N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Tempos diários de oração

Se desejas deveras ser alma penitente – penitente e alegre –, deves defender, acima de tudo, os teus tempos diários de oração, de oração íntima, generosa, prolongada, e hás-de procurar que esses tempos não sejam ao acaso, mas a hora fixa, sempre que te for possível. Sê escravo deste culto quotidiano a Deus, e garanto-te que te sentirás constantemente alegre. (Sulco, 994)

Como anda a tua vida de oração? Não sentes às vezes, durante o dia, desejos de falar mais devagar com Ele? Não Lhe dizes: logo vou contar-te isto e aquilo; logo vou conversar sobre isso contigo?

Nos momentos dedicados expressamente a esse colóquio com o Senhor o coração expande-se, a vontade fortalece-se, a inteligência – ajudada pela graça – enche a realidade humana com a realidade sobrenatural. E, como fruto, sairão sempre propósitos claros, práticos, de melhorares a tua conduta, de tratares delicadamente, com caridade, todos os homens, de te empenhares a fundo – com o empenho dos bons desportistas – nesta luta cristã de amor e de paz.

A oração torna-se contínua como o bater do coração, como as pulsações. Sem essa presença de Deus não há vida contemplativa. E sem vida contemplativa de pouco vale trabalhar por Cristo, porque em vão se esforçam os que constroem se Deus não sustenta a casa.

Para se santificar, o cristão corrente – que não é um religioso e não se afasta do mundo, porque o mundo é o lugar do seu encontro com Cristo – não precisa de hábito externo nem sinais distintivos. Os seus sinais são internos: a constante presença de Deus e o espírito de mortificação. Na realidade, são uma só coisa, porque a mortificação é apenas a oração dos sentidos. (Cristo que passa, 8–9)

São Josemaría Escrivá

A alegria cristã de fazer um Presépio em casa

A partir do dia 17 de dezembro, a espera de Jesus torna-se santamente impaciente: Aquele que há-de vir, virá sem demora, e já não haverá medo na nossa Terra, porque Ele é o nosso Salvador [9]. Quando ouvirmos falar do nascimento de Cristo, guardemos silêncio e deixemos que o Menino nos fale; gravemos no coração as Suas palavras, sem tirar os olhos do Seu rosto. Se O tomarmos nos braços e nos deixarmos abraçar por Ele, dar-nos-á a paz do coração que jamais terá fim. Este Menino mostra-nos o que é verdadeiramente importante na nossa vida. Nasce na pobreza do mundo, porque não há lugar na estalagem para Ele e a Sua família. Encontra abrigo e proteção num estábulo e é deitado numa manjedoura para animais. E no entanto, a partir deste nada, surge a luz da glória de Deus [10].
Quando o trato com Deus adquire este sabor sereno e feliz tão caraterístico do presépio de Belém, nasce também à nossa volta, como fruto maduro, um ambiente familiar mais intenso e pleno de alegria, tão próprio destes dias. Por isso a Igreja nos exorta a dispor melhor o coração durante o Advento, e anima-nos a esquecer pequenas queixas, ruídos que nos distraem, a superficialidade do imediato... Talvez andemos ocupados com muitos assuntos, e nos falte sossego na intimidade com Deus. Se conseguirmos manter a calma no relacionamento com o Senhor, também a poderemos transmitir aos outros: o convívio mais próximo nos dias de Natal afastar-nos-á de discussões, aborrecimentos, impaciências ou ligeirezas, e poderemos saborear o descanso e a oração em conjunto, criar bons momentos em família, superar de preconceitos ou irritações que possam ter ficado na alma.
Não vos preocupeis se, apesar da nossa boa vontade, algumas vezes nos assaltam as distrações nas práticas de piedade. Mas lutemos por adquirir a necessária fortaleza sobrenatural e humana para as rejeitar. Renovemos com perseverança o nosso desejo de construir dentro de nós um presépio vivo, onde acolhamos Jesus, à base de tempos de oração diante do presépio, mesmo que por vezes nos pareça que estamos com a cabeça nas nuvens. Lembrai-vos então que S. Josemaria não desanimava ao ver-se assim, nalguns momentos seus diante do Senhor. Em 1931, anotava: Conheço um burrico de tão má condição que, se tivesse estado em Belém com a vaquinhaem vez de adorar, submisso, o Criador, teria mas é comido a palha da manjedoura[11]. Assim, enche-me de alegria que se mantenha em muitos países o costume cristão de fazer um presépio em casa.
Não deixeis de vos lembrar, especialmente nestes dias, das pessoas sós ou mais necessitadas, e a quem podemos ajudar de uma forma ou de outra, conscientes de que os primeiros beneficiados somos nós. Procurai comunicar esta solicitude tão cristã a familiares, amigos, vizinhos, colegas: que detalhe bem cristão, entre tantos outros, o de alguns fiéis da Obra que vão dar de comer e de beber a pessoas sem abrigo durante algumas noites, e também aos que se ocupam na vigilância do descanso dos cidadãos.
Antes de acabar estas linhas, quero agradecer de novo ao Santo Padre o afeto que me manifestou na audiência do passado dia 7 de novembro, e a bênção que deu aos fiéis e aos apostolados da Prelatura. Continuai a rezar pela sua pessoa e pelas suas intenções, com a firme esperança de que Jesus Cristo derrame abundantemente, no próximo Natal, os Seus dons sobre a Igreja, o Romano Pontífice e sobre todo o mundo.
E recorramos de modo muito filial a Nossa Senhora durante os dias da Novena à Imaculada Conceição. Sintamos a alegria santa de sermos filhos de tão boa Mãe, que com a sua atuação – como S. Josemaria lembrava – nos coloca face a face com Jesus. Esta íntima relação com ela também nos impelirá a aumentar com alegria a nossa proximidade com as doentes e os doentes. Não deixeis de meditar sobre o carinho e a paternal proximidade com que o nosso Fundador nos acompanhou já no primeiro Natal na História da Obra: a sós com Deus, com Maria e José, e com cada um e cada uma das suas filhas e dos seus filhos que viríamos ao Opus Dei.
[9]. Missal Romano, 19 de dezembro, Antífona de Entrada (cfr. Heb 10, 37).
[10]. Papa Francisco, Homilia, 24-XII-2015.
[11]. S. Josemaria, Apontamentos íntimos, n. 181 (25-III-1931). Cit. em J. L. Soria, “Maestro de buen humor”, Rialp, 3ª ed., Madrid 1994, p. 91.

