N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Amor verdadeiro é sair de si mesmo

A alegria cristã não é fisiológica: o seu fundamento é sobrenatural, e está por cima da doença e da contradição. Alegria não é alvoroço de guizos ou de baile popular. A verdadeira alegria é algo mais íntimo: algo que nos faz estar serenos, transbordantes de gozo, mesmo que, às vezes, o rosto permaneça grave. (Forja, 520)

Há quem viva amargurado todo o dia. Tudo lhe causa desassossego. Dorme com uma obsessão física: a de que essa única evasão possível lhe vai durar pouco. Acorda com a impressão hostil e descorçoada de que já tem outra jornada pela frente...

Muitos esqueceram-se de que o Senhor nos colocou neste mundo de passagem para a felicidade eterna; e não pensam que só podem alcançá-la os que caminharem na Terra com a alegria dos filhos de Deus. (Sulco, 305)

Amor verdadeiro é sair de si mesmo, entregar-se. O amor traz consigo a alegria, mas é uma alegria que tem as suas raízes em forma de cruz. Enquanto estivermos na terra e não tivermos chegado à plenitude da vida futura, não pode haver amor verdadeiro sem a experiência do sacrifício, da dor. Uma dor de que se gosta, amável, fonte de íntimo gozo, mas dor real, porque significa vencer o nosso egoísmo e tomar o amor como regra de todas e cada uma das nossas acções. (Cristo que passa, 43)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

Escreve: “Obrigado, meu Deus, pelo amor ao Papa que puseste no meu coração”.


Nota 'Spe Deus': ao publicar a fotografia do Papa Pio XI, Pontífice à data em que São Josemaría escreveu a frase publicada, não significa que o seu amor aos papas que se sucederam na sua passagem por este mundo e àqueles eleitos após a sua partida para a Casa do Pai não seja enorme.

Arriscamo-nos mesmo a afirmar, que São Josemaría terá certamente intercedido frequentemente por João Paulo I, João Paulo II, Bento e que não se passará um dia, um instante que seja, em que não interceda junto do Pai pelo nosso amadíssimo Papa Francisco.

Noite das bruxas

Abóboras, roupas negras, disfarces de bruxa, dentes caninos afiados e perucas com teias de aranha… Há cada vez mais gente a comprar isto, apesar da crise.

São as compras para o “Halloween”, a chamada noite das bruxas que o calendário pagão anglo-saxónico assinala para esta noite.

Gostaria muito mais que a minha opinião de hoje fosse inspirada no calendário cristão, mas infelizmente não é esse o calendário que nos guia…

Não estou a pensar tanto nas crianças, que vão para a escola vestidas de bruxas e fantasmas, porque adoram festas e arranjam todos os pretextos para pedir coisas aos pais.

O problema está nos adultos – os da escola e os de casa - que também alinham nisto. Esta noite em Lisboa, Porto e Braga haverá desfiles de “mortos-vivos” e paradas “zombie” para “aterrorizar quem passa”, porque – dizem eles – “esta é a noite em que as bruxas se reúnem numa festa dada pelo diabo”.

Que tristeza este Portugal!

Aura Miguel em 2008 na RR

A doutrina moral cristã no Catecismo

«Para o Catecismo, e na esteira dos Padres, especialmente Agostinho, a moral é a doutrina da vida afortunada; é, por assim dizer, a explicitação das regras do jogo para alcançar a felicidade. O livro liga esta tendência humana inata com as Bem-Aventuranças de Jesus, que soltam o conceito de felicidade de todo o tipo de banalizações, enquanto lhe conferem a sua verdadeira profundidade e, desse modo, manifestam a ligação entre a felicidade, o bem em geral, e o bem em pessoa – Deus»

(Joseph Ratzinger - Estará o Catecismo da Igreja Católica à altura do seu tempo? Algumas considerações dez anos após a sua publicação)

Que pena, que muitos o vejam como um calhamaço desinteressante e inclusivamente se permitam a ter ideias pré-concebidas sobre o seu conteúdo, que falta faz uma “reconversão” de tantos.

Deixo-vos como sugestão: a leitura de diária de 5 dos seus pontos, não chega a duas páginas, e em pouco mais de um ano e meio tê-lo-ão lido na totalidade nos seus § 2865 e até o podem fazer online
http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html

Também o poderão ler por temas, pelo menos coloquem este link em favoritos e pontualmente dêem uma espreitadela e ficarão surpreendidos.

JPR

«Se Vós, Senhor, no final das vossas obras tão boas…, descansaste ao sétimo dia, foi para nos dizer de antemão, pela voz do vosso Livro, que no termo das nossas obras, que são verdadeiramente “muito boas” pelo facto de terdes sido Vós que no-las destes, também nós repousaremos em Vós, no sábado da vida eterna»

(Santo Agostinho - Confissões, Livro XIII, 36, 51)

Relativismo moral


Relativismo moral afirma que moralidade não é baseada em qualquer padrão absoluto. Ao contrário, “verdades éticas” dependem da situação, cultura, sentimentos, etc. Relativismo moral está ficando cada vez mais popular nos dias de hoje.

Há vários argumentos para o relativismo; no entanto, várias coisas podem ser ditas dos argumentos que demonstram sua natureza duvidosa. Primeiro, enquanto muitos dos argumentos usados na tentativa de sustentar essas afirmações podem até parecer bons de primeira, há uma contradição lógica inerente em todos eles, pois todos eles propõem um esquema moral “correcto” – o esquema que todos nós devemos seguir. Mas isso em si é absolutismo. Segundo, mesmo os tão chamados relativistas rejeitam o relativismo na maioria dos casos – eles não diriam que um assassino ou violador não são culpados contanto que não tenham violado seus próprios padrões. Terceiro, o facto de que temos palavras como "certo", "errado", "deve", “melhor", etc. Mostra que essas coisas existem. Se moralidade fosse realmente relativa, essas palavras não teriam qualquer significado, diríamos: - “isso me faz sentir mal”, e não “isso é errado”.

