N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Senhor levou-me um amigo e um Padre Santo

Apetece-me chorar, apetece-me dar graças ao Senhor por haver chamado D. Javier Echevarria no dia de Nossa Senhora de Guadalupe de quem à semelhança de S. Josemaria Escrivá era profundamente devoto, mas também sinto a necessidade de dar um testemunho de gratidão pelo bem que me fez e faz a leitura das suas cartas pastorais de cada mês.

O Padre era um homem simples e envolto numa aura de timidez e paz que tão bem transmitia por escrito e nas tertúlias a que tive o privilégio de assistir, neste tempo conturbado, essa paz era um dos pilares que me sustentava.

Deixa um legado na senda do fundador, S. Josemaria, e do seu antecessor, o beato Álvaro del Portillo, de grande unidade na Igreja e ficamos plenamente confiantes que o Senhor estará presente na escolha do seu sucessor para que prossiga no caminho e no carisma da Obra e do seu fundador.

Requiescat in pace”

JPR

«A não-violência: estilo de uma política para a paz»

MENSAGEM DO SANTO PADRE
FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO
50º DIA MUNDIAL DA PAZ 
1 DE JANEIRO DE 2017

1. No início deste novo ano, formulo sinceros votos de paz aos povos e nações do mundo inteiro, aos chefes de Estado e de governo, bem como aos responsáveis das Comunidades Religiosas e das várias expressões da sociedade civil. Almejo paz a todo o homem, mulher, menino e menina, e rezo para que a imagem e semelhança de Deus em cada pessoa nos permitam reconhecer-nos mutuamente como dons sagrados com uma dignidade imensa. Sobretudo nas situações de conflito, respeitemos esta «dignidade mais profunda»1 e façamos da não-violência ativa o nosso estilo de vida.

Esta é a Mensagem para o 50º Dia Mundial da Paz. Na primeira, o Beato Papa Paulo VI dirigiu-se a todos os povos – e não só aos católicos – com palavras inequívocas: «Finalmente resulta, de forma claríssima, que a paz é a única e verdadeira linha do progresso humano (não as tensões de nacionalismos ambiciosos, nem as conquistas violentas, nem as repressões geradoras duma falsa ordem civil)».

Advertia contra o «perigo de crer que as controvérsias internacionais não se possam resolver pelas vias da razão, isto é, das negociações baseadas no direito, na justiça, na equidade, mas apenas pelas vias dissuasivas e devastadoras». Ao contrário, citando a Pacem in terris do seu antecessor São João XXIII, exaltava «o sentido e o amor da paz baseada na verdade, na justiça, na liberdade, no amor».2 É impressionante a atualidade destas palavras, não menos importantes e prementes hoje do que há cinquenta anos.

Nesta ocasião, desejo deter-me na não-violência como estilo duma política de paz, e peço a Deus que nos ajude, a todos nós, a inspirar na não-violência as profundezas dos nossos sentimentos e valores pessoais. Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais. Quando sabem resistir à tentação da vingança, as vítimas da violência podem ser os protagonistas mais credíveis de processos não-violentos de construção da paz. Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não-violência tornar-se o estilo caraterístico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas.

Um mundo dilacerado
2. Enquanto o século passado foi arrasado por duas guerras mundiais devastadoras, conheceu a ameaça da guerra nuclear e um grande número de outros conflitos, hoje, infelizmente, encontramo-nos a braços com uma terrível guerra mundial aos pedaços. Não é fácil saber se o mundo de hoje seja mais ou menos violento que o de ontem, nem se os meios modernos de comunicação e a mobilidade que carateriza a nossa época nos tornem mais conscientes da violência ou mais rendidos a ela.

Seja como for, esta violência que se exerce «aos pedaços», de maneiras diferentes e a variados níveis, provoca enormes sofrimentos de que estamos bem cientes: guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; os abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; a devastação ambiental. E para quê? Porventura a violência permite alcançar objetivos de valor duradouro? Tudo aquilo que obtém não é, antes, desencadear represálias e espirais de conflitos letais que beneficiam apenas a poucos «senhores da guerra»?

A violência não é o remédio para o nosso mundo dilacerado. Responder à violência com a violência leva, na melhor das hipóteses, a migrações forçadas e a atrozes sofrimentos, porque grandes quantidades de recursos são destinadas a fins militares e subtraídas às exigências do dia-a-dia dos jovens, das famílias em dificuldade, dos idosos, dos doentes, da grande maioria dos habitantes da terra. No pior dos casos, pode levar à morte física e espiritual de muitos, se não mesmo de todos.

