N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Velocidade da vida actual

Ouvi, recentemente, alguém afirmar o seguinte: “A velocidade da vida actual impede-nos de pensar”.

É assim mesmo! Em certo sentido, sempre o foi.

Também, antigamente, as pessoas se queixavam de que o ritmo de vida não facilitava a ponderação. Isto acontecia sobretudo nas grandes cidades — muito mais pequenas do que as actuais!

No entanto, nas aldeias e no meio dos trabalhos agrícolas, apesar de a vida quotidiana ser menos stressada, isso não significava automaticamente uma facilidade para se ser mais ponderado.

E aqueles que, porventura, não tinham nada para fazer — hoje em dia, continuam a existir pessoas assim — não parece que por esse facto tivessem facilidade para pensar. Muito pelo contrário!

Uma pessoa, sem nada para fazer, corrompe-se como pessoa. Quantas vezes nos damos conta de que a maior pobreza de muitos é a falta de hábitos de trabalho!

Com tudo isto, podemos concluir que a velocidade da vida — antigamente ou nos dias de hoje — não é algo que depende somente, nem sobretudo, das actividades exteriores.

As actividades exteriores têm importância — ninguém põe isso em dúvida — mas o mais influente é o modo como sabemos gerir o nosso mundo interior.

É preciso aprender a acelerar na vida, no trabalho, nas tarefas que dependem de nós. Isto é algo bom e necessário.

Ponderar com calma o que temos de fazer — não é por muito se mexer que uma pessoa trabalha mais nem melhor — e fazer o que nos compete com um certo ritmo, sem confundir a ponderação com a preguiça.

No entanto, também é necessário aprender a desacelerar, recuperar um certo sentido da lentidão, sobretudo no mundo interior.

Um cristão sabe que um modo maravilhoso de desacelerar é rezar bem — ter todos os dias uns momentos a sós com Deus.

Sem ritmo, não trabalhamos. Sem ponderação, não cumprimos o nosso dever. Sem desaceleração, não descansamos.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Queres deveras ser santo?

Queres deveras ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento faz o que deves e está no que fazes. (Caminho, 815)

Tens obrigação de te santificar. – Tu, também. – Quem pensa que é tarefa exclusiva de sacerdotes e religiosos? A todos, sem excepção, disse o Senhor: "Sede perfeitos, como meu Pai Celestial é perfeito".. (Caminho, 291)

Rectificar. – Todos os dias um pouco. – Eis o teu trabalho constante, se deveras queres tornar-te santo. (Caminho, 290)

Ser fiel a Deus exige luta. E luta corpo a corpo, homem a homem – homem velho e homem de Deus – palmo a palmo, sem claudicar. (Sulco, 126)

Hoje não bastam mulheres ou homens bons. Além disso, não é suficientemente bom quem se contenta em ser quase... bom; é preciso ser "revolucionário". Ante o hedonismo, ante a carga pagã e materialista que nos oferecem, Cristo quer inconformistas! Rebeldes de Amor! (Sulco, 128)

Se não for para construir uma obra muito grande, muito de Deus – a santidade –, não vale a pena entregar-se.

Por isso, a Igreja, ao canonizar os Santos, proclama a heroicidade da sua vida(Sulco, 611)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá - Aconteceu nesta data em 2002

João Paulo II canoniza Josemaría Escrivá diante de uma multidão de pessoas dos cinco continentes, na Praça de São Pedro, Roma. Na homilia diz: “São Josemaría foi um mestre no exercício da oração, que ele considerava como uma “arma” extraordinária para redimir o mundo. Assim recomendava sempre: “primeiro, oração; depois, expiação; em terceiro lugar, muito «em terceiro lugar», acção” (Caminho, 82). Não se trata de um paradoxo, mas de uma verdade perene: a fecundidade do apostolado depende sobretudo da oração e de uma vida sacramental intensa e constante. Em última análise, este é o segredo da santidade e do verdadeiro êxito dos Santos”

O Evangelho chama-nos a ser “próximos” dos mais pequenos e abandonados

No momento presente, estamos a acompanhar a dor de inúmeras famílias que se veem obrigadas a emigrar por razões muito diferentes: o desemprego, a pobreza, a guerra, a perseguição por causa da fé... E não falta a realidade de, em muitos casos, estas pessoas enfrentarem enormes dificuldades para se integrarem onde gostariam de ir. A Igreja, chamada a ser Mãe de todos, não é indiferente a estas situações. São contínuas as chamadas do Papa Francisco à solidariedade humana e cristã para com essas pessoas. Lembrou recentemente que, perante a tragédia de dezenas de milhares de refugiados, fugindo da morte pela guerra e pela fome, e que estão a caminho de terem uma esperança na vida, o Evangelho chama-nos a ser “próximos” dos mais pequenos e abandonados. Para lhes dar uma esperança concreta. Não só para dizer “coragem, paciência!”... A esperança é combativa, com a tenacidade de quem se dirige a uma meta segura [10].

