N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A propósito do artigo sobre o Opus Dei no Observador

Depois da morte vos receberá o Amor

Agora compreendes quanto fizeste sofrer Jesus, e enches-te de dor: como lhe pedes perdão, deveras e choras pelas tuas traições passadas! Não te cabem no peito as ânsias de reparar! Bem. Mas não esqueças que o espírito de penitência está principalmente em cumprir, custe o que custar, o dever de cada instante. (Via Sacra, 9ª Estação, n. 5)

Como será maravilhoso quando o nosso Pai nos disser: servo bom e fiel, porque foste fiel nas coisas pequenas, eu te confiarei as grandes: entra no gozo do teu Senhor!. Esperançados! Esse é o prodígio da alma contemplativa. Vivemos de Fé, de Esperança e de Amor; e a Esperança torna-nos poderosos. Recordais-vos de S. João? Eu vos escrevo, jovens, porque sois valentes e a palavra de Deus permanece em vós e vencestes o maligno. Deus urge-nos, para a juventude eterna da Igreja e de toda a humanidade. Podeis transformar em divino todo o humano, como o rei Midas convertia em ouro tudo o que tocava!

Nunca esqueçais que depois da morte vos receberá o Amor. E no amor de Deus encontrareis, além do mais, todos os amores limpos que tenhais tido na terra. O Senhor dispôs que passemos esta breve jornada da nossa existência, trabalhando e, como o seu Unigénito, fazendo o bem. Entretanto, temos de estar alerta, à escuta daquelas chamadas que Santo Inácio de Antioquia notava na sua alma, ao aproximar-se a hora do martírio: vem para junto do Pai, vem para o teu Pai que te espera ansioso (Amigos de Deus, 221)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1932

Morre Luis Gordon, um jovem engenheiro que tinha pedido a admissão no Opus Dei. S. Josemaria descreve-o assim: “Bom modelo: obediente, discretíssimo, caritativo até ao esbanjamento, humilde, mortificado e penitente…, homem de Eucaristia e de oração, devotíssimo de Santa Maria e de Teresinha… pai dos operários da sua fábrica, que choraram sentidamente a sua morte”

Fiat, adimpleátur...

O nosso Padre, quando o Senhor chamava à Sua presença alguma filha ou algum filho seu ainda jovem, protestava filialmente e sentia uma profunda dor, mas logo a seguir, aceitava a Vontade divina, que sabe o que realmente nos convém. E rezava: Fiat, adimpleátur..., faça-se cumpra-se, seja louvada e eternamente exaltada a justíssima e amabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas! Amen. Amen [15]. E alcançava a paz.
Todos estes pensamentos devem sempre estar unidos à consideração de que a omnipotência de Deus nos devolverá a vida: vita mutátur, non tóllitur [16], a vida muda, não acaba. A segurança de nos sabermos perto de Deus, com todas as ajudas que, nesses momentos finais, a nossa Mãe Igreja nos dispensa, há de levar-nos a raciocinar assim: Senhor, eu acredito que ressuscitarei. Eu creio que o meu corpo se voltará a unir à minha alma, para reinar eternamente Contigo: pelos Teus méritos infinitos, por intercessão da Tua Mãe, pela predileção que tiveste comigo [17].
Filhas e filhos meus, esforcemo-nos por transmitir esta alegria e esta segurança da fé. Rezemos em cada dia pelas pessoas que irão render a alma ao Senhor, para que se abram à graça abundantíssima que Deus, por intercessão da Sua Mãe Santíssima, concede nesses momentos. E continuemos a rezar pela santidade de todas as famílias na Terra, para que as conclusões deste Sínodo nos animem a seguir com total fidelidade os desígnios de salvação que o Senhor inscreveu no próprio núcleo do casamento e da família.
Gostava que cada um meditasse na sabedoria da santa Igreja, que uniu a solenidade de Todos os Santos ao dia dedicado à comemoração de todos os fiéis defuntos, que é no dia seguinte: saboreai a alegria celestial que enche a liturgia deste mês e de todo o ano.

