N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

sábado, 1 de outubro de 2016

Homilia Santo Padre na Santa Missa em Tiblissi, Geórgia

Entre os numerosos tesouros deste país esplêndido, sobressai o grande valor das mulheres. Estas – escrevia Santa Teresinha do Menino Jesus, que hoje recordamos – «amam a Deus em número muito maior que os homens» (Escritos autobiográficos, Manuscrito A, 66). Aqui, na Geórgia, há muitas avós e mães que continuam a guardar e transmitir a fé, semeada nesta terra por Santa Nino, e levam a água fresca da consolação de Deus a muitas situações de deserto e conflito.

Isto ajuda-nos a compreender a beleza daquilo que o Senhor diz hoje na primeira leitura: «Como a mãe consola o seu filho, assim Eu vos consolarei» (Is 66, 13). Como uma mãe toma sobre si os pesos e fadigas de seus filhos, assim Deus gosta de tomar conta dos nossos pecados e inquietações; Ele, que nos conhece e ama infinitamente, é sensível à nossa oração e sabe enxugar as nossas lágrimas. Vendo-nos, sempre Se comove e enternece com entranhado amor, porque, para além do mal que possamos fazer, sempre somos os seus filhos; deseja pegar-nos no colo, proteger-nos, livrar-nos dos perigos e do mal. Deixemos ressoar no nosso coração esta palavra que hoje nos dirige: «Como uma mãe, Eu vos consolarei».

A consolação, de que temos necessidade no meio dos eventos tumultuosos da vida, é precisamente a presença de Deus no coração. Porque a sua presença em nós é a fonte da verdadeira consolação, que perdura, liberta do mal, traz a paz e faz crescer a alegria. Por isso, se quisermos viver como consolados, é preciso dar lugar ao Senhor na vida. E, para que o Senhor habite estavelmente em nós, é preciso abrir-Lhe a porta e não O deixar fora. Há portas da consolação que se devem manter sempre abertas, porque Jesus gosta de entrar por elas: o Evangelho lido cada dia e trazido sempre connosco, a oração silenciosa e de adoração, a Confissão, a Eucaristia. Através destas portas, o Senhor entra e dá um novo sabor às coisas. Mas, quando a porta do coração se fecha, a luz d’Ele não chega e fica-se às escuras. Então habituamo-nos ao pessimismo, às coisas que estão erradas, às realidades que nunca se modificarão. E acabamos por fechar-nos na tristeza, nos subterrâneos da angústia, sozinhos dentro de nós. Pelo contrário, se abrirmos de par em par as portas da consolação, entra a luz do Senhor.

Mas Deus não nos consola apenas no coração; de facto, através do profeta Isaías, acrescenta: «Em Jerusalém, sereis consolados» (66, 13). Em Jerusalém, isto é, na cidade de Deus, na comunidade: quando estamos unidos, quando há comunhão entre nós, atua a consolação de Deus. Na Igreja, encontra-se consolação, é a casa da consolação: aqui, Deus deseja consolar. Podemos interrogar-nos: Eu, que estou na Igreja, sou portador da consolação de Deus? Sei acolher o outro como um hóspede e consolar a quem vejo cansado e dececionado? Mesmo quando sofre aflições e isolamento, o cristão é sempre chamado a infundir esperança em quem se deu por vencido, reanimar quem está desanimado, levar a luz de Jesus, o calor da sua presença, a renovação do seu perdão. Há tantos que sofrem, experimentam provações e injustiças, vivem na inquietação. Há necessidade da unção do coração, desta consolação do Senhor que não tira os problemas, mas dá a força do amor, que sabe carregar o sofrimento em paz. Receber e levar a consolação de Deus: esta missão da Igreja é urgente. Queridos irmãos e irmãs, sintamo-nos chamados a isto, e não a fossilizar-nos no que está errado ao nosso redor, nem a entristecer-nos por qualquer desarmonia que vemos entre nós. Não é bom habituar-se a um «microclima» eclesial fechado; bom é compartilhar horizontes de esperança amplos, horizontes abertos, vivendo a coragem humilde de abrir as portas e sairmos de nós mesmos.