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei excerto da carta do mês de dezembro de 2016)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

São Josemaría Escrivá nesta data em 1932

Passa por um momento de dificuldades económicas. Neste dia escreve: “Após ter rezado repetidamente ao Senhor encontrei de modo providencial um andarzinho decente para viver com a minha família. Graças a Deus”.

O mistério da Encarnação do Filho de Deus

O Papa Francisco convida-nos a refletir sobre o nascimento de Jesus, festa da confiança e da esperança, que supera a incerteza e o pessimismo. E a razão da nossa esperança é a seguinte: Deus está ao nosso lado, Deus ainda confia em nós! Mas pensai bem nisto: Deus está ao nosso lado, Deus ainda confia em nós! Este Deus Pai é generoso! Ele vem habitar com os homens, escolhe a Terra como a Sua morada para estar ao lado do homem e para se encontrar lá onde o homem passa os seus dias, na alegria ou na dor. Portanto, a Terra já não é só um «vale de lágrimas», mas o lugar onde o próprio Deus construiu a Sua tenda, o lugar do encontro de Deus com o homem, da solidariedade de Deus para com os homens [9].

Este tempo litúrgico que há pouco começámos, preparando-nos para o Natal, coloca-nos perante o mistério da Encarnação do Filho de Deus, perante o benévolo desígnio [10] com que Deus Pai nos quer atrair a Si, no Seu Filho, pelo Espírito Santo, para que cheguemos à plena comunhão de alegria e de paz com Ele. Afastemos o pessimismo, se nalguma ocasião surgir, ao repararmos que às vezes o mal parece triunfar sobre o bem, tanto dentro de nós mesmos, como na sociedade. «O Advento convida-nos mais uma vez, no meio de tantas dificuldades, a renovar a certeza de que Deus está presente: Ele entrou no mundo, fazendo-se um de nós, para levar à plenitude o Seu plano de amor. E Deus pede-nos que, também nós, nos tornemos um sinal da Sua obra no mundo. Através da nossa fé, da nossa esperança e da nossa caridade, Ele quer entrar no mundo sempre de novo e, sempre de novo, deseja fazer resplandecer a Sua luz na nossa noite» [11].

A vinda gloriosa de Cristo porá fim a todas as injustiças e pecados, mas consideremos seriamente que, já agora, o Senhor nos convoca para O ajudarmos a comunicar a outras almas os frutos da Redenção. Milhões de pessoas, sem o saberem, aguardam a manifestação dos filhos de Deus [12]: de ti, de mim, de tantos homens e mulheres de boa vontade. Com as nossas obras e as nossas palavras, havemos de lhes mostrar que o mundo em que crescemos, com todos os seus problemas e contradições, não se reduz a um lugar inóspito, para onde fomos lançados por um destino impessoal e cego, mas que é o sítio do encontro jubiloso com Deus, todo misericórdia, que enviou o Seu Filho ao mundo e que assiste a Igreja mediante a presença sempre atual do Espírito Santo.

