscar verdadeiramente a santidade que Deus quer nos dar; a irradiar o amor a Deus ao nosso redor, especialmente na busca da santificação através do trabalho e das atividades da vida diária: na família, com os amigos, na sociedade. De fato, partiu para o Céu rezando pela fidelidade de todos.

Penso que podemos descobrir o segredo de tudo isto na leitura do Evangelho que acabamos de ouvir. É a oração, a fé na presença amorosa de Deus, que nos faz filhos de Deus em Cristo pelo Espírito Santo: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.” (Mt 11,25). Sim, a santidade não é outra coisa senão a plenitude da caridade em nós, fazer frutificar os talentos que Deus nos dá, sair de nós mesmos em direção aos outros; a participação na vida de Cristo, isto é, o crescimento da filiação adotiva no único e eterno Filho do Pai. Pode-se dizer que dentro do coração de D. Javier Echevarría vibrava a espera impaciente da revelação dos filhos de Deus a que São Paulo se refere em sua Carta aos Romanos (cfr. Rm 8,19).

Gostaria de agradecer aos cardeais, aos arcebispos e bispos, aos irmãos no sacerdócio, às religiosas e religiosos, bem como às autoridades civis, e tantos outros fieis que quiseram se unir à nossa oração por D. Javier, e agradecer conosco por esta vida entregue a serviço dos outros.

Agora, gostaria de acrescentar algumas palavras, pensando especialmente nos fiéis da Prelatura. Se aquele que chamamos Padre durante vinte e dois anos estivesse aqui entre nós, com certeza nos pediria que aproveitássemos estes momentos para intensificar o nosso amor à Igreja e ao Papa, que permanecêssemos muito unidos entre nós e com todos os nossos irmãos em Cristo. E repetiria aquilo que, especialmente nos últimos anos, tinha chegado a ser um refrão nos seus lábios: que vos queirais bem, que vos ameis cada vez mais! E não só nos seus lábios: impressionava ver como sabia querer bem aos outros. Lembro, por exemplo, que um dia antes de falecer, expressou o seu desconforto por estar incomodando a tantas pessoas que cuidavam dele. E espontaneamente respondi: “Não, Padre. É o senhor que sustenta a todos nós”.

Queridos irmãos e irmãs, todas as graças chegam a nós através da mediação de Maria. O Padre a amava muito. O santuário de Guadalupe, no México, é um dos santuários marianos aos que peregrinou com São Josemaria e o bem-aventurado Álvaro, ou depois como Prelado. A Providência quis que o Padre fosse chamado ao Céu precisamente no dia 12 de dezembro, festa de Nossa Senhora de Guadalupe. No mesmo dia, quando a sua saúde estava piorando, um sacerdote perguntou-lhe se queria que colocasse na sua frente uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe; o Padre respondeu que não era necessário, porque não conseguia vê-la. Mas acrescentou que, no entanto, a sentia muito próxima. Deixemos nas mãos da Virgem Maria, spes mostra, esperança nossa, a nossa oração por D. Javier Echevarría, enquanto agradecemos ao Senhor por nos ter dado este pastor bom e fiel.

[1] Caminho, 961.
[2] Entrevistas, 70.
[3] Concílio Vaticano II, Decreto Presbyterorum Ordinis, n. 5.
[4] Francisco, Carta apostólica Misericordia et Misera, n. 2.

Para obedecer, é preciso humildade

Quando tiveres de mandar, não humilhes: procede com delicadeza; respeita a inteligência e a vontade de quem obedece. (Forja, 727)

Muitas vezes fala-nos através doutros homens e pode acontecer que, à vista dos defeitos dessas pessoas ou pensando que não estão bem informadas ou que talvez não tenham entendido todos os dados do problema, surja uma espécie de convite a não obedecermos.

Tudo isso pode ter um significado divino, porque Deus não nos impõe uma obediência cega, mas uma obediência inteligente, e temos de sentir a responsabilidade de ajudar os outros com a luz do nosso entendimento. Mas sejamos sinceros connosco próprios: examinemos em cada caso se o que nos move é o amor à verdade ou o egoísmo e o apego ao nosso próprio juízo. Quando as nossas ideias nos separam dos outros, quando nos levam a quebrar a comunhão, a unidade com os nossos irmãos, é sinal certo que não estamos a actuar segundo o espírito de Deus.