A Boa Nova
3. O próprio Jesus viveu em tempos de violência. Ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano: «Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos» (Marcos 7, 21). Mas, perante esta realidade, a resposta que oferece a mensagem de Cristo é radicalmente positiva: Ele pregou incansavelmente o amor incondicional de Deus, que acolhe e perdoa, e ensinou os seus discípulos a amar os inimigos (cf. Mateus 5, 44) e a oferecer a outra face (cf. Mateus 5, 39). Quando impediu, aqueles que acusavam a adúltera, de a lapidar (cf. João 8, 1-11) e na noite antes de morrer, quando disse a Pedro para repor a espada na bainha (cf. Mateus 26, 52), Jesus traçou o caminho da não-violência que Ele percorreu até ao fim, até à cruz, tendo assim estabelecido a paz e destruído a hostilidade (cf. Efésios 2, 14-16). Por isso, quem acolhe a Boa Nova de Jesus, sabe reconhecer a violência que carrega dentro de si e deixa-se curar pela misericórdia de Deus, tornando-se assim, por sua vez, instrumento de reconciliação, como exortava São Francisco de Assis: «A paz que anunciais com os lábios, conservai-a ainda mais abundante nos vossos corações».3

Hoje, ser verdadeiro discípulo de Jesus significa aderir também à sua proposta de não-violência. Esta, como afirmou o meu predecessor Bento XVI, «é realista pois considera que no mundo existe demasiada violência, demasiada injustiça e, portanto, não se pode superar esta situação, exceto se lhe contrapuser algo mais de amor, algo mais de bondade. Este “algo mais” vem de Deus».4 E acrescentava sem hesitação: «a não-violência para os cristãos não é um mero comportamento tático, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e do seu poder que não tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constitui o núcleo da “revolução cristã”».5 A página evangélica – amai os vossos inimigos (cf. Lucas 6, 27) – é, justamente, considerada «a magna carta da não-violência cristã»: esta não consiste «em render-se ao mal (...), mas em responder ao mal com o bem (cf. Romanos 12, 17-21), quebrando dessa forma a corrente da injustiça».6

Mais poderosa que a violência
4. Por vezes, entende-se a não-violência como rendição, negligência e passividade, mas, na realidade, não é isso. Quando a Madre Teresa recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1979, declarou claramente qual era a sua ideia de não-violência ativa: «Na nossa família, não temos necessidade de bombas e de armas, não precisamos de destruir para edificar a paz, mas apenas de estar juntos, de nos amarmos uns aos outros (...). E poderemos superar todo o mal que há no mundo».7 Com efeito, a força das armas é enganadora. «Enquanto os traficantes de armas fazem o seu trabalho, há pobres pacificadores que, só para ajudar uma pessoa, outra e outra, dão a vida»; para estes obreiros da paz, a Madre Teresa é «um símbolo, um ícone dos nossos tempos».8 No passado mês de setembro, tive a grande alegria de a proclamar Santa. Elogiei a sua disponibilidade para com todos «através do acolhimento e da defesa da vida humana, a dos nascituros e a dos abandonados e descartados. (...) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes – diante dos crimes! – da pobreza criada por eles mesmos».9 Como resposta, a sua missão – e nisto representa milhares, antes, milhões de pessoas – é ir ao encontro das vítimas com generosidade e dedicação, tocando e vendando cada corpo ferido, curando cada vida dilacerada.

A não-violência, praticada com decisão e coerência, produziu resultados impressionantes. Os sucessos alcançados por Mahatma Gandhi e Khan Abdul Ghaffar Khan, na libertação da Índia, e por Martin Luther King Jr contra a discriminação racial nunca serão esquecidos. As mulheres, em particular, são muitas vezes líderes de não-violência, como, por exemplo, Leymah Gbowee e milhares de mulheres liberianas, que organizaram encontros de oração e protesto não-violento (pray-ins), obtendo negociações de alto nível para a conclusão da segunda guerra civil na Libéria.

E não podemos esquecer também aquela década epocal que terminou com a queda dos regimes comunistas na Europa. As comunidades cristãs deram a sua contribuição através da oração insistente e a ação corajosa. Especial influência exerceu São João Paulo II, com o seu ministério e magistério. Refletindo sobre os acontecimentos de 1989, na Encíclica Centesimus annus (1991), o meu predecessor fazia ressaltar como uma mudança epocal na vida dos povos, nações e Estados se realizara «através de uma luta pacífica que lançou mão apenas das armas da verdade e da justiça».10 Este percurso de transição política para a paz foi possível, em parte, «pelo empenho não-violento de homens que sempre se recusaram a ceder ao poder da força e, ao mesmo tempo, souberam encontrar aqui e ali formas eficazes para dar testemunho da verdade». E concluía: «Que os seres humanos aprendam a lutar pela justiça sem violência, renunciando tanto à luta de classes nas controvérsias internas, como à guerra nas internacionais».11

A Igreja comprometeu-se na implementação de estratégias não-violentas para promover a paz em muitos países solicitando, inclusive aos intervenientes mais violentos, esforços para construir uma paz justa e duradoura.