Os relativistas podem até argumentar que valores diferentes entre culturas diferentes mostram que morais são relativas para pessoas diferentes. Mas esse argumento confunde as acções dos indivíduos (o que eles fazem) com padrões absolutos (se eles devem fazer ou não). Se a cultura é o que determina certo e errado, como poderíamos ter julgado os nazis? Afinal de contas, eles estavam seguindo a moralidade de sua própria cultura. Eles estavam errados apenas se assassinato fosse universalmente errado. O facto de que tinham “sua moralidade” não muda isso. Além disso, apesar de muitas pessoas demonstrarem moralidade de formas diferentes, elas ainda compartilham uma moralidade em comum. Por exemplo, os pró-aborto e pró-vida concordam que assassinato está errado, mas discordam em se aborto é assassinato ou não. Até aqui moralidade universal absoluta é demonstrada ser verdade.

Alguns afirmam que situações diferentes causam moralidades diferentes – em situações diferentes actos diferentes são julgados de uma forma que talvez não seriam correctos em outras situações. Há três coisas pelas quais devemos julgar uma acção: a situação, o acto e a intenção. Por exemplo, podemos condenar uma pessoa que tentou cometer assassinato (intenção) mesmo se falhou (acto). Então, situações fazem parte da decisão moral, pois preparam o contexto no qual podemos escolher o acto moral específico (a aplicação dos princípios universais). 

O argumento principal que os relativistas tentam usar é o da tolerância. Eles afirmam que dizer a alguém que sua moralidade é errada é intolerante, e relativismo tolera todas as posições. Mas isso é simplesmente um engano. Antes de tudo, o mal nunca deve ser tolerado. Devemos tolerar o ponto de vista de um violador de que mulheres são objectos de prazer a serem usadas? Segundo, esse argumento destrói-se porque relativistas não toleram intolerância ou absolutismo. Terceiro, relativismo não pode explicar porque qualquer pessoa deve ser tolerante em primeiro lugar. O facto que devemos tolerar pessoas (mesmo quando discordamos) é baseado na regra absoluta moral que devemos sempre tratar as pessoas justamente – mas isso é absolutismo de novo! Na verdade, sem princípios universais morais, a bondade não pode existir.

O facto é que todas as pessoas nascem com uma consciência e todos nós instintivamente sabemos quando ofendemos ou fomos ofendidos. Agimos como se esperássemos que as outras pessoas reconhecessem isso também. Mesmo como crianças, conhecíamos a diferença entre "justo" e "injusto". É necessária uma filosofia maldosa para nos convencer de que estamos errados.

A moral

«O agir moral, nunca é apenas a auto-realização de si mesmo, nem pode, tão pouco, ser reduzido a algo enxertado a partir do exterior. O ato moral genuíno é totalmente dom; todavia, justamente desse modo é inteiramente nosso próprio ato, já porque o que é nosso só se manifesta no dom de amor, já porque o dar, por seu lado, não torna o homem impotente; antes o reconduz a si mesmo.»

(Estará o Catecismo da Igreja Católica à altura do seu tempo? Algumas considerações dez anos após a sua publicação – Joseph Ratzinger)

O Evangelho do dia 31 de outubro de 2016

Dizia mais àquele que O tinha convidado: «Quando deres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem os vizinhos ricos; para que não aconteça que também eles te convidem e te paguem com isso. Mas, quando deres algum banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos; e serás bem-aventurado, porque esses não têm com que retribuir-te; mas ser-te-á isso retribuído na ressurreição dos justos».

Lc 14, 12-14

domingo, 30 de outubro de 2016

Não queiramos esquivar-nos à sua Vontade

Esta é a chave para abrir a porta e entrar no Reino dos Céus: "qui facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum" – quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho, 754)

Não te esqueças: muitas coisas grandes dependem de que tu e eu vivamos como Deus quer. (Caminho, 755)

Nós somos pedras, silhares, que se movem, que sentem, que têm uma libérrima vontade. O próprio Deus é o estatuário que nos tira as esquinas, desbastando-nos, modificando-nos, conforme deseja, a golpes de martelo e de cinzel.

Não queiramos afastar-nos, não queiramos esquivar-nos à sua Vontade, porque, de qualquer modo, não poderemos evitar os golpes. – Sofreremos mais e inutilmente, e, em lugar de pedra polida e apta para edificar, seremos um montão informe de cascalho que os homens pisarão com desprezo. (Caminho, 756)

A aceitação rendida da Vontade de Deus traz necessariamente a alegria e a paz; a felicidade na Cruz. – Então se vê que o jugo de Cristo é suave e que o seu peso é leve. (Caminho, 758)

Um raciocínio que conduz à paz e que o Espírito Santo oferece aos que querem a Vontade de Deus: "Dominus regit me, et nihil mihi deerit" – o Senhor é quem me governa; nada me faltará.

Que é que pode inquietar uma alma que repita sinceramente estas palavras? (Caminho, 760)

São Josemaría Escrivá

PORQUE HOJE É DOMINGO!

Hoje Domingo,
Dia do Senhor,
faço-me missa para Te celebrar,
faço-me patena para te mostrar,
faço-me cálice para Te conter,
faço-me comunhão para Te partilhar,
faço-me sacrário para Te guardar,
despojo-me de tudo o que sou,
torno-me um nada sem importância,
abro-me inteiramente a Ti,
Senhor,
para ser a mais pequena porção,
o mais ínfimo testemunho,
do Teu amor,
em mim,
para os outros,
e abandono-me em Ti,
neste dia,
e sempre,
para viver eternamente
a mais completa alegria!

