N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Obrigado Senhor!

S. Josemaria comentou, em várias ocasiões, que sempre ressoavam na sua alma os sinos da igreja de Nossa Senhora dos Anjos, que tornavam muito atual – até à sua partida para o céu – o dever de fazer o Opus Dei com a força do ano de 1928 e, a seguir, de 1930. Peço ao Senhor que se enraíze, na nossa atuação, esta mesma responsabilidade, porque cada uma e cada um é a continuidade.
Mas uma vez mais se cumpriu a parábola da pequena semente: e temos de encher-nos de agradecimento a Nosso Senhor. Passou o tempo e o Senhor confirmou-nos na fé, concedendo-nos tanto e mais do que víamos então. Perante esta realidade maravilhosa em todo o mundo – realidade que é como um exército em ordem de batalha para a paz, para o bem, para a alegria, para a glória de Deus –, perante esta obra divina de homens e de mulheres em tão diferentes situações, de leigos e de sacerdotes, com uma expansão encantadora, que encontrará necessaria­mente pontos de aflição, porque estamos sempre a começar, temos que baixar a cabeça, amorosamente, dirigir-nos a Deus e dar-Lhe graças. E dirigir-nos também à nossa Mãe do Céu, que esteve presente, desde o primeiro momento, em todo o caminho da Obra [1].
Ainda soam na minha alma as considerações de S. Josemaria. Lembro-me como se fosse ontem destas palavras, pronunciadas como uma oração cheia de amor a Jesus Cristo presente na Eucaristia, no oratório da sede central da Obra dedicado ao Pentecostes. Servem-nos também agora, ao começar este novo ano do Opus Dei, para nos cumularem novamente de esperança, porque o Senhor, que fomentou a Obra, continua a mantê-la ativa e fecunda ao longo dos anos, com a tua resposta e a minha.
Como S. Josemaria naquele aniversário do ano de 1962, também hoje nos maravilhamos diante do que vemos já feito nesta pequenina parte da Igreja: a Obra. É Ele quem a faz crescer, tornando mais uma vez realidade – como aconteceu frequentemente na História da Igreja – a parábola do grão de mostarda: a mais pequena de todas as sementes, mas, depois de crescer, torna-se a maior planta da horta e transforma-se num arbusto, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos [2].
Tal como em 1928, agora, e sempre, é evidente a desproporção entre os nossos meios e os frutos que Deus suscita. O Seu poder salvífico não diminuiu, mas espera de cada uma e de cada um de nós, bem como das pessoas que se acolhem à sombra desta árvore frondosa, uma correspondência generosa, a maior de que sejamos capazes, com a Sua ajuda.
Nasce na nossa alma o louvor e a ação de graças a Deus.Obrigado, Senhor! Porque esta fornada de pão maravilhoso já está a espalhar o bom aroma de Cristo (2 Cor 2, 15) no mundo inteiro: obrigado por estes milhares de almas que glorificam a Deus em toda a Terra. Porque todos são Teus [3].
[1] S. Josemaria, Meditação, 2-X-1962 (AGP, biblioteca, P09, p. 57).
[2] Mt 13, 32.
[3] S. Josemaria, Meditação, 2-X-1962 (AGP, biblioteca, P09, p. 59).

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei excerto da carta do mês de outubro de 2016)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

No Evangelho, como um personagem mais

Oxalá fossem tais as tuas atitudes e as tuas palavras, que todos pudessem dizer quando te vissem ou ouvissem falar: "Este lê a vida de Jesus Cristo". (Caminho, 2)

Ao abrires o Santo Evangelho pensa que não só tens de saber o que ali se narra – obras e ditos de Cristo – mas também tens de vivê-lo. Tudo, cada ponto relatado, se recolheu, pormenor a pormenor, para que o encarnes nas circunstâncias concretas da tua existência. Nosso Senhor chamou os católicos para o seguirem de perto e, nesse Texto Santo, encontras a Vida de Jesus; mas, além disso, deves encontrar a tua própria vida. Aprenderás a perguntar tu também, como o Apóstolo, cheio de amor: "Senhor, que queres que eu faça?"... – A Vontade de Deus! – ouvirás na tua alma de modo terminante. Então, pega no Evangelho diariamente, e lê-o e vive-o como norma concreta. Assim procederam os santos. (Forja, 754)