O Pontífice pediu também para realizarmos um gesto concreto na preparação do Ano Santo [11], que terá início em dezembro. Este movimento de milhares de cidadãos, particularmente grave agora na Europa, também acontece noutras partes do mundo. A todos o Papa se dirige, insistindo em que se apoie este chamamento, recordando que a Misericórdia é o segundo nome do Amor [12].

Que podemos fazer, também cada um de nós, com iniciativa e responsabilidade pessoais? A primeira coisa é não deixar que resvalem pela nossa alma, com passividade, estes acontecimentos. E para isso, vamos rezar e considerar que meios práticos podem ser postos em ação para aliviar de alguma forma as necessidades dessas pessoas. Em muitos casos será oportuno, segundo as possibilidades de cada um, colaborar com as dioceses e com as paróquias, a quem o Papa dirige de modo imediato o seu chamamento, ou com organizações que trabalham para dar essa ajuda. Ninguém se deve desentender destas graves carências de tantos homens e mulheres, nossos próximos, em quem descobrimos o próprio Jesus Cristo. Peçamos ao Espírito Santo que nos ilumine e impulsione à ação, sabendo assessorar-nos oportunamente.

Assim, os vínculos familiares e sociais, dentro da experiência da fé e do amor de Deus, podem neutralizar a desertificação comunitária da cidade moderna (...). O sorriso de uma família é capaz de vencer esta desertificação das nossas cidades. E esta é a vitória do amor da família (...). O projeto de Babel constrói arranha-céus sem vida. Mas o Espírito de Deus faz florescer os desertos (cf Is 32, 15) [13].
Termino renovando o meu desejo de intensificar neste mês a oração pelo Papa e pelo Sínodo, que começa no dia 3. Recorramos à intercessão da Virgem Maria, Mãe da Igreja e Rainha da Família. Assim, as nossas orações, com as de muitos milhares de pessoas que rezam connosco pela mesma intenção, vão chegar de forma mais eficaz diante do trono de Deus.
Insisto: cuidemos da nossa piedade pessoal na recitação do Santo Rosário e na contemplação de cada mistério. Ao entrarmos mais na vida de Jesus, de Maria, aumentará o anseio de sermos mais irmãos de toda a humanidade, com o desejo de chegar a cada mulher, a cada homem.
[10]. Papa Francisco, Angelus, 6-IX-2015.
[11]. Papa Francisco, Angelus, 6-IX-2015.
[12]. Papa Francisco, Angelus, 6-IX-2015.
[13]. Papa Francisco, Discurso na Audiência Geral, 2-IX-2015.

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de outubro de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

"Deixemos que Deus faça maravilhas" - Artigo do então Cardeal Joseph Ratzinger sobre S. Josemaría Escrivá

Deixemos que Deus faça maravilhas 


Surpreendia-me sempre a interpretação que Josemaría Escrivá dava do nome Opus Dei: uma interpretação que poderíamos chamar biográfica e que nos consente compreender o fundador na sua fisionomia espiritual. Escrivá sabia que devia fundar algo, mas estava sempre consciente de que aquele algo não era obra sua, que ele não tinha inventado nada, que simplesmente o Senhor se servia dele. Por conseguinte, aquela não era a sua obra, mas o Opus Dei. Ele era unicamente um instrumento através do qual Deus teria agido.
  
