N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

domingo, 2 de outubro de 2016

O trabalho é caminho de santificação

A conversão é coisa de um instante. – A santificação é obra de toda a vida. (Caminho, 285)

O Opus Dei propõe-se promover, entre pessoas de todas as classes da sociedade, o desejo da plenitude de vida cristã no meio do mundo. Isto é, o Opus Dei pretende ajudar as pessoas que vivem no mundo – o homem vulgar, o homem da rua – a levar uma vida plenamente cristã, sem modificar o seu modo normal de vida, o seu trabalho habitual, nem os seus ideais e preocupações.

Por isto se pode dizer, como escrevi há muitos anos, que o Opus Dei é velho como o Evangelho e, como o Evangelho, novo. Trata-se de recordar aos cristãos as palavras maravilhosas que se lêem no Génesis: que Deus criou o homem para trabalhar. Pusemos os olhos no exemplo de Cristo, que passou quase toda a sua vida terrena trabalhando como artesão numa terra pequena. O trabalho não é apenas um dos mais altos valores humanos e um meio pelo qual os homens hão-de contribuir para o progresso da sociedade; é também um caminho de santificação. (...)

O Opus Dei é uma organização internacional de leigos, a que pertencem também sacerdotes diocesanos (minoria bem exígua em comparação com o total de membros). Os seus membros são pessoas que vivem no mundo e nele exercem uma profissão ou ofício. Não entram no Opus Dei para abandonar esse trabalho, mas, pelo contrário, para encontrar uma ajuda espiritual que os leve a santificar o seu trabalho quotidiano, convertendo-o também em meio de santificação, sua e dos outros. Não mudam de estado: continuam a ser solteiros, casados, viúvos, ou sacerdotes; procuram, sim, servir Deus e os outros homens, dentro do seu próprio estado. Ao Opus Dei, não interessam votos nem promessas; o que pede aos seus sócios é que, no meio das deficiências e erros, próprios de toda a vida humana, se esforcem por praticar as virtudes humanas e cristãs, sabendo-se filhos de Deus. (Temas Actuais do Cristianismo, 24)

São Josemaría Escrivá

Homilia do Santo Padre em Baku, Azerbeijão

Hoje a Palavra de Deus apresenta-nos dois aspetos essenciais da vida cristã: a  e o serviço. A propósito da fé, temos dois pedidos particulares dirigidos ao Senhor.

O primeiro é do profeta Habacuc, suplicando a Deus para intervir restabelecendo a justiça e a paz que os homens romperam com a violência, lutas e contendas: «Até quando, Senhor – diz ele –, pedirei socorro, sem que me escutes?» (Hab 1, 2). Em resposta, Deus não intervém diretamente, não resolve bruscamente a situação, nem Se torna presente com a força. Pelo contrário, convida a aguardar com paciência, sem nunca perder a esperança; sobretudo sublinha a importância da fé: porque o homem viverá pela sua fé (cf. Hab 2, 4). Do mesmo modo procede Deus também connosco: não subscreve os nossos desejos que pretenderiam mudar imediata e continuamente o mundo e os outros, mas visa antes de tudo curar o coração: o meu coração, o teu coração, o coração de cada um. Deus muda o mundo, mudando os nossos corações, mas isto não o pode fazer sem nós; com efeito, o Senhor deseja que Lhe abramos a porta do coração, para poder entrar na nossa vida. E esta abertura a Ele, esta confiança n’Ele é precisamente «o poder vitorioso que venceu o mundo: a nossa fé» (1 Jo 5, 4). Porque, quando Deus encontra um coração aberto e confiante, nele pode realizar maravilhas.