Mas, para receber a consolação de Deus, há uma condição fundamental que a sua Palavra nos lembra hoje: tornar-se pequenos como crianças (cf. Mt 18, 3-4), ser «como criança saciada ao colo da mãe» (Sal 131/130, 2). Para acolher o amor de Deus, é necessária esta pequenez de coração: só como pequenos é que podemos estar no colo da mãe.

Quem se fizer pequeno como uma criança – diz-nos Jesus – é «o maior no Reino do Céu» (Mt 18, 4). A verdadeira grandeza do homem consiste em fazer-se pequeno diante de Deus. Porque a Deus não se conhece com altos pensamentos e muito estudo, mas com a pequenez dum coração humilde e confiante. Para ser grande diante do Altíssimo, não é preciso acumular honras e prestígio, bens e sucessos terrenos, mas esvaziar-se de si mesmo. A criança é precisamente alguém que nada tem para dar e tudo a receber. É frágil, depende do pai e da mãe. Quem se faz pequeno como uma criança, torna-se pobre de si mas rico de Deus.

As crianças, que não sentem problemas para compreender Deus, têm muito a ensinar-nos: dizem-nos que Ele realiza grandes coisas com quem não Lhe opõe resistência, com quem é simples e sincero, sem duplicidade. Assim no-lo mostra o Evangelho, onde se fazem grandes maravilhas com coisas pequenas: com poucos pães e dois peixes (cf. Mt 14, 15-20), com um grão de mostarda (cf. Mc 4, 30-32), com um grão de trigo que morre na terra (cf. Jo 12, 24), com um único copo de água que se dá (cf. Mt 10, 42), com duas moedinhas duma viúva pobre (cf. Lc 21, 1-4), com a humildade de Maria, a serva do Senhor (cf. Lc 1, 46-55).

Eis a grandeza surpreendente de Deus, dum Deus cheio de surpresas e que gosta das surpresas: não percamos jamais o desejo e a confiança das surpresas de Deus! E far-nos-á bem lembrar que somos sempre e antes de tudo seus filhos: não donos da vida, mas filhos do Pai; não adultos autónomos e autossuficientes, mas filhos sempre carecidos de ser pegados no colo, de receber amor e perdão. Felizes as comunidades cristãs que vivem esta genuína simplicidade evangélica. Pobres de meios, são ricas de Deus. Felizes os pastores que não cavalgam a lógica do sucesso mundano, mas seguem a lei do amor: o acolhimento, a escuta, o serviço. Feliz a Igreja que não se abandona aos critérios da funcionalidade e da eficiência organizativa, nem se preocupa com fazer boa figura. Pequeno e amado rebanho da Geórgia, que te dedicas tanto à caridade e à formação, acolhe o encorajamento do Bom Pastor, entrega-te a Ele que te leva aos ombros e consola!

Gostaria de resumir estes pensamentos com algumas palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus, que hoje recordamos. Ela indica-nos o seu «pequeno caminho» rumo a Deus, «o abandono da criança pequena, que adormece sem temor nos braços de seu pai», porque «Jesus não pede grandes gestos, mas apenas o abandono e a gratidão» (Escritos autobiográficos, Manuscrito B, 1). Mas infelizmente – escrevia ela então, mas é verdade também hoje – Deus encontra «poucos corações que se abandonem a Ele sem reservas, que compreendam toda a ternura do seu Amor infinito» (ibid.). Ao contrário, a jovem santa e doutora da Igreja era perita na «ciência do Amor» (ibid.) e ensina-nos que «a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros, em não ficar surpreendido com os seus pontos fracos, em sentir-se edificado mesmo pelos mínimos atos de virtude que lhes veja praticar»; lembra-nos também que «a caridade não pode ficar fechada no fundo do coração» (Manuscrito C, 12). Peçamos hoje, todos juntos, a graça de um coração simples, que crê e vive na força suave do amor; peçamos para viver com confiança serena e total na misericórdia de Deus.


