N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

domingo, 6 de novembro de 2016

A Suécia, três décadas depois (Facebook)

Jesus ficou na Eucaristia por amor

A frequência com que visitamos o Senhor está em função de dois factores: fé e coração; ver a verdade, e amá-la. (Sulco, 818)

O coração! De vez em quando, sem poderes evitá-lo, projecta-se uma sombra de luz humana, uma recordação grosseira, triste, "saloia"...

Vai imediatamente ao Sacrário, física ou espiritualmente; e voltarás à luz, à alegria, à Vida! (Sulco, 817)

Assoma muitas vezes a cabeça ao oratório, para dizeres a Jesus: –... abandono-me nos teus braços.

Deixa a seus pés o que tens: as tuas misérias!

Desta maneira, apesar da turbamulta de coisas que levas dentro de ti, nunca perderás a paz. (Forja, 306)

Jesus ficou na Eucaristia por amor..., por ti.

Ficou, sabendo como o receberiam os homens... e como o recebes tu.

Ficou, para que o comas, para que o visites e lhe contes as tuas coisas e, falando intimamente com Ele na oração junto do Sacrário e na recepção do Sacramento, te apaixones cada dia mais e faças com que outras almas – muitas! – sigam o mesmo caminho. (Forja, 887)

São Josemaría Escrivá

Jubileu dos reclusos, homilia do Santo Padre

Esperança é certamente a mensagem que hoje nos quer comunicar a Palavra de Deus: uma esperança tal que não desilude.

Um dos sete irmãos condenados à morte pelo rei Antíoco Epífanes diz: «É uma felicidade perecer à mão dos homens, com a esperança de que Deus nos ressuscitará» (2 Mac 7, 14). Estas palavras manifestam a fé daqueles mártires que, apesar dos sofrimentos e torturas, têm a força para olhar mais além. Aquela fé, ao mesmo tempo que reconhece em Deus a fonte da esperança, mostra o desejo de alcançar uma vida nova.

De igual modo ouvimos, no Evangelho, como Jesus anula com uma resposta simples, mas perfeita, toda a casuística banal que os saduceus tinham sujeito à decisão d’Ele. A sua afirmação – «Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; pois, para Ele, todos estão vivos» (Lc 20, 38) – revela o verdadeiro rosto do Pai, cujo único desejo é a vida de todos os seus filhos. Assim, para ser fiéis ao ensinamento de Jesus, tudo o que somos chamados a assumir e fazer nosso é a esperança de renascer para uma vida nova.

A esperança é dom de Deus. Temos de a pedir. É colocada no mais fundo do coração de cada pessoa para poder iluminar, com a sua luz, o presente muitas vezes turvado e ofuscado por tantas situações que geram tristeza e dor. Precisamos de tornar cada vez mais firmes as raízes da nossa esperança, para podermos dar fruto. Em primeiro lugar, tenhamos a certeza da presença e da compaixão de Deus, não obstante o mal que tivermos realizado. Não há ponto do nosso coração que não possa ser alcançado pelo amor de Deus. Onde há uma pessoa que errou, aí mesmo se torna ainda mais presente a misericórdia do Pai, para suscitar arrependimento, perdão, reconciliação, paz.

Hoje celebramos o Jubileu da Misericórdia para vós e convosco, irmãos e irmãs encarcerados. E, para a necessidade que sentimos de vos confortar, valemo-nos desta expressão do amor de Deus: a misericórdia. É certo que a violação da lei vos mereceu a condenação; e a privação da liberdade é a forma mais pesada da pena que descontais, porque toca a pessoa no seu âmago mais profundo. Mas a esperança não pode desfalecer. Com efeito, uma coisa é o que merecemos pelo mal realizado; outra, diversa, é a «respiração» da esperança, que não pode ser sufocada por nada nem ninguém. O nosso coração sempre espera o bem; devemos isso à misericórdia com que Deus vem ao nosso encontro sem nos abandonar jamais (cf. Agostinho, Sermo 254, 1).