Mas ter fé – uma fé viva – não é fácil e, daí, o segundo pedido; o pedido que, no Evangelho, os Apóstolos dirigem ao Senhor: «Aumenta a nossa fé!» (Lc 17, 5). É uma boa petição, uma súplica que poderíamos também nós dirigir a Deus todos os dias. Mas a resposta divina é surpreendente e, também neste caso, devolve-nos o pedido feito: «Se tivésseis fé...» É Ele que nos pede para ter fé; porque a fé, que é um dom de Deus e sempre se deve pedir, tem de ser, por sua vez, cultivada também por nós. Não é uma força mágica que desce do céu, não é um «dote» pessoal que se recebe duma vez para sempre, nem mesmo um superpoder que serviria para resolver os problemas da vida. Com efeito, uma fé útil para satisfazer as nossas necessidades seria uma fé egoísta, completamente centrada em nós. A fé não deve ser confundida com estar bem ou sentir-se bem, com sentir-se consolado no íntimo, porque temos um pouco de paz no coração. A fé é o fio de ouro que nos liga ao Senhor, a pura alegria de estar com Ele, de estar unido a Ele; é o dom que vale a vida inteira, mas que só dá fruto, se fizermos a nossa parte.

E qual é a nossa parte? Jesus faz-nos compreender que é o serviço. De facto no Evangelho, logo depois das palavras sobre a força da fé, o Senhor fala do serviço. Fé e serviço não se podem separar; antes, pelo contrário, estão intimamente ligados, atados entre si. Para explicar isto, gostaria de usar uma imagem que vos é muito familiar: a de um lindo tapete. Os vossos tapetes são verdadeiras obras de arte e provêm duma tradição muito antiga. Também a vida cristã de cada um vem de longe, é um dom que recebemos na Igreja e que provém do coração de Deus, nosso Pai, que deseja fazer de cada um de nós uma obra-prima da criação e da história. Cada tapete, como bem sabeis, deve ser tecido segundo a teia e a tecedura; só com esta estrutura é que o conjunto resulta bem composto e harmonioso. O mesmo se passa com a vida cristã: tem de ser pacientemente tecida cada dia, entrelaçando entre si uma teia e uma tecedura bem definida: a teia da fé e a tecedura do serviço. Quando se enlaça a fé com o serviço, o coração permanece aberto e jovem, e dilata-se ao fazer o bem. Então a fé, como diz Jesus no Evangelho, torna-se poderosa e faz maravilhas. Se caminha por tal estrada, então amadurece e torna-se forte, desde que permaneça sempre unida ao serviço.

Mas que é o serviço? Poderíamos pensar que consistisse apenas em ser fiéis aos próprios deveres ou na prática de qualquer obra boa. Mas, para Jesus, é muito mais. No Evangelho de hoje, pede-nos, mesmo com palavras muito fortes e radicais, uma disponibilidade total, uma vida totalmente disponível, sem olhar a cálculos nem conveniências. Porque é tão exigente Jesus? Porque Ele nos amou assim, fazendo-Se nosso servo «até ao extremo» (Jo 13, 1), tendo vindo «para servir e dar a sua vida» (Mc 10, 45). E isto acontece ainda agora todas as vezes que celebramos a Eucaristia: o Senhor vem estar no meio de nós e, por mais que nos proponhamos de O servir e amar, é sempre Ele que nos precede, servindo-nos e amando-nos imensamente mais de quanto possamos imaginar e merecer. Dá-nos a sua própria vida; e convida-nos a imitá-Lo, dizendo: «Se alguém Me serve, que Me siga» (Jo 12, 26).

Portanto, não somos chamados a servir apenas para ter uma recompensa, mas para imitar Deus, que Se fez servo por nosso amor. Nem somos chamados a servir de vez em quando, mas a viver servindo. Então o serviço é um estilo de vida; mais ainda, resume em si todo o estilo cristão de vida: servir a Deus na adoração e na oração; estar abertos e disponíveis; amar concretamente o próximo; trabalhar com ardor pelo bem comum.