Marinha Grande, 30 de Outubro de 2016

Joaquim Mexia Alves
http://queeaverdade.blogspot.pt/2016/10/porque-hoje-e-domingo.html

São Josemaría Escrivá nesta data em 1934

“Inaugurou-se o ano lectivo em DYA, e espero que sejam muitos os frutos sobrenaturais, e de cultura e formação apostólica, que se obtenham”, escreve ao Vigário de Madrid, falando de uma residência para estudantes universitários que acabava de pôr em andamento.

Hora de Inverno (Portugal) às duas da manhã atrase o seu relógio uma hora


Bom Domingo do Senhor!

O Senhor conforme nos conta o Evangelho de hoje (Lc 19, 1-10) achou por conveniente ficar na casa de Zaqueu, a nós, todos os dias pede o mesmo na Sagrada Eucaristia. Não lhe regateemos a nossa hospitalidade e mantenhamos a nossa alma sempre limpa para o receber com toda a dignidade e amor.

Que o Senhor nos dê a humildade para o guardar dentro de nós!

A propósito do Evangelho de hoje ‘QUISERA SER COMO ZAQUEU’

Zaqueu desceu da árvore e Jesus abraçando-o, disse-lhe:
- Não precisavas de subir à árvore para Me veres, bastava abrires o teu coração. Há muito tempo que estás no Meu coração e embora pequeno de estatura, muitas coisas grandes te estão reservadas.

Zaqueu baixou a cabeça, fechou os olhos e pensou:
- Ninguém gosta de mim, sou desprezado, embora me tolerem por causa das minhas funções. Vejo também agora nitidamente que não tenho gostado de ninguém e que tenho até prejudicado muita gente. Quem é este Homem que me abre os braços, me fala com tanta ternura e me faz sentir irmão de todos aqueles que ainda há pouco não me interessavam ?

Levantou os olhos, e enquanto caminhava para sua casa ao lado de Jesus, deu por si a sorrir para a multidão. O mais curioso é que já não via nela aquela gente anónima que nada lhe dizia, mas sim como que uma família, que se juntava à sua volta.

Que teria aquele Homem, aquele Jesus, que só por o ter tocado e caminhado ao seu lado, despertava nele sentimentos para si desconhecidos.

Sentiu que toda a sua vida se modificava, que aquilo em que colocava a sua esperança ontem, já não tinha significado hoje.

Viu no entanto, entre a multidão, algumas caras fechadas e percebeu nos seus rostos que estavam invejosos da presença de Jesus na sua casa, sentiu até que duvidavam dos seus “méritos” para receber Jesus à sua mesa.

Sentiu que o testemunho do que estava a viver naquele momento era importante para aqueles e sem perceber de onde lhe vinha tal força e tal vontade, abriu a boca e disse:
- Senhor, reconheço que errei muitas vezes na minha vida. Reconheço que sou rico e que não me preocupo com aqueles nada têm. Assim vou dar metade dos meus bens para os pobres e àqueles a quem porventura roubei ou enganei vou devolver quatro vezes mais. Perdoa-me Senhor, pois não quero mais, viver afastado de Ti. Quero seguir-Te e caminhar conTigo.

Viu abrir-se um sorriso no rosto de Jesus, ( o sorriso mais lindo e mais doce que alguma vez tinha visto ) e ouviu-O dizer qualquer coisa que não conseguiu entender muito bem, porque um sentimento de perdão o envolvia totalmente e o deixava viver uma paz e felicidade que o inebriava.

Sentia-se perdoado, sentia-se a perdoar, sentia-se leve, como renascido para a vida. Era outro homem e o seu coração pulsava agora com um bater suave, o bater dum coração de carne.

Olhou à sua volta e viu o espanto e a incredulidade em muitos daqueles rostos.

Pensou para si:
- Há tanto para fazer, há tanto para dizer, há tanto para testemunhar, para que todos estes que agora não acreditam, possam vir a viver também a esperança e o amor, que agora vivem em mim.

Olhando para Jesus, disse baixinho:
- Obrigado meu Senhor. De hoje em diante vou seguir-Te e proclamar que Tu chegaste, que Tu és o Senhor, que Tu és o Mestre, que só Tu tens palavras de vida eterna, para que todos os que agora sinto como meus irmãos, vivam a mesma vida que Tu fizeste nascer em mim.

Escrito em 06.11.01

Joaquim Mexia Alves

A concepção virginal de Jesus

A concepção virginal de Jesus trata-se de uma obra divina no seio de Maria semelhante à criação. Isto é impossível de aceitar para o não crente, tal como o era para os judeus e para os pagãos, entre os quais se inventaram toscas histórias acerca da concepção de Jesus, como a que a atribui a um soldado romano chamado Pantheras. Na realidade, esse personagem é uma ficção literária sobre a qual se inventa uma lenda para fazer troça dos cristãos. Do ponto de vista da ciência histórica e filológica, o nome Pantheras (ou Pandera) é um a paródia viciada da palavra parthénos (que em grego significa virgem). Aqueles povos, que utilizavam o grego como língua de comunicação em grande parte do império romano de oriente, ouviam os cristãos falar de Jesus como do Filho da Virgem (huiós parthénou), e quando queriam troçar deles chamavam-no «o filho de Pantheras». Tais histórias, ao fim e ao cabo, apenas testemunham que a Igreja acreditava na virgindade de Maria, ainda que parecesse impossível. 

(Excerto dos textos elaborados por uma equipa de professores de Teologia da Universidade de Navarra, dirigida por Francisco Varo)

Que significado tem a virgindade de Maria? - Respondem os especialista da Universidade de Navarra

Para uma melhor leitura no blogue favor usar a opção de full screen (1º botão a contar da esquerda da barra inferior do Scibd.) caso deseje ler online. Obrigado!