Este compromisso a favor das vítimas da injustiça e da violência não é um património exclusivo da Igreja Católica, mas pertence a muitas tradições religiosas, para quem «a compaixão e a não-violência são essenciais e indicam o caminho da vida».12 Reitero-o aqui sem hesitação: «nenhuma religião é terrorista».13 A violência é uma profanação do nome de Deus.14 Nunca nos cansemos de repetir: «jamais o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa. Só a paz é santa, não a guerra».15

A raiz doméstica duma política não-violenta
5. Se a origem donde brota a violência é o coração humano, então é fundamental começar por percorrer a senda da não-violência dentro da família. É uma componente daquela alegria do amor que apresentei na Exortação Apostólica Amoris laetitia, em março passado, concluindo dois anos de reflexão por parte da Igreja sobre o matrimónio e a família. Esta constitui o cadinho indispensável no qual cônjuges, pais e filhos, irmãos e irmãs aprendem a comunicar e a cuidar uns dos outros desinteressadamente e onde os atritos, ou mesmo os conflitos, devem ser superados, não pela força, mas com o diálogo, o respeito, a busca do bem do outro, a misericórdia e o perdão.16 A partir da família, a alegria do amor propaga-se pelo mundo, irradiando para toda a sociedade.17 Aliás, uma ética de fraternidade e coexistência pacífica entre as pessoas e entre os povos não se pode basear na lógica do medo, da violência e do fechamento, mas na responsabilidade, no respeito e no diálogo sincero. Neste sentido, lanço um apelo a favor do desarmamento, bem como da proibição e abolição das armas nucleares: a dissuasão nuclear e a ameaça duma segura destruição recíproca não podem fundamentar este tipo de ética.18 Com igual urgência, suplico que cessem a violência doméstica e os abusos sobre mulheres e crianças.

O Jubileu da Misericórdia, que terminou em novembro passado, foi um convite a olhar para as profundezas do nosso coração e a deixar entrar nele a misericórdia de Deus. O ano jubilar fez-nos tomar consciência de como são numerosos e variados os indivíduos e os grupos sociais que são tratados com indiferença, que são vítimas de injustiça e sofrem violência. Fazem parte da nossa «família», são nossos irmãos e irmãs. Por isso, as políticas de não-violência devem começar dentro das paredes de casa para, depois, se difundir por toda a família humana. «O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a pôr em prática o pequeno caminho do amor, a não perder a oportunidade duma palavra gentil, dum sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral é feita também de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo».19

O meu convite
6. A construção da paz por meio da não-violência ativa é um elemento necessário e coerente com os esforços contínuos da Igreja para limitar o uso da força através das normas morais, mediante a sua participação nos trabalhos das instituições internacionais e graças à competente contribuição de muitos cristãos para a elaboração da legislação a todos os níveis. O próprio Jesus nos oferece um «manual» desta estratégia de construção da paz no chamado Sermão da Montanha. As oito Bem-aventuranças (cf. Mateus 5, 3-10) traçam o perfil da pessoa que podemos definir feliz, boa e autêntica. Felizes os mansos – diz Jesus –, os misericordiosos, os pacificadores, os puros de coração, os que têm fome e sede de justiça.

Este é um programa e um desafio também para os líderes políticos e religiosos, para os responsáveis das instituições internacionais e os dirigentes das empresas e dos meios de comunicação social de todo o mundo: aplicar as Bem-aventuranças na forma como exercem as suas responsabilidades. É um desafio a construir a sociedade, a comunidade ou a empresa de que são responsáveis com o estilo dos obreiros da paz; a dar provas de misericórdia, recusando-se a descartar as pessoas, danificar o meio ambiente e querer vencer a todo o custo. Isto requer a disponibilidade para «suportar o conflito, resolvê-lo e transformá-lo no elo de ligação de um novo processo».20 Agir desta forma significa escolher a solidariedade como estilo para fazer a história e construir a amizade social. A não-violência ativa é uma forma de mostrar que a unidade é, verdadeiramente, mais forte e fecunda do que o conflito. No mundo, tudo está intimamente ligado.21 Claro, é possível que as diferenças gerem atritos: enfrentemo-los de forma construtiva e não-violenta, de modo que «as tensões e os opostos [possam] alcançar uma unidade multifacetada que gera nova vida», conservando «as preciosas potencialidades das polaridades em contraste».22

Asseguro que a Igreja Católica acompanhará toda a tentativa de construir a paz inclusive através da não-violência ativa e criativa. No dia 1 de janeiro de 2017, nasce o novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que ajudará a Igreja a promover, de modo cada vez mais eficaz, «os bens incomensuráveis da justiça, da paz e da salvaguarda da criação» e da solicitude pelos migrantes, «os necessitados, os doentes e os excluídos, os marginalizados e as vítimas dos conflitos armados e das catástrofes naturais, os reclusos, os desempregados e as vítimas de toda e qualquer forma de escravidão e de tortura».23 Toda a ação nesta linha, ainda que modesta, contribui para construir um mundo livre da violência, o primeiro passo para a justiça e a paz.

Em conclusão
7. Como é tradição, assino esta Mensagem no dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Nossa Senhora é a Rainha da Paz. No nascimento do seu Filho, os anjos glorificavam a Deus e almejavam paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade (cf. Lucas 2, 14). Peçamos à Virgem Maria que nos sirva de guia.