Para vos aproximardes do Senhor através das páginas do Santo Evangelho, recomendo sempre que vos esforceis por participar em cada cena como um personagem mais. Assim – conheço tantas almas normais e correntes que o fazem! – recolher-vos-eis como Maria, suspensa das palavras de Jesus, ou, como Marta, atrever-vos-eis a manifestar-lhe sinceramente as vossas inquietações, mesmo as mais pequenas. (Amigos de Deus, 222)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1932

Sai de Madrid para fazer o retiro deste ano. No dia anterior havia anotado: “Vou amanhã para Segóvia fazer retiro junto de São João da Cruz. Pedi, mendiguei muita oração. Veremos”

O ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra

O poder conferido por Cristo a Pedro e aos seus sucessores é, em sentido absoluto, um mandato para servir. O poder de ensinar, na Igreja, obriga a um compromisso ao serviço da obediência à fé. O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo. O Papa João Paulo II fez isto quando, perante todas as tentativas, aparentemente benévolas para com o homem, perante as erradas interpretações da liberdade, realçou de maneira inequívoca a inviolabilidade do ser humano, a inviolabilidade da vida humana desde a concepção até à morte natural.
(…)
Assim, o seu poder não é superior, mas está ao serviço da Palavra de Deus, e sobre ele recai a responsabilidade de fazer com que esta Palavra continue a estar presente na sua grandeza e a ressoar na sua pureza, de modo que não seja fragmentada pelas contínuas mudanças das modas.

A Cátedra é repetimos mais uma vez símbolo do poder de ensinamento, que é um poder de obediência e de serviço, para que a Palavra de Deus a verdade! possa resplandecer entre nós, indicando-nos o caminho da vida.

Bento XVI – Excerto homilia durante a Concelebração Eucarística como Bispo de Roma na Basílica de São João de Latrão a 7 de maio de 2005

Maria é modelo de caridade para a Igreja

Numa manhã cheia de sol na Praça de S. Pedro em 23.10.2013 encontrava-se presente uma multidão de quase 100 mil peregrinos que acolheram o Papa Francisco na audiência geral:
“…continuando as catequeses sobre a Igreja, hoje gostaria de olhar para Maria como imagem e modelo da Igreja. Faço-o recuperando uma expressão do Concílio Vaticano II . Diz a Constituição Lumen Gentium: ‘Como já ensinava Santo Ambrósio, a Mãe de Deus, é figura da Igreja na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo’.”

A Igreja olha para a Virgem Mãe de Deus como sua figura e modelo na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo. Como filha de Israel – disse o Papa Francisco.

Assim, Maria como modelo de fé espera e crê com todo o coração na redenção do seu povo. A sua fé, porém, recebe uma luz nova quando o anjo Lhe anuncia: serás Tu a Mãe do Redentor. N’Ela tem cumprimento a fé de Israel e, neste sentido, Maria é o modelo da fé da Igreja, que toda se concentra em Jesus.

“Na simplicidade das mil ocupações e preocupações quotidianas de cada mãe, como providenciar a alimentação, a roupa, o cuidar da casa… Precisamente esta existência normal da Nossa Senhora foi o terreno onde se desenvolveu uma relação singular e um diálogo profundo entre Ela e Deus, entre Ela e o Seu Filho.”

O Papa Francisco considerou, de seguida, que Maria é modelo de caridade para a Igreja, como podemos constatar na sua visita à prima Isabel, onde mais do que uma ajuda material, Ela leva Jesus no seu seio.

“Levar Jesus naquela casa queria dizer levar a alegria, a alegria plena. Isabel e Zacarias estavam felizes pela gravidez que parecia impossível naquela idade, mas é a jovem Maria que lhes leva a alegria plena, aquela que vem de Jesus e do Espírito Santo e exprime-se na caridade gratuita, na partilha, na ajuda, na compreensão.”

E o Santo Padre lançou o desafio de a Igreja levar sempre o amor de Jesus onde quer que esteja tal como Maria levava Jesus no seu seio na visita à sua prima Isabel.

“E nós? - Qual é o amor que levamos aos outros? Como são as relações nas nossas paróquias, nas nossas comunidades? Tratamo-nos como irmãos e irmãs ou cada um trata da sua horta?”