Ao considerar este facto vieram-me à mente as palavras do Senhor transcritas no Evangelho de João (5, 17): «O meu Pai age sempre». São palavras pronunciadas por Jesus durante um debate com alguns peritos da religião que não queriam reconhecer que Deus pode trabalhar também no sábado. Eis um debate que ainda está aberto, de certa forma, entre os homens – também cristãos – do nosso tempo. Há quem pense que, depois da criação, Deus se «retirou» e não sente mais interesse pelas nossas coisas quotidianas. Segundo este modelo de pensamento, Deus já não poderia entrar no tecido da nossa vida quotidiana. Mas nas palavras de Jesus temos o desmentido. Um homem aberto à presença de Deus apercebe-se de que Deus faz maravilhas ainda hoje: portanto, devemos deixá-lo entrar e agir. E é assim que surgem as coisas que oferecem um futuro e renovam a humanidade.
  
Tudo isto nos ajuda a compreender por que é que Josemaría Escrivá não se considerava «fundador» de nada, mas apenas uma pessoa que quis cumprir a vontade de Deus, seguir a sua acção, a obra – precisamente – de Deus.Neste sentido, o teocentrismo de Escrivá de Balaguer, coerente com as palavras de Jesus, significa esta confiança no facto de que Deus não se retirou do mundo, que Deus age ainda agora e nós devemos apenas pôr-nos à sua disposição, estar disponíveis, ser capazes de reagir à sua chamada, o que é para mim uma mensagem de grandíssima importância. É uma mensagem que leva à superação daquela que se pode considerar a grande tentação do nosso tempo: isto é, a pretensão de que depois do big bang Deus se tenha retirado da história. A acção de Deus não «parou» no momento do big bang, mas ainda continua ao longo do tempo, quer no mundo da natureza quer no mundo humano.
  
Portanto, o fundador da Obra dizia: não fui eu que inventei algo; é o Outro que o faz e eu estou apenas disponível para servir de instrumento. Assim este título, e toda a realidade a que chamamos Opus Dei, estão profundamente relacionados com a vida interior do fundador que, mesmo permanecendo muito discreto neste ponto, nos faz compreender que estava em diálogo permanente, em contacto real com Aquele que nos criou e age por nós e connosco. O livro do Êxodo diz de Moisés (33, 11) que Deus falava com ele «face a face, como um amigo fala com outro amigo». Parece-me que, mesmo se o véu da discrição nos esconde tantos pormenores, contudo daqueles pequenos acenos resulta que se pode aplicar muito bem a Josemaría Escrivá este «falar como um amigo que fala com outro amigo», que abre as portas do mundo para que Deus se possa fazer presente, agir e transformar tudo.
  
Sob esta luz compreende-se também melhor o que significa santidade e vocação universal à santidade. Conhecendo um pouco a história dos santos, sabendo que nos processos de canonização se procura a virtude «heróica», temos quase inevitavelmente um conceito errado da santidade: «Não é para mim», somos tentados a pensar, «porque eu não me sinto capaz de realizar virtudes heróicas: é um ideal demasiado elevado para mim». Então a santidade torna-se uma coisa reservada a alguns «grandes», dos quais vemos as imagens nos altares, e que são muito diferentes de nós, que somos normais pecadores. Mas este é um conceito errado de santidade, uma percepção errónea que foi corrigida – e isto parece-me o ponto central – precisamente por Josemaría Escrivá.
  
Virtude heróica não significa que o santo faz uma espécie de «ginástica», de santidade, algo que as pessoas normais não conseguem fazer. Ao contrário, significa que na vida de um homem se revela a presença de Deus, isto é, se revela o que o homem por si só e para si não podia fazer. Talvez se trate, no fundo, apenas de uma questão terminológica, porque o adjectivo «heróico» foi mal interpretado. Virtude heróica propriamente não significa que alguém fez grandes coisas sozinho, mas que na sua vida aparecem realidades que ele não fez, porque foi transparente e disponível para a obra de Deus. Ou, por outras palavras, ser santo não é mais do que falar com Deus como um amigo fala com outro amigo. Eis a santidade.
  
Ser santo não significa ser superior aos outros; antes, o santo pode ser muito débil, pode ter cometido tantos erros na sua vida. A santidade é este contacto profundo com Deus, fazer-se amigo de Deus: é deixar agir o Outro, o Único que realmente pode fazer com que o mundo seja bom e feliz. Por conseguinte, se São Josemaría Escrivá fala da chamada de todos a ser santos, parece-me que, em última análise, está a haurir desta sua experiência pessoal de não ter feito sozinho coisas incríveis, mas de ter deixado agir Deus. E por isso nasceu uma renovação, uma força de bem no mundo, mesmo que todas as debilidades humanas permaneçam sempre presentes. Deveras todos somos capazes, todos somos chamados a abrir-nos a esta amizade com Deus, a não abandonar as mãos de Deus, a não deixar de voltar sempre de novo ao Senhor, falando com Ele como se fala com um amigo, sabendo bem que o Senhor realmente é o verdadeiro amigo de todos, mesmo de quantos não podem fazer grandes coisas sozinhos.
  
