N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

domingo, 23 de outubro de 2016

O homem que falava com Deus (e Deus falava com ele) Facebook

Meditação: tempo fixo e a hora fixa

Meditação: tempo fixo e a hora fixa. Se não, adapta-se à nossa comodidade; e isso é falta de mortificação. E a oração sem mortificação é pouco eficaz. (Sulco, 446)

Vencei, se por acaso disso vos apercebeis, a preguiça, o falso critério segundo o qual a oração pode esperar. Nunca atrasemos esta fonte de graças para amanhã. Agora é o tempo oportuno. Deus, que é amoroso espectador de todo o nosso dia, preside à nossa íntima prece. E tu e eu – volto a assegurar – temos de nos confiar a Ele como se confia num irmão, num amigo, num pai. Diz-lhe – eu faço assim – que Ele é toda a Grandeza, toda a Bondade, toda a Misericórdia. E acrescenta: por isso, quero apaixonar-me por Ti, apesar da rudeza das minhas maneiras, destas minhas pobres mãos, marcadas e maltratadas pelo pó das veredas da terra.

(…) Que não faltem no nosso dia alguns momentos dedicados especialmente a travar intimidade com Deus, elevando até Ele o nosso pensamento, sem que as palavras tenham necessidade de vir aos lábios, porque cantam no coração. Dediquemos a esta norma de piedade um tempo suficiente, a hora fixa, se possível. Ao lado do Sacrário, acompanhando Aquele que ali ficou por Amor. Se não houver outro remédio, em qualquer lugar, porque o nosso Deus está de modo inefável na nossa alma em graça. (Amigos de Deus, 246. 249)

-São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1966

Enquanto celebra a Santa Missa, passa por uma experiência mística que, com grande simplicidade, conta no dia seguinte: “Com os meus sessenta e cinco anos, fiz uma descoberta maravilhosa. Encanta-me celebrar a Santa Missa, mas ontem custou-me muito. Que esforço! Vi que a Missa é verdadeiramente Opus Dei, trabalho, como foi um trabalho para Jesus Cristo a sua primeira Missa: a Cruz. Vi que o ofício do sacerdote, a celebração da Santa Missa, é um trabalho para confeccionar a Eucaristia; que se experimenta dor, e alegria, e cansaço. Senti na minha carne o esgotamento de um trabalho divino”.

Bom Domingo do Senhor!

Digamos repetidamente ao longo do dia quando nos apercebemos das nossas pequenas falhas como fazia o cobrador de impostos de que nos fala o Evangelho de hoje (Lc 18, 9-14) “Senhor Jesus, tende piedade de nós que somos pecadores”, dito com arrependimento e entrega estaremos com humildade a confiar n’Ele.

Senhor Jesus concede-nos a humildade do arrependimento ajudando-nos a melhor Te seguir!

O homem que falava com Deus (e Deus falava com ele)

Pedro Aguiar Pinto, ao centro, com a família
Há uns anos, encontrei um professor católico na Universidade de Singapura, exemplar raro naquele cantinho da Ásia onde o número de cristãos é baixíssimo. Apercebi-me de que os alunos apreciavam muito as aulas dele, o que lhes deve ter aguçado a curiosidade. Um dia, um grupo foi perguntar-lhe: «É verdade que o professor fala com Deus?». «Sim...». Silêncio, para recuperar da surpresa e ganhar balanço para a nova pergunta: «Quando é a próxima vez em que volta a falar com Ele?».

Lembrei-me deste diálogo quando o Pedro Aguiar Pinto morreu, porque ele também era professor (da Faculdade de Agronomia de Lisboa) e porque, de facto, ele falava com Deus. O mais extraordinário é que Deus também falava com ele, a ponto de o Pedro achar normal uma pessoa ouvir Deus. Ao longo de anos, foi uma autêntica experiência de diálogo, sem toques de sentimentalismo nem derivas esotéricas. Um diálogo propriamente dito, não uma imitação. Um diálogo muito íntimo. Só a amizade muito forte abria pequenas fragilidades nessa intimidade tão bem guardada e nos permitia espreitar lá para dentro.