Nossa Senhora das Vitórias

A história Nossa Senhora das Vitórias teve origem nas guerras dos monarcas franceses, na pessoas do rei Luís XIII e na do seu ministro, o então Cardeal Richelieu. O rei Luís XIII, empreendeu em conjunto com o seu ministro, no ano de 1627, o cerco da cidadela, de La Rochelle com a finalidade de acabar com a revolta dos huguenotes, então seus ocupantes.

Esta cidade era em 1627 um importante porto francês, já de origem medieval.

A vitória que da guerra que se avizinhava era bastante incerta, dado que os habitantes de La Rochelle eram apoiados por Inglaterra.
O rei francês temendo pelo resultado, resolveu pedir à sua esposa, a então Rainha Ana da Áustria, para promover em todas as igrejas de Paris, orações públicas pedindo a intercessão da virgem a favor do seu triunfo.

A rainha assim fez, e passou a rezar-se em todas igrejas e capelas de França, aos sábados. Rezava-se o terço, pedindo a Deus a vitórias de França e a derrota dos protestantes de La Rochelle.

No interior do Exército francês os capelões do mesmo também promoveram, para que fossem feitas orações entre os soldados e todo o restante corpo militar.

Por intervenção de Deus ou pela sorte, o facto é que o Luís XIII ganhou e a guerra e a praça forte de La Rochelle voltou ao domínio de França.

Como forma de agradecimento e demonstração de gratidão pela vitória alcançada, Luís XIII lançou em Paris, a primeira pedra do que viria a ser a uma das mais belas igrejas de França, a igreja de Nossa Senhora das Vitórias. Uma recordação e um agradecimento da reconquista pelos cristãos de La Rochelle.

(Fonte: 'Wikipédia')

«Hoje veio a salvação a esta casa»

Recebamos Cristo na Eucaristia como o fez Zaqueu, o bom publicano [...], que se apressou a descer da árvore e, cheio de alegria, acolheu Jesus em sua casa. Mas não se contentou em acolhê-lO com uma alegria efémera, fruto de uma ligação superficial [...]: deu provas disso através de obras virtuosas. Comprometeu-se a indemnizar de imediato todos aqueles que defraudara, e não apenas no valor roubado, mas no quádruplo; além disso, comprometeu-se também a dar aos pobres metade de todos os seus bens – e imediatamente, note-se, sem esperar pelo dia seguinte. [...]

Que nosso Senhor nos conceda a graça de receber o Seu santíssimo corpo e sangue, a Sua alma bendita e a Sua divindade todo-poderosa, tanto na nossa alma como no nosso corpo, com o mesmo ardor, a mesma espontaneidade, a mesma felicidade, a mesma alegria espiritual que teve aquele homem ao recebê-lO em sua casa. E que o fruto das nossas boas obras possa dar testemunho de que O recebemos condignamente, com aquela fé total e o firme propósito de bem viver que se impõem aos que comungam. Então Deus [...] dirá sobre a nossa alma o que disse outrora sobre a de Zaqueu: «Hoje veio a salvação a esta casa».

São Tomás Moro (1478-1535), estadista inglês, mártir
Tratado «Receber o corpo de Nosso Senhor»

sábado, 29 de outubro de 2016

Há mil maneiras de rezar

Católico sem oração?... É como um soldado sem armas. (Sulco, 453)

Eu aconselho-te a que, na tua oração, intervenhas nas passagens do Evangelho, como um personagem mais. Primeiro, imaginas a cena ou o mistério, que te servirá para te recolheres e meditares. Depois, aplicas o entendimento, para considerar aquele rasgo da vida do Mestre: o seu Coração enternecido, a sua humildade, a sua pureza, o seu cumprimento da Vontade do Pai. Conta-lhe então o que te costuma suceder nestes assuntos, o que se passa contigo, o que te está a acontecer. Mantém-te atento, porque talvez Ele queira indicar-te alguma coisa: surgirão essas moções interiores, o caíres em ti, as admoestações.

(…)Há mil maneiras de rezar, digo-vos de novo. Os filhos de Deus não precisam de um método, quadriculado e artificial, para se dirigirem ao seu Pai. O amor é inventivo, industrioso; se amamos, saberemos descobrir caminhos pessoais, íntimos, que nos levam a este diálogo contínuo com o Senhor. (…)

Se fraquejarmos, recorreremos ao amor de Santa Maria, Mestra de oração; e a S. José, Pai e Senhor nosso, a quem tanto veneramos, que é quem mais intimamente privou neste mundo com a Mãe de Deus e – depois de Santa Maria – com o seu Filho Divino. E eles apresentarão a nossa debilidade a Jesus, para que Ele a converta em fortaleza. (Amigos de Deus, 253. 255)

São Josemaría Escrivá

Uma campanha nada hilariante

«A verdade é que, até para o diabo, a escolha é difícil!»
Hillary Clinton não só quer ser a futura papisa de todas as religiões, como ainda se propõe fundar uma nova inquisição. Mas Donald Trump não é melhor…

Aproxima-se a eleição do próximo presidente dos Estados Unidos da América. Já é sabido que a sucessão a Barack Obama será disputada, como tradicionalmente, pelos dois candidatos dos principais partidos políticos norte-americanos: a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump.

A imprensa nacional e internacional não tem sido omissa no que respeita ao excêntrico candidato republicano, cujas gaffes e outras infelicidades, por vezes raiando o limiar da mais abjecta ordinarice, são sempre publicitadas com grande alarde (não em vão o homem se chama Trump, que se lê Tramp, mas às vezes é ‘trampa’…). A campanha mediática, mais do que pró-Clinton, parece ser contra Trump, cujos desaires são sempre ampliados e profusamente divulgados. Talvez por isso, pouco é o que se tem dito sobre a candidata democrata. A crer nas sondagens, o mundo arrisca-se a ter à frente da principal potência mundial alguém cujo pensamento político poucos conhecem. Afinal, que pensa Hillary Clinton?