«Todos desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para a construir».24 No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos a violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum. «Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz».25

Vaticano, 8 de dezembro de 2016.
Francisco
***
1 FRANCISCO, Exort. ap. Evangelii gaudium, 228.
2 Mensagem para a celebração do 1º Dia Mundial da Paz, 1° de janeiro de 1968.
3 «Legenda dos três companheiros»: Fontes Franciscanas, n. 1469.
4 Angelus, 18 de fevereiro de 2007.
5 Ibidem.
6 Ibidem.
7 Discurso por ocasião da entrega do Prémio Nobel, 11 de dezembro de 1979.
8 FRANCISCO, Meditação «O caminho da paz», Capela da Domus Sanctae Marthae, 19 de novembro de 2015.
9 Homilia na canonização da Beata Madre Teresa de Calcutá, 4 de setembro de 2016.
10 N. 23.
11 Ibidem.
12 FRANCISCO, Discurso na Audiência inter-religiosa, 3 de novembro de 2016.
13 IDEM, Discurso no III Encontro Mundial dos Movimentos Populares, 5 de novembro de 2016.
14 Cf. IDEM, Discurso no Encontro com o Xeque dos Muçulmanos do Cáucaso e com Representantes das outras Comunidades Religiosas, Baku, 2 de outubro de 2016.
15 IDEM, Discurso em Assis, 20 de setembro de 2016.
16 Cf. Exort. ap. pós-sinodal Amoris laetitia, 90-130.
17 Cf. ibid., 133.194.234.
18 Cf. FRANCISCO, Mensagem à Conferência sobre o impacto humanitário das armas nucleares, 7 de dezembro de 2014.
19 IDEM, Carta enc. Laudato si’, 230.
20 IDEM, Exort. ap. Evangelii gaudium, 227.
21 Cf. IDEM, Carta enc. Laudato si’, 16.117.138.
22 IDEM, Exort. ap. Evangelii gaudium, 228.
23 IDEM, Carta apostólica sob a forma de “Motu proprio” pela qual se institui o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, 17 de agosto de 2016.
24 FRANCISCO, Regina Caeli, Belém, 25 de maio de 2014.
25 Apelo, Assis, 20 de setembro de 2016.

Tudo pode e deve levar-nos a Deus

É urgente difundir a luz da doutrina de Cristo. Entesoura formação, enche-te de clareza de ideias, de plenitude da mensagem cristã, para poder depois transmiti-la aos outros. Não esperes umas iluminações de Deus, que não tem porque dá-las, já que dispões de meios humanos concretos: o estudo, o trabalho. (Forja, 841)

O cristão precisa de ter fome de saber. Desde o estudo dos saberes mais abstractos até à habilidade do artesão, tudo pode e deve conduzir a Deus. Efectivamente não há tarefa humana que não seja santificável, motivo para a nossa própria santificação e oportunidade para colaborar com Deus na santificação dos que nos rodeiam. A luz dos seguidores de Jesus Cristo não deve estar no fundo do vale, mas no cume da montanha para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.

Trabalhar assim é oração. Estudar assim é oração. Investigar assim é oração. Nunca saímos afinal do mesmo: tudo é oração, tudo pode e deve levar-nos a Deus, alimentar a nossa intimidade contínua com Ele, da manhã à noite. Todo o trabalho honrado pode ser oração e todo o trabalho que é oração é apostolado. Deste modo, a alma fortalece-se numa unidade de vida simples e forte.

Vimos a realidade da vocação cristã, ou seja, como o Senhor confiou em nós para levar as almas à santidade, para as aproximar d'Ele, para as unir à Igreja e estender o reino de Deus a todos os corações. O Senhor quer-nos entregues, fiéis, dedicados, com amor. Quer-nos santos, muito seus.. (Cristo que passa, 10–11)

São Josemaría Escrivá

Feliz e Santo Natal

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

Escreve: “Ontem almocei em casa dos Guevara. Estando ali, sem fazer oração, dei comigo – como outras vezes – dizendo: “Inter medium montium pertransibunt aquae”. Creio que, nestes dias tenho tido outras vezes na minha boca essas palavras, porque sim, mas não lhes dei importância. Ontem disse-as com tanta força, que senti o desejo de as anotar: entendi-as”. Anos mais tarde, esclarecerá: “Eu recordo o consolo de uma alma que tinha de fazer algo que estava acima das forças do homem e ouviu dizer na intimidade do seu coração: Inter medium montium pertransibunt aquae; não te preocupes, as águas passarão através dos montes”.

Primeira filha de dois

A minha filhota Patrícia, escritora com vários livros publicados, editora e boa Mãe de dois maravilhosos rapazes, nasceu nesta data há 46 anos, tinha eu apenas 17, mas graças a Deus sempre tive uma só família.

A minha relação com a Patrícia norteia-se por amor e respeito mútuo, sabendo que em muitas coisas divergimos, mas estando sempre presentes quando precisamos um do outro. Hoje ainda não a “parabenizei” verbalmente por se encontrar no estrangeiro o que é habitual nesta altura do ano, mas os SMS, WhatsApp e Messaging do Facebook, que são sempre muito úteis nestas ocasiões, serão usados e certamente respondidos.