[9]. Papa Francisco, Discurso na audiência geral, 18-XII-2013.
[10]. Ef 1, 9.
[11]. Bento XVI, Discurso na audiência geral, 5-XII-2012.
[12]. Cfr. Rm 8, 19.

D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de dezembro de 2014
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Converter-se aos repetidos chamamentos de Deus

Meu Senhor Jesus, Tu cujo amor por mim foi suficientemente grande para Te fazer descer do céu para me salvar, querido Senhor, mostra-me o meu pecado, mostra-me a minha indignidade, ensina-me a arrepender-me sinceramente, perdoa-me na Tua misericórdia. Peço-Te, meu querido Salvador, que tomes posse da minha pessoa. Só o Teu perdão o pode fazer; não posso salvar-me sozinho; não sou capaz de recuperar o que perdi. Sem Ti, não posso voltar-me para Ti, nem agradar-Te. Se apenas contar com as minhas forças, irei de mal a pior, vou fraquejar completamente, vou endurecer por negligência. Farei de mim o centro de mim próprio, em vez de o fazer de Ti. Adorarei qualquer ídolo moldado por mim, em vez de Te adorar a Ti, o único verdadeiro Deus, o meu Criador, se não mo impedires com a Tua graça. Oh meu querido Senhor, escuta-me! Já vivi o suficiente neste estado: a pairar, indeciso e medíocre; quero ser o Teu fiel servidor, não quero peca.

Beato John Henry Newman (1801-1890)

São Juan Diego, indígena mexicano, vidente de Guadalupe, séc. XVI

S. Juan Diego nasceu em 1474 no "calpulli" de Tlayacac, em Cuauhtitlán, México, estabelecido em 1168 pela tribo nahua e conquistado pelo chefe Asteca Axayacatl em 1467. Quando nasceu recebeu o nome de Cuauhtlatoatzin, que quer dizer "que fala como águia" ou "águia que fala". Juan Diego pertenceu à mais numerosa e baixa classe do Império Asteca, sem chegar a ser escravo. Dedicou-se a trabalhar a terra e plantava árvores que logo vendia. Possuía um terreno onde construiu uma pequena moradia. Casou-se com uma nativa, e não tiveram filhos.

Entre 1524 e 1525 converteu-se ao cristianismo e foi batizado junto com sua esposa, recebendo o nome de Juan Diego e ela, o de Maria Luzia. Foram batizados pelo missionário franciscano Frei Turíbio de Benavente, chamado pelos índios "Motolinia" ou "o pobre".

Antes de sua conversão Juan Diego já era um homem piedoso e religioso. Era muito reservado e de caráter místico, gostava do silêncio e estava acostumado a caminhar desde seu povoado até o Tenochtitlán, a 20 quilómetros de distância, para receber instrução religiosa. Sua alma gêmea Maria Luzia faleceu em 1529. Nesse momento Juan Diego foi viver com seu tio Juan Bernardino em Tolpetlac, a só 14 Km da igreja de Tlatilolco, Tenochtitlán. Durante uma de suas caminhadas para Tenochtitlán, que costumavam durar três horas através de montanhas e povoados, ocorreu a primeira aparição de Nossa Senhora, no lugar agora conhecido como "Capela do Cerrito", onde a Virgem Maria lhe falou em seu idioma, o náhuatl.

Juan Diego tinha 57 anos no momento das aparições, certamente uma idade avançada num lugar e época onde a expectativa de vida masculina pouco ultrapassava os 40 anos. Após o milagre do Guadalupe, Juan Diego foi viver num pequeno quarto junto à capela que alojava a Santa imagem, depois de deixar todos os seus haveres para seu tio Juan Bernardino. Passou o resto de sua vida dedicado à difusão do relato das aparições entre as pessoas de seu povo.

Morreu em 30 de maio de 1548, aos 74 anos de idade. Juan Diego foi beatificado em abril de 1990 pelo Papa João Paulo II, que igualmente o canonizou em 2002.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 9 de dezembro de 2016

«A quem hei-de Eu comparar esta geração? É semelhante às crianças que estão sentados na praça, e que gritam aos seus companheiros, dizendo: Tocámos flauta e não bailastes; entoámos lamentações e não chorastes; veio João, que não comia nem bebia, e dizem: “Ele tem demónio”. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: “Eis um glutão e um bebedor de vinho, um amigo dos publicanos e pecadores”. Mas a sabedoria divina foi justificada por suas obras».

Mt 11, 16-19