Na Carta aos Romanos, o apóstolo Paulo fala de Deus como sendo o «Deus da esperança» (15, 13). É como se quisesse dizer também a nós: «Deus espera»; e, por mais paradoxal que possa parecer, é mesmo assim: Deus espera! A sua misericórdia não O deixa tranquilo. É como aquele Pai da parábola, que sempre espera o regresso do filho que errou (cf. Lc 15, 11-32). Deus não Se dá trégua nem descanso, enquanto não encontrar a ovelha que estava perdida (cf. Lc 15, 5). Ora, se Deus espera, então a esperança não pode ser tirada a ninguém, porque é a força para continuar; é a tensão para o futuro, a fim de transformar a vida; é um impulso para o amanhã, a fim de o amor – com que, apesar de tudo, somos amados – se poder tornar um caminho novo... Em suma, a esperança é a prova interior da força da misericórdia de Deus, que pede para olhar em frente e, com a fé e o abandono n’Ele, vencer a atração para o mal e o pecado.

Queridos reclusos, é o dia do vosso Jubileu. Que hoje, diante do Senhor, se reacenda a vossa esperança! O Jubileu, por sua própria natureza, traz consigo o anúncio da libertação (cf. Lv 25, 39-46). Não depende de mim a possibilidade de vo-la conceder, mas suscitar em cada um de vós o desejo da verdadeira liberdade é uma tarefa a que a Igreja não pode renunciar. Às vezes, uma certa hipocrisia impele a ver em vós apenas pessoas que erraram, para quem a única estrada é o cárcere. Confesso-vos: todas as vezes que entro num estabelecimento prisional, interrogo-me: «Porquê eles, e não eu?» Todos podemos errar; todos. E duma forma ou doutra erramos. E a hipocrisia faz com que não se pense na possibilidade de mudar de vida: há pouca confiança na reabilitação, na reinserção na sociedade. Mas, assim, esquece-se que todos somos pecadores e, muitas vezes, também somos prisioneiros sem nos dar conta. Quando se permanece fechado nos próprios preconceitos, ou se é escravo dos ídolos dum falso bem-estar, quando nos movemos dentro de esquemas ideológicos ou se absolutizam leis de mercado que esmagam as pessoas, na realidade limitamo-nos a viver dentro das paredes estreitas da cela do individualismo e da autossuficiência, privados da verdade que gera a liberdade. E apontar o dedo contra alguém que errou não pode tornar-se um álibi para esconder as nossas próprias contradições.

De facto, sabemos que, diante de Deus, ninguém se pode considerar justo (cf. Rm 2, 1-11). Mas ninguém pode viver sem a certeza de encontrar o perdão. O ladrão arrependido, crucificado juntamente com Jesus, acompanhou-O até ao paraíso (cf. Lc 23, 43). Por isso, nenhum de vós se feche no passado. É certo que a história passada, mesmo se o quiséssemos fazer, não pode ser reescrita. Mas a história, que começa hoje e aponta para o futuro, está ainda toda por escrever, com a graça de Deus e a vossa responsabilidade pessoal. Aprendendo com os erros do passado, pode-se abrir um novo capítulo da vida. Não caiamos na tentação de pensar que não podemos ser perdoados. Qualquer coisa que seja, pequena ou grande, que o coração nos acuse, «Deus é maior que nosso coração» (1 Jo 3, 20): temos apenas de nos confiar à sua misericórdia.

A fé, ainda que seja pequena como um grão de mostarda, pode deslocar as montanhas (cf. Mt 17, 20). Quantas vezes a força da fé permitiu pronunciar a palavra «perdoo» em condições humanamente impossíveis! Pessoas que sofreram violências e abusos em si mesmas, nos seus entes queridos ou nos seus próprios bens... Só a força de Deus, a misericórdia, pode curar certas feridas. E onde à violência se responde com o perdão, aí também o coração de quem errou pode ser vencido pelo amor que derrota todas as formas de mal. E assim Deus suscita, entre as vítimas e entre os culpados, autênticas testemunhas e obreiros de misericórdia.

Hoje veneramos a Virgem Maria nesta imagem que no-La representa como Mãe que sustenta nos seus braços Jesus com uma corrente quebrada, as correntes da escravidão e da prisão. Que Ela pouse sobre cada um de vós o seu olhar materno; faça brotar do vosso coração a força da esperança para uma vida nova e digna de ser vivida na liberdade plena e no serviço do próximo.