E não faltam, aos crentes, também as tentações, que afastam do estilo de serviço e acabam por tornar a vida inútil. Onde não há serviço, a vida é inútil. Também aqui podemos pôr em evidência duas delas. Uma é deixar o coração entibiar-se. Um coração tíbio fecha-se numa vida preguiçosa e sufoca o fogo do amor. Quem é tíbio vive para satisfazer as suas próprias comodidades, que não bastam jamais e, por isso, nunca está contente; pouco a pouco acaba por se contentar com uma vida medíocre. O tíbio reserva, para Deus e os outros, uma determinada «percentagem» do seu tempo e do seu coração, sem nunca exagerar, antes procurando poupar. Assim a sua vida perde o sabor: torna-se como um chá que era verdadeiramente bom, mas, quando fica frio, não se pode beber. Estou certo, porém, de que vós, fixando os exemplos daqueles que vos precederam na fé, não deixareis entibiar o coração. A Igreja inteira, que por vós nutre uma simpatia especial, tem os olhos postos em vós e vos encoraja: sois um rebanho pequeno mas muito precioso aos olhos de Deus.

Mas há uma segunda tentação, na qual se pode cair, não por ser passivo, mas porque se é «demasiado ativo»: a tentação de pensar como donos, trabalhar apenas para ganhar crédito e tornar-se alguém. Então o serviço torna-se um meio e não um fim, porque o fim passou a ser o prestígio; depois, vem o poder, o desejo de ser grande. Mas Jesus lembra a todos nós: «Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo» (Mt 20, 26). É assim que se edifica e embeleza a Igreja. Retomo a imagem do tapete, aplicando-a à vossa bela comunidade: cada um de vós é como um esplêndido fio de seda, mas os vários fios só criam uma composição bonita se estiverem bem entrelaçados uns com os outros; sozinhos, não servem. Permanecei sempre unidos, vivendo humildemente em caridade e alegria; o Senhor, que cria a harmonia nas diferenças, vos guardará.

Assim nos ajude a intercessão da Virgem Imaculada e dos Santos, especialmente de Santa Teresa de Calcutá, cujos frutos de fé e serviço estão presentes no meio de vós. Acolhamos uma das suas palavras estupendas que resume a mensagem de hoje: «O fruto da fé é o amor. O fruto do amor é o serviço. O fruto do serviço é a paz» (O caminho simples, Introdução).

São Josemaría Escrivá nesta data em 1928

Por inspiração divina, funda o Opus Dei. Encontra-se a fazer um retiro em Madrid. Sobre este dia, escreve três anos mais tarde: “Recebi a iluminação sobre toda a Obra, enquanto li aqueles papéis. Comovido, ajoelhei-me – estava só no meu quarto, entre uma prática e outra – dei graças ao Senhor e lembro-me com emoção do repicar dos sinos da paróquia de Nossa Senhora dos Anjos (...). Desde aquele dia, o burrinho sarnento [refere-se a si próprio] apercebeu-se da carga formosa e pesada que o Senhor, na sua bondade inexplicável, tinha colocado sobre os seus ombros. Nesse dia, o Senhor fundou a sua Obra: desde então comecei a formar almas de leigos, estudantes ou não, mas jovens. E a constituir grupos. E a rezar e a pedir que rezassem. E a sofrer...”

Bom Domingo do Senhor!

Imitemos em oração permanente os Apóstolos como nos fala o Evangelho de hoje (Lc 17, 5-10) e peçamos ao Senhor que nos aumente a nossa fé hoje e sempre.

Que o Senhor nos conceda a graça de um dia podermos dizer como Paulo «não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20).