Da Patrícia, permito-me salientar algo que recomendaria a todas as Mães, que é a gestão dos tempos dos filhos. Os meus netos, hoje com 21 e 17 anos, sempre tiveram tempos divididos para as coisas que mais gostavam, ver TV, navegar na net, ver futebol, mas nunca lhes faltou um tempo próprio de leitura e este aparente simples facto dotou-os de uma cultura geral acima da média, para além da enorme bagagem cultural da Mãe e do Pai.

Hoje dia de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina aonde a Patrícia se encontra de visita, peço-lhe que por sua intercessão o Senhor a abençoe e proteja.

Bem-haja!

JPR

Com a Virgem morena de Guadalupe


«Meus filhos, durante este mês (…) fui como romeiro a “Torreciudad”, descalço, para honrar Nossa Senhora. Também fui a Fátima, novamente descalço, para honrar Nossa Senhora com espírito de penitência. Agora vim ao México fazer esta novena a Nossa Senhora (…). E creio que posso dizer que a amo tanto como os mexicanos».

Assim explicará o Fundador do Opus Dei o motivo principal da sua primeira viagem à América em 1970. Cerca das três da madrugada do dia 15 de Maio, aterra o avião que o traz à capital azteca.

- «Demorei vinte e um anos a vir a estas terras».

Refere-se o Padre à data da chegada dos seus filhos ao continente americano. Agora, Deus oferece-lhe a oportunidade de presenciar como Deus abençoou o Opus Dei.

O Padre, D. Álvaro del Portillo, e o Pe. Javier Echevarría descem a escada do avião. São recebidos com emoção por um grupo de homens que de há muito se encontram nesta terra.

Guadalupe não é apenas um santuário visitado por quase trinta milhões de pessoas por ano: é a fé de todo o povo unido à Virgem morena. O dia 12 de Dezembro, comemoração de uma das aparições, é festa nacional. Desde a véspera, pessoas de toda a República e mexicanos que vivem no estrangeiro passam a noite às portas da Basílica para serem os primeiros a saudar Nossa Senhora.

Esta devoção remonta a 1531. No sábado 9 de Dezembro, antes de amanhecer, passava no sopé do monte Tepeyac um índio convertido, pobre e humilde. Era Juan Diego, que ia à primeira Missa da Missão. De repente ouviu um cântico suave, como de um bando de pássaros. E ao olhar para o cume vê uma nuvem branca no meio do arco-íris. Uma alegria inexplicável dá-lhe “asas aos pés” e sente-se chamado para o cume do monte. Sobe e vê uma Senhora muito bela cuja presença ilumina os cactos, os espinheiros e as pedras. E fala-lhe na sua língua habitual:

- «Meu filho, Juan Diego, a quem amo ternamente como a uma criancinha frágil, para onde vais?


- À Missa, minha Senhora.
- Meu filho muito querido, Eu sou a sempre Virgem Maria, mãe do Deus verdadeiro, e é meu desejo que se construa um templo neste lugar, onde como tua piedosa Mãe e dos teus semelhantes, mostrarei a minha clemência amorosa e a compaixão que tenho pelos nativos e por todos aqueles que me amam e me procuram, e por todos os que solicitarem o meu amparo e recorrerem a mim nos seus trabalhos e aflições, e onde ouvirei as suas lágrimas e rogos para lhes dar consolo e alívio. Vais dizer ao Bispo que eu te envio para que me edifique um templo»

Juan Diego vai ao Paço de Frei Juan de Zumárraga, primeiro Bispo do México. Mas tem pouca sorte com a sua embaixada e regressa, cabisbaixo, para dar contas à Senhora. Ela anima-o. Tem de insistir. E o Bispo pede-lhe uma prova. Tem que demonstrar que viu, efectivamente, algo de sobrenatural. A Virgem diz que volte na manhã seguinte. Dar-lhe-á um sinal.


Mas a manhã do dia 12, terça-feira, encontra um Juan Diego caminhando, desalentado à procura de um frade. O seu tio, Juan Bernardino, está a morrer. Nem sequer passa pelo alto do monte para não se demorar porque o tempo é pouco para levar assistência ao moribundo. E a Virgem vai ao seu encontro na base da encosta.

«Meu filho, nada te aflija. Não estou eu aqui que sou a tua Mãe? Não estás tu sob o meu amparo? Não sou eu vida e saúde? Não estás no meu regaço e sob a minha protecção? Tens necessidade de outra coisa? Não tenhas medo porque o teu tio já está curado».

A Virgem pede-lhe que, antes de ir a casa do Bispo, suba ao monte e apanhe as rosas que encontrar lá no alto.

Nunca há flores lá no cimo em Dezembro. Mas nesse dia, Juan Diego encontra um jardim e enche a manta índia que lhe serve de capa. Rapidamente chega à presença do Bispo, que o olha assombrado: pensou que não voltaria. E ao abrir o poncho, caem as rosas no chão e fica desenhada na tela a imagem da Virgem de Guadalupe tal como hoje se venera no México. Sobre o tecido feito de palma silvestre brilham as cores e as formas de uma linda mulher de cabelo negro, semblante sereno e de tez morena. Uma túnica rosada e bordada a ouro cobre-a totalmente. O manto é de cor verde mar. Usa coroa real e tem a cabeça inclinada para a direita, com os olhos baixos. Todo o sol do México emerge por de trás como que a protegê-la: cento e vinte e um raios. Um anjo de asas abertas sustenta alegremente o leve peso etéreo da imagem.