Saudação do Santo Padre no fim da Santa Missa

Agradeço a Mons. Pasotto as amáveis palavras que me dirigiu em nome das Comunidades latina, arménia e assiro-caldeia. Saúdo o Patriarca Sako e os Bispos caldeus, Mons. Minassian e quantos vieram da vizinha Arménia, e todos vós, queridos fiéis provenientes das diferentes regiões da Geórgia. Agradeço ao Senhor Presidente, às autoridades, aos queridos amigos da Igreja Apostólica Arménia e das confissões cristãs aqui reunidos, especialmente aos fiéis da Igreja Ortodoxa Georgiana presentes. Ao mesmo tempo que vos peço por favor que rezeis por mim, asseguro a minha lembrança de todos vós e renovo o meu obrigado: Didi madloba! [Muito obrigado!].

Deus não te arranca do teu ambiente

Deus não te arranca do teu ambiente, não te tira do mundo, nem do teu estado, nem das tuas ambições humanas nobres, nem do teu trabalho profissional... mas, aí, quer-te santo! (Forja, 362)

Convencei-vos de que a vocação profissional é parte essencial e inseparável da nossa condição de cristãos. O Senhor quer que sejais santos no lugar onde estais e no trabalho que haveis escolhido pelas razões que vos aprouveram: pela minha parte, todos me parecem bons e nobres – desde que não se oponham à lei divina – e capazes de ser elevados ao plano sobrenatural, isto é, enxertados nessa corrente de Amor que define a vida de um filho de Deus. (...).

Temos de evitar o erro de considerar que o apostolado se reduz ao testemunho de algumas práticas piedosas. Tu e eu somos cristãos, mas, ao mesmo tempo e sem solução de continuidade, cidadãos e trabalhadores, com obrigações bem nítidas que temos de cumprir exemplarmente, se deveras queremos santificar-nos. É Jesus Cristo que nos estimula: Vós sois a luz do mundo. (Amigos de Deus,  60–61)

São Josemaría Escrivá

O Evangelho de Domingo dia 2 de outubro de 2016

Os apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta-nos a fé!». O Senhor disse-lhes: «Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te para o mar, e ela vos obedecerá. «Quem de vós, tendo um servo a lavrar ou a guardar gado, lhe dirá quando ele voltar do campo: Vem depressa, põe-te à mesa? Não lhe dirá antes: Prepara-me a ceia, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois comerás tu e beberás? Porventura, fica o senhor obrigado àquele servo, por ter feito o que lhe tinha mandado? Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer».

Lc 17, 5-10

São Josemaría Escrivá nesta data em 1967

Visita ao Colégio Tajamar em Madrid. Ao chegar, na sala dos professores, explica que as iniciativas de carácter social – escolas, dispensários, centros de formação... – que os fiéis da Prelatura promovem em todo o mundo nascem “onde há pobreza, onde há falta de trabalho, onde há tristeza, onde há dor, para que se leve com alegria a dor, para que a pobreza seja eliminada, para que não falte trabalho – porque formamos as pessoas para que o possam arranjar -, para metermos Cristo na vida de cada um, na medida em que o quiser, porque somos muito amigos da liberdade”

Outubro mês do Rosário

Conta-se que Mons. Fulton Sheen, que pastoreou a populosa diocese de Nova York, era amigo de um rapaz, católico, que namorava uma colega sua, de confissão protestante. Estabeleceram entre si grande amizade. Um dia, a rapariga fez-lhe mais ou menos esta observação: "Os católicos são muito pouco originais na forma como rezam. Por exemplo: o terço. Que sensaboria! Dizem sempre as mesmas palavras durante tempos infindos. Isso é rezar?"