A alegria de um novo aniversário

Amanhã (N. Spe Deus: 2 de outubro) é um dia especial de ação de graças, porque ocorre um novo aniversário da fundação da Obra. Sabemos que S. Josemaria recebeu a iluminação de Deus enquanto rezava e organizava alguns apontamentos, nos quais tinha registado aquilo que o Senhor lhe fez ver na oração, desde os primeiros pressentimentos. Passara muitos anos rogando a Deus que lhe manifestasse a Sua Vontade: Dómine, ut vídeam! Senhor, que eu veja! E dirigindo-se a Nossa Senhora: Domina, ut sit! Senhora, que se torne realidade aquilo que o teu Filho quer de mim. Por isso, ao conhecer claramente a Vontade divina, a sua reação foi cair de joelhos, adorando e agradecendo ao Deus três vezes Santo, enquanto os sinos da igreja de Nossa Senhora dos Anjos repicavam aos seus ouvidos, festejando a Rainha do Céu na festa dos Santos Anjos da Guarda. Para todas e para todos, aquele cair de joelhos significa adorar o Senhor pela Sua bondade, e manter a disposição de servir sem condições.
Foram uns toques que o nosso Fundador nunca mais esqueceria. Numa carta dirigida aos seus filhos, no ano anterior ao da sua ida para o Céu, escreveu: Gostaria que este repicar de sinos trouxesse aos vossos corações, para sempre, a mesma alegria e a mesma vigilância de espírito que deixaram na minha alma – passou quase meio século – aqueles sinos de Nossa Senhora dos Anjos. Um sino, sim, de alegrias divinas, um assobio de Bom Pastor (...) que vos deverá levar à contrição e, se necessário, criará um desejo de profunda reforma interior: uma nova ascensão da alma, mais oração, mais mortificação, mais espírito de penitência, mais vontade, se possível, de ser bons filhos da Igreja [1].
[1]. S. Josemaria, Carta 14-II-1974, n. 1.
(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de outubro de 2015)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Obrigado Meu Deus e Meu Senhor

Amado Jesus, a Tua Igreja e os seus fiéis hoje celebram a memória dos Santos Anjos da Guarda e gostaríamos de Te manifestar a nossa gratidão por aqueles que nos concedeste ao longo da nossa passagem por esta vida.

Frequentemente as pessoas nomeiam o seu Anjo da Guarda, mas alguns de nós somos abençoados por mais de um, todos de igual valor e mérito, e cada um com o seu momento e especial ação nas nossas almas. Existe porém um a quem mais recorremos e a que nos encontramos espiritualmente mais ligados, o que de certa forma pode ser injusto, pois todos eles são Teus e muito bons para connosco.

Louvado seja Deus Nosso Senhor com os Seus Anjos e Santos!


JPR

“O Opus Dei é um explosivo”

Citação ipsis verbis da brilhante homilia do Mon. Hugo de Azevedo há seis anos nesta mesma data na Missa das 12h15 no Oratório São Josemaría em Lisboa, que por si só foi uma explosão de amor pela sua Família Espiritual.

Para os surpreendidos pela afirmação, que só poderão ser aqueles que não tenham o privilégio de conhecer o autor, passo a esclarecer que a mesma foi feita no contexto da explicação do seu percurso pessoal, que teve origem numa família católica em que o próprio se poderia considerar “um bom rapaz”, ia à Missa, recorria ao Sacramento da Penitência, rezava o Terço em família, sentido-se portanto confortável com a sua vida
religiosa e eis senão quando lhe aparece o Caminho (vide AQUIe aí dá-se a “explosão” e o confortável passou a desconfortável, pois compreendeu que a sua vida teria de ser uma busca e luta permanente pela santidade e fruto dessa “explosão” apercebeu-se imediatamente que a sua Família Espiritual só poderia ser o Opus Dei.

Bem-haja Mons. Hugo de Azevedo!

JPR

DIA 2 DE OUTUBRO DE 1928 - Memória dos Santos Anjos da Guarda - FUNDAÇÃO DO OPUS DEI

No dia 30 de Setembro de 1928, Josemaría Escrivá de Balaguer iniciou um retiro espiritual na Residência dos missionários de S. Vicente de Paulo, em Madrid (Espanha), com duração até ao dia 6 de Outubro. No segundo dia desse retiro, na terça-feira, 2 de Outubro, depois de ter celebrado Missa e estando já no quarto, enquanto relia e meditava as notas que tinha ido tomando nos últimos dez anos, "viu" o Opus Dei: recebeu uma inspiração de Deus que lhe mostrava claramente o que devia ser o Opus Dei, a sua natureza, espírito e apostolado.

«Recebi a iluminação sobre toda a Obra, enquanto lia aqueles papéis. Comovido, ajoelhei-me – estava sozinho no meu quarto, entre prática e prática – dei graças ao Senhor, e recordo com emoção o tocar dos sinos da paróquia de Nossa Senhora dos Anjos».