Numa conferência que teve lugar no Lincoln Center, em Manhattan, a candidata democrata afirmou recentemente: “Os códigos culturais profundamente enraizados, as crenças religiosas e as fobias estruturais precisam de mudar”. Não deixa de ser curioso que Clinton ponha tudo no mesmo saco: ‘códigos culturais’, ‘crenças religiosas’ e ‘fobias estruturais’, sem esclarecer que códigos, crenças ou fobias lhe provocam tão acentuada alergia.

Ao afirmar-se, em geral, contra todas as crenças religiosas, a candidata democrata está a posicionar-se do lado do fundamentalismo laicista, numa atitude contrária a um dos mais fundamentais direitos humanos: o direito à liberdade religiosa. Esta sua ‘fobia estrutural’ é um mau presságio para o futuro dos Estados Unidos da América e do mundo, caso venha a ganhar a eleição presidencial.

Não satisfeita com a citada declaração, Clinton disse ainda que “Os governos devem empregar os seus recursos coercitivos para redefinir os dogmas religiosos tradicionais”. Ou seja, Hillary não só quer ser a futura papisa de todas as religiões, como ainda se propõe fundar, sob as suas ordens e suprema autoridade religiosa, uma nova inquisição! Os “recursos coercitivos” que pretende utilizar para a redefinição dos “dogmas religiosos tradicionais” são, como é óbvio, as forças policiais, militares e de segurança, pelo que será de esperar, da futura administração Clinton, uma nova onda repressiva, sob o alto patrocínio da CIA e do FBI, de tão má memória. É caso para perguntar que tem de democrata, para além do partido, esta candidata presidencial …

Hillary quer também impor o aborto como direito da mulher; mas, se também for mulher a vítima do aborto, não esclarece que direito de que mulher deve prevalecer: o da mulher que quer matar a filha inocente, ou o da mulher que quer viver contra a vontade homicida da mãe? Também já afirmou que não vai aceitar a objecção de consciência fundamentada em crenças religiosas porque, segundo a sua lógica totalitária, esse recurso é um subterfúgio para manter a discriminação contra as mulheres. Dado o unânime consenso científico quanto à vida humana do feto e a cada vez maior percentagem, também nos Estados Unidos, de mulheres e jovens que defendem o direito à existência desde a concepção e até à morte natural do ser humano, é compreensível o desespero de Mrs. Clinton. E, por isso, ameaça: “Os direitos devem existir na prática, não só no papel. As leis têm de ser sustentadas com recursos reais”, ou seja, à força, se necessário for, mesmo em questões de consciência.

Mas esta não foi a primeira vez que Hillary revelou o seu ódio de estimação às religiões e aos seus ensinamentos morais. Já em 2011, durante uma conferência em Génova, a então secretária de Estado norte-americana declarou que um dos principais problemas sociais são as convicções religiosas que se opõem às pretensões “do colectivo LGBT”. A candidata democrata é também a destemida Joana d’Arc da Planned Parenthood, a maior multinacional da muito rendosa indústria do aborto, que se viu recentemente envolvida no escândalo da venda de fetos humanos.

Já vão longe os tempos de São João Paulo II, Ronald Reagan e Margaret Thatcher, três grandes estadistas que contribuíram, de forma decisiva, para a queda do Muro de Berlim e para a libertação dos países de Leste. Os dois actuais candidatos presidenciais norte-americanos são de uma pobreza ideológica e ética confrangedora e, contudo, um deles será, com toda a certeza, o próximo presidente dos Estados Unidos da América. Entre Hillary Clinton e Donald Trump, o eleitorado americano quem escolherá? A verdade é que, até para o diabo, a escolha é difícil!

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in OBSERVADOR com seleção de imagem 'Spe Deus'

O Evangelho de Domingo dia 30 de Outubro de 2016

Tendo entrado em Jericó, atravessava a cidade. Eis que um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos publicanos e rico, procurava conhecer de vista Jesus, mas não podia por causa da multidão, porque era pequeno de estatura. Correndo adiante, subiu a um sicómoro para O ver, porque havia de passar por ali. Quando chegou Jesus àquele lugar, levantou os olhos e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, porque convém que Eu fique hoje em tua casa». Ele desceu a toda a pressa, e recebeu-O alegremente. Vendo isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa de um homem pecador». Entretanto, Zaqueu, de pé diante do Senhor, disse-Lhe: «Eis, Senhor, que dou aos pobres metade dos meus bens e, naquilo em que tiver defraudado alguém, restituir-lhe-ei o quádruplo». Jesus disse-lhe: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque este também é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido».

Lc 19, 1-10

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

“Há já bastantes dias que, por necessidade, pois tenho de escrever no meu quarto e não cabe bem uma cadeira, escrevo as catarinas ajoelhado. E vem-me à ideia que, como são uma meia confissão, será grato a Jesus que as escreva sempre assim, de joelhos: procurando cumprir este propósito”, aponta referindo-se às anotações que faz sobre a sua vida interior.

Malícia

A “malícia” em sentido próprio consiste, para Tomás de Aquino, na revolta voluntária contra Deus, no ódio a Deus; uma posição verdadeiramente absurda, unicamente possível quando a tibieza, o não contra o amor de Deus, se transformou até um centro duma existência. Aqui se vê que a “preguiça” (falsa humildade) e o orgulho se encontram»

(“Olhar para Cristo” – Joseph Ratzinger)

Compartilhar as tarefas em casa fortalece o casamento

Segundo um estudo da London School of Economics em 2010, os casais onde o homem se envolve mais nas tarefas domésticas têm menos probabilidades de se divorciarem. Mas isso não significa que a maioria das mulheres queiram um modelo "igualitário" (50-50) na repartição das tarefas entre o homem e a mulher.