O arcebispo nada lhe respondeu na altura. Alguns dias mais tarde, encontrou-a e perguntou-lhe se tinha estado com o seu namorado. Respondeu-lhe afirmativamente. "E ele – inquiriu – disse que gostava de ti, que te amava?". "Claro, era o que faltava que não dissesse! Sempre me diz isso quando estamos juntos". Monsenhor Fulton Sheen observou: "Como? Ontem, quando esteve contigo, disse-te que te amava?" "É óbvio!" "E anteontem?" "Já lhe disse. Sempre que estamos um com o outro, ele diz-me que me ama". "Mas isso deve ser uma sensaboria! Diz-te sempre a mesma coisa..."

A rapariga entendeu o recado. Quando se ama alguém, não é necessário encontrar palavras complicadas ou ideias sublimes para exprimir o amor. É preciso, sim, ser fiel nos sentimentos e nas obrigações que se contrai com a pessoa amada. É o que fazemos quando rezamos o terço. Manifestamos a Maria o nosso amor com a simplicidade com que uma criança oferece à sua mãe uma flor que tira do jardim. Provavelmente, não será a mais bonita, nem aquela de que a mãe gosta mais. Não é o que importa. O gesto é bem mais significativo do que todo o resto. Por sinal, a namorada acabou por se converter ao catolicismo...

Rezemos devotamente o Terço e metamos mais a nossa Mãe na nossa vida pessoal e familiar.

Pe. Rui Rosas da Silva

Santa Teresa do Menino Jesus rogai por nós...

João Paulo II por ocasião da atribuição do título de Doutora da Igreja a Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face

1. «As nações caminharão à tua luz» (Is 60, 3). Nas palavras do profeta Isaías já ressoa, como expectativa ardente e esperança luminosa, o eco da Epifania. Precisamente a ligação a esta solenidade permite-nos perceber melhor o carácter missionário deste domingo. A profecia de Isaías, com efeito, alarga à humanidade inteira a perspectiva da salvação, e desse modo também o gesto profético dos Magos do Oriente que, ao irem adorar o Menino divino nascido em Belém (cf. Mt 2, 1-12), anunciam e inauguram a adesão dos povos à mensagem de Cristo.

Todos os homens são chamados a acolher na fé o Evangelho que salva. A Igreja é enviada a todos os povos, a todas as terras e culturas: «Ide... fazei com que todos os povos se tornem Meus discípulos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28 19-20). Estas palavras, pronunciadas por Cristo antes de subir ao céu, juntamente com a promessa feita aos Apóstolos e aos sucessores de estar com eles até ao fim do mundo (cf. Mt 28, 20), constituem a essência do mandato missionário; na pessoa dos seus ministros, é Cristo mesmo que vai ad gentes, a quantos ainda não receberam o anúncio da fé.

2. Teresa Martin, Carmelita descalça de Lisieux, desejava ardentemente ser missionária. E foi-o, a ponto de poder ser proclamada Padroeira das Missões. O próprio Jesus lhe mostrou como haveria de viver essa vocação: praticando em plenitude o mandamento do amor, haveria de imergir-se no coração mesmo da missão da Igreja, sustentando os anunciadores do Evangelho com a força misteriosa da oração e da comunhão. Assim, ela realizava quanto é ressaltado pelo Concílio Vaticano II, quando ensina que a Igreja é missionária por sua natureza (cf. Ad gentes, 2). Não só aqueles que optam pela vida missionária, mas todos os baptizados são de algum modo enviados ad gentes.

Por este motivo eu quis escolher este domingo missionário para proclamar Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face Doutora da Igreja universal: uma mulher, uma jovem, uma contemplativa.

3. A ninguém passa despercebido, portanto, que hoje está a realizar-se algo de surpreendente. Santa Teresa de Lisieux não pôde frequentar uma Universidade e nem sequer os estudos sistemáticos. Morreu jovem: entretanto, a partir de hoje será honrada como Doutora da Igreja, qualificado reconhecimento que a eleva na consideração da inteira comunidade cristã, muito para além de quanto possa fazê-lo um «título académico ».