São Josemaría Escrivá nesta data em 1972

Chega a Pozoalbero (Jerez, Espanha), uma quinta onde passará uns dias, durante os quais milhares de pessoas ali irão para o ouvir falar de Deus. Um dia, ao encontrar-se com dois jardineiros, diz-lhes: Que magníficas estão todas estas plantas, todas estas flores que tratam... Que vos parece: que vale mais o vosso trabalho ou o de um ministro?... Depende do amor que tiverem; se fizerem isso com mais amor que um ministro, vale mais o vosso trabalho

Bom Domingo do Senhor!

Demos graças a Deus por ser o Nosso Deus na breve passagem terrena e depois da partida, como ele próprio explica aos saduceus no final do Evangelho hoje (Lc 20, 27-38).

Louvado seja Deus Nosso Senhor pela Sua infinita bondade e amor por nós!

A Suécia, três décadas depois

Em meados do século XX, depois de 450 anos de perseguição contra os católicos, a Suécia encetou a abertura religiosa. Em 1982, deixou de ser excepção e estabeleceu relações diplomáticas com o Vaticano. Note-se que o Vaticano tem presença diplomática em praticamente todo o mundo, inclusivamente uma presença mais vasta que a da própria União Europeia.

Em Junho de 1989, o Papa João Paulo II deslocou-se à Escandinávia para visitar a pequenina comunidade de católicos que esfregava as mãos de frio naquelas paragens. A recepção foi muito familiar, no sentido mais aconchegado que se possa imaginar. No final, os meus conhecidos suecos mandavam-me notícias intimistas: estive com o Papa e contei-lhe …e ele respondeu... à tarde, voltei a estar com o Papa, que me lembrou...

Esta semana, passados quase trinta anos, o Papa Francisco desembarcou numa Suécia diferente. Antes de partir, foi à basílica de Santa Maria Maior pedir a Nossa Senhora que a visita apostólica corresse bem e, à chegada a Roma, correu a Santa Maria Maior com um grande ramo de flores, para agradecer. Porque não podia deixar de agradecer, de todo o coração, aquela experiência.

Quando João Paulo II visitou a Suécia, muita gente reagiu como se tivesse desembarcado o invasor. O fundador da «Livets Ord» (Palavra da Vida) de Uppsala, uma das comunidades protestantes mais numerosas da Suécia, ligada a uma escola bíblica muito forte, com sucursais em bastantes países, organizou jornadas de desagravo e de protesto contra a invasão.

Surpreendentemente, o Papa João Paulo II não contra-atacou: «Perdoarmo-nos uns aos outros (católicos e luteranos) é um desafio, mas é o próprio Senhor que nos mandou reconciliarmo-nos». Foi mesmo concreto a responder a perguntas como «que podemos aprender uns dos outros? Como é que nos podemos enriquecer mutuamente?». Os luteranos suecos estavam preparados para a invasão, mas não tinham feito nenhum plano para a não-invasão, de modo que o vírus do catolicismo entrou pelas traseiras da ideologia.

Afinal, que aspectos positivos havia na ruptura luterana? Francisco deu exemplos: Lutero meteu a Bíblia nas mãos do povo; as comunidades luteranas defendem um papel muito activo para os leigos…

O Concílio Vaticano II não só nos ensinou a aprender com os elementos positivos como nos ajudou a perceber que este é o caminho para trazer de volta as ovelhas desgarradas. Por exemplo, a maior mudança introduzida pela reforma litúrgica do Concílio foi o alargamento das leituras da Missa a quase toda a Bíblia, quando antes só se liam poucos textos e praticamente o único Evangelho usado na liturgia era o de S. Mateus. Outro exemplo, é a afirmação rotunda de que todos são chamados à santidade e a anunciar a Boa-Nova.