Não o esqueçamos: para obedecer, repito, é preciso humildade. Vejamos de novo o exemplo de Cristo. Jesus obedece, e obedece a José e a Maria. Deus veio à Terra para obedecer, e para obedecer às criaturas. São duas criaturas perfeitíssimas – Santa Maria, Nossa Mãe; mais do que Ela só Deus; e aquele varão castíssimo, José. Mas criaturas. E Jesus, que é Deus, obedecia-lhes! Temos de amar a Deus, para amar assim a sua vontade, e ter desejos de responder aos chamamentos que nos dirige através das obrigações da nossa vida corrente: nos deveres de estado, na profissão, no trabalho, na família, no convívio social, no nosso próprio sofrimento e no sofrimento dos outros homens, na amizade, no empenho de realizar o que é bom e justo... (Cristo que passa, 17)

São Josemaría Escrivá

El Padre

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

No meio da rua, num dia de muito sol, sofre uma tentativa de agressão que conta no dia seguinte: “Oitava da Imaculada Conceição, 1931: Na tarde de ontem, às três horas, quando me dirigia para o colégio de Santa Isabel para confessar as meninas, na Atocha no passeio de São Carlos, quase na esquina da rua de Santa Inês, três homens jovens, de mais de trinta anos, cruzaram-se comigo. Quando já estavam perto de mim um deles adiantou-se gritando: “vou-lhe bater!”, e ergueu o braço com tal ímpeto que eu considerei recebida a pancada. Mas, antes de pôr em prática os seus propósitos de agressão, um dos outros dois disse-lhe imperiosamente: “Não, não lhe batas”. E em seguida, em tom jocoso, inclinando-se para mim, acrescentou: “Burrinho, burrinho!”. Atribuiu o ataque a uma acção diabólica e a defesa ao seu Anjo da Guarda.

A importância da maternidade em geral e a de Maria enquanto Mãe de Jesus

«: … o ser humano em devir (de novo ao contrário do animal) depende tão profundamente do seu “estar-com” outros seres humanos que só através desse próximo, normalmente a mãe, desperta para a sua auto-consciência. No sorriso desvela-se-lhe o facto de haver um mundo em que ele é recebido, em que é bem-vindo, e, nesta experiência primordial, pela primeira vez, toma consciência de si próprio. Este acontecimento fundamente de toda a existência humana, cujo alcance só no nosso tempo passou a ser apreciado como merece, acompanha as restantes funções do crescimento e da educação: a alimentação e o cuidado da criança, a sua introdução no mundo e respectiva tradição histórica. Muito antes da aprendizagem da fala se desenvolve um diálogo sem palavras entre mãe e filho na base do “estar-com-os-outros” (Mitsein) constitutivo para cada ser humano consciente.

Isto diz, pois, que também Jesus deve principalmente a sua mãe a sua autoconsciência humana, se não quisermos admitir que, como criança prodígio sobrenatural, ele não devesse essa consciência a ninguém. Mas isso seria pôr em causa a sua humanidade verdadeira»

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar)

O dever de ajudar

«Não digas: não posso ajudar os outros, pois se és cristão de verdade, é impossível que não o possas fazer (…). Se ordenamos bem a nossa conduta, tudo o resto se seguirá como consequência natural. Não pode ocultar-se a luz dos cristãos, não pode ocultar-se uma lâmpada tão brilhante»

(São João Crisóstomo - Homília sobre Act, 20)

Tornar a ser cristão

«… alegra-me que a ficção da moda esteja cheia de um regresso ao paganismo, pois esse pode ser o primeiro passo para um regresso ao Cristianismo. Os novos pagãos às vezes esquecem – ao fazerem tudo o que os pagãos fizeram – que a última coisa que os antigos pagãos fizeram foi tornarem-se cristãos».

(Gilbert Keith Chesterton)

O Evangelho do dia 15 de dezembro de 2016

Tendo partido os mensageiros de João, começou Jesus a dizer à multidão acerca de João: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas os que vestem roupas preciosas e vivem entre delícias estão nos palácios dos reis. Que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo Eu, e mais ainda que profeta. Este é aquele de quem está escrito: “Eis que Eu envio o Meu mensageiro à Tua frente, o qual preparará o Teu caminho diante de Ti”. Porque Eu vos digo: Entre os nascidos de mulher não há maior profeta que João Batista; porém, o que é menor no reino de Deus é maior do que ele». Todo o povo que O ouviu, mesmo os publicanos, deram glória a Deus, recebendo o batismo de João. Os fariseus, porém, e os doutores da lei frustraram o desígnio de Deus a respeito deles, não se fazendo baptizar por ele.

Lc 7, 24-30