[15]. S. Josemaria, Forja, n. 769.
[16]. Missal Romano, Prefácio de defuntos I.
[17]. S. Josemaria, Notas de uma meditação, 13-XII-1948.
(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de novembro de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

O sorriso

Era uma mulher simples e sensata. A páginas tantas, durante a entrevista, o jornalista fez-lhe uma pergunta directa e inesperada. Talvez até, um pouco indiscreta, por estar completamente fora do tema específico daquele encontro. «Como é que consegue estar sempre a sorrir? Porque é que temos a sensação de que está permanentemente contente?». Sorriu abertamente, com uma expressão de quem não esperava essa mudança brusca no tema da conversa. Transmitiu em directo – mais uma vez e com toda a naturalidade – aquela genuína alegria que lhe era tão característica e que não tinha nada de postiço, nada de pouco natural. Começou por explicar que ela – como todas as pessoas – também tinha os seus momentos de tristeza, os seus momentos de cansaço e até, algumas vezes, os seus momentos de profunda inquietação.

«No entanto – continuou –, penso que conheço o remédio para superar tudo isto, ainda que às vezes tenha a sensação de não saber utilizá-lo muito bem. E o remédio é este: sairmos de nós mesmos, interessarmo-nos de verdade pelos outros, compreendermos que aqueles que estão à nossa volta têm o direito de ver-nos contentes. Penso que, quando sorrio, comunico algo de felicidade aos outros, mesmo que não esteja especialmente entusiasmada nesse momento. E ao procurar transmiti-la acontece-me que a felicidade cresce no meu interior. Acredito que, se não estamos sempre centrados na nossa felicidade, e procuramos positivamente a dos outros, encontramos indirectamente uma alegria autêntica. Aquela que procede da generosidade».

Como diz A. Aguiló, o sorriso é algo que cada um de nós tem de aprender a cultivar pacientemente durante toda a sua vida. O sorriso, ao contrário do que muitos pensam, não é uma planta que nasce espontaneamente. Não é, evidentemente, uma erva daninha – como são a tristeza e o mau humor. O sorriso tem de ser fomentado, defendido e protegido. Como? Com equilíbrio interior. Aceitando a realidade da vida como ela é. Gostando dos outros como são. Saindo de nós mesmos e esforçando-nos por sorrir – mesmo quando não nos apetece.

O sorriso representa, muitas vezes, uma vitória sobre a tentação do mau humor. E as vitórias exigem luta, esforço e determinação. Mas, lutar contra quê? Contra o próprio medo e contra a própria debilidade. Estas são, muitas vezes, as causas mais profundas da tristeza, do pessimismo e da inquietação. Tornam as pessoas infelizes e amargas porque – entre outras coisas – asfixiam a sua capacidade de sorrir. São ervas daninhas que têm de ser arrancadas com paciência e constância.

É uma grande sorte ter ao nosso lado caras sorridentes. Como dizia alguém, o sorriso custa menos do que a electricidade e dá mais luz. Procuremos ser amáveis. Manifestemos essa amabilidade também com o sorriso, mesmo que algumas vezes isso possa exigir um pouco de esforço. É um esforço que vale a pena. O sorriso ajuda-nos a sermos mais humanos, modera as nossas tendências agressivas e facilita-nos compreender melhor os outros. São só vantagens! E o esforço – sejamos sinceros – não é nada do outro mundo.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Elogio da soberba cristã

Não falta quem, com mais ou menos razão, deplore as fraquezas dos cristãos. Sem dúvida, todos as temos, talvez não tantas nem tão graves quanto as de outros, mas decerto mais e piores do que as que seriam de esperar em verdadeiros discípulos de Cristo e membros da sua Igreja. São deploráveis esses maus exemplos, sobretudo é de lamentar que haja cristãos vaidosos de mais das suas pessoas e soberbos de menos da grandeza e dignidade da sua condição cristã.

O generalizado complexo de inferioridade de muitos fiéis deve-se a carências da sua formação doutrinal, à sua ignorância em relação à história da Igreja e à manipulação laicista do passado cristão. De facto, não há nenhuma religião, ou Estado, que não tenha bem piores antecedentes, mas a história moderna teima em só recordar as culpas dos católicos, que acusa de alguns eventuais faltas que, diga-se de passagem, são poucas e sempre as mesmas: as cruzadas, a Inquisição, Galileu e pouco mais.