Santo Padre com Ulif e Brigitta Ekman em abril de 2014
Ulf Ekman, que liderou a «Livets Ord» contra a invasão romana, e a mulher converteram-se ao catolicismo. Um dos pontos de partida do percurso foi a própria figura de João Paulo II… estudaram-no como quem espreme o veneno e acabaram por o adoptar como patrono. Outro atractivo do catolicismo foi a mensagem de S. Josemaria Escrivá acerca do papel dos leigos. Quantas coisas que faziam Ulf e a mulher apreciar o luteranismo estavam certas! E, postas no seu contexto, foram instrumentos para chegar à unidade com a Igreja católica.

Os responsáveis luteranos que acolheram Francisco já não estiveram à defesa, como há três décadas. Agora, rezaram fervorosamente, com os seus concidadãos católicos e o Papa, para que Deus abrisse os corações e restaurasse a unidade da Igreja, tanto desejada por Cristo.

Outro dos elementos positivos das comunidades luteranas, sublinhado pelo Papa, é a participação social da mulher. É necessário que elas sejam muito activas e presentes na Igreja, como Nossa Senhora, e que as mulheres e todos os leigos compreendam em que medida são um povo sacerdotal, como S. Josemaria Escrivá insistia tanto. Isso resolve a questão das «sacerdotisas», que não correspondem ao plano de Deus, como o Papa Francisco deixou bem claro na Suécia. Quando os suecos perceberem que as suas sacerdotisas correspondem às conferencistas e às professoras de teologia da Igreja Católica, talvez desistam de lhes chamar sacerdotisas e talvez compreendam o que é o sacerdócio ministerial. A diferença entre uma «sacerdotisa» e uma católica empenhada e inteiramente fiel à doutrina católica pode ser muito menos do que pensamos. Assim saibamos aprender uns com os outros.

José Maria C.S. André
Spe Deus
6-XI-2016

Acolher a todos com um sorriso sincero

A misericórdia também nos exorta a acolher os outros, a inclinar-nos para eles. Somos capazes de a transmitir se a recebemos de Deus. Assim, «tendo obtido misericórdia e abundância de justiça, o cristão dispõe-se a ter compaixão dos infelizes e a rezar pelos outros pecadores. Torna-se misericordioso até para com os seus inimigos» [7]. Só a magnânima compreensão de Deus «é capaz de recuperar o bem perdido, de pagar com o bem o mal cometido e de gerar novas forças de justiça e de santidade» [8].
Não faltam ocasiões em que o peso do trabalho ou das dificuldades poderiam anestesiar um pouco o coração, como os espinhos que sufocam a boa semente. Deus põe-nos o coração em carne viva, para que nos inclinemos para os outros, não só nos problemas ou nas tragédias, mas também numa multidão de pequenas coisas quotidianas que requerem um coração atento, que tira relevância ao que realmente não a tem, e que se esforça por dá-la ao que verdadeiramente importa, mas que talvez passe despercebido. Deus não nos chama apenas a conviver com os outros, mas a viver para os outros. Pede-nos uma caridade afetuosa, que saiba acolher a todos com um sorriso sincero [9].
Por isso, recorramos sempre à oração, especialmente quando pensamos que uma situação ou uma pessoa nos superam, para confiar então ao Senhor os obstáculos que encontramos no nosso caminho. Roguemos-Lhe que nos ajude a superá-los, a não lhes dar demasiada importância. Peçamos-Lhe que nos conceda um amor à medida do Seu, por intercessão de Santa Maria, Mater misericordiae.
Na sua viagem apostólica à Polónia, o Papa falou do Evangelho como o livro vivo da misericórdia de Deus. Este livro, dizia, ainda tem páginas em branco no final: permanece um livro aberto, que somos chamados a escrever com o mesmo estilo, isto é, praticando obras de misericórdia[10]. E concluía: cada um de nós guarda no coração uma página muito pessoal do livro da misericórdia de Deus [11]. Escrevamos com entusiasmo as páginas que Deus confiou a cada um, sem desanimarmos com os borrões e manchas que a nossa rude escrita tiver causado. Pela clemência de Deus, o Espírito torna-se presente nas nossas misérias, porque quando sou fraco, então é que sou forte [12]. Fortalecemo-nos com a graça de Cristo, e assim podemos transmitir o que recebemos.
Neste serviço atento aos outros, não esqueçamos – particularmente no dia 2, e durante todo o mês – essa obra de misericórdia discreta e tão agradável aos olhos de Deus: a oração pelos defuntos. Suplico ao Senhor, para cada um e cada uma, a graça de praticar a Comunhão dos santos com todos: com os necessitados dos nossos sufrágios, com aqueles que já desfrutam da bem-aventurança celestial e com aqueles que ainda peregrinamos aqui em baixo, começando pelo Papa e pelos seus colaboradores, até incluir nas nossas orações todos os homens e mulheres, especialmente os mais necessitados dessa união.
Não posso terminar sem agradecer a Deus a recente ordenação de diáconos da Prelatura: peçamos por eles e pelos ministros sagrados de todo o mundo. Ao mesmo tempo, renovo a minha gratidão pelos frutos da viagem pastoral que fiz, há duas semanas, à nova circunscrição da Finlândia e Estónia. Rezemos pela Igreja nesses países e nos outros do Norte da Europa. Gostaria de vos contar em pormenor o entusiasmo de S. Josemaria – e também do queridíssimo D. Álvaro – pelo estabelecimento da Obra nesses países. Convido-vos a considerar isto nos tempos de oração diante do Sacrário. E que se eleve aos Céus a nossa gratidão mais sincera pelo aniversário do estabelecimento do Opus Dei como Prelatura pessoal.
[8]. B. Paulo VI, Manuscrito inédito, in Instituto Paulo VI, Notiziario 71 [2016], 7-8 (também publicado no L'Osservatore Romano, setembro de 2016).
[9]. S. Josemaria, Forja, n. 282.
[10]. Papa Francisco, Discurso na audiência geral, 30-VII-2016.
[11]. Papa Francisco, Discurso na audiência geral, 30-VII-2016
[12]. 2 Cor 12, 10.