Pedro Aguiar Pinto à frente de um grupo de 
peregrinos, a caminho de Fátima
Felizmente, o Pedro tinha muitos amigos, de quem se sentia responsável e procurava aproximar de Deus. Há poucos dias, tinha-lhes escrito uma carta, que depois publicou, a convidar quem quisesse ir com ele a Fátima. «Porque se vai a pé a Fátima?» – começava a carta – «Em primeiro lugar para responder ao pedido de Nossa Senhora (...), depois, por muitas razões que nem nós sabemos. Julgamos que vamos com um objectivo e o que acontece no caminho mostra-nos que afinal era de outra coisa que nós precisávamos». Sem entrar em pormenores, queria empurrar os seus amigos por uma experiência de oração que os abrisse às surpresas de Deus. Porque há quem reze para convencer Deus e o Pedro rezava para se deixar convencer por Deus.

Ele era um bocadinho engenheiral, mais dado a experiências concretas e a cálculos do que a hipérboles literárias. Por isso, a oração dele não era preguiça nem imaginação, era intelectualmente lúcida e activa. Naquele convite, prometia a quem fosse à peregrinação: «uma verdadeira experiência, porque nela descobrimos a inteligência do sentido das coisas». Não se referia a curiosidades eruditas, referia-se àquela compreensão dos planos divinos que abre o caminho a uma entrega mais plena. É esse desejo de oração, esse amor activo, que ele queria para os seus amigos.

A morte do Pedro ocorreu a meio desse percurso, quando ninguém estava à espera. Saudável e satisfeito, guiava um grande grupo de peregrinos. Bastantes pertenciam ao Movimento Comunhão e Libertação, como ele, mas muitos outros eram apenas amigos. No momento da morte, a pequenina carta, de dias atrás, adquiriu um sentido novo e respondeu à surpresa: «Julgamos que vamos com um objectivo e o que acontece no caminho mostra-nos que afinal era de outra coisa que nós precisávamos».
Sem o Pedro prever, as pequenas sementes que ele lançou ao longo da vida cresceram com exuberância. Por exemplo, uns «emails» que enviava ocasionalmente a alguns amigos alargaram-se em poucos anos a uma «mailing list» quilométrica, alimentaram um blogue muito visitado («o Povo»), expandiram-se por várias redes sociais, até levar diariamente, a dezenas de milhar de leitores, uma selecção de textos sobre os grandes temas da pessoa humana e da sociedade e sobre Deus. (Algumas vezes, esta divulgação incluiu artigos que escrevi para o «Correio dos Açores» e outros jornais).

Agora, vou dar uma notícia em primeira mão: mal chegou ao Céu, o Pedro correu a inscrever-se em Agronomia Geral e noutras cadeiras de que foi professor. Sentado na primeira fila, queria finalmente esclarecer umas dúvidas, por exemplo, acerca daquela técnica do «grão de trigo que, se não morrer fica infecundo e se morrer dá muito fruto» (Jo 12, 24-25). Que aula! – dizia ele todo satisfeito – Agora sim! Isto «é uma verdadeira experiência, porque nela descobrimos a inteligência do sentido das coisas».

José Maria C.S. André
Spe Deus
23-X-2016

Nota 'Spe Deus': 'tweet' de JPR em 11.10.2016 «À família de Pedro Aguiar Pinto, aos amigos e leitores de O Povo deixamos um sincero abraço nesta hora difícil plenamente convictos que o Senhor chamou mais um Pedro para junto de si. Requiescat in pace»

Ler a Bíblia enriquecendo o espírito

Bento XVI sugeriu aos católicos na Audiência de 3 de agosto de 2011 que façam uma leitura continuada da Bíblia durante as férias, desde os livros mais pequenos, como os de Tobias, Ester ou Rute, às “obras-primas” como Job, Qohélet ou Cântico dos Cânticos.

Tenham à mão, durante o período estival ou nos momentos de pausa, a Santa Bíblia, para a apreciar de uma maneira nova, lendo de seguida alguns dos seus livros, os menos conhecidos e também aqueles mais notórios, como os Evangelhos.