O mesmo, porém, já não acontece em relação à história nacional, em que não faltam, como é natural, episódios lamentáveis. Recorde-se, por exemplo, o horror do suplício dos Távoras, com requintes de crueldade piores do que os praticados pelo Santo Oficio; a brutalidade anticlerical da primeira República, que até sequestrou e aterrorizou os inocentes videntes de Fátima, ainda crianças; ou, ainda, as terríveis torturas da PIDE, mais brutais do que as penas a que foi condenado Galileu. Apesar desses percalços, não há cidadão português que seja digno desse nome e que repudie a história pátria que, como é natural, tem muitas luzes e algumas sombras.

É algo paradoxal que alguns cristãos se envergonhem da sua fé, a que a cultura, a arte e a técnica tanto devem, mas não da modernidade, que foi cúmplice das aventuras totalitárias do fascismo, do nazismo e do comunismo. Há quem sinta desconforto em se afirmar católico, mas ninguém renega o seu país, nem o seu tempo, embora não sejam isentos de algumas culpas.

Urge, portanto, promover, pela verdade na caridade, a auto-estima dos cristãos, incitando-os ao santo orgulho da sua condição de fiéis da Igreja. Não se trata de fomentar qualquer atitude de vanglória individual, que seria obviamente anticristã e humanamente disparatada, mas uma renovada consciência da grandeza histórica da realidade eclesial. Ser católico quer dizer ser herdeiro, representante e protagonista, pela graça de Deus e sem mérito próprio, da mais antiga, consistente e eficaz instituição cultural, responsável pela mais extensa e qualificada rede de assistência humanitária.

Esta comunidade, no dizer inspirado do primeiro Papa, é «uma geração escolhida, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo adquirido por Deus» (1Pd 2,9). Sobretudo graças à plêiade imensa dos bem-aventurados, que a Igreja celebra no dia 1 de Novembro, a solenidade de todos os Santos. São esses inumeráveis mártires, confessores da fé, pastores, religiosos e leigos que atestam, historicamente, a grandeza do dom que na Igreja resplandece. Esta mesma assembleia, que é pecadora nos seus fiéis militantes, é santa nos seus membros triunfantes, que são para a comunidade dos crentes, bem como para toda a humanidade, motivo de um justo orgulho.

Alguém malevolamente disse, de outrem, que era muito humilde … e que tinha muitas razões para o ser! Nós, católicos, não podemos deixar de ser individualmente humildes, mas temos também de cultivar, em honra dos nossos santos, um legítimo orgulho. Graças a eles, é firme a nossa esperança e profunda a nossa alegria, sobretudo no 1º de Novembro, que bem poderia ser o dia da soberba cristã.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada

S. Martinho de Porres (ou de Lima), religioso, †1639

Canonizado por João XXIII em 6 de maio de 1962, Martinho é uma figura de destaque no histórico da Igreja Católica. Nascido em Lima (Perú), a 9 de Dezembro de 1579, passou, em sua infância, pela falta de recursos que viessem a custear os seus estudos ou para a manutenção de sua própria alimentação.

Depois de ter estudado farmácia-ambulatório, aos quinze anos abandonou a sua vida mundana para bater às portas do convento dos Dominicanos. Recebido na ordem, a sua carreira eclesiástica cresceu rapidamente. S. Martinho exercia dentro da ordem as tarefas mais trabalhosas e repugnantes, e foi a partir daí que seu reconhecimento se deu. As autoridades do convento notaram o que realmente significava aquela alma para eles e ofereceram-lhe uma posição de destaque. A sua fama ultrapassou os muros e ganhou a devoção do povo, clemente de sua santidade. Morreu em 3 de dezembro de 1639, deixando uma legião de fiéis.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 3 de novembro de 2016

Aproximavam-se d'Ele os publicanos e os pecadores para O ouvir. Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: «Este recebe os pecadores e come com eles». Então propôs-lhes esta parábola: «Qual de vós, tendo cem ovelhas, se perde uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, para ir procurar a que se tinha perdido, até que a encontre? E, tendo-a encontrado, a põe sobre os ombros todo contente e, indo para casa, chama os seus amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha que se tinha perdido. Digo-vos que, do mesmo modo, haverá maior alegria no céu por um pecador que fizer penitência que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência». «Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, e perdendo uma, não acende a candeia, não varre a casa, e não procura diligentemente até que a encontre? E que, depois de a achar, não convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma que tinha perdido. Assim vos digo Eu que haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que faça penitência».

Lc 15, 1-10