Maria é modelo de união com Cristo, vivendo imersa no mistério de Deus feito homem, como sua primeira e perfeita discípula, meditando tudo no seu coração à luz do Espírito Santo para compreender e pôr em prática toda a vontade de Deus.

“Mas cada ação era cumprida sempre em união perfeita com Jesus. Esta união atinge o seu auge no Calvário: aqui une-se ao Filho no martírio do coração e na oferta da vida ao Pai para salvação da humanidade. Nossa Senhora fez mesmo a dor do Filho e aceitou com Ele a vontade do Pai, naquela obediência que trás fruto, que dá a verdadeira vitória sobre o mal e sobre a morte.”

(Fonte: 'news.va')

A caridade

«Sem o cimento e a argamassa, que une as pedras e firma muros, todo o edifício cairia; sem nervos, músculos e tendões, todo o corpo se desfaria; sem caridade, as virtudes não conseguem manter-se unidas»

(Tratado do amor de Deus, liv. 11. Cap. 9 – São Francisco de Sales)

Este trecho do Evangelho escrito por São Lucas poderia ser o Evangelho “oficial” do Ano Jubilar da Misericórdia

De facto, aparte a magistral descrição da parábola proferida por Jesus Cristo, a beleza do texto, a economia das palavras, o ritmo da descrição – características deste Evangelista – põem-nos perante um autêntico quadro ou, melhor, perante um filme que se desenrola aos nossos olhos prendendo-nos a atenção e excitando os nossos sentidos.

São Josemaria recomendou: aconselho-te a que, na tua oração, intervenhas nas passagens do Evangelho, como um personagem mais. [i]

É isso mesmo que desejo fazer.

Desde logo vou tentar personificar um personagem da parábola:

O Estalajadeiro.

Talvez possa parecer estranho ter escolhido este “papel” que, obviamente, parece não ser “central” na parábola.
Mas, eu, que nada sei nem de parábolas nem de personagens, muito menos me sinto capaz de lhes atribuir mérito ou demérito, o grau de importância que possam ter, apaixono-me por este.

Imagino-me à porta do meu estabelecimento onde recebo hóspedes, normalmente viajantes que percorrem os caminhos poeirentos e agrestes da Palestina e que procuram um lugar onde tomar uma refeição, descansar um pouco ou passar a noite com um mínimo de conforto.

Estando ali, no meu posto de trabalho, deparo-me com uma cena estranha:

Um homem que se aproxima a pé, conduzindo a sua cavalgadura pela arreata e, mal se mantendo direito em cima desta, um outro homem com os vestidos em farrapos, cheio de feridas vendadas com panos embebidos em azeite e vinho num estado lastimoso.
Apresso-me a ir ao seu encontro e tenho logo uma primeira reacção de enorme dúvida: quem conduz o ferido é um Samaritano!

O que faz um Samaritano dirigir-se ao meu estabelecimento?

Sim, eu, que sou judeu, não “morro de amores” pelos samaritanos que, aliás, me pagam na mesma moeda.
Um antagonismo ancestral – que ninguém sabe exactamente quando começou e porquê – divide os filhos de Israel: Samaritanos e Judeus.

Mas, surpreendentemente, o Samaritano aproxima-se de mim e diz-me:

‘Encontrei este teu irmão estendido na vera do caminho porque caiu nas mãos dos ladrões, que o despojaram, o espancaram e retiraram-se, deixando-o meio morto [ii]. Tentei prestar-lhe o auxílio possível ligando-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, mas não podia deixá-lo ali naquele estado por isso pu-lo sobre o meu jumento e trouxe-o até esta estalagem para melhor cuidar dele. [iii] Ajuda-me a levá-lo para dentro e encontra uma acomodação confortável onde o possamos fazer’.

Fiquei atónito, sem palavras e levei algum tempo a reagir.

Como que por encanto desvaneceram-se as minhas dúvidas e pruridos e ajudei a transportar o ferido para a melhor habitação de que dispunha.

Deitámos o homem numa cama, despimos-lhe os farrapos, arranjei uma túnica lavada que lhe vestimos e, enquanto o Samaritano observava de novo as feridas renovando as ligaduras e unguentos fui à cozinha buscar um caldo de sopa que a custo conseguiu engolir.

Tendo caído num sono profundo, deixámo-lo a descansar e retiramo-nos; o samaritano para uma acomodação na parte superior da casa, eu para o meu posto à entrada da estalagem.