O estudo realizado pela investigadora Wendy Sigle- Rushton, do Departamento de Política Social da London School of Economics, faz um acompanhamento de 3.500 casamentos que permaneceram fiéis durante os cinco anos seguintes ao nascimento do primeiro filho (quase 20 % divorciou-se depois, quando os filhos completaram 16 anos).

Para conhecer o grau de envolvimento dos homens na casa, Sigle-Rushton recorre à British Cohort Study de 1970. E o certo é que, de acordo com os testemunhos das suas mulheres, eles não ficam muito bem cotados.

51% deles não ajudou em nada ou desempenhou uma só tarefa. 24% assumiram duas tarefas. E cerca de um quarto encarregou-se de três ou quatro tarefas. O estudo mostra que ocorrem menos rupturas conjugais dentro do grupo de casais onde os maridos mais ajudaram.

Sigle-Rushton introduz um novo factor: a situação laboral das mulheres. Como influi o pouco ou muito envolvimento do homem na vida doméstica quando a mulher trabalha fora de casa?

O estudo toma como referência o caso da mulher que trabalha em casa e cujo marido participa pouco nas tarefas domésticas. E compara com outros dois casos: mulher que trabalha fora de casa com um marido que colabora pouco nas tarefas domésticas; e mulher que trabalha fora e em casa conta com a ajuda do marido.

Segundo conclui o estudo, que a mulher trabalhe fora de casa só fomenta o risco de divórcio quando o marido é dos que não ajudam em casa. Nesta hipótese, o risco de divórcio é 97 % mais elevado que no caso de referência. Se a mulher trabalha fora e o homem desempenha uma boa quantidade de tarefas domésticas, não se detecta aumento de probabilidade de divórcio relativamente ao caso de referência (dona de casa e marido que faz pouco em casa).

A vida familiar é dos dois

Isto indica que para muitos casamentos a solução preferida não é que o marido faça metade do trabalho doméstico, mas sim a parte que seja possível e razoável segundo as circunstâncias da família e os horários de um e outro.

Seria excessivamente teórico exigir uma repartição em partes iguais que não seria bem aceite por todas as famílias.

Segundo as investigações que dispõe, Brad Wilcox - professor de sociologia na Universidade da Virginia - constata que as mulheres casadas que se dedicam a cuidar dos filhos e de outras tarefas domésticas estão satisfeitas quando vêem que os maridos ajudam em casa em tudo o que podem, ainda que façam menos que elas.

Pelo contrário, Wilcox não encontrou estudos que confirmem a tese que a maioria das mulheres desejam um modelo "igualitário", na distribuição das tarefas em casa. Na sua opinião, essa distribuição depende sobretudo de factores como a maternidade ou a situação laboral da mulher.

Como explica em declarações à revista Perspective (Junho de 2010), não é raro que uma mãe com filhos pequenos queira gastar mais tempo com eles e menos no trabalho fora, e preferiam que durante esses anos fosse principalmente o marido a sustentar a família.

Em tais casos, a distribuição desigual das tarefas domésticas, relacionada com a diferente atenção de cada um ao trabalho remunerado, não supõe falta de empenho masculino. Pelo contrário mostra, a seu modo, que a vida familiar é levada avante entre marido e mulher, ainda que as tarefas e a dedicação a elas sejam distintas.

Juan Meseguer
Aceprensa

Tota Pulchra Es Maria

O Evangelho do dia 29 de outubro de 2016

Entrando Jesus, um sábado, em casa de um dos principais fariseus, para comer, eles estavam a observá-l'O. Disse também uma parábola, observando como os convidados escolhiam os primeiros lugares à mesa: «Quando fores convidado para um banquete nupcial, não te coloques no primeiro lugar, porque pode ser que outra pessoa de mais consideração do que tu tenha sido convidada pelo dono da casa, e que venha quem te convidou a ti e a ele e te diga: Cede o lugar a este; e tu, envergonhado, vás ocupar o último lugar. Mas, quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier quem te convidou, te diga: Amigo, vem mais para cima. Então terás com isto glória na presença de todos os convidados; porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado».

Lc 14, 1.7-11

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Santo Sepulcro reaberto

Ao esquecimento de si mesmo chega-se pela oração

A maior parte dos que têm problemas pessoais, "têm-nos" pelo egoísmo de pensar em si próprios. (Forja, 310)

Cada um de vós, se quiser, pode encontrar o caminho que lhe for mais propício para este colóquio com Deus. Não me agrada falar de métodos nem de fórmulas, porque nunca fui amigo de espartilhar ninguém; tenho procurado animar todas as pessoas a aproximarem-se do Senhor, respeitando cada alma tal como ela é, com as suas próprias características. Pedi-lhe vós que meta os seus desígnios na nossa vida: e não apenas na nossa cabeça, mas no íntimo do nosso coração e em toda a nossa actividade externa. Garanto-vos que deste modo evitareis grande parte dos desgostos e das penas do egoísmo e sentir-vos-eis com força para propagar o bem à vossa volta. Quantas contrariedades desaparecem, quando interiormente nos colocamos muito próximos deste nosso Deus, que nunca nos abandona! Renova-se com diversos matizes esse amor de Jesus pelos seus, pelos doentes, pelos entrevados, quando pergunta: que se passa contigo? Comigo... E, logo a seguir, luz ou, pelo menos, aceitação e paz.