Com efeito, quando o Magistério proclama alguém Doutor da Igreja, tem em vista indicar a todos os fiéis, e de modo especial a quantos na Igreja prestam o fundamental serviço da pregação ou exercem a delicada tarefa da investigação e do ensino teológico, que a doutrina professada e proclamada por uma determinada pessoa pode ser um ponto de referência, não só porque está em conformidade com a verdade revelada, mas também porque traz nova luz acerca dos mistérios da fé, uma compreensão mais profunda do mistério de Cristo. O Concílio recordou-nos que, sob a assistência do Espírito Santo, cresce continuamente na Igreja a compreensão do «depositum fidei», e para esse processo de crescimento contribui não só o estudo rico de contemplação, a que são chamados os teólogos, nem só o Magistério dos Pastores, dotados do «carisma certo da verdade», mas também aquela «profunda inteligência das coisas espirituais» que é dada mediante a experiência, com riqueza e diversidade de dons, a quantos se deixam guiar com docilidade pelo Espírito de Deus (cf. Dei Verbum, 8). A Lumen gentium, por sua vez, ensina que nos Santos «Deus mesmo nos fala» (n. 50). É por isso que, em vista do aprofundamento dos mistérios divinos, que permanecem sempre maiores que os nossos pensamentos, é atribuído um valor especial à experiência espiritual dos Santos, e não é por acaso que a Igreja escolhe unicamente entre eles, a quantos quer atribuir o título de «Doutor».

4. Entre os «Doutores da Igreja», Teresa do Menino Jesus e da Santa Face é a mais jovem, mas o seu ardente itinerário espiritual demonstra muita maturidade, e as intuições da fé expressas nos seus escritos são tão vastas e profundas, que a tornam digna de ser posta entre os grandes mestres espirituais.

Na Carta Apostólica que escrevi para esta ocasião, ressaltei alguns aspectos salientes da sua doutrina. Mas como não evocar aqui o que se pode considerar o ápice, a partir da narração da descoberta surpreendente que ela fez da sua particular vocação na Igreja «A caridade — escreve ela — ofereceu-me a chave da minha vocação. Compreendi que, se a Igreja apresenta um corpo formado por membros diferentes, não lhe falta o mais necessário e mais nobre de todos; compreendi que a Igreja tem um coração, um coração ardente de amor; compreendi que só o amor fazia actuar os membros da Igreja e que, se o amor viesse a extinguir-se, nem os Apóstolos continuariam a anunciar o Evangelho, nem os mártires a derramar o seu sangue; compreendi que o amor encerra em si todas as vocações... Então, com a maior alegria da minha alma arrebatada, exclamei: Jesus, meu amor! Encontrei finalmente a minha vocação. A minha vocação é o amor!» (Manuscritos autobiográficos). Eis uma página admirável que, por si só, é suficiente para mostrar que se pode aplicar a Santa Teresa a passagem do Evangelho que ouvimos na liturgia da Palavra: «Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos » (Mt 11, 25)

5. Teresa de Lisieux não só compreendeu e descreveu a profunda verdade do Amor como o centro e o coração da Igreja, mas viveu-a com intensidade na sua breve existência. É justamente esta convergência entre a doutrina e a experiência concreta, entre a verdade e a vida, entre o ensinamento e a prática, que resplandece com uma particular clareza nesta Santa, e que a torna um modelo atraente de forma especial para os jovens e para aqueles que estão em busca do verdadeiro sentido a dar à própria vida.

Diante do vazio de tantas palavras, Teresa apresenta outra solução, a única Palavra da salvação que, compreendida e vivida no silêncio, se torna uma fonte de vida renovada. A uma cultura racionalista e com muita frequência impregnada de um materialismo prático, ela opõe com uma desarmante simplicidade a «pequena via» que, retornando ao essencial, conduz ao segredo de toda a existência: o Amor divino que envolve e imbui a inteira aventura humana. Num tempo como o nosso, muitas vezes marcado pela cultura do efémero e do hedonismo, esta nova Doutora da Igreja mostra-se dotada duma singular eficácia, para esclarecer o espírito e o coração daqueles que têm sede de verdade e de amor.