A noite ia adiantada e como não era de prever aparecessem novos hóspedes, também fui deitar-me.

Mas não conseguia conciliar o sono pensando em tudo quanto acontecera e algo apreensivo quanto ao dia seguinte.

Logo pela manhã o samaritano preparou-se para seguir viagem mas, antes que eu pudesse perguntar o que fosse, abriu a sua bolsa, tirou dois denários, e deu-mos dizendo: Cuida dele; quanto gastares a mais, eu to pagarei quando voltar. [iv]

Ainda hoje, passado tanto tempo, me admiro com a minha atitude!

Nem por um momento me ocorreu que o Samaritano não faria exactamente como me disse e que não ficaria por receber o que viesse a gastar com o pobre coitado agora a meu cargo.

Sim, eu que sou judeu e tenho um negócio, não posso dar-me ao luxo de receber hóspedes sem ter a certeza que serei ressarcido das despesas de estadia tanto mais que estas seriam bastante fora do “normal”: os tratamentos, ligaduras, unguentos e outros cuidados que seriam necessários.
Volto a repetir: Ainda hoje, passado tanto tempo, me admiro com a minha atitude!

Pela noitinha o doente estava visivelmente melhor e começou por perguntar-me como tinha ido ali parar, o que acontecera…

Contei-lhe tudo, claro, e o seu espanto foi tão grande como tinha sido o meu no dia anterior quando o estranho “cortejo” aparecera à minha porta.

Não se lembrava de nada, tão súbita e violenta tinha sido a acção dos salteadores, nem sequer quanto tempo estivera prostrado por terra.

Mas achava estranho que ninguém o tivesse visto naquela situação, já que o caminho onde tudo acontecera era muito concorrido.

Eu também – pensando melhor – achei estranho, mas como estou habituado à indiferença das pessoas perante as necessidades dos outros não me custava acreditar que alguns o terão visto e ao dar-se conta da situação tivessem optado por seguir adiante livrando-se de “trabalhos” e incómodos.

De facto há tanta gente que vai pelos caminhos da vida tão cheios de si próprios, absorvidos com os seus assuntos que olhando não vêm e, se acaso vêm, ficam indiferentes ao que, pensam, não lhes diz respeito.

Tomei uma decisão:

A partir de agora a porta da minha estalagem estará sempre aberta a quem tiver necessidade de entrar, não a fecharei a ninguém por motivos de raça, cor da pele ou religião e independentemente de possuírem meios ou recursos para cobrir as despesas que porventura façam.

Esta decisão consola-me muito porque penso que, um dia, pode acontecer-me o mesmo que ao pobre homem assaltado e espancado pelo salteadores e, então precisarei de alguém – um Samaritano… talvez – que se condoa de mim e me preste assistência.

(ama, comentário sobre Lc 10 25-37 2016.01.26)



[i] Cfr. Amigos de Deus, nn. 253. 255
[ii] Cfr. Lc 10, 30
[iii] Cfr. Lc 10, 34
[iv] Cfr. Lc 10, 35

O Evangelho do dia 3 de outubro de 2016

Eis que se levantou um doutor da lei, e disse-Lhe para o experimentar: «Mestre, que devo eu fazer para alcançar a vida eterna?». Jesus respondeu-lhe: «O que é que está escrito na Lei? Como lês tu?». Ele respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e o teu próximo como a ti mesmo». Jesus disse-lhe: «Respondeste bem: faz isso e viverás». Mas ele, querendo justificar-se, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?». Jesus, retomando a palavra, disse: «Um homem descia de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos ladrões, que o despojaram, o espancaram e retiraram-se, deixando-o meio morto. Ora aconteceu que descia pelo mesmo caminho um sacerdote que, quando o viu, passou de largo. Igualmente um levita, chegando perto daquele lugar e vendo-o, passou adiante. Um samaritano, porém, que ia de viagem, chegou perto dele e, quando o viu, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu jumento, levou-o a uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao estalajadeiro e disse-lhe: Cuida dele; quanto gastares a mais, eu to pagarei quando voltar. Qual destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões?». Ele respondeu: «O que usou de misericórdia com ele». Então Jesus disse-lhe: «Vai e faz tu o mesmo».

Lc 10, 25-37