Com tudo isto compreendi melhor a fisionomia do Opus Dei, esta ligação surpreendente entre uma absoluta fidelidade à grande tradição da Igreja, à sua fé, com desarmante simplicidade, e a abertura incondicionada a todos os desafios deste mundo, quer no âmbito académico, quer no do trabalho, da economia, etc. Quem tem este vínculo com Deus, quem mantém este diálogo ininterrupto pode ousar responder a estes desafios, e deixa de ter medo; porque quem está nas mãos de Deus cai sempre nas mãos de Deus. É assim que desaparece o medo e nasce, ao contrário, a coragem de responder ao mundo de hoje.
  
Card. Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Publicado no Suplemento de 'L’Osservatore Romano', 6-X-2002
  
(Fonte: site do Opus Deis – Portugal em http://www.opusdei.pt/art.php?p=13946)

Que a chuva de graças destes dias nos anime a todos «a rezar…»

Bem presente temos a alegria do meu queridíssimo predecessor, em 1992, pela beatificação de S. Josemaria. Escrevia-nos então: «Tão íntima e profunda era essa alegria, fruto do Espírito Santo (cfr. Gl 5, 22), que parecia estarmos imersos num mar de contentamento, sinal claro da presença de Deus nas nossas almas» [3]. O mesmo nos acontece agora a todas e a todos. E peço ao Senhor, como D. Álvaro naquela ocasião, que contagie esse júbilo às centenas de milhares de pessoas que viram, em todo o mundo, a cerimónia da beatificação, assim como aos que participarem nas Missas de ação de graças em tantos sítios. Como reconhecimento da santidade do nosso Padre, também agora imploramos ao Senhor que estes dias deixem gravada em todos uma marca indelével. Que a chuva de graças destes dias nos anime a todos «a rezar, a frequentar os sacramentos, a melhorar no seu ambiente familiar ou de trabalho, em última análise, a aproximar-se um pouco mais de Deus» [4].

S. Josemaria afirmava com segurança que a alegria é um bem cristão, que possuímos enquanto lutarmos, porque é consequência da paz [5]. Por isso, um propósito bem concreto de tudo o que vivemos traduz-se em lutar com espírito desportivo para estar em cada instante mais perto de Deus: no trabalho e no descanso, com a família e na vida social, nos acontecimentos pequenos ou grandes de cada dia…, elevemos o olhar ao nosso Pai Deus suplicando-Lhe que nos decidamos a aproveitar o exemplo do Bem-Aventurado Álvaro, amando os ensinamentos de S. Josemaria. Assim estaremos sempre serenos, contentes, e semearemos à nossa volta ogáudium cum pace, a alegria e a paz dos que caminham com Jesus Cristo.

[3]. Bem-Aventurado Álvaro, Carta, 1-XII-1992 (“Cartas de família”, III, n. 226).
[4]. Ibid.
[5]. S. Josemaria, Forja, n. 105.

D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de outubro de 2014
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

São Josemaría Escrivá, o Santo da vida corrente

O Evangelho do dia 6 de outubro de 2016

Disse-lhes mais: «Se algum de vós tiver um amigo, e for ter com ele à meia-noite para lhe dizer: Amigo, empresta-me três pães, porque um meu amigo acaba de chegar a minha casa de uma viagem e não tenho nada que lhe dar; e ele, respondendo lá de dentro, disser: Não me incomodes, a porta está agora fechada, os meus filhos e eu estamos deitados; não me posso levantar para tos dar; digo-vos que, ainda que ele não se levantasse a dar-lhos por ser seu amigo, certamente pela sua impertinência se levantará e lhe dará tudo aquilo de que precisar. Eu digo-vos: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e ao que bate, se lhe abrirá. «Qual de entre vós é o pai que, se um filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, em vez de peixe, lhe dará uma serpente? Ou, se lhe pedir um ovo, porventura dar-lhe-á um escorpião? Se pois vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que Lho pedirem».

Lc 11, 5-13