6. Santa Teresa é apresentada como Doutora da Igreja no dia em que celebramos a Jornada Mundial das Missões. Ela teve o ardente desejo de se consagrar ao anúncio do Evangelho e quereria coroar o seu testemunho com o supremo sacrifício do martírio (cf. Manuscritos autobiográficos). Sabe-se também com que intenso empenho pessoal ela susteve o trabalho apostólico dos Padres missionários Maurício Bellière e Adolfo Roulland, um em África e outro na China. No seu impulso de amor pela evangelização, Teresa só tinha um ideal, como ela mesma diz: «O que Lhe pedimos, é para trabalhar pela Sua glória, amá-l’O e fazer com que seja amado» Carta 220).

O caminho que percorreu para chegar a este ideal de vida não é o dos grandes empreendimentos reservados a um pequeno número mas, ao contrário, uma via ao alcance de todos, a «pequena via», caminho da confiança e do abandono total de si mesma à graça do Senhor. Não se trata de uma via a ser banalizada, como se fosse menos exigente. Na realidade ela é exigente, como o é sempre o Evangelho. Mas é uma via impregnada do sentido do abandono confiante à misericórdia divina, que torna suave até mesmo o mais rigoroso empenho espiritual.

Por esta via, na qual recebe tudo como «graça», devido ao facto de pôr no centro de tudo a sua relação com Cristo e a sua escolha do amor, em virtude do lugar dado também aos impulsos do coração no seu itinerário espiritual, Teresa de Lisieux é uma Santa que permanece jovem, apesar dos anos que passam, e é proposta como um modelo eminente e uma guia no caminho dos cristãos para o nosso tempo, que chega ao terceiro milénio.

7. Grande é, por isso, a alegria da Igreja, neste dia que coroa as expectativas e as orações de tantos que intuíram, com a riqueza do Doutoramento, este especial dom de Deus e lhe favoreceram o reconhecimento e o acolhimento. Por isso, todos juntos desejamos dar graças ao Senhor, e de modo particular com os professores e os estudantes das Universidades eclesiásticas romanas, que precisamente nestes dias iniciaram o novo Ano académico.

Sim, ó Pai, nós Vos bendizemos, juntamente com Jesus (cf. Mt 11, 25), porque escondestes os Vossos segredos «aos sábios e aos entendidos» e os revelastes a esta «pequenina», que hoje propondes de novo à nossa atenção e à nossa imitação. Obrigado pela sabedoria que lhe destes, tornando-a para a Igreja inteira uma singular testemunha e mestra de vida!

Obrigado pelo amor que derramastes sobre ela, e que continua a iluminar e aquecer os corações, impelindo-os à santidade!

O desejo que Teresa exprimiu, de «passar o seu Céu fazendo o bem sobre a terra» (cf. ed. it. Das Obras Completas, pág. 1050), continua a realizar-se de modo maravilhoso.

Obrigado, ó Pai, porque hoje a tornais próxima de nós a novo título, para louvor e glória do Vosso nome nos séculos.

Amém!

Santa Teresa do Menino Jesus (Carta 254: Ao Padre Roulland)

Carta 254: Ao Padre Roulland

"Ser-vos-ei mais útil no céu do que na terra, Santa Teresinha"

J.M.J-T

Carmelo de Lisieux
14 de Julho 1897

Jesus +


Meu Irmão,(...) quando receberdes esta carta já terei deixado a terra. O Senhor na sua infinita misericórdia, ter-me-à aberto o Seu Reino e poderei dispor dos Seus tesouros para os prodigalizar às almas que me são queridas.

Ficai certo, meu Irmão, de que a vossa Irmãzinha cumprirá as suas promessas, e de que a alma dela, liberta do peso do invólucro mortal, voará feliz para as regiões que vós evangelizais.

Ah! meu irmão, pressinto que vos serei muito mais útil no céu do que na terra e é com alegria que venho anunciar-vos a minha próxima entrada nessa bem-aventurada cidade, certa de que partilhareis da minha alegria e agradecereis ao Senhor por me dar os meios de vos ajudar mais eficazmente nas vossas obras apostólicas.