Pintores de grande prestígio vieram chamados pelo Vice-Rei, Marquês de Mancera, e pelo Bispo Zumárraga, para indagar sobre a pintura. Entre eles, Juan Salguero, Tomás Conrado, López de Avalos, Alonso de Zárate. Todos são unânimes em afirmar a inexplicável textura e qualidade da tela. O avesso do tecido é muito áspero e a trama muito grossa. O lado da pintura é macio como a seda. As cores e a técnica da pintura permanecem intactas com o decorrer do tempo.

Neste século começou-se a realizar-se um estudo científico; contudo, o mistério permanece, mesmo à luz dos conhecimentos técnicos e científicos de alta precisão. O sábio Richard Kühn, Prémio Nobel de Química, confirmou que a policromia da Virgem de Guadalupe não provém de corantes de origem animal ou vegetal.

Os doutores Callahan e Brant da NASA, fizeram uma análise muito aprofundada com alta tecnologia e, mediante raios infra-vermelhos, verificaram que a pintura não foi feita com esboço prévio nem com pinceladas. A imagem foi pintada directamente. E, finalmente o doutor Aste Tonsmann referiu, apoiando-se na digitalização de imagens fotográficas, que encontrou figuras humanas de tamanho infinitesimal na íris dos olhos da Virgem. Figuras que formam uma cena equivalente ao episódio relatado em náhuatl por António Valenciano no Nican Mopohua do século XVI.

O Padre, ao chegar ao México, tinha comentado:

«Quando for à Villa tereis que me tirar de lá com uma grua».

E repete a mesma coisa ao Arcebispo, Cardeal Miranda, quando o vai visitar. E o Cardeal, que o tinha convidado muitas vezes a atravessar o Atlântico para visitar a Virgem, responde sorridente:
- “Pois não serei eu quem mandarei buscar a grua”.

Está encantado por ter no seu país o Fundador da Obra, e quando o cumprimenta com um abraço, diz:
- «Finalmente conseguimos! Finalmente conseguimos!».

No Sábado, 16 de Maio, o Padre começa as suas visitas à Virgem morena, que se vão prolongar durante nove dias. Acompanham-no Mons. Álvaro del Portillo, o Pe. Javier Echevarría e mais três pessoas. Um grupo pequeno que se aproxima, discretamente, da Basílica. Acabam de soar as seis horas da tarde. O Padre entra, apressadamente, com a juventude e o ânimo de quem tem desde sempre, um encontro gratíssimo e importante. Chega ao altar-mor e ajoelha-se. Permanecerá ali muito tempo a rezar comos olhos postos na Virgem.

Ouve-se, à distância, um relógio com badaladas metálicas. Mons. Álvaro del Portillo aproxima-se do Fundador: «Padre, já aqui estamos há duas horas e estamos rodeados de gente do Opus Dei…».

Enquanto fazia a sua oração, foram chegando as suas filhas e filhos mexicanos. A Basílica encheu-se de caras conhecidas e rezam, todos em uníssono, por aquilo que o Padre está a colocar aos pés da Virgem.

Nos dias seguintes ocupa uma galeria alta localizada sobre o presbitério, à direita da imagem, de onde a pode ver com intimidade. Passa ali várias horas com a Senhora.

Durante os quarenta dias de permanência no México, o Padre verá mais de vinte mil pessoas de toda a América. Numa tertúlia, alguém lhe perguntou o que se deve dizer àqueles que se esquecem da Virgem.

- «Ouviram aquelas palavras de Deus quando, para manifestar o seu carinho, diz: mas, é possível que alguma mãe se esqueça dos seus filhos? Ainda que isso acontecesse, eu, pelo contrário, nunca me esquecerei do amor que vos tenho. Pois também os filhos não se podem esquecer da Mãe».

O índio, por temperamento, é reservado, silencioso. Pode seguir com interesse uma conversa mas ficar calado. Junto do Padre o comportamento é diferente: os camponeses mexicanos do Valle de Amilpas falam com ele, riem-se, manifestam a simplicidade e o afecto do seu coração.

E porque os vê e compreende a língua do seu coração, assume os problemas humanos e sociais referentes ao estado de pobreza dos camponeses. Fala de projectos de habitações condignas, para os camponeses da zona vizinha de Montefalco; interessa-se pela formação que recebem os nativos nesta grande escola profissional que representou um esforço gigantesco; preocupa-se com as famílias das nativas que frequentam escolas do Opus Dei em toda a zona do México.

«Estamos preocupados com o vosso desenvolvimento, de que possam sair desta situação, de modo a não terem dificuldades económicas… Vamos procurar também que os vossos filhos adquiram cultura: verão, com a ajuda de todos o conseguiremos, e que –os que tenham talento e desejos de estudar – cheguem muito alto (…). E, como o faremos? Como quem faz um favor? Não (…) isso não! Não tenho dito que todos somos iguais?».