O Concílio Vaticano II recordou que todos os baptizados são chamados a seguir Jesus Cristo, viver e dar a conhecer o Evangelho. A finalidade do Opus Dei é contribuir para essa missão da Igreja, promovendo entre fiéis cristãos uma vida coerente com a fé nas circunstâncias vulgares da existência humana, especialmente através da santificação do trabalho e dos deveres familiares e sociais.

(Fonte: www.pt.josemariaescriva.info)

Santos Anjos da Guarda

Os Anjos são antes de tudo os mediadores das mensagens da verdade Divina, iluminam o espírito com a luz interior da palavra. São também guardiões das almas dos homens, sugerindo-lhes as diretivas Divinas; invisíveis testemunhas dos seus pensamentos mais escondidos e das suas ações boas ou más, claras ou ocultas, assistem os homens para o bem e para a salvação. São Gregório Magno diz, que quase cada página da Revelação escrita, atesta a existência dos Anjos. No Novo Testamento aparecem no Evangelho da infância, na narração das tentações do deserto e da consolação de Cristo no Getsemani. São testemunhas da Ressurreição, assistem a Igreja que nasce, ajudam os Apóstolos e transmitem a vontade Divina. Os Anjos preparam o juízo final e executarão a sentença, separando os bons dos maus e formarão uma coroa ao Cristo triunfante. Eles os Anjos, são mencionados mais de trezentas vezes no Antigo Testamento. Além de todas essas referências bíblicas, que por si só justificam o culto especial que os cristãos reservam aos anjos desde os primeiros tempos, é a natureza destes "espíritos puros" que estimula nossa admiração e nossa devoção.

Dizia Bozzuet : "Os Anjos oferecem a Deus as nossas esmolas, recolhem até os nossos desejos, fazem valer diante de Deus os nossos pensamentos... Sejamos felizes de ter amigos tão prestativos, intercessores tão fiéis, intérpretes tão caridosos." Fundamentando a verdade de fé, a Igreja nos diz que cada cristão, desde o momento do baptismo, é confiado ao seu próprio Anjo, que tem a incumbência de guardá-lo, guiá-lo no caminho do bem, inspirando bons sentimentos, proporcionando a livre escolha que tem como meta Deus, Supremo Bem. A liturgia do dia 29 de Setembro, que celebramos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, lembra ao mesmo tempo todos os coros angélicos: os Anjos, os arcanjos, os Tronos, as Dominações que adoram, as Potestades que tremem de respeito diante da Majestade Divina, os céus, as virtudes, os bem-aventurados serafins e os querubins.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

A fé dos servos humildes, da serva humilde

Jean-Pierre de Caussade (1675-1751), jesuíta 
Abandono à providência divina, cap. 9, 122


Encontrar Deus tanto nas coisas mais simples e insignificantes como nas maiores é ter uma fé fora do comum, grande e extraordinária. Contentar-se com o momento presente é saborear e adorar a vontade divina em tudo o que se tiver de sofrer ou de fazer, naquilo que compõe o momento presente nas suas sucessões. Graças à vivacidade da sua fé, estas almas simples adoram a Deus igualmente nos estados mais humildes; nada derruba a sua fé, […] nada as espanta, nada as desgosta.

Maria verá fugir os apóstolos, mas manter-se-á firme aos pés da cruz e reconhecerá o seu Filho, mesmo desfigurado pelos escarros e pelas chagas. […] A vida da fé mais não é que seguir a Deus através daquilo que O disfarça, O desfigura, O destrói e, por assim dizer, O aniquila. Eis a vida de Maria, do estábulo ao Calvário: ser fiel a um Deus que todos desconhecem, abandonam e perseguem. De igual modo, as almas de fé atravessam uma sucessão contínua de mortes, de véus, de sombras e de aparências que tornam irreconhecível a vontade de Deus; e seguem-na e amam-na até à morte de cruz, e sabem que há que deixar passar as sombras e correr atrás deste Sol divino. Da aurora ao poente, por mais escuras e espessas que sejam as nuvens que O escondem, este Sol ilumina, aquece e inflama os corações fiéis que O bendizem, O louvam, O contemplam.