Ao convidar-te para fazeres essas confidências com o Mestre, refiro-me especialmente às tuas dificuldades pessoais, porque a maioria dos obstáculos para a nossa felicidade nascem de uma soberba mais ou menos oculta. Pensamos que temos um valor excepcional, qualidades extraordinárias. Mas, quando os outros não são da mesma opinião, sentimo-nos humilhados. É uma boa ocasião para recorrer à oração e para rectificar, com a certeza de que nunca é tarde para mudar a rota. Mas é muito conveniente iniciar essa mudança de rumo quanto antes. (Amigos de Deus, 249)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

“Julgo que não tenho inimigos. Na minha vida encontrei pessoas que me prejudicaram, positivamente. Não as considero como inimigos: sou muito pouca coisa para os ter. Contudo, desde agora, eles e elas ficam incluídos na categoria de benfeitores, para rezar ao Senhor por eles todos os dias”, anota hoje.

“A beleza da virtude da temperança” pelo Pe. Rodrigo Lynce de Faria

«Oxalá tudo aquilo que eu tocasse se transformasse em ouro» ― desejou ardentemente um rei mitológico. E o “maravilhoso” dom foi-lhe concedido pelo génio. Porém, a vida não correu como o velho monarca tinha sonhado. Tudo o que tocava se convertia em ouro ― também a comida e a bebida que, desesperadamente, tentava engolir. Assustado, tomou nos braços a sua pequena filha e ela transformou-se numa estátua dourada. Os seus empregados fugiam dele a sete pés com medo de terem a mesma “sorte”.

Era o homem mais rico do mundo... e o mais desgraçado. «Que infeliz sou! Por amor ao ouro, perdi tudo aquilo que na minha vida tinha mais valor». Ao ouvir isto, o génio apiedou-se do “pobre” Midas e mandou-o submergir-se nas águas do rio para purificar-se do malefício. E tudo voltou à normalidade. A partir de então, o rei nunca mais se deixou “cegar” pelo afã de riquezas: tinha aprendido que na vida havia coisas com mais valor.

Esta velha história sempre se interpretou como um convite a viver a virtude da temperança. Só aquele que vive com uma certa exigência pessoal ― sem se deixar escravizar pelos desejos de possuir e acumular muitas coisas ― aprende a usar correctamente aquilo de que necessita e é capaz de alcançar uma felicidade verdadeira nesta vida. Sendo isto tão óbvio, porque é que a temperança é vista por muita gente como algo negativo? Fundamentalmente, porque exige esforço. E o esforço é, para muitos, o inimigo número um da felicidade.

Não é possível vivermos de um modo temperado se não estivermos dispostos a dizer que não a algumas das nossas tendências. A beleza da virtude da temperança só se pode compreender quando percebemos que vale a pena. Ela não é uma simples negação daquilo que nos atrai. Vê-la desse modo seria um reducionismo! A temperança põe ordem na sensibilidade e na afectividade, nos gostos e nos desejos. No fundo, nas tendências mais íntimas que cada um de nós possui. E possuir ordem nessas tendências é o único caminho para sermos felizes de verdade.

Como qualquer virtude, a temperança é, antes de mais nada, uma afirmação do bem e, só como consequência, uma negação a deixar-se arrastar pelo mal. Convém recordar que o mal não estava no ouro, mas no coração desordenado do rei Midas. Necessitamos das nossas tendências, mas elas não podem ter sempre a última palavra no nosso actuar. Porquê? Porque, como reconheceu o rei mitológico, há coisas na nossa vida que possuem mais valor.

Um cristão, que vive na graça de Deus, sabe que leva um tesouro no seu coração. A consciência desse tesouro ― no qual encontra verdade, felicidade e sentido para a vida ― leva-o a viver com delicadeza a virtude da temperança.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS

Quantas vezes já experimentaste abandonares-te a Mim, sem ligares à tua vontade e aos teus interesses?
Algumas vezes, Senhor, algumas vezes.

E qual foi o resultado desse abandono a Mim?
Uma paz imensa e o encontrar caminho para as situações que vivia e que nem sempre era o caminho da minha vontade.

E depois?
Ah, Senhor, depois, logo a seguir, a certeza inabalável de que estás sempre comigo.

Então porque teimas tantas vezes em quereres estar sozinho, afastando a minha presença da tua vida?
Porque sou fraco, Senhor, porque sou pecador, porque tenho medo, nem eu sei bem de quê.

Então não temas, refugia-te mais na oração. Ela te levará ao abandono de ti, e nesse abandono encontrar-me-ás, porque Eu estou sempre contigo.
Obrigado, Senhor, nas Tuas mãos me entrego!

Monte Real, 28 de Outubro de 2015

Joaquim Mexia Alves

Seguros da presença de Deus

«Vivei na união e na paz, e Deus estará certamente convosco, pois Deus é um Deus de paz, e aí põe as Suas delícias. O seu amor produzirá a vossa paz e todos os males serão desterrados da vossa Igreja»

(São João Crisóstomo - Homília sobre 2 cor, 30)

«Quando o homem começa a olhar e a viver a partir de Deus, quando caminha em companhia de Jesus, passa a viver segundo novos critérios e então um pouco de eschaton, daquilo que há-de vir, está presente já agora. A partir de Jesus, entra alegria na tribulação».

(Joseph Ratzinger / Bento XVI - “Jesus de Nazaré”)

S. Simão e S. Judas Tadeu, apóstolos

Simão e Judas aparecem juntos nas diversas listas dos "doze". Na lista dos doze, Simão vem no undécimo lugar em Marcos e Mateus e no décimo em Lucas; Judas no undécimo em Lucas e no décimo em Marcos e Mateus. Dão a este o cognome de Tadeu. O lugar no fim da lista leva a pensar nos trabalhadores contratados às cinco horas da tarde. (Mt 20,6). "São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, também chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, o filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu ..." (Mateus 10,1ss.). A respeito de Simão, apenas sabemos que era originário de Caná e era chamado Zelota. Certamente Simão teria pertencido ao partido radical e nacionalista dos zelotas, opositores intransigentes do domínio romano na Palestina. Quanto a Judas, chamado Tadeu, sabemos pelo Evangelho que, na Última Ceia, perguntou a Jesus: "'Senhor, por que te manifestarás a nós e não ao mundo?' Respondeu-lhe Jesus: “Se alguém me ama, guardará minha palavra e o meu Pai o amará, e a ele viremos e nele estabeleceremos morada. Quem não me ama não guarda minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou”.