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei excerto da carta do mês de novembro de 2016)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Na humildade de ser Igreja, de viver cada dia o Evangelho

«Esta obra de Cristo é sempre silenciosa, não é espetacular. Precisamente na humildade de ser Igreja, de viver cada dia o Evangelho, cresce a frondosa árvore da verdadeira vida. Precisamente com estes humildes inícios o Senhor nos encoraja porque, também na humildade da Igreja de hoje, na pobreza da nossa vida cristã, podemos ver a Sua presença e ter assim a coragem de ir ao Seu encontro e de tornar presente nesta Terra o Seu Amor, esta força de paz e de verdadeira vida» [7]. Mesmo que não faltem acontecimentos na história que possam sugerir o contrário, essa permissão do Céu é o modo de atuar de Deus, que quer realizar o Seu desígnio salvador «no respeito pela nossa liberdade, porque o amor não pode, por natureza, ser imposto. Então a Igreja é, em Cristo, o espaço de acolhimento e de mediação do amor de Deus. Nesta perspetiva, manifesta-se claramente como a santidade e a missionariedade da Igreja constituem duas faces da mesma moeda: só enquanto santa, ou seja, repleta do amor divino, a Igreja pode cumprir a sua missão, e é precisamente em função de tal tarefa que Deus a escolheu e santificou como Sua propriedade pessoal» [8].

Jesus Cristo é o Rei do universo, pela Sua Incarnação e o Seu triunfo na Cruz [9]. E o Prefácio da solenidade oferece-nos algumas características desse reino: reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz [10]. Descubramos nestas expressões as várias manifestações do triunfo de Cristo quando as almas se mostram dóceis à ação do Espírito Santo, expressões que nos ajudarão a preparar-nos para a grande festa em que renovamos a Consagração do Opus Dei ao Coração santíssimo e misericordioso de Jesus.

[7]. Bento XVI, Homilia 15-VI-2008. Ibid.
[8]. Ibid.
[9]. Cfr. Pio XI, Encíclica Quas primas, 11-XII-1925.
[10]. Missal Romano, Solenidade de Cristo-Rei, Prefácio.