Muitos cristãos deixaram de ler a Bíblia e têm dela um conhecimento muito limitado e superficial, faço votos que uma leitura continuada do texto sagrado para os cristãos possa tornar-se num enriquecimento cultural e nutriente do espírito, capaz de alimentar o conhecimento de Deus e o diálogo com Ele, a oração.

Ter e ler a Bíblia é tão importante como o pão para a boca

Foto 'Spe Deus'
Em Portugal permito-me recomendar uma pequena edição do Novo Testamento, os Quatro Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas de São Paulo, aos Hebreus, São Tiago, S. Pedro, S. João, S. Judas e o Apocalipse de S. João, da Editorial A.O. - Braga, pequena em tamanho e peso, que vem já com sugestão de subdivisões para uma leitura diária de pequenos trechos para meditação, inclusivamente existem dois esquemas, um para uma leitura total anual de todo o Novo Testamento e uma outra para duas leituras anuais dos Evangelhos.

JPR

São João de Capistrano, religioso, †1456

São João de Capistrano nasceu nos Abruzzos, no ano 1386. Além de gramática e letras, estudou também Direito Canónico e Direito Civil, na cidade de Perusa. Por algum tempo foi oficial de juiz. Ingressou, então, na Ordem dos Franciscanos. Ordenado sacerdote, São Capistrano peregrinou por toda a Europa a pé ou a cavalo, desde a Espanha até a Sérvia, da França até a Polónia. Nas suas viagens apostólicas, procurou fortalecer a moral cristã e refutar os erros dos heréticos. Deixou uma obra escrita em dezassete volumes e foi um homem que participou activamente da angústia de seu tempo. Tempo este em que a religião católica se encontrava em crise e a paz ameaçada pelas guerras (Guerra dos Cem Anos) e pela iminente invasão dos turcos. Além disso, a peste negra assolava toda a Europa, dizimando muitos. Morreu em Villach, na Áustria, no ano 1456, aos 71 anos de idade. Os luteranos desenterraram-no e atiraram-no ao Danúbio; felizmente foi encontrado pelos católicos que o levaram para Elloc, junto de Viena de Áustria onde se conserva religiosamente, honrado com a muita devoção dos fiéis. João foi beatificado pelo papa Leão X e foi solenemente canonizado pelo papa Alexandre VIII, no ano de 1690.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Pela confiança e o amor

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja 
Manuscrito autobiográfico C, 36 rº-vº

Eis a minha oração, caríssima Madre. Peço a Jesus que me atraia para as chamas do Seu amor, que me una tão estreitamente a Ele, que Ele viva e actue em mim. Estou certa de que quanto mais o fogo do amor abrasar o meu coração, tanto mais eu direi: «Atraí-me»; e também, quanto mais as almas se aproximarem de mim (pobre pedacito de ferro inútil, se me afastasse do braseiro divino), tanto mais essas almas correrão com ligeireza ao odor dos perfumes do seu Bem-Amado. [...

Minha querida Madre, queria agora dizer-vos o que entendo por odor dos perfumes do Bem-Amado. Uma vez que Jesus subiu de novo ao céu, não posso segui-Lo senão pelos vestígios que deixou. Mas como esses vestígios são luminosos! Basta-me lançar o olhar para o santo evangelho, e logo respiro os perfumes da vida de Jesus, e sei para que lado correr. Não é para o primeiro lugar, mas para o último que eu corro. Em vez de avançar como o fariseu, repito, cheia de confiança, a oração do publicano. Imito, sobretudo, a conduta de Madalena; a sua surpreendente, ou melhor, a sua amorosa audácia, que encanta o Coração de Jesus, seduz o meu.

Sim, estou certa de que mesmo que tivesse na minha consciência todos os pecados que se possam cometer, iria, com o coração despedaçado de arrependimento, lançar-me nos braços de Jesus, pois sei quanto ama o filho pródigo que para Ele volta. Não é porque Deus, na Sua previdente misericórdia, preservou a minha alma do pecado mortal, que me elevo para Ele pela confiança e pelo amor.