Segundo S. Jerónimo, Judas terá pregado em Osroene (região de Edessa). Terá evangelizado a Mesopotâmia. S. Paulino de Nola tinha-o como apóstolo na Líbia. Fortunato de Poitiers julgava-o enterrado na Pérsia. Os martirológios latinos conservam esta notícia, utilizando uma narração que o reúne a Simão.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 28 de outubro de 2016

Naqueles dias Jesus retirou-se para o monte a orar, e passou toda a noite em oração a Deus. Quando se fez dia, chamou os Seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de Apóstolos: Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro, seu irmão André, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Simão, chamado o Zelote, Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.  Descendo com eles, parou numa planície. Estava lá um grande número dos Seus discípulos e uma grande multidão de povo de toda a Judeia, de Jerusalém, do litoral de Tiro e de Sidónia, que tinham vindo para O ouvir, e para ser curados das suas doenças. Os que eram atormentados pelos espíritos imundos ficavam também curados. Todo o povo procurava tocá-l'O, porque saía d'Ele uma virtude que os curava a todos.

Lc 6, 12-19

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Em homenagem ao Prof. João Lobo Antunes que hoje nos deixou. Requiescat in pace

Alegria – Sofrimento – Depressão

Como falar de alegria sem evocar quanto nos afasta dela, isto é, sem "desmontar" as inúmeras "razões circunstanciais" que pensamos ter que nos impedem de gozar a alegria saudável e gratificante que Deus quer que os Seus filhos - que somos todos os homens - vivam?

Será que o contrário de alegria é o sofrimento?

Não me parece que a pergunta tenha qualquer razão de ser.

É verdade que quem sofre não pode estar alegre?

Porque não?
O que tem uma coisa a ver com a outra?

Em primeiro lugar o sofrimento é uma condição humana enquanto a alegria é um estado de espírito.

O sofrimento - refiro-me ao sofrimento moral ou psíquico - pode ser uma condicionante da própria vida pessoal porque se se lhe der rédea solta pode "tomar conta" da pessoa, condicionar o seu pensamento, afectar a sua esperança e, até no ponto de vista mais íntimo, alterar profundamente a sua capacidade de reacção perante os factos mais comezinhos da vida corrente.

Acontece quase sempre que, quando isto acontece - isto é - quando não se lhe impõe um controlo, tende a evoluir numa espiral ascendente que acaba por dominar a pessoa.

Não é algo sem importância, bem pelo contrário, a pessoa nesta situação sofre realmente e tanto mais quanto se "deixa ir" ou se "entrega" sem reagir.


Evidentemente que neste caso a alegria não é possível como de resto não são quaisquer outros sentimentos a não ser uma crescente auto-comiseração, ou até vitimização que se traduz num estado de ânimo cada vez mais condicionado e incapacitado de reagir.

Daqui ao isolamento é um pequeno passo em que se chega a um estado moral deplorável em que nada apetece, ninguém interessa, caindo num estado abúlico de "morto vivo".


Normalmente dá-se a esta situação o nome de depressão.

E que pode estar na origem de tal?

Um problema mental?

Uma circunstância traumatizante que não se conseguiu ultrapassar?

Um hábito?

Sim... um hábito porque o estado depressivo tende a repetir-se e cada vez com maior frequência e durante mais tempo.

Voltemos a considerar o tema por onde começámos: a alegria.


Se entendemos alegria por um sentimento de satisfação provocado por algo que pode ser uma consideração, a constatação de uma realidade, uma conclusão definitiva de um bem a que temos acesso ou nos é próprio, então poderíamos concluir que a " cura " para os estados depressivos reside na alegria.

Mas como fazer? Como dar a alguém a alegria que não tem?

Penso que uma forma de o conseguir será começar por "mostrar" à pessoa o lado positivo da sua vida e de quanto a ela respeita.

Evidentemente que ao "aplicar" este método se está de alguma forma a "invadir "a intimidade do outro pelo que só deve ser posto em prática por quem tem uma sólida formação humana no que ela envolve nos aspectos intelectuais e morais.

Não havendo nenhum homem igual a outro, também estas situações não têm um "padrão" que permita desenhar uma mesma "receita" para qualquer situação.

É claro que a medicina tem possibilidades de prestar auxílio importante, quer com a psicologia ou a psiquiatria, quer, tanto num caso como noutro, com recurso a fármacos.

Seja como for, embora prestando um auxílio não descartável, raramente resolve o problema por completo e de forma definitiva.

Penso que a melhor forma e prestar auxílio importante seja a companhia, o convívio.

Será, com certeza, por vezes muito difícil porque, como já se disse, a pessoa nessas circunstâncias como que foge ao contacto mesmo com os mais próximos ou íntimos.

Há, então, que "forçar" esse convívio, "obrigar" ao diálogo, "puxar" por um assunto.

É fundamental ter paciência, muita paciência e não desistir e, sobretudo, mostrar enfado ou desilusão.
Tendo sempre consciência que a pessoa não está no "seu estado normal", se encontra limitada até na capacidade de raciocinar, não esperar por reacções positivas, aliás, poderá até acontecer que estas sejam bastante negativas e desencorajadoras.

Mas o que realmente importa é considerar que não se está a " aplicar uma receita" mas a prestar um serviço de autêntica caridade para com o nosso próximo sofredor e necessitado.

Uma obra de misericórdia?

Sem dúvida e de inestimável valor.

Por isso mesmo, devemos pedir ao Pai da Misericórdia, que nos inspire o que fazer e como fazer.

ama, 2016.03.14