Conto não ficar inactiva no Céu, o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas, peço isto a Deus e estou certa de que Ele mo concederá.

Não estão só Anjos continuamente ocupados connosco sem nunca cessarem de ver a Face Divina, de se perderem no Oceano sem limites do Amor? Porque não havia Jesus de me impedir que os imitasse?

Meu irmão, vedes que se abandono já o campo de batalha, não é com o desejo egoísta de descansar, o pensamento da eterna bem-aventurança a custo faz rejubilar o meu coração, desde há muito o sofrimento tornou-se o sofrimento cá na terra e tenho verdadeiramente dificuldade em imaginar como poderei adaptar-me num País onde a alegria reina sem qualquer sombra de tristeza.

Será preciso que Jesus transforme a minha alma e lhe dê a capacidade de gozar, de contrário não poderei suportar as delícias eternas.

O que me impele para a Pátria dos Céus é o chamamento do Senhor, é a esperança de O amar enfim como tanto tenho desejado e o pensamento de que O poderei fazer amar por uma multidão de almas que hão-de bendizê-l'O eternamente.

Meu Irmão, já não tereis tempo em me comunicar os vossos recados para o Céu, mas eu adivinho-os e, de resto, tereis apenas de mos dizer baixinho, ouvir-vos-ei e levarei fielmente as vossas mensagens ao Senhor, à Nossa Mãe Imaculada, aos Anjos, aos Santos de quem gostais.

Pedirei para vós a palma do martírio e estarei junto de vós, segurando na vossa mão para que ela colha sem esforço essa palma gloriosa, e depois, com alegria, voaremos juntos para a Pátria celeste, rodeados de todas as almas que tiverdes conquistado!

Até à vista, meu Irmão, rezai muito pela vossa Irmã, rezai pela Nossa Madre, cujo coração sensível e maternal tem muita dificuldade em aceitar a minha partida. Conto convosco para a consolar.

Sou para a eternidade a vossa Irmãzinha
Teresa do Menino Jesus e da Santa Face
rel. carm. ind.»

(Fonte: site Coisas de Santos com adaptação JPR)

Santa Teresa do Menino Jesus, Virgem e Doutora da Igreja

Discreta e silenciosa, durante a vida quase não chamou a atenção sobre si.

Parecia uma freira comum, sem nada de excepcional. Faleceu aos 24 anos, tuberculosa, depois de passar por terríveis sofrimentos. Enquanto agonizava, ouviu duas freiras comentarem entre si, do lado de fora de sua cela:

"Coitada da Irmã Teresa! Ela não fez nada na vida... O que nossa Madre poderá escrever sobre ela, na circular em que dará aos outros conventos a notícia da sua morte?" Assim viveu Santa Teresinha, desconhecida até mesmo das freiras que com ela compartilhavam a clausura do Carmelo. Somente depois de morta seus escritos e seus milagres revelariam ao mundo inteiro a verdadeira envergadura da grande Santa e Mestra da espiritualidade. A jovem e humilde carmelita que abriu, na espiritualidade católica, um caminho novo para atingir a santidade (a célebre "Pequena Via"), foi declarada pelo Papa João Paulo II Doutora da Igreja.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 1 de outubro de 2016

Os setenta e dois voltaram alegres, dizendo: «Senhor, até os demónios se nos submetem em virtude do Teu nome». Ele disse-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um raio. Eis que vos dei poder de caminhar sobre serpentes e escorpiões, e de vencer toda a força do inimigo, e nada vos fará dano. Contudo não vos alegreis porque os espíritos maus vos estão sujeitos, mas alegrai-vos porque os vossos nomes estão escritos nos céus».  Naquela mesma hora Jesus exultou de alegria no Espírito Santo, e disse: «Graças Te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos prudentes, e as revelaste aos simples. Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai, nem quem é o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar». Depois, tendo-Se voltado para os discípulos, disse: «Felizes os olhos que vêem o que vós vedes. Porque Eu vos afirmo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes e não o viram, ouvir o que vós ouvis e não o ouviram».

Lc 10, 17-24