No dia 16 de Junho reúne-se em Jaltepec, a cinquenta quilómetros de Guadalajara, no estado de Jalisco, com sacerdotes do Opus Dei que trabalham no México e com outros muitos que participam dos meios de formação da Obra.

«Estou muito contente no México, entre outras coisas porque aqui encontrei um anticlericalismo sadio, como aquele de que eu costumo falar. É bem verdade que o têm como fruto de uma grande perseguição contra a Igreja, mas, graças a Deus, isso já passou: confio que saberão manter sempre o equilíbrio que agora têm.

Não quis vir aqui sem que as autoridades o soubessem (…) e dos vossos governantes só recebi atenções».

Conversará com estes sacerdotes dos temas que devem ocupar o coração dos ministros de Cristo: do trabalho com as almas, da dedicação total, da sua entrega incondicional e do serviço constante.

«Todo o nosso coração é para Cristo e – através de Cristo – para todas as criaturas, sem excepções».

Fala-lhes de humildade: essa virtude torna o homem grande apesar dos seus erros: da extraordinária vocação a que foram chamados por Deus desde toda a eternidade. Da ajuda de uns aos outros. Dessa fraternidade que distingue, inconfundivelmente, os filhos de Deus.

“Não estais sozinhos. Nenhum de vós se pode sentir só. E, ainda menos se vamos a Jesus por Maria, porque é uma Mãe que nunca nos abandonará».

Passa o tempo, entre perguntas e respostas rápidas, o bom humor do Padre e a alegria espontânea que produz a sua presença. O sol forte do meio da manhã sente-se e uma bruma suave desce sobre as águas da vizinha lagoa de Chapala.

No dia 22 de Junho, véspera do regresso a Roma, o Padre está reunido com um grupo dos seus filhos. Alguém toca uma guitarra:
- «Padre, é uma antiga canção popular. Dizem que é um bocado “piegas”, mas eu gosto dela. O princípio é um pouco lento:
«Quero cantar-te, mulher, minha mais bela canção, porque és tu o meu amor, rainha do meu coração…»
(em castelhano: Quiero cantarte mujer, mi mas bonita canción porque eres tú mi querer, reina de mi corazón…).(clik para ouvir “Maria Elena” em mp3).

«Porque não vamos todos à “Villa” cantar esses versos à Virgem e fazer-lhe uma serenata?».

O assentimento é unânime. Às 8h30 da noite, estão todos na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe.

Meia hora antes, a Igreja começa a esvaziar-se dos peregrinos. Mas, em vez de o recinto ficar numa penumbra isolada, hoje enche-se totalmente com uma concorrência entusiasta. Os encarregados do “mariachi” chegam com as suas guitarras e escolhem o lugar apropriado. A “Villa” está completamente cheia. Chega o Padre, e os porteiros fecham as entradas. Uma vez mais, como no primeiro dia, o Fundador ajoelha-se diante da Virgem da América. Depois entoa a Salve-Rainha, que todos cantam: as suas filhas e os seus filhos reunidos numa despedida imprevista. Fica no altar-mor, rodeado por sacerdotes. Há-os de mais idade, com cabelos embranquecidos pelo trabalho e pelo tempo, e outros muito jovens, todos unidos num mesmo afecto. As guitarras rompem o silêncio.
«O meu coração é teu, ó sol do meu amar».
(em castelhano – «Tuyo es mi corazón, oh sol de mi querer»)

Depois entoam «La Morenita» (clik para ouvir “La Morenita” em mp3) e, assim por diante, uma e outra canção. A emoção cresce, porque ali está uma grande parte da alma do México; reuniram-se junto do Padre todos os que percorreram este caminho de fidelidade a Cristo que é o Opus Dei.

Ao começar a terceira canção, o Padre levanta-se e sai da Basílica, enquanto continua a ouvir-se outra canção à Virgem: «Obrigado, por te ter conhecido!...»(clik para ouvir “Gracias” em mp3). e apagam-se as luzes. Os carros regressam à cidade enquanto cai uma chuva miúda, quase imperceptível. Dir-se-ia que o céu mexicano também manifesta a emoção simples e íntima deste adeus.

No dia seguinte, um avião levará Mons. Escrivá de Balaguer a caminho de Roma. Lá longe em Montefalco, junto às velhas paredes da Igreja, ficam umas árvores que plantou antes de partir. Passados anos, quando o tempo as tiver feito crescer, a sua sombra dará paz ao caminhante.

Próximo de Jaltepec, o quadro que representa a Guadalupana a dar uma flor ao índio Juan Diego, ouve um pedido do Fundador:
- «Gostaria de morrer assim: olhando para a Virgem e que ela me entregasse uma flor…».
E, depois de um silêncio, acrescenta:

- «Sim, gostaria de morrer diante deste quadro, com a Virgem a dar-me uma rosa».