D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de novembro de 2014
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Herança a honrar

Foi a Pátria a sua grande paixão. Pela Pátria viveu, com ela sofreu, por ela lutou. E sempre com grande sucesso. E quando, em pleno vigor, se decidiu retirar do mundo e abandonar as glórias e privilégios a que tinha direito, uma vez mais o seu coração reflectiu o grande amor que tinha a Portugal. Um amor inseparável de Deus e de Nossa Senhora, ao ponto do nome que escolheu - Frei Nuno de Santa Maria - estar intrinsecamente ligado à Nação – Terra de Santa Maria - que ele próprio tinha ajudado consolidar.

É o hoje o seu dia: 6 de Novembro, festa do Santo Condestável. E nós somos os seus herdeiros.

Que a sua memória não se reduza a um mero saudosismo ou a uma fuga para trás, mas, pelo contrário, que, nas actuais circunstâncias, São Nuno de Santa Maria nos ajude a vencer a mediocridade e a ultrapassar o nosso marasmo. Para que, através do nosso contributo, Portugal possa merecer o Santo que tem.

Aura Miguel

(Fonte: site Rádio Renascença em 2009)

São Nuno de Santa Maria (Santo Condestável)

Nasceu a 24 de Junho de 1360 no Castelo do Bonjardim. Aos 13 anos fazia parte do séquito do rei Dom Fernando e por essa altura foi armado Cavaleiro. Por obediência a seu pai casa com D. Leonor de Alvim, rica dama de Entre-Douro-e-Minho. Do casamento nasceu uma filha: Dona Beatriz. Após a morte de D. Fernando e porque a filha deste era casada com o rei de Espanha, vendo ameaçada a independência nacional entra em actividade política. Em Santarém dá-se o estranho encontro com o Alfageme de Santarém. Convidado pelo Mestre de Avis foi eleito Regedor e Defensor do Reino. Após vencer várias batalhas (Atoleiros, Aljubarrota) e já viúvo lança ombros à construção do Convento do Carmo, em Lisboa. Em 1422 partilha os seus bens e professa no Carmo, em 15 de Agosto de 1423. Sempre o dia de Nossa Senhora da Assunção a presidir aos momentos culminantes da sua vida. Ei-lo agora o asceta despegado de toda as ambições terrenas, frivolidades, entregue por completo ao único fito de adorar e servir a Deus: o herói de outra batalha que, depois de se ter mostrado invencível nas lutas do mundo, abandona tudo para se tornar apenas, humilde e feliz, Frei Nuno de Santa Maria.

A 15 de Janeiro de 1918 a Sagrada Congregação dos ritos, em sessão plenária, aprova e reconhece o culto do Santo Condestável, que o Papa Bento XV confirma, no decreto de 23 de Janeiro do mesmo ano. Em 26 de Abril de 2009, foi canonizado por Bento XVI.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

«Ele não é um Deus dos mortos, mas dos vivos»

Teodoro de Mopsuesto (?-428), bispo e teólogo
Comentário sobre o evangelho de João, livro 2


O fundamento da nossa presente condição é Adão; mas o da nossa vida futura é Cristo, nosso Senhor. Tal como Adão foi o primeiro homem mortal e depois, por causa dele, todos os homens se tornaram mortais, assim também Cristo foi o primeiro ressuscitado dos mortos e concedeu o gérmen da ressurreição aos que viriam depois dele. Vimos a esta vida visível através do nascimento corporal e é por isso que somos todos perecíveis; mas, na vida futura, seremos transformados pelo poder do Espírito Santo e, por isso, ressuscitaremos imperecíveis.

Isto só se realizará quando este gérmen de vida se desenvolver; mas, desde agora, Cristo, nosso Senhor, quis transportar-nos a essa altura duma maneira simbólica dando-nos o batismo, esse novo nascimento em Si próprio. Este nascimento espiritual é já a prefiguração da ressurreição e da regeneração que devem realizar-se plenamente em nós quando passarmos para essa nova vida. É por isso que o batismo é chamado também regeneração.

Quando o apóstolo Paulo fala da vida futura, quer dar segurança aos seus ouvintes através destas palavras: «Não só ela [a criação]; também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos no nosso íntimo, aguardando a adopção filial, a libertação do nosso corpo» (Rom 8,23). Pois, se recebemos desde agora as primícias da graça, esperamos acolhê-la em plenitude quando nos for dada a felicidade da ressurreição.