Ana Sastre Tempo de caminhar, (trad. port., Lisboa, Diel), p. 523-529

Oração a Nossa Senhora de Guadalupe

Perfeita, sempre Virgem Santa Maria, 
Mãe do verdadeiro Deus, por quem se vive. 
Tu, que na verdade és nossa Mãe compassiva,
te buscamos e te aclamamos. 
Escuta com piedade o nosso pranto, as nossas tristezas. 
Cura as nossas penas, misérias e dores. 
Tu que és nossa doce e amorosa Mãe, acolhe-nos no aconchego do teu manto, 
no carinho dos teus braços. 

Que nada nos aflija nem perturbe o nosso coração. 
Mostra-nos e manifesta-nos o teu amado Filho, 
para que com Ele encontremos a nossa salvação e a salvação do mundo. 
Santíssima Virgem Maria de Guadalupe, 
faz-nos mensageiros teus, 
      mensageiros da palavra e da vontade de Deus. 
                                                                          Amen.
                                                                                                       Nossa Senhora de Guadalupe rogai por nós !

São Josemaría no México em 1970

Nossa Senhora de Guadalupe

Num sábado, no ano de 1531, a Virgem Santíssima apareceu a um indígena que, de seu lugarejo, caminhava para a cidade do México a fim de participar da catequese e da Santa Missa enquanto estava na colina de Tepeyac, perto da capital. Este índio convertido chamava-se Juan Diego (canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002).

Nossa Senhora disse então a Juan Diego para que fosse até o Bispo, pedindo que naquele lugar fosse construído um santuário para a honra e glória de Deus.

O Bispo local, usando de prudência, pediu um sinal da Virgem ao indígena que, somente na terceira aparição, foi concedido. Foi quando Juan Diego estava indo buscar um sacerdote para o tio doente: "Escute, meu filho, não há nada que temer, não fiques preocupado nem assustado; não temas esta doença, nem outro qualquer dissabor ou aflição. Não estou eu aqui, a teu lado? Eu sou a sua Mãe dadivosa. Acaso não o escolhi para mim e o tomei aos meus cuidados? Que desejas mais do que isto? Não permitas que nada te aflija e te perturbe. Quanto à doença do teu tio, ela não é mortal. Eu te peço, acredita agora mesmo, porque ele já está curado. Filho querido, essas rosas são o sinal que irás levar ao Bispo. Diz-lhe em meu nome que, nessas rosas, ele verá minha vontade e a cumprirá. Tu és meu embaixador e mereces a minha confiança. Quando chegares diante dele, desdobra a sua "tilma" (manto) e mostra-lhe o que carrega, porém, só na sua presença. Diz-lhe tudo o que viste e ouvistes, nada omitas..."

O Bispo viu não somente as rosas, mas o milagre da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, pintada prodigiosamente no manto do humilde indígena. Ele levou o manto com a imagem da Virgem para a capela, e ali, em meio às lágrimas, pediu perdão a Nossa Senhora. Era o dia 12 de dezembro de 1531.

Uma linda confirmação deu-se quando Juan Diego visitou o tio, que sadio narrou:"Eu também a vi. Ela veio a esta casa e falou comigo. Disse-me também que desejava a construção de um templo na colina de Tepeyac e que sua imagem seria chamada de 'Santa Maria de Guadalupe', embora não tenha explicado o porquê". Diante de tudo isto muitos se converteram e o Santuário foi construído.

O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já dura há mais de quatro séculos e meio. Durante 16 anos, a tela esteve totalmente desprotegida, sendo que a imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos em pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção.

No ano de 1971, alguns peritos inadvertidamente deixaram cair ácido nítrico sobre toda a pintura. Pois nem a força de um ácido tão corrosivo estragou ou manchou a imagem. Com a invenção e ampliação da fotografia descobriu-se que, assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, da mesma forma a figura de Juan Diego, do Bispo e do intérprete refletiu-se e ficou gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora. Cientistas americanos chegaram à conclusão de que estas três figuras estampadas nos olhos de Nossa Senhora não são pintura, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva.

Disse o Papa Bento XIV, em 1754: "Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros... uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja... Deus não agiu assim com nenhuma outra nação".

Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada "Padroeira de toda a América" pelo Papa Pio XII a 12 de outubro de 1945.

No dia 27 de janeiro de 1979, durante sua viagem apostólica ao México, o Papa João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e consagrou à Mãe Santíssima toda a América Latina, da qual a Virgem de Guadalupe é Padroeira.

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

(Fonte: ‘Canção Nova’ com adaptação de JPR)

O Evangelho do dia 12 de dezembro de 2016

Tendo ido ao templo, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se d'Ele, quando estava a ensinar, e disseram-Lhe: «Com que autoridade fazes estas coisas? E quem Te deu tal direito?». Jesus respondeu-lhes: «Também Eu vos farei uma pergunta; se Me responderdes, Eu vos direi com que direito faço estas coisas. Donde era o batismo de João? Do céu ou dos homens?». Mas eles refletiam consigo: «Se Lhe dissermos que é do céu, Ele dirá: “Então porque não crestes nele?”. Se Lhe dissermos que é dos homens, tememos o povo» ; porque todos tinham João como um profeta. Portanto, responderam a Jesus: «Não sabemos». Ele disse-lhes também: «Pois  então nem Eu vos digo com que autoridade faço estas coisas».

Mt 21, 23-27